Questão do Pirara

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Mapa com as áreas contestadas pelos ingleses. A escala está levemente desproporcional.

A Questão do Pirara foi um conflito diplomático entre Portugal (depois o Brasil) e Inglaterra iniciado no início do século XIX e terminado em 1904, com cessão pelo Brasil de parte do território disputado entre os dois países. Envolvia a posse de territórios que hoje se situam entre o estado de Roraima e a República Cooperativa da Guiana. A questão foi além do combates e das invasões, envolveu a diplomacia internacional, a advocacia e vários anos sem uma definição final.

Pirara foi de todos os contenciosos fronteiriços em que o Brasil se envolveu o único em que o país saiu em desvantagem. Com a perda da área, o Brasil não só deixou de ter acesso à bacia do Essequibo, através do Rupununi, como deu à então Guiana Inglesa (atual República Cooperativa da Guiana) acesso à bacia Amazônica através dos seus afluentes Tacutu e Maú.

O contencioso[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Entre 1810 e 1811 soldados ingleses penetraram na região. O comando do forte os recebeu cordialmente, impedindo-lhes, no entanto, de prosseguirem sua missão de invasão. O alemão Robert Schomburgk que, apesar da nacionalidade, trabalhava para os anglófonos, foi em 1835 à região a título de fazer um levantamento acerca da geografia física da Guiana interiorana. Enviou a Londres relatórios denunciando a quase inexistente soberania portuguesa no que hoje chama-se Roraima. Sugeriu que a Inglaterra ocupasse algumas áreas, e em alguns casos permanentemente.

A corte inglesa e a opinião pública receberam bem o relatório e foi enviado o missionário protestante Thomas Yound. Yound ficou na região do Pirara catequizando índios para a religião e para o domínio britânico. Ele ensinou ainda o idioma daquele país e hasteou a bandeira inglesa em solo brasileiro.

O presidente da província do Pará General Soares de Andrea ordenou que o comandante do Forte Capitão Ambrósio Aires e frei José Santos Inocentes intimassem o missionário pessoalmente a retirar-se da região. Ele, por sua vez, cumpriu as exigências, mas levou consigo os índios que outrora haviam sido por ele catequizados.

Aumento da pressão inglesa[editar | editar código-fonte]

A tentativa de domínio da região por parte dos ingleses não acabou aí, e, a partir de 1840 iniciou-se um grande conflito que envolveu até mesmo reis europeus e tribunais internacionais. Nessa data o germânico Schomburgk desenhou um mapa que continha a região do Tacutu, do Mau e até do Surumu, mostrando que era ocupada por "tribos independentes", e enviou-o para Londres. Indicou uma nova fronteira entre as terras brasileiras e as terras da atual Guiana, tendo como limites os rios Cotingo e Surumu.

A carta impressionou a opinião pública britânica, que passou a exigir que as sugestões do alemão fossem acatadas pelo governo inglês. A presença brasileira na fronteira era fraca devido a distância dos grandes centros, no entanto o governo paraense protestou em Belém diante o cônsul inglês, e o governo do Brasil protestou na capital britânica pelo embaixador brasileiro. Os protestos fizeram o governo inglês recuar, retirando os marcos provisórios já colocados na região, mas não desistiu. Em 1842 foi recebida em Londres uma recomendação brasileira para que a área de disputa (a região a oeste do Rio Rupununi) fosse "neutralizada".

A Inglaterra concordou, mas não recusou seus direitos: aceitou a neutralização apenas com a inclusão das áreas do Cotindo e do Mau. Essa disputa diplomática se prolongou até 1898, final do século XIX, até que o Brasil acatou a proposta dos anglófonos de submeter a questão ao governo italiano que atuaria como árbitro. Joaquim Nabuco foi o indicado brasileiro para acompanhar o julgamento, que seria feito pelo rei italiano Vitório Emanuel III. Nabuco aprofundou-se na causa, argumentando de forma prima sobre a supremacia dos lusófonos na região. Foram dezoito impressionantes volumes de material argumentativo desenvolvido pelo pernambucano.

Arbítrio da Itália[editar | editar código-fonte]

Em 1904 a decisão foi tomada pelo rei italiano: 19.630 km² seriam retirados do Brasil e entregues à Inglaterra (somando territórios para a Guiana), e 13 570 km² seriam devolvidos ao Brasil, definindo assim, os limites da fronteira.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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