On Her Majesty's Secret Service (livro)

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On Her Majesty's Secret Service
Ao serviço de sua Majestade (BR)
OnHerMajestysSecretService Capa1.jpg
Capa da primeira edição britânica.
Autor(es) Ian Fleming
Idioma Inglês
País  Reino Unido
Gênero Espionagem
Série James Bond
Arte de capa Richard Chopping
Editora Jonathan Cape
Formato Impresso
Lançamento 1 de abril de 1963
Páginas 288
Edição brasileira
Tradução Aydano Arruda
Editora Bestseller
Lançamento 1965
Páginas 263
Cronologia
The Spy Who
Loved Me
You Only Live Twice

On Her Majesty's Secret Service é o décimo romance da série James Bond de Ian Fleming, publicado pela primeira vez em 1 de abril de 1963 pela editora Jonathan Cape no Reino Unido. A primeira e segunda edição se esgotaram, com mais de sessenta mil livros sendo vendidos no primeiro mês. Fleming escreveu o livro na Jamaica enquanto o primeiro filme da EON Productions, Dr. No, estava sendo filmado ali perto.

On Her Majesty's Secret Service foi o segundo livro daquela que ficou conhecida como a "trilogia Blofeld", que havia começado em Thunderball e se encerrou em You Only Live Twice. A história centra-se na procura de Bond por Ernst Stavro Blofeld depois do incidente Trovão; através de um contato no College of Arms em Londres, Bond encontra a base de Blofeld na Suíça. Depois de encontrá-lo e descobrir seus planos, Bond ataca sua base, porém Blofeld escapa na confusão. Durante a história, Bond conhece e se apaixona pela Condessa Teresa "Tracy" di Vicenzo. Os dois se casam, porém Blofeld mata Tracy pouco após a cerimônia.

Fleming revelou vários detalhes sobre o personagem de Bond no livro, mostrando um lado emocional que não estava presente nas histórias anteriores. Como seus romances passados, Fleming usou lugares, detalhes e nomes de pessoas que conhecia ou tinha ouvido falar para construir seus personagens. A estação de pesquisa de Blofeld em Piz Gloria foi baseada na Schloss Mittersill, castelo que os nazistas haviam transformado em centro de pesquisa para examinar as raças asiáticas.

On Her Majesty's Secret Service foi bem recebido pelo imprensa britânica e norte-americana. O romance foi adaptado como uma história em três partes na revista Playboy em 1963 e posteriormente como uma tira em quadrinhos diária no Daily Express entre 1964 e 1965. Em 1969, o romance foi adaptado como o sexto filme da série da EON Productions, sendo o único filme estrelado por George Lazenby como Bond.

Enredo[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

Por mais de um ano, James Bond, o agente 007 do Serviço Secreto Britânico, esteve envolvido na Operação Bedlam: perseguir a organização criminal SPECTRE e seu líder, Ernst Stavro Blofeld. A organização havia sequestrado duas bombas nucleares e chantageado o mundo ocidental, como descrito em Thunderball. Convencido de que a SPECTRE não mais existe, Bond se frustra pela insistência do MI6 na prolongação da procura e em sua incapacidade de encontrar Blofeld. Ele acaba escrevendo uma carta de demissão para seu chefe, M.[1]

Enquanto escreve sua carta, Bond encontra a linda, e suicida, Condessa Teresa "Tracy" di Vicenzo, primeiro na estrada e posteriormente em uma mesa de jogo, onde ele a salva pagando sua dívida. No dia seguinte, Bond a segue e impede sua tentativa de suicídio, porém os dois acabam capturados por capangas profissionais. Eles são levados até o escritório de Marc-Ange Draco, chefe da Unione Corse, o maior sindicato criminal da Europa. Tracy é a filha única de Draco, que acredita que o único modo de salvar sua filha de novas tentativas de suicídio é através de um casamento com Bond. Para facilitar isso, ele oferece a Bond um dote de um milhão de libras; Bond recusa, mas concorda em continuar namorando Tracy enquanto a saúde mental dela melhora.[1]

O prédio do College of Arms em Londres.

Depois disso, Draco usa seus contatos para informar Bond que Blofeld está em algum lugar da Suíça. Bond volta para a Inglaterra para receber outra pista: o College of Arms em Londres descobriu que Blofeld assumiu o título e o nome do Conde Balthazar de Bleuville e quer confirmação formal de seu título, pedindo para que o College o declarasse como o atual conde.[1]

Em uma visita ao College of Arms, Bond descobre o brasão e o lema de família de Sir Thomas Bond, "O Mundo Não É o Bastante", e que ele pode ser (apesar de improvável) descendente de Sir Bond. Sob o pretexto de que um pequena anormalidade física (a falta de lóbulos) precisa de confirmação pessoal, Bond se passa por um representante do College of Arms, Sir Hilary Bray, para visitar a base de Blofeld no topo do Piz Gloria. Blofeld passou por uma cirurgia plástica para tirar seus lóbulos e para se disfarçar da polícia e do serviço secreto.[1]

Bond descobre que Blofeld está curando um grupo de jovens mulheres britânicas e irlandesas de suas mais diversas alergias. Na verdade, Blofeld e sua ajudante, Irma Bunt, estão fazendo uma lavagem cerebral nas garotas para que carreguem um agente biológico de volta para o Reino Unido e Irlanda, que vai destruir toda a econômia agrícola dos países. Acreditando ter sido descoberto, Bond foge de ski do Piz Gloria, perseguido por capangas da SPECTRE. Depois de se livrar deles, totalmente exausto, Bond encontra Tracy. Ela está na cidade na base da montanha depois de seu pai dizer que Bond estaria ali perto. Ele está muito fraco para derrotar os capangas de Blofeld sozinho, então Tracy acaba ajudando-o a chegar no aeroporto. Abalado pela engenhosidade e teimosia da mulher, Bond acaba pedindo Tracy em casamento, e ela aceita. Ele então volta para a Inglaterra e começa a trabalhar em um plano para capturar Blofeld.[1]

Com a ajuda de Draco, Bond monta um ataque contra a clínica. Apesar do Piz Gloria ser destruído, Blofeld escapa de bobsleigh. Bond vai para a Alemanha e se casa com Tracy. Os dois partem para sua lua de mel e, algumas horas depois, Blofeld e Bunt passam por eles, atirando. Tracy é morta no ataque.[1]

Gtk-paste.svg Aviso: Terminam aqui as revelações sobre o enredo.

Personagens e temas[editar | editar código-fonte]

On Her Majesty's Secret Service contém aquilo que o autor Raymond Benson chama de "grandes revelações" sobre o personagem de Bond.[2] Isso começa com Bond mostrando um lado emocional, visitando o túmulo de Vesper Lynd, de Casino Royale, algo que ele fazia todo ano.[2] Esse lado emocional continua com Bond pedindo Tracy em casamento.[3] A personagem de Tracy não é tão bem definida quando comparada a outras protagonistas femininas nas histórias de Bond, porém Benson diz que talvez seja essa qualidade enigmática que faz Bond se apaixonar por ela.[4] Benson também salienta que Fleming dá relativamente poucas informações sobre a personagem, apenas como Bond reaje a ela.[4]

O acadêmico Christoph Lindner identifica o personagem de Marc-Ange Draco como um exemplo de personagem que tem valores morais mais semelhantes com os do vilão, porém que age do lado do bem e ajudando Bond; outros do tipo incluem Darko Kerim (From Russia, with Love), Tiger Tanaka (You Only Live Twice) e Enrico Colombo ("Risico").[5] O também acadêmico Jeremy Black percebe a conexão entre Draco e a Segunda Guerra Mundial; Draco usa a Medalha do Rei pela Coragem em Prol da Liberdade. De acordo com Black, a referência da guerra era o método usado por Fleming para diferenciar o bem do mal e levantar a questão sobre "a distinção entre criminalidade e legalidade".[6]

Criação[editar | editar código-fonte]

On Her Majesty's Secret Service foi escrito por Ian Fleming em sua propriedade Goldeneye na Jamaica entre janeiro e fevereiro de 1962,[7] enquanto o primeiro filme de Bond da EON Productions, Dr. No, estava sendo filmado ali perto.[8] O primeiro rascunho do romance tinha 196 páginas e era chamado The Belles of Hell.[9] Fleming mais tarde mudou o título depois de seu amigo Nicholas Henderson ter lhe falado sobre um romance do século XIX chamado On Her Majesty's Secret Service.[10]

Como em todos os seus livros de Bond, Fleming usou eventos e pessoas da sua vida no texto. Na década de 1930, Fleming frequentemente viajava para Kitzbühel, Áustria, para esquiar; uma vez ele deliberadamente desceu de uma encosta que havia sido fechada por perigo de avalanche. A nave caiu atrás dele e uma avalanche desceu, o pegando no final da montanha: Fleming lembrou-se do incidente e o usou para a fuga de Bond do Piz Gloria.[11] Fleming frequentemente se hospedava em clubes esportivos como o Schloss Mittersill, nos alpes austríacos; em 1940, os nazistas fecharam o clube e o transformaram em um estabelecimento de pesquisa para examinar as raças asiáticas. Esse centro de pesquisa pseudo-científica inspirou o Piz Gloria de Blofeld.[12]

O Almirante John Godfrey.

A conexão entre M e sua inspiração, o Contra-Almirante John Godfrey, ficou aparente com Bond visitando Quaterdeck, a casa de M. Ele toca o sino do HMS Repulse, o último comando de M, e que também foi navio de Godfrey.[13] Godfrey era o oficial superior de Fleming na Divisão de Inteligência Naval durante a guerra,[14] e era conhecido por seu temperamento belicoso e irascível.[15] Durante seu almoço de Natal, M conta a Bond sobre um antigo conhecido seu da marinha, Chefe de Artilharia McLachlan. Ele era na verdade um antigo colega de Godfrey e Fleming, Donald McLachlan.[8]

O nome Hilary Bray era de um antigo colega do Eton College com quem Fleming trabalhou na firma Rowe & Pitman,[16] enquanto que Sable Basilisk foi baseado no "Dragão Rouge" do College of Arms. Dragão Rouge era o título do pesquisador heráldico Robin de la Lanne-Mirrlees, que pediu para Fleming não usar o título no livro; em um jogo de palavras, Fleming usou o endereço de Mirrlees, Rua Basil, e o combinou com uma criatura semelhante a um dragão, um basilisco, para criar o nome.[17] Mirrlees tinha ascendentes espanhóis, nascidos geralmente sem os lóbulos, e Fleming usou isso como uma característica física de Blofeld.[16] Mirrlees também descobriu que os Bonds de Peckham têm o lema "O Mundo Não É o Bastante", que Fleming pegou para a família de Bond.[12]

Fleming também usou referências históricas para alguns de seus nomes; o nome de Marc-Ange Draco é baseado em El Draco, o apelido espanhol de Sir Francis Drake,[16] um fato também usado por J. K. Rowling ao criar seu personagem Draco Malfoy.[18] Para Tracy, ele usou a história de Muriel Wright, sua amante que morreu em um ataque aéreo.[19] O luto de Bond pela perda de sua esposa ecoa a de Fleming pela morte de Wright.[20] Fleming cometeu alguns erros no livro, como Bond pedindo meia garrafa de champagne Pol Roger: seu amigo Patrick Leigh Fermor lhe contou que Pol Roger era o único champagne na época que não era produzido em meia garrafa.[21]

On Her Majesty's Secret Service é o segundo livro da chamada "trilogia Blofeld", situando-se dentre Thunderball, onde a SPECTRE é apresentada, e You Only Live Twice, onde Blofeld é morto por Bond.[22] Blofeld aparece em Thunderball, mas direciona as operações a distância e nunca se encontra Bond; On Her Majesty's Secret Service constitui o primeiro encontro dos dois.[2]

Lançamento e repercussão[editar | editar código-fonte]

On Her Majesty's Secret Service foi publicado em 1 de abril de 1963 no Reino Unido em uma edição capa dura pela editora Jonathan Cape;[23] tinha 288 páginas e custava dezesseis xelins.[24] Uma edição limitada de 250 cópias numeradas e autografas por Fleming também foram lançadas.[23] O artista Richard Chopping novamente desenhou a arte da capa.[23] Houve 42 000 pedidos durante a pré-venda para a edição em capa dura[25] e a Cape imediatamente fez uma segunda impressão de quinze mil cópias, vendendo mais de sessenta mil cópias no final de abril de 1963.[26] No final de 1963, o livro já havia vendido mais de 75.000 cópias.[27]

O romance foi publicado nos Estados Unidos em agosto pela New American Library,[23] depois de Fleming ter mudado sua editora norte-americana após The Spy Who Loved Me.[28] O livro tinha 299 páginas e custava US$ 4.50,[29] ficando na lista de mais vendidos do The New York Times por mais de seis meses.[23]

Crítica[editar | editar código-fonte]

Anthony Berkeley, escrevendo para o The Guardian, disse que os dois erros gramaticais que ele encontrou "provavelmente não irão estragar o divertimento" do romance que ele considerou "não apenas no nível usual do Sr. Fleming, mas talvez um pouco acima".[30] Para o The Observer, Maurice Richardson perguntou se houve "uma deliberada reforma moral" em Bond. Mesmo assim, ele percebeu que o personagem ainda tem um lado bruto quando necessário. Richardson também achou que "ao reformar Bond, o Sr. Fleming reformou sua própria narrativa que estava se perdendo". De forma geral ele afirmou que "O.H.M.S.S. é certamente o melhor livro de Bond em tempos. Tem um enredo melhor e mantém sua firmeza até o final".[31]

Raymond Mortimer, escrevendo para o The Sunday Times, afirmou que "James Bond é aquilo que todo homem quer ser, e aquilo que toda mulher quer embaixo de seus lençóis;[12] enquanto que o crítico do The Times considerou que após The Spy Who Loved Me, "On Her Majesty's Secret Service constitui uma recuperação substancial, se não completa". Para o crítico, a recuperação foi tamanha que ele afirmou que "talvez seja hora de esquecermos as coisas muita exageradas sobre sexo, sadismo e pretensão que foram ditas, e voltar ao simples, e irrefutável, fato de que o Sr. Fleming é um atraente contador de histórias".[24] Marghanita Laski do The Times Literary Supplement achou que "o novo James Bond que estamos conhecendo ultimamente [é] de alguma forma mais gentil, mais sentimental e menos pervertido". Entretanto, ela considerou que "é realmente o momento de parar de tratar Ian Fleming como um Portento Significativo, e aceitá-lo como um bom escritor de suspense, até mesmo vulgar, adequado aos seus leitores a ao seu tempo".[32]

O New York Herald Tribune achou que On Her Majesty's Secret Service era "sólido", e o Houston Chronicle considerou que o romance era "Fleming em seu melhor urbanamente assassino, um capítulo notável na saga de James Bond".[12] Gene Brackley do Boston Globe escreveu que Bond "precisa de todas as qualidades que consegue reunir para escapar vivo" das garras de Blofeld e isso permite "duas das melhores cenas de perseguição mocinhos–vilões da literatura". Brackley, comentando sobre a natureza fantástica dos enredos, considerou que "os relatos de Fleming sobre o meio mundo do Serviço Secreto têm certa autenticidade".[33]

Jerry Doolittle do The Washington Post achou que Bond "ainda é irresistível para as mulheres, ainda é atraente de maneira perigosa, ainda charmoso. Ele tem nervos de aço e músculos fortes", mesmo "começando a parecer mais velho". Doolittle muito elogiou o romance, afirmando que o "novo livro de Fleming não irá decepcionar seus milhões de fãs".[29] Escrevendo para o The New York Times, Anthony Boucher – descrito por John Pearson, biógrafo de Fleming, como "um homem completamente anti-Bond e anti-Fleming"[34] – foi novamente condenatório, apesar de admitir que "você não pode discutir com o sucesso". Ele afirmou que o livro era "simplesmente formulártico, eu preciso definir a minha opinião que este é um romance bobo e tedioso". Boucher lamentou que mesmo On Her Majesty's Secret Service sendo melhor que The Spy Who Loved Me, "ainda é uma história preguiçosa e inadequada", também dizendo que "minha reclamação não é que as aventuras de James Bond são uma literatura ruim ... porém também não são uma literatura boa". Ele terminou sua crítica escrevendo que "eles não escrevem livros mais como antigamente".[35]

Referências

  1. a b c d e f Fleming, Ian (1963). On Her Majesty's Secret Service. Londres: Jonathan Cape 
  2. a b c Benson 1988, p. 132
  3. Benson 1988, p. 133
  4. a b Benson 1988, p. 134
  5. Lindner 2009, p. 39
  6. Black 2005, p. 59
  7. Benson 1988, p. 22
  8. a b Lycett 1996, p. 398
  9. Benson 1988, p. 23
  10. Chancellor 2005, p. 204
  11. Chancellor 2005, pp. 15-16
  12. a b c d Chancellor 2005, p. 205
  13. Macintyre 2008, p. 58
  14. Chancellor 2005, p. 192
  15. Macintyre 2008, p. 74
  16. a b c Chancellor 2005, p. 113
  17. Lycett 1996, p. 404
  18. Macintyre 2008, p. 93
  19. Macintyre 2008, p. 150
  20. Macintyre 2008, p. 155
  21. Chancellor 2005, p. 95
  22. Benson 1988, p. 131
  23. a b c d e Benson 1988, p. 24
  24. a b «New Fiction». The Times: p. 16. 4 de abril de 1963 
  25. Lycett 1996, p. 419
  26. Lycett 1996, p. 420
  27. Lycett 1996, p. 430
  28. Lycett 1996, p. 383
  29. a b Doolittle, Jerry (25 de agosto de 1963). «007 Seems a Bit Longer in Tooth». The Washington Post: p. G7 
  30. Berkeley, Anthony (3 de maio de 1963). «Criminal Records». The Guardian: p. 8 
  31. Richardson, Maurice (31 de março de 1963). «The reformation of Fleming and Bond: On Her Majesty's Secret Service». The Observer: p. 25 
  32. Laski, Marghanita (5 de abril de 1963). «Strictly for Thrills». The Times Literary Supplement: p. 229 
  33. Brackley, Gene (22 de agosto de 1963). «Cmdr. James Bond Finds the Going Tough». Boston Globe: p. 19 
  34. Pearson 1967, p. 99
  35. Boucher, Anthony (25 de agosto de 1963). «On Assignment with James Bond». The New York Times 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]