Praxe

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Praxe Académica[editar | editar código-fonte]

O termo “praxe” é o nome atribuído a um ritual de iniciação, geralmente realizado no primeiro ano de Universidade, que visa a integração dos novos alunos. Durante este processo de integração, há uma transmissão de valores dos alunos mais velhos para os novos, sempre na tentativa de manter as tradições da sua respetiva Academia.

História[editar | editar código-fonte]

Nas Universidades, os rituais de receção a novos alunos datam pelo menos desde o início do século XVIII. Quando D. João V declarou que “mando que todo e qualquer estudante que por obra ou palavra ofender a outro com o pretexto de novato, ainda que seja levemente, lhe sejam riscados os cursos”. Esta proibição não foi suficiente para que, no século seguinte, esses rituais se tornassem em coisas tão brutas como pontapés nas canelas, conhecidos como canelões, ou o rapanço, onde lhes cortavam o cabelo, ou até a pastada, onde os novatos imitavam animais a comer o pasto. Na segunda metade deste mesmo século (século XIX), estes atos grutescos começam, então, a ser chamados de “Praxe”. Depois de, ao longo do século seguinte, a “Praxe” provocar um enorme desassossego na sociedade e nas próprias universidades, é abulida com a Instauração da República.

A “Praxe” renasce depois em 1919, sendo recuperada como um símbolo da Academia, e volta a desaparecer no final da década de 60 entrando em desuso, devido ao Luto Académico que é instaurado depois da Crise Académica de 1969. No início da década de 80, e já com o fim do Luto Académico, renasce então a “Praxe” como nós a conhecemos. E assim, na década seguinte, a “Praxe” espande-se para outras universidades por todo o país, onde não havia qualquer tradição, tornando-se, também agora, alvo de polémicas.

Também, “Existem palavras em vários idiomas que visam, precisamente, definir este tipo de práticas de receção aos novos alunos. Deste modo, elas são conhecidas como trote académico no Brasil, novatadas em Espanha, bizutage em França e hazing nos países anglo-saxónicos”

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Por vezes as atividades Praxisticas são levadas a extremos que promovem algum criticismo. Isto deve-se muito a pessoas que não fazem o bom uso do seu poder e acabam por através da humilhação e da violência degradar o código e os valores da praxe. Pois, cada academia possui o seu “código de praxe” que é constituído pelas normas praxistas, bem como tudo o que lhe diga respeito (traje, hierarquia,… etc.). Este foi formado para defender os valores da praxe em questão, sendo que desrespeitando o mesmo ficarão sujeitos a diversas sanções.

“De acordo com Dias e Sá (2014), este tipo de atividades é proibido pela lei em vários países por se considerar que delas fazem parte o abuso, o assédio e a humilhação”

Referências[editar | editar código-fonte]

·        MINEIRO, João, Praxe académica: uma história longa e uma oportunidade única, em “publico.pt” (18 de Fevereiro de 2016)

·        ESTANQUE, Elísio, Praxe e Tradições Académicas, em “ffms.pt” (18 de outubro 2016)

·        A PRAXE COMO FENÓMENO SOCIAL

·        CRUZEIRO, Maria Eduarda, Costumes estudantis de Coimbra no século XIX: tradição e conservação institucional

Anexos[editar | editar código-fonte]

·        A PRAXE COMO FENÓMENO SOCIAL

·        CRUZEIRO, Maria Eduarda, Costumes estudantis de Coimbra no século XIX: tradição e conservação institucional

·        MARTINS, Carlos Miguel Jorge, Coimbra 1969-1970/80: Luto Académico, Tradição Coimbrã e Mudanças Políticas

·        Código de Praxe da Academia Minhota

Também ver[editar | editar código-fonte]

·        Trote estudantil

·        Praxe