Parábola do fariseu e do publicano

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O fariseu e o publicano
Afresco na Abadia de Ottobeuren.

A Parábola do fariseu e do publicano (ou O fariseu e o coletor de impostos) é uma das parábolas de Jesus e aparece em apenas um dos evangelhos canônicos. Em Lucas 18:9-14, Jesus contrasta um fariseu, obcecado por sua própria virtude[1], com um publicano que, humildemente, pede a Deus misericórdia. A história termina na conhecida frase de Jesus: «…porque todo o que se exalta, será humilhado; mas o que se humilha, será exaltado.» (Lucas 18:14).

Esta parábola demonstra a necessidade de orar com humildade. Encontra-se imediatamente após a Parábola do juiz iníquo que também trata da oração.

Na igreja ortodoxa oriental, o "Domingo do publicano e do fariseu" comemora a parábola e dá início à temporada de três semanas antes da Grande Quaresma.

Narrativa bíblica[editar | editar código-fonte]

«Propôs também a seguinte parábola a alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam aos outros: Subiram dois homens ao templo para orar: um fariseu e outro publicano. O fariseu, posto em pé, orava dentro de si desta forma: Ó Deus, graças te dou que não sou como os demais homens, que são ladrões, injustos, adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, porém, estando a alguma distância, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim pecador. Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta, será humilhado; mas o que se humilha, será exaltado.» (Lucas 18:9-14)

Interpretação[editar | editar código-fonte]

O fariseu e o publicano
Detalhe do vitral na Catedral de Sint Janskerk (João Batista), em Gouda, na Neerlândia.

Durante o primeiro século, os fariseus eram conhecidos por sua estrita observância à lei mosaica. O fariseu desta parábola foi além de seus companheiros, jejuando com mais freqüência do que era exigido e dando o dízimo sobre tudo o que recebia, mesmo nos casos em que as regras religiosas não o exigiam[2]. Confiante em sua religiosidade, o fariseu nada pede a Deus e, assim, nada recebe[2].

Por outro lado, os publicanos eram os desprezados judeus que colaboraram com o Império Romano. Por serem conhecidos por recolher os impostos e taxas, eles são geralmente descritos como "coletores de impostos". A parábola, no entanto, não condena a ocupação do publicano (cf. Lucas 3:12-13), mas o descreve como alguém que "reconhece o seu estado de indignidade diante de Deus e confessa a sua necessidade de reconciliação"[2]. Vindo a Deus com humildade, o publicano recebe a misericórdia e reconciliação que pede[2].

Comemoração[editar | editar código-fonte]

Na igreja ortodoxa, esta parábola é lida como parte do período preparatório que leva à grande quaresma. Ela provê um exemplo de humildade que deve ser praticado nesta época. O "domingo do publicano e do fariseu" dá início ao período de três semanas que antecede a quaresma e é o primeiro uso do triodion litúrgico (embora a semana seguinte a este domingo seja liberada dos jejuns[3]).

O escritor e pregador inglês John Bunyan escreveu um livro sobre esta parábola em 1685[4].

Arte cristã[editar | editar código-fonte]

A Parábola do fariseu e do publicano é representada numa grande variedade da arte religiosa, sendo especialmente importante na iconografia da Igreja ortodoxa. Há obras sobre a parábola por artistas como James Tissot, John Everett Millais, Hans Holbein, o jovem, e Gustave Doré.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. «O fariseu e o publicano», Estilo adoração (estudo bíblico), 2012 .
  2. a b c d Joel B. Green, The Gospel of Luke, Eerdmans, 1997, ISBN 0-80282315-7, pp. 643-49.
  3. Georges Augustin Barrois, Scripture Readings in Orthodox Worship, St Vladimir's Seminary Press, 1977, ISBN 0-91383641-9, p. 21.
  4. Bunyan, John, The Pharisee and Publican, Project Gutenberg .