Pero Coelho de Sousa

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Pero Coelho
Nome completo Pero Coelho de Souza
Nascimento
Ilha de São Miguel, Açores
Morte
Lisboa
Nacionalidade Portugal Português
Ocupação Capitão-mor no Brasil Colônia

Pero Coelho de Souza (Ilha de São Miguel, fins do século XVI — Lisboa, meados do século XVII) foi um explorador português, oriundo dos Açores. Chegou ao Brasil em 1579[1] e foi o primeiro representante da Coroa Portuguesa a desbravar os territórios das capitanias da Paraíba, Sergipe, Rio Grande do Norte e Ceará, entre os séculos XVI e XVII.[2]

Concunhado de Frutuoso Barbosa,[nota 1] exerceu interinamente o governo da Paraíba após a administração deste, e foi vereador da câmara da Cidade da Parahyba pelos anos de 1590.[1][2][nota 2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Desbravador de capitanias[editar | editar código-fonte]

Em 1603, requereu e obteve da Corte Portuguesa, por intermédio de Diogo Botelho, oitavo Governador-geral do Brasil, o título de capitão-mor para desbravar, colonizar e impedir o comércio dos nativos com os estrangeiros que há anos atuavam na capitania do «Siará Grande».[3] Esse fidalgo da casa do rei e militar experiente, partiu da Paraíba para a conquista as terras cearenses.

Partiu da Paraíba com destino ao Rio Jaguaribe para dali seguir até a Serra da Ibiapaba. Entretanto, em 1604, quando se encontrava nos arredores da Serra Grande (Ibiapaba), encontrou forte resistência dos nativos da região auxiliados por alguns franceses.[4]

Após uma série de lutas, conquista a região de Ibiapaba, vencendo os franceses e indígenas locais. Depois dessa vitória, ele tenta entrar mais na região na direção do Piauí, mas devido à rebelião de seus homens, retorna à barra do rio Ceará, onde ergue o Fortim de São Tiago da Nova Lisboa. Após tal construção, deixa seus homens no então erguido forte e retorna à capitania da Paraíba para angariar mais recursos e trazer sua família. Nessa ida às terras paraibanas ele leva consigo diversos indígenas escravos para a venda.[5]

Dezoito meses depois da sua ida à Paraíba, Pero Coelho retorna ao Ceará, juntamente com a Srª Maria Tomásia Cardiga, sua esposa, e seus filhos. Contudo, devido à seca que então assolava as terras cearenses na época, assim como os desânimos de seus homens, os ataques dos índios e a não chegada dos recursos prometido por Diogo de Campos Moreno, Pero Coelho abandona o Fortim de São Tiago e ruma de volta à Paraíba. Nessa jornada ele ainda ergue um forte à margem esquerda do rio Jaguaribe, o Fortim de São Lourenço, mas em razão dos mesmos motivos que o fizeram partir da Barra do Ceará, ele abandona definitivamente essa capitania. Ainda nessa jornada de abandono, Coelho perde o filho mais velho.

Segundo o sargento-mor Diogo de Campos Moreno, ainda em 1614, Pero Coelho de Souza foi o primeiro europeu a ter seu nome ligado à escravidão das populações indígenas no Brasil, tornando primeiro os índios da Ibiapaba e do rio Jaguaribe cativos.[6] Tal relato do sargento-mor mostra que Pero Coelho de Souza, homem nobre do Brasil colônia, arregimentou soldados e índios para ir conquistar o História do Maranhão num trajeto passando por mar até o Ceará e, dali, indo por terra, passa pela Serra de Ibiapaba, não indo além, tendo em vista os confrontos violentos com os autóctones tabajaras da serra, liderados pelo morubixaba (cacique) Irapuã.[nota 3] Nesse confronto armados saíram vencidos os tabajaras, os quais foram levados como escravos e vendidos nos engenhos do litoral.

Aproximadamente oitocentos índios que acompanhavam e ajudavam a Pero Coelho de Souza na condição de aliados também foram posteriormente escravizados.

Falecimento[editar | editar código-fonte]

Pero Coelho morreu em Lisboa, depois de passar longos anos a requerer, inutilmente, a paga dos seus serviços.[7]

Notas

  1. A esposa de Frutuoso Barbosa, Filipa Cardiga, era irmã de Tomásia Cardiga, sua esposa, ambas filhas de Pero Cardigo e Isabel Mendes.[1]
  2. Coelho de Souza já morava na Paraíba em 1589.
  3. «Mel Redondo», em tupi.

Referências

  1. a b c Olavo de Medeiros Filho (1997). Aconteceu na Capitania do Rio Grande. [S.l.]: Departamento Estadual de Imprensa. 205 páginas 
  2. a b Ângelo Jordão (1977). Povoamento, hegemonia e declínio de Goiana. [S.l.: s.n.] 271 páginas 
  3. GIRÃO, R. (1962). Pequena História do Ceará. [S.l.]: Ed. Instituto do Ceará. pp. 39–46 
  4. Luís Figueira e a construção do projeto missionário jesuítico no Estado do Maranhão e Grão-Pará, acesso em 29 de outubro de 2016
  5. BARROSO, G. (2004). À Margem da História do Ceará. [S.l.]: ABC Editora. pp. 23–29 
  6. KROMEN, R. (1997). Matias Beck e a Companhia da Índias Ocidentais. [S.l.]: Casa de José de Alencar. pp. 29–33 
  7. José Cordeiro (1989). Os índios no Siará: massacre e resistência. [S.l.]: Hoje, Assessoria em Educação. 268 páginas 


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