Ir para o conteúdo

Monte Pascoal

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Monte Pascoal
Monte Pascoal
Vista do Monte Pascoal a partir da rodovia.
Monte Pascoal está localizado em: Brasil
Monte Pascoal
Ponto mais alto
Coordenadas 16° 55′ 00″ S, 39° 16′ 00″ O
Altitude 536 metro
Tipo montanha
Geografia
Localização Porto Seguro, Bahia, Brasil
Continente América
País Brasil
editar - editar código-fonte - editar WikidataDocumentação da predefinição

O Monte Pascoal é uma elevação de 586 metros situada no extremo sul da Bahia, reconhecida pela historiografia como um dos principais marcos associados à chegada da armada de Pedro Álvares Cabral ao litoral brasileiro em 22 de abril de 1500, segundo o calendário juliano.[1]

A identificação do monte como a primeira terra oficialmente avistada pelos portugueses baseia-se em interpretações da Carta de Pero Vaz de Caminha e na tradição historiográfica consolidada desde o período colonial.[2][3]

A área onde se situa o monte é território tradicional do povo pataxó e integra, desde 1961, o Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal, reconhecido por sua relevância ecológica, histórica e cultural, sendo um dos locais em que ainda são preservados bolsões da Mata Atlântica original.[4]

Etimologia

[editar | editar código]
Mapa quinhentista da costa brasileira. No fundo da imagem, o Monte Pascoal é facilmente visível.

De acordo com a carta de Pero Vaz de Caminha, Pedro Álvares Cabral, o capitão da esquadra, nomeou a montanha avistada como "Monte Pascoal" como consequência da proximidade da data do avistamento a data da Páscoa daquele ano.[3][5]

Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão pôs o nome de O Monte Pascoal (monte da Páscoa) e à terra A Terra de Vera Cruz!

História

[editar | editar código]

Povos indígenas

[editar | editar código]
Família Tupinambá, por John White

Muito antes da chegada europeia, a região do Monte Pascoal era habitada por grupos indígenas de tronco tupi e, posteriormente, pelos pataxó, que mantêm até hoje vínculos espirituais, territoriais e culturais com o local.[6]

Registros etno-históricos confirmam práticas de caça, coleta, horticultura e manejo florestal na região desde o período pré-colonial.[7]

Avistamento pela frota de Cabral

[editar | editar código]

Na carta de Caminha, descreve-se uma elevação “mui alta e redonda”, usualmente interpretada como o Monte Pascoal.[3]

Os relatos de cronistas e as compilações de historiadores como Jaime Cortesão e Capistrano de Abreu reforçam essa identificação, embora reconheçam limitações cartográficas das fontes quinhentistas.[8]

Debates historiográficos

[editar | editar código]

Parte da historiografia contemporânea destaca que o navegador espanhol Vicente Yáñez Pinzón alcançou o litoral da atual região de Pernambuco em janeiro de 1500, meses antes da armada portuguesa.[9][10]

Esse debate não invalida o peso simbólico do Monte Pascoal na formação de narrativas sobre o descobrimento, mas insere o episódio em contexto mais amplo das navegações atlânticas.[11]

Geografia

[editar | editar código]

O Monte Pascoal destaca-se como elevação isolada no litoral sul baiano, com ampla visibilidade a partir do mar e recobrimento de floresta ombrófila densa.[12] A formação situa-se a cerca de 62 km de Porto Seguro[13], compondo a transição entre ambientes costeiros, tabuleiros arenosos, restingas e remanescentes da Mata Atlântica.[12]

Estudos recentes classificam a região como área de elevada prioridade para os esforços de conservação biológica na Mata Atlântica em razão de seu alto grau de endemismo e densa conectividade ecológica com outras unidades de conservação regionais.[14][15]

Cultura e simbolismo

[editar | editar código]
Atletas pataxó nos Jogos Indígenas Pataxó (2025)

Para o povo pataxó, o monte constitui marco identitário, local de memória e espaço ritual.[6]

Na cartografia e iconografia colonial, o Monte Pascoal aparece com frequência como símbolo do início da presença portuguesa no território brasileiro.[16]

Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal

[editar | editar código]
Vista do topo do Monte Pascoal, dentro do Parque Nacional do Monte Pascoal.

O Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal foi criado pelo Decreto nº 242, de 29 de novembro de 1961, abrangendo cerca de 22 500 hectares.[17]

A unidade integra o Corredor Central da Mata Atlântica e abriga significativos remanescentes florestais, além de sítios associados ao período colonial. A gestão é realizada em cooperação com comunidades pataxó, que atuam em projetos de turismo, manejo ambiental e educação patrimonial.[4] Estudos ecológicos identificam a presença de espécies ameaçadas, incluindo o macuco e o puma, reforçando a relevância da região para conservação da biodiversidade.[13]

O acesso ao parque ocorre pela BR-101, mediante autorização das lideranças indígenas locais.[4] As atividades turísticas incluem trilhas, mirantes, observação da fauna e centros de interpretação ambiental, além de iniciativas de etnoturismo desenvolvidas pelas comunidades pataxó.[18]

Ver também

[editar | editar código]

Referências

  1. «Cabral chega ao Brasil: descobrimento ou achamento?». Biblioteca Nacional. 2020. Consultado em 10 de dezembro de 2025
  2. Gandavo, Pero de Magalhães; Silva, Leonardo Dantas; Gandavo, Pero de Magalhães (1995). Tratado da terra do Brasil: 5a. ed. ; História da Província Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil, 1576. 12a. ed. Col: Série Descobrimentos. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana. ISBN 978-85-7019-276-9
  3. 1 2 3 Cervantes, Biblioteca Virtual Miguel de. «A carta de Pero Vaz de Caminha». Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes (em espanhol). Consultado em 11 de fevereiro de 2026
  4. 1 2 3 «Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal». ICMBio. Consultado em 10 de dezembro de 2025
  5. Cortesão, Jaime (1999). A Carta de Pero Vaz de Caminha e o Descobrimento do Brasil. [S.l.]: Livros do Brasil
  6. 1 2 «Pataxó - Povos Indígenas no Brasil». pib.socioambiental.org. Consultado em 11 de fevereiro de 2026
  7. Métraux, Alfred (1948). Handbook of South American Indians. 3. [S.l.]: Smithsonian Institution
  8. Abreu, Capistrano de (1930). Capítulos de História Colonial (PDF). [S.l.]: Civilização Brasileira
  9. Beuchat, Henri (1914). Manual de arqueología americana. [S.l.: s.n.] p. 77
  10. Herrera y Tordesillas, Antonio de (1601). Historia general de los hechos de los Castellanos en las islas y tierra firme de el Mar Oceano. 2. [S.l.: s.n.] p. 348
  11. Alencastro, Luiz Felipe de (2001). O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul, séculos XVI e XVII 1. ed., 3. reimpr ed. São Paulo: Companhia das Letras. ISBN 978-85-359-0008-8
  12. 1 2 «Plano de Manejo Integrado do Fogo (2024-2027) — Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal» (PDF). Cópia arquivada (PDF) em 22 de novembro de 2023
  13. 1 2 «Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal». Futuri Brasil. Consultado em 11 de fevereiro de 2026
  14. Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica (Período 2019-2020) — Relatório Técnico. São Paulo: Fundação SOS Mata Atlântica. 2021. p. 6
  15. «Áreas Prioritárias para Conservação — Mata Atlântica (Mapa)». MMA. Consultado em 11 de fevereiro de 2025
  16. Burocracia e sociedade do Brasil colonial: o tribunal superior da Bahia e seus Juízes. [S.l.]: Companhia das Letras. 7 de julho de 2021. ISBN 978-85-359-1908-0
  17. Neves, Tancredo (30 de novembro de 1961). «Decreto Nº 242, de 29 de novembro de 1961». www.planalto.gov.br. Consultado em 11 de fevereiro de 2026
  18. «Há 520 anos, potencial turístico do Brasil era descoberto». Governo do Estado da Bahia. 2024. Consultado em 10 de dezembro de 2025

Ligações externas

[editar | editar código]
O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre Monte Pascoal