Margarida Reis Alves

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Margarida Reis no seu atelier, Porto, Dezembro 2019.

Margarida Reis[editar | editar código-fonte]

Margarida Reis Alves, nasceu a 18 de dezembro de 1933, em Vila Nova de Gaia - Portugal, onde vive. Filha de Margarida Dias Reis e de Carlos José de Sousa Alves. Estudou na Escola Artística de Soares dos Reis, no Porto, tendo se especializado nas áreas de tecelagem, tapeçaria e processos de impressão têxtil[1][2]. Foi professora na Escola Aurélia de Sousa e na Escola Artística Soares dos Reis, desde 1977 e até 1999. Colaborou com Marta Resende na lecionação de tapeçaria sob a regência de Amândio Silva, secção de Pintura da Escola de Belas Artes do Porto. É pioneira na especialização das Artes do Têxtil no Porto, a par de Gisele De Santi, em Lisboa[3]. Enquanto especialista, realizou vários programas de tecelagem e tapeçaria para o ensino artístico para a Direção Geral do Ensino e para o programa artes do têxtil do curso superior de manualidades educativas da Cooperativa de Ensino Superior Artístico Árvore. Contactou com Ernesto de Melo e Castro, criador do curso das “Artes e Técnicas dos Tecidos” na Escola Secundária Artística António Arroio, em Lisboa, adaptando-o aos contextos de lecionação da Escola Aurélia de Sousa e mais tarde da Escola Artística de Soares dos Reis. Esta área disciplinar coordenada por Margarida Reis, influenciou anos mais tarde a criação da disciplina “Têxteis Construídos” na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto por Rute Rosas, em 2010.

Arte[editar | editar código-fonte]

Imagem de "Estrutura e Movimento" 1986-1987. Coleção de Arte da Caixa Geral de Depósitos.

Expõe desde 1986 com objectos têxteis que desafiam certas regras ligadas à tapeçaria e tecelagem, relacionando várias tecnologias associadas às técnicas de agulha e malha[4]. Foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian entre 1993 e 1995, período de grande produção que propiciou a realização da sua primeira exposição individual “A Linguagem Amorosa dos Têxteis” na Cooperativa Árvore, no Porto, em 1995[5].

Fez incidir a sua prática artística na matéria têxtil em especial na seda, algodão e linho e explorando várias técnicas tradicionais associadas. Mas também se encontram nos seus trabalhos a pedraria, fios metalizados, pedras de cristal, tule, fios de ouro, prata, sementes, flores que justapõe de formas singulares[6]. Com o linho realizou várias experiências com vista a que o fio de linho adquirisse volume e permitisse criar obras têxteis que fixassem uma volumetria. Para esse efeito colaborou com engenheiros do antigo Instituto Tecnológico da Covilhã, para transformar a fibra pesada do linho e fazê-lo adquirir volumetria.Também a tinturaria é idealizada pela artista e produzida em colaboração com a Eng. Maria Natália Queiroz e o Eng. Miguel Frederico, este último na altura diretor do Instituto Tecnológico da Covilhã. A propósito das cores no trabalho de Margarida Reis, Luísa Dacosta refere que "esta cosmogonia em azul-azuis, que vão do azul noite, matizado de verdes, ao mais aberto e auroral, este azul-azulíssimo engloba-nos, placentário, na sua atmosfera e azulesce-nos a alma e os sentidos"[7]. O processo experimental de transformação do linho inspirou a sua primeira exposição e em particular as obras "Campos de Linho. Nascendo, Florindo e Dormindo ao Sol", que integram a coleção de arte da Fundação Belmiro de Azevedo.

Detalhe da obra de Margarida Reis. Escritas do Sol 2015.

Conceptualmente interessa-lhe a memória da tapeçaria, desenvolver o seu legado justapondo com elementos que retira da natureza, como a espiral, o buraco negro, a rede, as suas memórias e inquietações sobre o ser, a origem e o eterno retorno[8]. Fernando Pernes refere "nocturna e solar é bem esta arte, afecta às raízes da vida, mesclando os azuis, vermelhos e ouros-cinza, do sangue ou dos campos de linho, a tecerem um imaginário de modernidade cheio de ancestralidade"[9]. O seu processo de trabalho é longo e demorado. Por exemplo, a série que compõe "Em Busca do Silêncio à Procura do Mar" (1995-2002) demorou 7 anos a ser produzida e a série “Escritas do Sol” (2004-2015) 11 anos a ser realizada[10].

Seleção de Exposições Individuais[editar | editar código-fonte]

A Linguagem Amorosa do Têxtil, Cooperativa Árvore, Porto (12 a 31 de maio 1995)

Em Busca do Silêncio à procura do Mar, Museu Alberto Sampaio, Guimarães (2002) e Contextile, Guimarães (2013)

Escritas do Sol, Galeria Municipal de Matosinhos (2015)

Prémios[editar | editar código-fonte]

Arachné, 2º Prémio da Bienal Nacional de Matosinhos

Coleções[editar | editar código-fonte]

Culturgest - Caixa Geral de Depósitos

Fundação Belmiro de Azevedo

Várias coleções particulares

Referências

  1. «Convidados». Bienal de Cerveira. 10 de fevereiro de 2015. Consultado em 3 de dezembro de 2019 
  2. «XVIII BIENAL DE CERVEIRA | e-cultura». www.e-cultura.sapo.pt. Consultado em 3 de dezembro de 2019 
  3. Rita, Dora (2016). [file:///Users/dejavu/Downloads/ulsd729915_td_Dora_Rita.pdf Arte Têxtil Contemporânea e Sustentabilidade] Verifique valor |url= (ajuda) (PDF). Lisboa: Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Consultado em 3 de dezembro de 2019 
  4. «Margarida Reis inaugura exposição na Galeria Municipal de Matosinhos». CM Matosinhos. Consultado em 3 de dezembro de 2019 
  5. «Margarida Reis inaugurou exposição em Matosinhos». CM Matosinhos. Consultado em 3 de dezembro de 2019 
  6. Fernandes, Maria Isabel (2015). Escritas do Sol. Matosinhos: Câmara Municipal de Matosinhos 
  7. Dacosta, Luísa (2002). Os Fios de Penélope in Em Busca do Silêncio à Procura do Mar. Guimarães: Museu Alberto Sampaio. pp. 6–7 
  8. Princípe, César (maio de 1995). «Trajectos e Objectos. O Amor Resiste à Europa». Jornal de Notícias 
  9. Pernes, Fernando (1995). O Diáfano e o Telúrico in A Linguagem Amorosa do Têxtil. Porto: Cooperativa Árvore. 7 páginas 
  10. «ESAD / Feeds». ESAD Matosinhos (em inglês). Consultado em 24 de dezembro de 2019