Pau de arara (transporte)

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Pau-de-arara usado no transporte ilegal de trabalhadores.

Pau de arara (pré-AO 1990: pau-de-arara) é o nome dado a um meio de transporte irregular que ainda é utilizado no Nordeste do Brasil. Consiste em se adaptar nos caminhões para o transporte de passageiros, constituindo-se em substituto improvisado para os ônibus convencionais. Usa-se também para vender frutas.

Etimologia e origens[editar | editar código-fonte]

O termo pau de arara designa uma vara utilizada no interior do país para o transporte de araras, papagaios e outros pássaros[1]. Segundo o folclorista Câmara Cascudo, o termo migrou para designar o meio de transporte improvisado em razão da algazarra feita pelas aves, similar à dos passageiros que usam tal veículo, em precário arranjo, promiscuidade e desasseio. Para ilustrar a comparação, cita texto do historiador Luís Tenório de Brito, onde este descreve o pau de arara original, usado por ambulantes: "...arrumava ele uma grade de madeira leve, a qual se lhe equilibrava horizontalmente sobre os ombros, emergindo a cabeça do centro de um metro mais ou menos para a frente, outro tanto para trás. Nas tábuas paralelas, acorrentava ele pelos pés araras, papagaios, jandaias e periquitos (...) e lá vinha o homem, no meio daquela barulheira que de longe se ouvia", completando que "pejorativo ou não, o epíteto nasceu com esta forma de transporte, vindo com o emigrante"[2].

Descrição[editar | editar código-fonte]

Sobre a carroceria do veículo são colocadas tábuas, que servem de assento, e a instalação de uma lona como cobertura a proteger das intempéries completam a adaptação deste para o transporte.

Suas origens remontam aos tempos em que não havia outras formas para o transporte de maiores quantidades de pessoas, além de estradas bastante precárias, na Região Nordeste, além da instalação, no país, da fábrica de caminhões FNM, que popularizaram este veículo de carga, capaz de vencer os terrenos mais difíceis.

Os paus de arara foram bastante utilizados durante o êxodo de nordestinos para o sul do país, mormente o estado de São Paulo – ganhando também, entre os sulistas, as acepções do passageiro destes veículos e, de forma pejorativa, a todo nordestino [3].

Música[editar | editar código-fonte]

O pau de arara transportando romeiros, em 2007.

O músico Luiz Gonzaga, emigrado do Nordeste ainda nos 40 do século XX, compôs a canção Pau de arara, em que retrata essa peregrinação de seus conterrâneos.[4] Já em Último Pau de arara, de forma poética, Gonzaga canta que só deixará o sertão quando partir o último deles[5]

Também o poeta Vinicius de Moraes, em parceria com Carlos Lira, compôs uma canção intitulada Pau de Arara, em que usa o termo nas duas acepções: a do veículo e do seu passageiro. [3]

Uso atual[editar | editar código-fonte]

Conquanto proibida pela legislação brasileira de trânsito, esta forma de transporte é ainda tolerada em muitos lugares e situações excepcionais – como durante as romarias a Juazeiro do Norte, no Ceará, e ao Bom Jesus da Lapa, na Bahia (vide foto).

Seu uso tem sido coibido de forma paulatina, no país, por não oferecer as mínimas condições de segurança e conforto e contrariar o Código de Trânsito Brasileiro. Sua "flexibilização", entretanto, foi decidida pelos responsáveis do trânsito no Nordeste, nas situações excepcionais.[6]

Referências

  1. Dicionário Aurélio, verbete pau-de-arara
  2. CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro, verbete pau-de-arara.
  3. a b Ambas as acepções são usadas na canção Pau de Arara, de Vinícius e Carlos Lira, obtida em 20 jul. 2007 07:10:12 GMT
  4. letra da canção, pesquisada em 8 de agosto de 2007, 07:00
  5. Letra da música, pesquisada em 8 de agosto de 2007
  6. DETRAN-Ceará, notícia, pesquisado em 8 de agosto de 2007, 07:27

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Descrição histórica – o pau de arara, conforme descrição feita na Revista Brasileira de Geografia, ano 17, nº 2, por Francisco Barbosa Leite.
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