O Trabalho

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O Trabalho é o um dos mais antigos jornais da imprensa operária ainda em circulação no Brasil. É o órgão de imprensa da corrente O Trabalho do PT e da Seção Brasileira da Quarta Internacional (1993), formada por militantes trotskistas que rejeitaram a política do "entrismo sui generis" aplicada por Michel Pablo a partir de 1953 nas seções da IV Internacional[1][2].

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

No final dos anos 70, várias organizações que reivindicavam o legado trotskismo no Brasil uniram-se ao Comitê Internacional pela Reconstrução da Quarta Internacional - CORQUI, que tinha como um de seus principais dirigentes Pierre Lambert. Da unificação desses grupos surgiu a Organização Socialista Internacionalista - OSI, que em 1981 ingressou no Partido dos Trabalhadores. A Organização Socialista Internacionalista - OSI então tornou-se uma corrente interna ao PT, adotando o nome do seu periódico, O Trabalho.

O jornal circulou pela primeira vez no dia 1º de maio de 1978, durante o período da ditadura militar brasileira. Grande parte de seu relativo prestígio na esquerda brasileira dava-se por suas ligações com a corrente estudantil "Liberdade e Luta", conhecida como "Libelu", que ficou muito conhecida por ser uma das primeiras organizações a levantar a palavra de ordem "Abaixo a Ditadura".

Unificação com a Convergência Socialista[editar | editar código-fonte]

No início dos anos 80, logo depois que a OSI ingressou no PT (após um curto período de vacilação), houve uma tentativa frustrada de unificação com a Convergência Socialista, atualmente PSTU. O fracasso dessa tentativa é até hoje motivo de polêmica entre os dois grupos; os "morenistas" (como se intitulam os membros do PSTU) afirmam que a organização francesa ligada a O Trabalho (OCI), havia "capitulado" ao recém eleito governo de François Mitterrand na França, da coalizão PS/PCF. Já os partidários de Pierre Lambert negam qualquer "capitulação", afirmando que os "morenistas" têm uma compreensão equivocada da política de Frente Única, elaborada por Lênin e Trotsky no terceiro Congresso da Internacional Comunista. Essas diferenças afastaram os dois grupos até os dias de hoje, como expressam a permanência de O Trabalho na Central Única dos Trabalhadores e no Partido dos Trabalhadores e a criação da CONLUTAS pelo PSTU.

Polêmicas do trotskismo[editar | editar código-fonte]

PSTU[editar | editar código-fonte]

A principal crítica de O Trabalho ao PSTU (e a outros grupos, como o PCO) é o que chama de política de "autoproclamação". Alegam estes que os morenistas acreditam que seu agrupamento é o "partido pronto e acabado" dos trabalhadores, bastando que estes venham a aderir a ele.

Além disso, O Trabalho também critica a feroz oposição que o PSTU, PSOL e outros partidos dissidentes fazem à qualquer ação que envolva a sigla do PT, alegando se tratar de oportunismo ao confundir direção burocrática (Lula, José Dirceu etc) com militância (correntes do PT, CUT, UNE) e também que tal oposição divide e enfraquece o movimento operário-estudantil. Já o PSTU e o PCO tecem fortes críticas à permanência da corrente O Trabalho no PT (e atualmente também na CUT e na UNE), que consideram um partido totalmente degenerado e contra-revolucionário. Também se recusam a apoiar qualquer candidato ou acção política que carregue a bandeira do PT, por desacreditar na honestidade da militância tanto do partido quanto dos sindicatos ligados a ele.

Dissolução no Partido dos Trabalhadores[editar | editar código-fonte]

Em 1986 uma forte crise atingiu O Trabalho. A maioria de sua direção à época, que tinha como seu principal expoente Luis Favre (político franco-argentino que permanece no PT), contrariando as orientações internacionais, decidiu se dissolver no interior da tendência Articulação do PT (da qual faziam parte Lula, José Dirceu e as principais lideranças do PT e da CUT) e não mais editar o jornal. Um importante grupo, particularmente em São Paulo, conseguiu manter a continuidade do jornal e da organização, que perdeu muitos militantes.

Democracia Socialista[editar | editar código-fonte]

Em relação à corrente DS (Democracia Socialista) do PT, que também se proclama trotskista, O Trabalho sempre manteve uma política de distanciamento. Recentemente, o jornal editou várias matérias criticando o então ministro do governo Lula, Miguel Rossetto.

Divisão de 2006[editar | editar código-fonte]

Em 2006 ocorre nova crise, agora com a divisão da corrente O Trabalho do Partido dos Trabalhadores. Atualmente existem duas organizações que reivindicam para si as tradições bolcheviques e da IV Internacional. Uma permaneceu com o nome de O Trabalho e a outra adotou o nome de O Trabalho (Maioria) - depois Esquerda Marxista do PT.

Apesar da reivindicação em torno das tradições, o Secretariado Internacional da IV Internacional (1993), reconhece O Trabalho como sendo a sua seção Brasileira e não "O Trabalho (Maioria)", que exigia o seu reconhecimento. A corrente que utilizava o termo "maioria" assim o fez porque, à época da cisão, seus dirigentes constituíam a maioria da direção nacional da corrente.

A Esquerda Marxista do PT' agrupamento tem como principal dirigente Serge Goulart, dirigiu a ocupação de algumas fábricas, principalmente na cidade catarinense de Joinville. A resolução da representação internacional foi tomada no 6º Congresso Internacional, em 2006, ano em que a organização completaria 30 anos de existência. O órgão de imprensa oficial da IV Internacional (1993), que publica a revista A Verdade (editada deste os tempos da Oposição de Esquerda, precursora da IV Internacional), pronunciou-se rechaçando o agrupamento dirigido por Serge Goulart. Este declarou "equivocada a reproclamação da IV Internacional em 1993". Atualmente os dois grupos não mantém qualquer relação entre si.

Por ocasião do III Congresso do PT, o grupo dirigido por Goulart afirmou que mudaria sua denominação para Esquerda Marxista do PT. Estreitam suas relações com a CMI (Corrente Marxista Internacional), dirigida por Alan Woods, que veio ao Brasil, sendo recebido por Goulart. Estes fatos demonstram a definitiva separação entre os grupos.

Por sua vez, o jornal O Trabalho segue sendo o órgão oficial da seção brasileira da IV Internacional (1993) e a Esquerda Marxista do PT passou a editar o jornal Luta de Classes.

Arquivo histórico[editar | editar código-fonte]

Parte do arquivo histórico do grupo encontra-se disponível para pesquisa no Centro Sérgio Buarque de Holanda da Fundação Perseu Abramo.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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