Partido da imprensa golpista

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Partido da Imprensa Golpista, charge de Carlos Latuff.

Partido da Imprensa Golpista (comumente abreviado para PIG ou PiG) é uma expressão usada por órgãos de imprensa e blogs políticos de orientação de esquerda para se referir a órgãos de imprensa e jornalistas supostamente de direita.[1] Os veículos acusados de ser membros do PiG (Rede Globo, Veja, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, Exame, Istoé[carece de fontes?][2]) são considerados por estes tendenciosos e supostamente se utilizariam da grande mídia para propagar suas ideias e desestabilizar governos de orientação política contrária à sua.[3][4][5][6][7]

Uso do termo[editar | editar código-fonte]

A expressão foi popularizada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim em seu blog Conversa Afiada, mas, segundo ele, foi inspirada em um discurso do deputado petista Fernando Ferro.[8] Amorim, quando utiliza o termo, escreve com um i minúsculo, em alusão ao portal iG, do qual foi demitido em 18 de março de 2008, no que descreve como um processo de "limpeza ideológica". De acordo com ele, até políticos teriam passado a fazer parte do PIG: "O partido deixou de ser um instrumento de golpe para se tornar o próprio golpe. Com o discurso de jornalismo objetivo, fazem o trabalho não de imprensa que omite; mas que mente, deforma e frauda.[9]

Definição e contextualização[editar | editar código-fonte]

De acordo com Amorim, o termo PIG pode ser definido da seguinte forma:

Em nenhuma democracia séria do mundo jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político — o PiG, Partido da Imprensa Golpista[10]
Paulo Henrique Amorim

Amorim afirma ainda que a imprensa brasileira seria golpista sempre que o presidente da república é de origem trabalhista, ao mesmo tempo a imprensa nunca publicaria absolutamente nada contra presidentes de origem não trabalhista. O PIG, segundo ele, teria sua origem com Carlos Lacerda, que ajudou a "matar Getúlio Vargas"; teria continuado travando sua luta contra Juscelino Kubitschek e João Goulart, até se aliar à ditadura militar; teria perseguido o governo Brizola; e agora conspiraria contra o governo Lula.[9]

A expressão também fez parte de um discurso do deputado federal pernambucano Fernando Ferro, do Partido dos Trabalhadores (PT), em que sugeriu que Arnaldo Jabor assumisse o cargo de presidente do PIG.[11]

Na opinião de Marcus Figueiredo, cientista político ligado ao Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ) os grandes jornais de circulação nacional do Brasil "adotam um híbrido entre dois modelos de pluralismo: formalmente, no discurso ético de autoqualificação diante dos leitores, procuram associar-se aos conceitos e rituais de objetividade do jornalismo americano, como é possível constatar nos slogans, diretrizes oficiais, manuais de redação, cursos de jornalismo. No entanto, na produção do impresso diário, o que vimos são diferenças no tratamento conferido aos candidatos, de amplificação de certos temas negativamente associados a Lula, contraposto à benevolência no tratamento de temas espinhosos relacionados aos seus adversários".[12]

O jornalista Maurício Dias, colunista de Carta Capital, expressa opinião semelhante ao dizer, traçando um paralelo entre a grande imprensa brasileira e a FOX News (acusada pela diretora de Comunicações da Casa Branca de operar "como um setor de comunicações do Partido Republicano") que a mídia brasileira é dirigida por uma única orientação: "o candidato do PT não pode vencer".[12]

Críticas semelhantes foram feitas pelo jornalista Mário Prata em entrevista ao Diário de Natal:

"A imprensa brasileira está podre. Os grandes jornais, as coisas que são consideradas grande imprensa no Brasil, como Folha de S.Paulo, Globo, Estadão, Jornal Nacional, Veja, para mim são piadas. Todos esses que eu citei têm ódio do Lula, é um ódio doentio, é uma coisa que me dá medo. Outro dia peguei o Estadão e tinha oito chamadas na capa falando mal do governo, algumas coisas que ocorreram há sete anos. Meu filho casou-se agora com uma repórter da editoria de política do Estadão, e o Serra ligou para ela antes do casamento. "Julia, eu soube que você vai se casar, mas você não vai ter lua de mel, né? Você não pode ter lua de mel agora." Por aí você vê como Serra está dentro do jornal."[13]

Em entrevista concedida ao portal Terra, Cláudio Lembo, vice-governador de São Paulo eleito pela coligação PSDB-DEM e governador desse estado entre março e dezembro de 2006 (após a renúncia de Geraldo Alckmin para concorrer à presidência), também criticou o engajamento político da imprensa no contexto da eleição presidencial brasileira de 2010:

"A mídia está engajada, tem um candidato que é o Serra e com isso se perdeu o equilíbrio, vem o desequilíbrio, é desse embate que nasce a intranquilidade... mas ela é transitória. Havendo só um grande vencedor no pleito, que é o movimento social, e estando a mídia engajada como que está... disso nasce essa intranquilidade."[14]

Em 30 de setembro de 2010 o periódico francês Courrier International publicou uma matéria sob o título "Une presse très remontée contre Lula" (Português: Uma imprensa muito reunida contra Lula), em que opina que o presidente Lula enfrentaria uma oposição por parte da imprensa liderada por quatro grupos: Folha de S.Paulo, Grupo Abril, O Globo e O Estado de S. Paulo.[15]

Composição[editar | editar código-fonte]

Conforme a opinião daqueles que se utilizam do termo, seriam três as famílias que manipulariam a opinião pública, dominariam e condicionariam o noticiário de todo o país, através dos seus órgãos de imprensa: os Marinho (Organizações Globo), os Frias (Grupo Folha) e os Mesquita (Grupo Estado).[9] Estas três famílias controlam alguns dos principais órgãos da imprensa no Brasil, tais como os jornais O Globo, Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo, e o portal UOL. Também são incluídos os Civita (Grupo Abril), que publicam a revista Veja. Paulo Henrique Amorim também limitou a esses quatro grupos a composição do "PIG" em entrevista à revista Imprensa em junho de 2011.[8]

A internet e o PIG[editar | editar código-fonte]

Para o jornalista e escritor Fernando Soares Campos,[16] "sem a internet, dificilmente Lula teria sido eleito; se fosse, não assumiria; se assumisse, teria sido golpeado com muita facilidade. O PIG é forte, é Golias, mas a internet [está] assim de Davi!". Para Campos, a existência da Internet interferiria com o monopólio da informação por parte dos grandes grupos midiáticos, e essa interferência dificultaria os golpes.

Críticas ao termo[editar | editar código-fonte]

Segundo os oponentes do termo, a imprensa apenas denunciaria irregularidades nas administrações públicas. J.R. Guzzo, colunista de Veja, questionou o termo "PIG", afirmando que quando a imprensa publica denúncias é acusada por governistas de "desestabilizar" o Brasil.[17] A revista, em editorial de agosto de 2004 criticando a tentativa de criação do Conselho Federal de Jornalismo (classificado pela publicação como um "ataque à liberdade de imprensa" por parte do Governo Lula),[18] escreveu que "a qualidade da imprensa deve ser sempre medida por seu grau de independência nas relações com os governos", que seriam "tanto melhores quanto mais [preservassem] a liberdade de seus críticos".[19]

Para o jornalista Pedro Doria, editor-chefe do jornal O Estado de S. Paulo, a manifestação de uma polaridade ideológica intolerante é incapaz de explicar a realidade social complexa.[20][21]

Por sua vez, Sergio Leo julga que a grande imprensa é excessivamente complexa para poder ser rotulada desta maneira, pois abarcaria opiniões e pautas muito variadas.[22]

Jânio de Freitas, em coluna na Folha de S.Paulo, afirma que "os meios de comunicação brasileiros nunca deixaram de ser parte ativa nos esforços de conduzir o eleitorado. Sua origem e sua tradição são de ligações políticas, como agentes de facções ou partidos, tanto de direita quanto de esquerda. Só em meado do século passado dá-se a primeira e derrotada tentativa, no Jornal do Brasil, de prática desconectada de segmentos políticos."[23]

Lúcio Flávio Pinto, um dos mais respeitados jornalistas independentes do Brasil escreveu no Jornal Pessoal e no Observatório da Imprensa uma matéria intitulada "O PIG é uma fantasia", em que declara que "mesmo jornais ruins devem ser lidos. Estimular ou induzir que sejam ignorados é desservir a democracia, a pretexto de fomentar a crítica e combater as elites. A sociedade está cada vez mais repleta de críticos, que não vacilam quando expressam opiniões ou emitem juízos definitivos, verdadeiras sentenças. Mas que não sabem explicar por que são contra. Principalmente por desconhecerem o conteúdo do que criticam ou rejeitam. São personagens patéticos de Oswald de Andrade: não leram e não gostaram".[24]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas e referências

Notas

Referências

  1. «50 anos de golpe midiático | Observatório da Imprensa – Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito». Observatório da Imprensa. Consultado em 4 de março de 2016 
  2. Em meio a escândalos políticos, não sobra espaço para debater o país por Patrícia Campos Mello (2016) - " Associação Nacional de Jornais"
  3. PARTIDO DA IMPRENSA GOLPISTA publicado pela "World Public Library"
  4. Imprensa e poder: politização ou partidarização dos jornais brasileiros? por Eleonora de Magalhães Carvalho, publicado pela "Universidade Federal Fluminense" (2013)
  5. PARTIDO DA IMPRENSA GOLPISTA publicado pelo Project Gutenberg
  6. MINO CARTA Por que apoiamos Dilma. Carta Capital, 30 de setembro de 2010, Politica Acesso em 17/05/2013.
  7. PENSADORES DA LIBERDADE - Em torno de um conceito por Carlos Melo, Volume 1 pg 17-19 (2015)
  8. a b Igor Ribeiro e Flávio Costa (junho de 2011). «O amolador». Imprensa (número 268). São Paulo: Imprensa Editorial Ltda. pp. 26–31 
  9. a b c UCB. Paulo Henrique Amorim fala sobre “PIG” e jornalismo na Internet. Brasília: Oficina de Produção de Notícias, Curso de Comunicação Social, Universidade Católica de Brasília, 27 de outubro de 2009[ligação inativa]
  10. Amorim, Paulo Henrique (28 de abril de 2009). «O PiG a caminho do túmulo». Conversa Afiada. Consultado em 29 de abril de 2009 [ligação inativa] 
  11. «Deputado sugere Partido da Imprensa com Jabor na presidência». Vermelho. 20 de setembro de 2007. Consultado em 29 de abril de 2009 [ligação inativa] 
  12. a b Dias, Maurício. "A guerra de sempre", Carta Capital, ano XV, n.º 596, 19 de maio de 2010, p. 14
  13. Fernanda Zauli. «Entrevista - Mário Prata». Diário de Natal. Consultado em 7 de setembro de 2010 [ligação inativa] 
  14. Bob Fernandes. «Lembo: não temos partidos, só um movimento coordenado por Lula». Portal Terra. Consultado em 15 de setembro de 2010 [ligação inativa] 
  15. Paul Jürgens (30 de setembro de 2010). «Une presse très remontée contre Lula» (em francês). Courrier International. Consultado em 27 de outubro de 2010 
  16. Campos, Fernando Soares (18 de maio de 2009). «Sem a Internet, Lula já teria caído». Para Ler e Pensar. Consultado em 16 de outubro de 2014 
  17. «Danos menores». Veja (2 122). São Paulo: Editora Abril. 22 de julho de 2009. 142 páginas. ISSN 0100-7122. Consultado em 25 de julho de 2010 
  18. Malu Gaspar (18 de agosto de 2004). «O fantasma do autoritarismo». Veja (1 867). São Paulo: Editora Abril. pp. 40–51. ISSN 0100-7122 
  19. «O valor da liberdade de imprensa». Veja (1 867). São Paulo: Editora Abril. 18 de agosto de 2004. 9 páginas. ISSN 0100-7122 
  20. Pedro Doria (9 de janeiro de 2008). «Intolerância ideológica e o mundo como ele é». Pedro Doria Weblog. Consultado em 1º de fevereiro de 2010 
  21. Pedro Doria (8 de março de 2009). «Corporativista, não». Pedro Doria Weblog. Consultado em 1º de fevereiro de 2010 
  22. Sergio Leo (1º de fevereiro de 2009). «Blogues e jornalismo, um não pode ser outro. Ou não.». Sítio do Sergio Leo. Consultado em 1º de fevereiro de 2010 [ligação inativa] 
  23. Freitas, Jânio. Além do último sinal. Folha de S.Paulo, 23 de setembro de 2010.
  24. PINTO, L. F. (2011). «O PIG é uma fantasia». Observatório da Imprensa 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]