Monte Pascoal
Monte Pascoal | |
|---|---|
| Vista do Monte Pascoal a partir da rodovia. | |
| Ponto mais alto | |
| Coordenadas | 16° 55′ 00″ S, 39° 16′ 00″ O |
| Altitude | 536 metro |
| Tipo | montanha |
| Geografia | |
| Localização | Porto Seguro, Bahia, Brasil |
| Continente | América |
| País | Brasil |
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O Monte Pascoal é uma elevação de 586 metros situada no extremo sul da Bahia, reconhecida pela historiografia como um dos principais marcos associados à chegada da armada de Pedro Álvares Cabral ao litoral brasileiro em 22 de abril de 1500, segundo o calendário juliano.[1]
A identificação do monte como a primeira terra oficialmente avistada pelos portugueses baseia-se em interpretações da Carta de Pero Vaz de Caminha e na tradição historiográfica consolidada desde o período colonial.[2][3]
A área onde se situa o monte é território tradicional do povo pataxó e integra, desde 1961, o Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal, reconhecido por sua relevância ecológica, histórica e cultural, sendo um dos locais em que ainda são preservados bolsões da Mata Atlântica original.[4]
Etimologia
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De acordo com a carta de Pero Vaz de Caminha, Pedro Álvares Cabral, o capitão da esquadra, nomeou a montanha avistada como "Monte Pascoal" como consequência da proximidade da data do avistamento a data da Páscoa daquele ano.[3][5]
Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão pôs o nome de O Monte Pascoal (monte da Páscoa) e à terra A Terra de Vera Cruz!
História
[editar | editar código]Povos indígenas
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Muito antes da chegada europeia, a região do Monte Pascoal era habitada por grupos indígenas de tronco tupi e, posteriormente, pelos pataxó, que mantêm até hoje vínculos espirituais, territoriais e culturais com o local.[6]
Registros etno-históricos confirmam práticas de caça, coleta, horticultura e manejo florestal na região desde o período pré-colonial.[7]
Avistamento pela frota de Cabral
[editar | editar código]Na carta de Caminha, descreve-se uma elevação “mui alta e redonda”, usualmente interpretada como o Monte Pascoal.[3]
Os relatos de cronistas e as compilações de historiadores como Jaime Cortesão e Capistrano de Abreu reforçam essa identificação, embora reconheçam limitações cartográficas das fontes quinhentistas.[8]
Debates historiográficos
[editar | editar código]Parte da historiografia contemporânea destaca que o navegador espanhol Vicente Yáñez Pinzón alcançou o litoral da atual região de Pernambuco em janeiro de 1500, meses antes da armada portuguesa.[9][10]
Esse debate não invalida o peso simbólico do Monte Pascoal na formação de narrativas sobre o descobrimento, mas insere o episódio em contexto mais amplo das navegações atlânticas.[11]
Geografia
[editar | editar código]O Monte Pascoal destaca-se como elevação isolada no litoral sul baiano, com ampla visibilidade a partir do mar e recobrimento de floresta ombrófila densa.[12] A formação situa-se a cerca de 62 km de Porto Seguro[13], compondo a transição entre ambientes costeiros, tabuleiros arenosos, restingas e remanescentes da Mata Atlântica.[12]
Estudos recentes classificam a região como área de elevada prioridade para os esforços de conservação biológica na Mata Atlântica em razão de seu alto grau de endemismo e densa conectividade ecológica com outras unidades de conservação regionais.[14][15]
Cultura e simbolismo
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Para o povo pataxó, o monte constitui marco identitário, local de memória e espaço ritual.[6]
Na cartografia e iconografia colonial, o Monte Pascoal aparece com frequência como símbolo do início da presença portuguesa no território brasileiro.[16]
Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal
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O Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal foi criado pelo Decreto nº 242, de 29 de novembro de 1961, abrangendo cerca de 22 500 hectares.[17]
A unidade integra o Corredor Central da Mata Atlântica e abriga significativos remanescentes florestais, além de sítios associados ao período colonial. A gestão é realizada em cooperação com comunidades pataxó, que atuam em projetos de turismo, manejo ambiental e educação patrimonial.[4] Estudos ecológicos identificam a presença de espécies ameaçadas, incluindo o macuco e o puma, reforçando a relevância da região para conservação da biodiversidade.[13]
O acesso ao parque ocorre pela BR-101, mediante autorização das lideranças indígenas locais.[4] As atividades turísticas incluem trilhas, mirantes, observação da fauna e centros de interpretação ambiental, além de iniciativas de etnoturismo desenvolvidas pelas comunidades pataxó.[18]
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ «Cabral chega ao Brasil: descobrimento ou achamento?». Biblioteca Nacional. 2020. Consultado em 10 de dezembro de 2025
- ↑ Gandavo, Pero de Magalhães; Silva, Leonardo Dantas; Gandavo, Pero de Magalhães (1995). Tratado da terra do Brasil: 5a. ed. ; História da Província Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil, 1576. 12a. ed. Col: Série Descobrimentos. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana. ISBN 978-85-7019-276-9
- 1 2 3 Cervantes, Biblioteca Virtual Miguel de. «A carta de Pero Vaz de Caminha». Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes (em espanhol). Consultado em 11 de fevereiro de 2026
- 1 2 3 «Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal». ICMBio. Consultado em 10 de dezembro de 2025
- ↑ Cortesão, Jaime (1999). A Carta de Pero Vaz de Caminha e o Descobrimento do Brasil. [S.l.]: Livros do Brasil
- 1 2 «Pataxó - Povos Indígenas no Brasil». pib.socioambiental.org. Consultado em 11 de fevereiro de 2026
- ↑ Métraux, Alfred (1948). Handbook of South American Indians. 3. [S.l.]: Smithsonian Institution
- ↑ Abreu, Capistrano de (1930). Capítulos de História Colonial (PDF). [S.l.]: Civilização Brasileira
- ↑ Beuchat, Henri (1914). Manual de arqueología americana. [S.l.: s.n.] p. 77
- ↑ Herrera y Tordesillas, Antonio de (1601). Historia general de los hechos de los Castellanos en las islas y tierra firme de el Mar Oceano. 2. [S.l.: s.n.] p. 348
- ↑ Alencastro, Luiz Felipe de (2001). O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul, séculos XVI e XVII 1. ed., 3. reimpr ed. São Paulo: Companhia das Letras. ISBN 978-85-359-0008-8
- 1 2 «Plano de Manejo Integrado do Fogo (2024-2027) — Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal» (PDF). Cópia arquivada (PDF) em 22 de novembro de 2023
- 1 2 «Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal». Futuri Brasil. Consultado em 11 de fevereiro de 2026
- ↑ Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica (Período 2019-2020) — Relatório Técnico. São Paulo: Fundação SOS Mata Atlântica. 2021. p. 6
- ↑ «Áreas Prioritárias para Conservação — Mata Atlântica (Mapa)». MMA. Consultado em 11 de fevereiro de 2025
- ↑ Burocracia e sociedade do Brasil colonial: o tribunal superior da Bahia e seus Juízes. [S.l.]: Companhia das Letras. 7 de julho de 2021. ISBN 978-85-359-1908-0
- ↑ Neves, Tancredo (30 de novembro de 1961). «Decreto Nº 242, de 29 de novembro de 1961». www.planalto.gov.br. Consultado em 11 de fevereiro de 2026
- ↑ «Há 520 anos, potencial turístico do Brasil era descoberto». Governo do Estado da Bahia. 2024. Consultado em 10 de dezembro de 2025

