Maomé Cã Cajar

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Aga Maomé Cã Cajar
Xá da Pérsia
Reinado 1789-17 de junho de 1797
Antecessor(a) Dinastia Zand
Sucessor(a) Fath Ali Xá Cajar
Dinastia Cajar
Nascimento 14 de março de 1742
  Gorgan, Irão
Morte 17 de junho de 1797
  Susa, Irão
Pai Maomé Haçane
Assinatura Assinatura de Aga Maomé Cã Cajar

Aga Maomé Cã Cajar (em persa: آغا محمد خان قاجار; transl.: Āghā Mohammad Khān Qājār) (Gorgan, Irão, 14 de março de 1742 – Susa (Hoje parte do Azerbaijão), 17 de junho de 1797) foi o fundador da dinastia Qajar do Irã, governou de 1789 a 1797 como rei (xá). Em 1789, foi entronado como o rei do Irã, mas não foi oficialmente coroado até março de 1796. Em 17 de junho de 1797, foi assassinado e sucedido por seu sobrinho, Fath Ali Xá Cajar. Aga Maomé Cã também é conhecido pela mudança da capital para Teerã, que é a capital do país até hoje.

O reinado de Aga Maomé Cã destacou-se na reemergência de um Irã centralizado e unificado. Depois da morte de Nader Xá, muitos dos territórios iranianos no Cáucaso foram comandados por várias dinastias iranianas, os estados que hoje compõem os territórios da Geórgia, do Daguestão, do Azerbaijão e da Armênia tinham se desmembrado do Irã e declarado independência, mas 48 anos depois foram reconquistados por Aga Maomé Cã. Algumas das suas reconquistas foram consideradas cruéis até para os padrões daquela época, como a reconquista da Geórgia onde ele saqueou a capital Tbilisi e massacrou muitos de seus habitantes e levou para o Irã 15 000 georgianos.[1]

Juventude[editar | editar código-fonte]

Aga Maomé Cã nasceu em 1742 em Gorgan. Pertencia à tribo dos cajares. Aga Maomé Cã era o filho mais velho de Maomé Haçane Cã Cajar, líder da parte Coiunlu da tribo, e neto de Fath Ali Cã. Aga Maomé Cã teve muitos irmãos e meio-irmãos.

Vida na corte de Karim Cã[editar | editar código-fonte]

Aga Maomé Cã, durante sua estadia, foi tratado com gentileza e honra por Karim Cã, que convenceu seus homens a largarem suas armas, o que eles fizeram. Karim Cã então deixou-os em Damghan.

Em 1763, Aga Maomé Cã e Huceine Coli Cã foram enviados para a capital do Império Zand, Xiraz. Os dois meio-irmãos de Aga Maomé Cã, Morteza Coli Cã e Mustafá Coli Cã, ganharam permissão para viver em Astarabade, já que a mãe deles era a irmã do governador da cidade. Os outros irmãos de Aga Maomé Cã foram enviados para Qazvin, onde eles foram tratados com respeito.

Aga Maomé, durante sua estadia na corte de Karim Cã, foi visto mais como um convidado respeitoso do que como um cativo. Mais tarde, Karim Cã também reconheceu o conhecimento político de Aga Maomé Cã e pediu conselhos a ele sobre interesses do estado e costumava chamá-lo "Pīrān-e Vēas", do que o conselheiro inteligente do lendário rei iraniano Afrasiabe.[1]

Luta pelo poder[editar | editar código-fonte]

Conquista de Mazandaram e Gilam[editar | editar código-fonte]

O Palácio de Karim Cã, a residência real da dinasta Zand, onde Aga Maomé Cã passou a maior parte de seu tempo durante seu "cativeiro".

Aga Maomé Cã levou com ele um grupo de leais seguidores e foi para Teerã. Enquanto isso, em Xiraz, as pessoas estavam lutando umas contra as outras. Em Teerã, Aga Maomé Cã encontrou-se com os principais chefes do Clã de Develu, com quem ele fez a paz. Ele foi para o palácio de Shah Abd al-Azim, onde a caveira de seu pai estava guardada. Ele foi para Mazandaram, onde sua primeira missão foi conquistar sua soberania entre seus irmãos Coiunlu. Isso resultou em uma briga com seus irmãos Reza Coli e Morteza Coli, que ele derrotou em 2 de abril e conquistou Mazandaram. Enquanto isso, Morteza Coli fugiu para Astarabade, onda ele se fortificou. Aga Maomé Cã não poderia simplesmente declarar guerra a Morteza Coli, por isso significaria que sua aliança com os develu poderia ser cancelada, porque a mãe de Morteza Coli era uma develu. Ao mesmo tempo, o príncipe zand Ali Murad Cã enviou um exército de tropas zand e afegãs comandadas pelo filho de Azad Cã Afegã, Mahmud Cã para Mazandaram. Aga Maomé Cã, junto com os filhos de Huceine Coli Cã, Fath Ali Coli e Huceine Coli, estava em uma posição firme em Babol, a capital de Mazandaram.

Algum tempo depois, Reza Coli invadiu Babol com um exército de Laijão, onde ele capturou Aga Maomé Cã. Quando Morteza Coli descobriu sobre a captura de Aga Maomé Cã, marchou até o lugar com um exército de turcos e o libertou. Os três irmãos então tentaram resolver os seus problemas, o que Aga Maomé Cã e Reza Coli foram determinados a fazer. Morteza Coli ficou descontente e fugiu para Ali Murad Cã em Ispaã, e depois para Sadique Cã Zand, em Xiraz. Ele morreu em Coração. Os apoiadores de Morteza Coli foram a Aga Maomé Cã e começaram a servi-lo. Naquela ocasião, Aga Maomé Cã se envolveu novamente em um conflito contra seu irmão Reza Coli, a quem ele derrotou em muitas batalhas; e depois disso ele fez a paz mais uma vez: Morteza Coli foi líder de facto de Astarabade e muitos distritos de Mazandaram.

Mapa do norte do Irão

Mas, a paz não durou muito: Ali Murad Cã invadiu Mazandaram, o que fez com que Aga Maomé Cã marchasse para Babol com um exército de Mazandaranis e cajares e atacou a província. Aga Maomé Cã tomou Cumis, Semnan, Damghan, Shahrud; Bastam. Mais tarde, ele também fez Hidayat-Alá Cã, o líder de Gilam, seu súdito. Ele concedeu terras em Semnan para seu irmão Ali Coli, por causa da ajuda que ele deu para conquistar as cidades mencionadas.

Primeiro conflito com os russos, disputa com Gilam, e a invasão do norte do Iraque persa[editar | editar código-fonte]

Em 1781, o Império Russo, que estava interessado em construir uma rota de comércio com o Irã com o objetivo de comercializar com regiões dentro da Ásia, mandou um emissário sob as ordens de Marko Ivanovich Voinovich para a costa de Gorgan, onde ele pediu a construção de um ponto de troca em Ashraf, o que Aga Maomé Cã recusou. No entanto, Voinovich ignorou sua recusa e instalou uma instalação na ilha de Ashurada. Aga Maomé Cã não podia fazer nada, já que ele não tinha nenhum navio- ele desafiou Voinovich e alguns de seus homens a encontrá-lo em Astarabade, onde eles foram mantidos como reféns, até que Voinovich foi forçado a ordenar que seus homens saíssem de Ashurada.

Mapa russo do século XIX mostrando a ilha de Ashurada

Um ano depois, Aga Maomé Cã invadiu Gilam, porque o governante Hidayat-Allah tinha feito uma aliança com a dinastia Zand. Hidayat-Allah então enviou dois diplomatas, Mirza Sadique e Aga Sadique, para Aga Maomé, com o objetivo de fazer paz. Ele mais tarde, sem precauções, foi para Shirvan. Os diplomatas foram incapazes de chegar a termos favoráveis com Aga Maomé Cã, que invadiu a capital de Gilam, Resht, onde ele ganhou muitas riquezas. Muito feliz com sua vitória, ele enviou seu irmão Jafar Coli Cã para conquistar o norte do Iraque. Ele derrotou um exército Zand em Ray (ou Karaj), e mais tarde saqueou Qazvin e marchou para Zanjan, que também saqueou. Em 1783, Aga Maomé Cã conquistou Teerã, cidade sob controle zand que tinha lhe dado muitos problemas.

A breve submissão de Mazandaram ao Império Zand[editar | editar código-fonte]

No ano seguinte, Ali Murad Cã, vingando-se do ataque de Aga Maomé Cã a Teerã no ano anterior, enviou um grande exército sob o comando do seu filho Vais Cã para Mazandaram, o que fez com que a população se rendesse rapidamente, enquanto Aga Maomé Cã e alguns de seus a seguidores fugiram para Astarabade, onde ele tentou defender a cidade tanto quanto podia. Enquanto isso, Morteza Coli rapidamente mudou de aliança e começou a servir à dinastia Zand. Ali Murad Cã então enviou um exército sobre a ordem de seu parente Maomé Zair Cã para Astarabade, onde ele saqueou.

Primeira Guerra com Jafar Cã Zand[editar | editar código-fonte]

Retrato de Jafar Cã

Enquanto isso, Ali Murad Cã tinha trazido outras tropas zand, que ele enviou para Mazandaram sob o comando de seu primo Rostam Cã Zand, mas foi derrotado por Aga Maomé Cã. Ali Murad Cã morreu em 11 de fevereiro de 1785. quando Aga Maomé Cã soube da morte dele tentou capturar Teerã. Quando ele chegou na cidade, os habitantes disseram a ele que abririam a porta para o rei do Irão, que de acordo com eles era Jafar Cã Zand, que sucedeu Ali Murad Cã. Portanto Aga Maomé Cã tinha que derrotar Jafar Cã para ser reconhecido como rei do Irão. Ele marchou para Ispaã. Jafar Cã enviou seus homens para parar o seu avanço ao redor da cidade, mas Aga Maomé Cã venceu em Cum sem encontrar nenhuma resistência. Jafar Cã então enviou um exército zand ainda maior para Aga Maomé Cã, que o derrotou perto de Caxam. Jafar Cã fugiu fugiu para Xiraz. Aga Maomé chegou em Ispaã, onde ele descobriu o que tinha sobrado do tesouro Zand e do harém de Jafar Cã, as tropas Qajar saquearam a cidade.

Durante o verão de 1785, Aga Maomé Cã fez de Teerã seu quartel-general durante suas expedições no Iraque Persa. Em 12 de março de 1786, Aga Maomé Cã fez Teerã sua capital, que até então tinha uma população entre 15 e 30 mil pessoas.[2] Durante esse período, Aga Maomé Cã viu-se como rei do Irã, entretanto ele evitou usar o título "Xá".

Segunda invasão de Gilam[editar | editar código-fonte]

Aga Maomé Cã agora tinha de focar-se em Gilam, porque Hidayat-Alá Cã tinha retornado à província (com a ajuda do Império Russo) desde a invasão Qajar em 1782. Aos olhos de Aga Maomé Cã, toda a costa do mar Cáspio estava sob controle de Hidayat-Alá e do Império Russo. Aga Maomé Cã e seus homens entraram facilmente em Gilam. Quando marchou por Resht, ele foi ajudado por um chefe local chamado Madi Begue Calatbari e por outras pessoas. Mais tarde, o conselho russo em Gilam traiu Hidayat-Alá dando armamento a Aga Maomé Cã. Hidayat-Alá tentou fugir para Xirvam novamente, mas foi capturado por um líder local chamado Aga Ali de Shaft (ou outro líder local de acordo com outras fontes), que o matou para vingar o massacre de sua família poucos anos antes. Gilam estava agora sobre controle absoluto da dinastia Qajar. Apesar da conquista de Gilam, a segunda coisa mais valiosa para Aga Maomé Cã foi ganhar o tesouro de Hidayat-Alá.

Segunda guerra com Jafar Cã Zand e chegada ao trono[editar | editar código-fonte]

Aga Maomé Cã e seus seguidores

Algum tempo depois, um líder local chamado local chamado Amir Maomé Cã, que tinha recentemente com outro líder local chamado Taci Cã (o líder de Iazd) derrotou Jafar Cã e saqueou muitas riquezas, invadiu território cajar, e marchou por Ispaã. Jafar Coli Cã saiu da cidade antes que pudesse defendê-la. Aga Maomé Cã enviou soldados ao sul mais uma vez. Ele se encontrou com Jafar Coli Cã em Ispaã em 1788, e algum tempo mais tarde, fez com que Taci Cã aceitasse a soberania Qajar, e mais tarde puniu algumas tribos Qashqai, que fugiram para as montanhas. Aga Maomé avançou perto de Xiraz. Ele esperava vencer Jafar Cã fora de Xiraz, onde ele estava fortemente fortificado, fazendo com que ele fosse muito difícil de derrotar. Infelizmente para Aga Maomé Cã, Jafar Cã ficou na cidade, o que fez com que ele retornasse para Ispaã, onde ele declarou seu irmão Ali Coli como seu novo governador, onde ele sucedeu Jafar Coli Cã. Ele foi para Teerã.

Com Aga Maomé mais uma vez no norte, Jafar Cã começou a preparar um exército para um novo ataque contra Ispaã e seus arredores. Quando Ali Coli soube do ataque, enviou um grupo de nativos para uma cidade ao sul de Ispaã, chamada Cumixá. Entretanto, Jafar Cã conseguiu derrotá-los facilmente. Ali Coli fugiu para Caxam. Aga Maomé Cã, sabendo disso, rapidamente marchou para Ispaã, o que fez com que Jafar Cã defendesse Xiraz novamente. Aga Maomé Cã, que era muito pessimista para tentar capturar Xiraz, voltou para Teerã. Felizmente para ele, Jafar Cã foi assassinado em 23 de janeiro de 1789, o que começou uma guerra civil de quatro meses entre príncipes da dinastia Zand que lutaram pela sucessão do trono. O filho de Jafar Cã, Lotf Ali Cã emergiu sendo o vitorioso nessa guerra civil em maio.

Reinado[editar | editar código-fonte]

Guerra com Lotf Ali Cã, disputas familiares, e a primeira invasão ao Azerbaijão[editar | editar código-fonte]

Pintura de Aga Maomé Cã (direita) e seu conselheiro Ebraim Cã Calantar (esquerda)

Agora que a dinastia Zand não estava mais sobre o domínio de Jafar Cã Zand, Aga Maomé Cã viu isso como uma boa oportunidade para capturar Xiraz de uma vez por todas. Ele marchou pela cidade, e quando ele estava perto de conquistá-la, ele foi atacado por Lotf Ali Cã: uma batalha foi feita em 25 de junho de 1789, que terminou com Lotf Ali Cã voltando para Xiraz, enquanto Aga Maomé Cã o seguiu e cercou a cidade. O cerco durou até 7 de setembro. Ele então enviou um acampamento e voltou para Teerã, onde ele ficou até o fim consequente de Noruz.

Enquanto Lotf Ali Cã estava tendo problemas com Carmânia, Aga Maomé Cã pode focar-se no Azerbaijão. Ele nomeou Baba Cã como governador do Iraque Persa, e marchou pelo Azerbaijão em 1791 durante a primavera. Ele parou em Tarum, e enviou seu parente Solimão Cã Coiunlu fazer com que o Canato de Talixe reconhecesse a autoridade cajar. Aga Maomé Cã mais tarde foi para Sarabe. Enquanto Aga Maomé Cã estava conquistando o Azerbaijão, Lotf Ali Cã aproveitou a oportunidade para atacar Ispaã. Entretanto, Ebraim Cã Calantar, que era o governador de Xiraz e era amado por seus habitantes. Aproveitou-se da ausência de Lotf Ali Cã para iniciar um golpe enquanto seu irmão Maomé Huceine de Xiraz, que era o comandante da liderança Zand, marchou com muitas outras tropas. Lotf Ali Cã então voltou para Xiraz, mas quando chegou na cidade, os habitantes se recusaram a abrir os portões. Ele então foi até as montanhas e criou um exército grande o suficiente para capturar Xiraz. Ebraim Cã Calantar enviou um emissário para Aga Maomé Cã, perguntando se ele poderia se tornar líder de Fars, e dizendo a ele que ele daria a ele três mil Cavalos se ele aceitasse, o que Aga Maomé Cã imediatamente fez. Quando Aga Maomé Cã chegou a Fars, nomeou Ebraim Cã Calantar como governador da província inteira, e ele enviou um de seus homens para levar a família de Lotf Ali Cã para Teerã, e levou as possessões da família Zand. Mais tarde, ele também ordenou a Baba Cã para estabilizar um cerco perto de Xiraz para estar preparado para ajudar Ebraim Cã Calantar se necessário.

Algum tempo depois, Lotf Ali Cã derrotou os homens de Ebraim Cã Calantar e capturou a sucursal de Cazerum. Ele então marchou para Xiraz. Algum tempo depois, o exército cajar mais próximo atacou os homens de Lotf Ali Cã e os derrotou, mas quando Lotf Ali Cã decidiu participar da batalha o exército cajar foi derrotado. Quando Aga Maomé Cã descobriu sobre isso, ele enviou sete mil homens de cavalaria para reforçar as forças de Ebraim Cã Calantar, e ordenou às forças cajar do cerco próximo a fazerem o mesmo.

Dois anos depois, depois de adquirir a Geórgia Oriental e territórios no norte e no sul do Cáucaso voltaram ao domínio iraniano, ele se proclamou xá (rei dos reis) na planície de Morgan, assim como Nader Xá tinha feito sessenta anos antes.[3]

Reconquista da Geórgia e do restante do Cáucaso[editar | editar código-fonte]

A captura de Tbilisi por Aga Maomé Cã. Uma miniatura do Império Cajar da Biblioteca Britânica.

Em 1795, ele atacou a Geórgia Oriental, que tinha sido subjugada pelo Irã no início da Idade Moderna em 1502,[4] e sido comandada pelos persas desde 1555, mas que tinha conseguido a independência de facto e desintegrado-se do Império Afsharida. Sua campanha de sucesso para adquirir a Geórgia oriental, que tinha sido recentemente unificada por Heráclio II e consistiu no Reino de Cártlia-Cachétia, efetivamente acabou voltando ao domínio iraniano.[5][6] Heráclio II, que foi nomeado rei de Cártlia-Cachétia décadas antes por Nader Xá,[7] fez forte resistência na Batalha de Tbilisi, mas foi rapidamente derrotado.

Resto do reinado[editar | editar código-fonte]

Aga Maomé restaurou a unidade persa para um nível que não tinha desde o governo de Karim Cã. Ele reuniu o território do irão contemporâneo e a região do Cáucaso.[8] Ele foi, entretanto, um homem de extrema violência que matou quase todos que desafiassem sua permanência ao poder, violência que mostrou em muitas de suas campanhas militares. Um ano depois de re-subjugar o Cáucaso, ele capturou Coração. Xá Ruque, líder de Coração e neto de Nader Xá, foi torturado e morto porque Aga Maomé pensou que ele sabia a localização dos tesouros lendários de Nader Xá.

Em 1778, Aga Maomé moveu sua capital de Sari na sua província natal, Mazandaram para Teerã. Ele foi o primeiro rei persa que fez de Teerã — A sucessora da grande cidade de Ray — sua capital, mesmo que os safávidas e os zand tenham expandido a cidade e construído palácios lá. Um dos principais motivos para ele mover a capital muito mais ao norte foi para a capital ficar mais perto do Azerbaijão e dos territórios iranianos no Cáucaso, que naquele tempo ainda não tinham sido cedidos ao Império Russo o que aconteceu durante o século XIX. Ele foi formalmente coroado e fundou a dinastia Qajar em 1796.[9]

Mesmo que os russos tenham pego e ocupado Derbente e Baku durante as expedições Persas de 1796, Aga Maomé Cã com sucesso expandiu a influência iraniana no Cáucaso, reassumindo a supremacia iraniana nos ex-territórios dependentes da região. Ele foi, entretanto, um líder notavelmente cruel, que reduziu Tbilisia a cinzas, enquanto massacrou e prendeu a população cristã. Ele usou estratégias de batalha e poder tribal de Gengis Cã, Tamerlão e Nader Xá.

Assassinato[editar | editar código-fonte]

O reinado legítimo de Aga Maomé foi pouco vivido, porque ele foi assassinado em 1797 em seu ataque a Susa, a capital de capital de Canato de Carabaque, três dias depois de tomar a cidade e menos de três anos no poder (depois da coroação). De acordo com Hasan-e Fasa'i's' Farsnama-ye Naseri, durante a estadia de Aga Maomé em Susa, uma noite em uma conversa entre um atendente georgiano chamado Sadeque e o seu criado particular, Codadade de Ispaã. Eles levantaram a voz um pouco e o Xá ficou furioso ordenou que ambos fossem executados. Sadeque Cã de Xagague, um proeminente emir, interferiu na discussão, mas não foi escutado. O Xá, entretanto, ordenou que a execução fosse adiada para sábado, já que isso havia acontecido na noite de sexta-feira (um dia sagrado para o Islão), ordenou que eles voltassem para seus postos no pavilhão real esperando, envergonhados, sua execução para o dia seguinte. Com a experiência, portanto, eles sabiam que ele iria manter o que tinha ordenado, e, sem esperança, eles passaram a ter ousadia. Quando o xá estava dormindo, eles se juntaram com o criado Abas de Mazandaram, que estava na conspiração com eles, e invadiram o pavilhão real com uma adaga e uma faca e assassinaram o xá.

Seu sobrinho, coroado como Fath Ali Xá Cajar, o sucedeu ao trono.[10]

Governo[editar | editar código-fonte]

Administração provincial[editar | editar código-fonte]

Durante o reinado de Aga Maomé Cã, a administração provincial seguiu o mesmo modelo dos safávidas beglerbegis foram nomeados para governar províncias. Uma cidade era comandada por um calantar ou daghura, enquanto os distritos eram governados por um kadkhuda.

Construções[editar | editar código-fonte]

Aga Maomé Cã não construiu ou reparou muito durante seu reinado, devido às muitas batalhas com as quais esteve ocupado. Em Teerã, ele ordenou a construção de uma mesquita chamada de Masjid-e Shah (significado "a Mesquita do Xá"), enquanto em Mashhad ele ordenou a reparação do santuário de Imam Reza. Em Astarabade, ele reparou (ou fortificou) as paredes, esvaziou o poço, construiu muitos prédios, um deles o palácio do governador. Mais tarde, ele também tornou a cidade mais luxuosa. Ele fez algo semelhante em Babol, Ashraf e Sari. De todas essas construções e reparações, sua melhor e mais duradoura criação foi a reforma de Teerã, a capital e maior cidade iraniana até hoje.[11]

Precedido por
Dinastia Zand
Xá Cajar
1789 - 1797
Sucedido por
Fath Ali Xá Cajar

Referências

  1. a b electricpulp.com. «Aga Mohammad Khan Qajar». www.iranicaonline.org. Encyclopaedia Iranica. Consultado em 26 de setembro de 2015 
  2. Daryaee, Touraj (19 de janeiro de 2012). The Oxford Handbook of Iranian History. [S.l.]: Oxford University Press. ISBN 9780199875757 
  3. Axworthy, Michael (6 de novembro de 2008). Iran: Empire of the Mind: A History from Zoroaster to the Present Day. [S.l.]: Penguin UK. ISBN 9780141903415 
  4. Rayfield, Donald (15 de fevereiro de 2013). Edge of Empires: A History of Georgia. [S.l.]: Reaktion Books. ISBN 9781780230702 
  5. Fisher, William Bayne; Avery, P.; Hambly, G. R. G.; Melville, C. (10 de outubro de 1991). The Cambridge History of Iran. [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN 9780521200950 
  6. Axworthy, Michael (6 de novembro de 2008). Iran: Empire of the Mind: A History from Zoroaster to the Present Day. [S.l.]: Penguin UK. ISBN 9780141903415 
  7. Suny, Ronald Grigor (1 de janeiro de 1994). The Making of the Georgian Nation. [S.l.]: Indiana University Press. ISBN 0253209153 
  8. «Ebrahim Kalantar Širazi». www.iranicaonline.org. Encyclopaedia Iranica. Consultado em 26 de setembro de 2015 
  9. Axworthy, Michael (6 de novembro de 2008). Iran: Empire of the Mind: A History from Zoroaster to the Present Day. [S.l.]: Penguin UK. ISBN 9780141903415 
  10. Ghani, Cyrus; Ghanī, Sīrūs (1 de janeiro de 2000). Iran and the Rise of the Reza Shah: From Qajar Collapse to Pahlavi Power. [S.l.]: I.B.Tauris. ISBN 9781860646294 
  11. Fisher, William Bayne; Avery, P.; Hambly, G. R. G.; Melville, C. (1991-10-10). The Cambridge History of Iran. [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN 9780521200950  Verifique data em: |ano= (ajuda)