Margarida Reis Alves

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Margarida Reis Alves
Margarida Reis Alves em 2019
Nascimento 1933
Vila Nova de Gaia
Cidadania Portugal
Ocupação artista plástico

Margarida Reis Alves (Vila Nova de Gaia, 18 de dezembro de 1933), é uma artista plástica portuguesa que foi pioneira na especialização das Artes do Têxtil no Porto.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filha de Margarida Dias Reis e de Carlos José de Sousa Alves. Estudou na Escola Artística de Soares dos Reis, no Porto, tendo se especializado nas áreas de tecelagem, tapeçaria e processos de impressão têxtil[1][2]. Foi professora na Escola Aurélia de Sousa e na Escola Artística Soares dos Reis, desde 1977 e até 1999. Colaborou com Marta Resende na lecionação de tapeçaria sob a regência de Amândio Silva, secção de Pintura da Escola de Belas Artes do Porto. É pioneira na especialização das Artes do Têxtil no Porto, a par de Gisele De Santi, em Lisboa[3].

Enquanto especialista, realizou vários programas de tecelagem e tapeçaria para o ensino artístico para a Direção Geral do Ensino e para o programa artes do têxtil do curso superior de manualidades educativas da Cooperativa de Ensino Superior Artístico Árvore. Contactou com Ernesto de Melo e Castro, criador do curso das “Artes e Técnicas dos Tecidos” na Escola Secundária Artística António Arroio, em Lisboa, adaptando-o aos contextos de lecionação da Escola Aurélia de Sousa e mais tarde da Escola Artística de Soares dos Reis. Esta área disciplinar coordenada por Margarida Reis, influenciou anos mais tarde a criação da disciplina “Têxteis Construídos” na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto por Rute Rosas, em 2010.

Arte[editar | editar código-fonte]

Imagem de "Estrutura e Movimento" 1986-1987. Coleção de Arte da Caixa Geral de Depósitos.

Expõe desde 1986 com objectos têxteis que desafiam certas regras ligadas à tapeçaria e tecelagem, relacionando várias tecnologias associadas às técnicas de agulha e malha[4]. Foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian entre 1993 e 1995, período de grande produção que propiciou a realização da sua primeira exposição individual “A Linguagem Amorosa dos Têxteis” na Cooperativa Árvore, no Porto, em 1995[5].

Fez incidir a sua prática artística na matéria têxtil em especial na seda, algodão e linho e explorando várias técnicas tradicionais associadas. Mas também se encontram nos seus trabalhos a pedraria, fios metalizados, pedras de cristal, tule, fios de ouro, prata, sementes, flores que justapõe de formas singulares[6]. Com o linho realizou várias experiências com vista a que o fio de linho adquirisse volume e permitisse criar obras têxteis que fixassem uma volumetria. Para esse efeito colaborou com engenheiros do antigo Instituto Tecnológico da Covilhã, para transformar a fibra pesada do linho e fazê-lo adquirir volumetria.Também a tinturaria é idealizada pela artista e produzida em colaboração com a Eng. Maria Natália Queiroz e o Eng. Miguel Frederico, este último na altura diretor do Instituto Tecnológico da Covilhã. A propósito das cores no trabalho de Margarida Reis, Luísa Dacosta refere que "esta cosmogonia em azul-azuis, que vão do azul noite, matizado de verdes, ao mais aberto e auroral, este azul-azulíssimo engloba-nos, placentário, na sua atmosfera e azulesce-nos a alma e os sentidos"[7]. O processo experimental de transformação do linho inspirou a sua primeira exposição e em particular as obras "Campos de Linho. Nascendo, Florindo e Dormindo ao Sol", que integram a coleção de arte da Fundação Belmiro de Azevedo.

Margarida Reis, detalhe da obra Escritas do Sol, 2015

Conceptualmente interessa-lhe a memória da tapeçaria, desenvolver o seu legado justapondo com elementos que retira da natureza, como a espiral, o buraco negro, a rede, as suas memórias e inquietações sobre o ser, a origem e o eterno retorno[8]. Fernando Pernes refere "nocturna e solar é bem esta arte, afecta às raízes da vida, mesclando os azuis, vermelhos e ouros-cinza, do sangue ou dos campos de linho, a tecerem um imaginário de modernidade cheio de ancestralidade"[9]. O seu processo de trabalho é longo e demorado. Por exemplo, a série que compõe "Em Busca do Silêncio à Procura do Mar" (1995-2002) demorou 7 anos a ser produzida e a série “Escritas do Sol” (2004-2015) 11 anos a ser realizada[10].

Seleção de Exposições Individuais[editar | editar código-fonte]

A Linguagem Amorosa do Têxtil, Cooperativa Árvore, Porto (12 a 31 de maio 1995)

Em Busca do Silêncio à procura do Mar, Museu Alberto Sampaio, Guimarães (2002) e Contextile, Guimarães (2013)

Escritas do Sol, Galeria Municipal de Matosinhos (2015)

Prémios[editar | editar código-fonte]

Arachné, 2º Prémio da Bienal Nacional de Matosinhos

Coleções[editar | editar código-fonte]

As suas obras encontram-se presentes nas colecções de várias entidades, entre elas:

Várias coleções particulares

Referências

  1. «Convidados». Bienal de Cerveira. 10 de fevereiro de 2015. Consultado em 3 de dezembro de 2019 
  2. «XVIII BIENAL DE CERVEIRA | e-cultura». www.e-cultura.sapo.pt. Consultado em 3 de dezembro de 2019 
  3. Rita, Dora (2016). [file:///Users/dejavu/Downloads/ulsd729915_td_Dora_Rita.pdf Arte Têxtil Contemporânea e Sustentabilidade] Verifique valor |url= (ajuda) (PDF). Lisboa: Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa 
  4. «Margarida Reis inaugura exposição na Galeria Municipal de Matosinhos». CM Matosinhos. Consultado em 3 de dezembro de 2019 
  5. «Margarida Reis inaugurou exposição em Matosinhos». CM Matosinhos. Consultado em 3 de dezembro de 2019 
  6. Fernandes, Maria Isabel (2015). Escritas do Sol. Matosinhos: Câmara Municipal de Matosinhos 
  7. Dacosta, Luísa (2002). Os Fios de Penélope in Em Busca do Silêncio à Procura do Mar. Guimarães: Museu Alberto Sampaio. pp. 6–7 
  8. Princípe, César (maio de 1995). «Trajectos e Objectos. O Amor Resiste à Europa». Jornal de Notícias 
  9. Pernes, Fernando (1995). O Diáfano e o Telúrico in A Linguagem Amorosa do Têxtil. Porto: Cooperativa Árvore. 7 páginas 
  10. «ESAD / Feeds». ESAD Matosinhos (em inglês). Consultado em 24 de dezembro de 2019