Rapto Lindbergh

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O rapto de Charles Augustus Lindbergh, Jr., o filho mais velho do aviador Charles Lindbergh e Anne Morrow Lindbergh, foi um dos mais publicitados crimes do século 20. A criança de 20 meses foi raptada da sua casa de família, Highfields, em East Amwell, Nova Jérsia, na tarde de 1 de Março de 1932[1]. Cerca de 2 meses depois, a 12 de Maio de 1932, o seu corpo foi descoberto a uma curta distância da casa de Lindbergh na vizinhança Hopewell Township[2]. Uma examinação médica determinou que a causa da morte foi fractura do crânio massiva.[3]

Depois de uma investigação que demorou mais de dois anos, Richard Hauptmann foi preso e acusado do crime. Num julgamento que foi feito desde 2 de Janeiro a 3 de Fevereiro de 1935, Hauptmann foi dado como culpado do assassinato em primeiro grau e sentenciado à morte. Foi executado na cadeira eléctrica na Prisão Estatal de Nova Jérsia a 3 de Abril de 1936. Hauptmann proclamou a sua inocência até ao fim, e muitos historiadores questionam a sua culpa.[4]

O escritor de jornais H. L. Mencken chamou ao rapto e consequente julgamento "a maior história desde a Ressureição"[5][6]. O crime estimulou o Congresso a passar a Federal Kidnapping Act, chamada popularmente de "Lei Lindbergh", que tornava o transporte de uma vítima raptada, para lá das linhas estatais, um crime federal.[7]

O crime[editar | editar código-fonte]

Às 8 da noite de 1 de Março de 1932, a enfermeira da família, Betty Gow, colocou Charles Lindbergh, Jr., de 20 meses, a dormir no seu berço. Ela aconchegou o bebé num cobertor e fixou-o com dois grandes pinos para prevenir que o bebé se movesse durante o sono. Por volta das 9:30 da noite, Charles Lindbergh, o pai do bebé, ouviu um barulho que o fez pensar que as ripas do caixote cheio de laranjas na cozinha se tinham partido e caído. Contudo, às 10 da noite, Gow voltou ao quarto do bebé para descobrir que ele não estava no berço. A enfermeira perguntou a Anne Lindbergh, que tinha acabado de sair do seu banho, se o bebé estava com ela.

Não encontrando a criança com a sua mãe, a enfermeira desceu ao andar de baixo para falar com Lindbergh, que estava na biblioteca mesmo abaixo do quarto do bebé no canto a sudeste da casa. Ele foi imediatamente ao quarto do bebé para ver por ele mesmo que o bebé tinha desaparecido. Enquanto procurava no quarto, encontrou uma nota num envelope branco no parapeito da janela acima do aquecedor.

Lindbergh pegou na sua arma e percorreu a casa procurando por intrusos. Em 20 minutos, a polícia local estava a caminho da casa, bem como a imprensa e o advogado da família. Mais tarde nessa noite, uma impressão de pneu foi encontrada na lama causada pelo tempo chuvoso mais cedo naquele dia. Pouco depois da polícia ter começado a procurar no perímetro perto da casa, descobriram três peças de uma escada num arbusto próximo que parecia inteligentemente desenhada para fracamente construída.

A investigação[editar | editar código-fonte]

O primeiro no local foi o Chefe Harry Wolfe da polícia próxima de Hopewell Borough. Wolfe juntou-se logo aos oficiais da polícia estatal de Nova Jérsia. A polícia procurou na casa e na área envolvente à casa por vários quilómetros.

Depois da meia-noite, um especialista em impressões digitais chegou à casa para examinar a nota deixada no parapeito da janela e a escada. A escada tinha 400 impressões digitais parciais e algumas pegadas deixadas para trás. Contudo, muitas não tinham valor para a investigação devido ao grande número de imprensa e polícia que estavam presentes nos primeiros 30 a 60 minutos depois da primeira chamada de ajuda. Durante o processo de descoberta das impressões digitais, nenhuma impressão digital de adulto foi encontrada no quarto, incluindo em áreas em que as testemunhas chave admitiam ter tocado, como a possível janela de entrada. Impressões digitais do bebé foram encontradas em área baixas do quarto. A nota de resgate que foi encontrado por Lindbergh foi aberta e lida pela polícia depois de terem chegado. A curta, carta escrita à mão foi escrita com erros ortográficos e irregularidades gramaticais:

Ransom note left at site of Lindbergh baby kidnapping

The note[editar | editar código-fonte]

Uma recriação da marca na nota de resgate. Os pontos negros indicam onde furos foram feitos no papel.

Existiam dois círculos azuis ligados em volta de um círculo vermelho por baixo da mensagem, com um buraco no meio do círculo vermelho e dois outros buracos ao lados dos outros círculos.

As notícias espalham-se[editar | editar código-fonte]

A palavra sobre um rapto espalhou-se rapidamente, e, junto com a polícia, os bem nascidos e bem intencionados chegaram à residência de Lindbergh. Eram coronéis militares oferecendo a sua ajuda, apesar de apenas um ter conhecimentos de imposição da lei: Herbert Norman Schwarzkopf, superintendente da Polícia Estatal de Nova Jérsia. Os outros coronéis eram Henry Skillman Breckinridge, um advogado de Wall Street; William J. Donovan (também conhecido como "Wild Bill" Donovan, um herói da Primeira Guerra Mundial que mais tarde liderou a OSS). Lindbergh e estes homens acreditavam que o rapto tinha sido orquestrado por figuras do crime organizado. A carta, pensaram eles, parecia ter sido escrita por alguém que falava Alemão como língua nativa. Charles Lindbergh, por esta altura, usou a sua influência para controlar a direcção da investigação.[8]

Eles contactaram Mickey Rosner, um indivíduo que se dizia acompanhar mafiosos. Rosner, em resposta, falou em dois donos de bares que vendiam bebidas ilegalmente: Salvatore "Salvy" Spitale e Irving Bitz. Lindbergh rapidamente confirmou os dois e enviou os seus intermediários para tratarem com o mafioso. Várias figuras do crime organizado - notavelmente Al Capone, Willie Moretti, Joe Adonis e Longy Zwillman - falaram da prisão, oferecendo ajuda para recuperar o bebé à sua família em troca de dinheiro e favores legais. Especificamente, Capone ofereceu ajuda em troca de ser libertado da prisão com a justificação de que a sua ajuda seria mais eficaz. Isto foi rapidamente negado pelas autoridades.

Na manhã depois do rapto, o presidente dosEstados Unidos da América Herbert Hoover foi notificado do crime. Apesar do crime não parecer ter bases para um envolvimento federal (rapto era classificado na altura como crime local), Hoover declarou que ia "mover o Céu e a Terra" para recuperar a criança desaparecida.

O Bureau of Investigation (na altura ainda não era chamado de FBI) foi autorizado a investigar o caso, enquanto a Guarda Costeira dos Estados Unidos, o Serviço de Costumes dos Estados Unidos, o Serviço de Imigração dos Estados Unidos e a polícia de Washington, D. C., receberam a notificação que os seus serviços seriam precisos. Os oficiais de Nova Jérsia anunciaram uma recompensa de $50,000 para devolveram a salvo o "Pequeno Lindy". A família Lindbergh ofereceu uma recompensa adicional de $50,000 por eles mesmos. A recompensa total de $75,000 foi tornada mais significativa pelo facto da oferta ter sido feita durante os primeiros dias da Grande Depressão.

Durante este tempo, Lindbergh voou até ao Aeroporto de Round Hill para investigar uma pista que especificava a localização do seu filho num barco nas Elizabeth Islands.[9]

Alguns dias depois do rapto, uma nova carta de resgate chegou à casa de Lindbergh por correio. Registada em Brooklyn, a carta era verdadeira, trazendo as marcas vermelhas e azuis perfuradas.

Uma segunda nota de resgate chegou por correio, também registada em Brooklyn. Depois, uma terceira carta foi enviada. Também vinha de Brooklyn. Esta carta avisava que, uma vez que a polícia estava agora envolvida no caso, o resgate tinha subido para $70,000.

John Condon[editar | editar código-fonte]

Durante este tempo, a popular personalidade de Bronx e professor reformado, John F. Condon[10] escreveu uma carta ao Bronx Home News, oferecendo $1,000 se o raptor devolvesse a criança a um padre católico. Condon recebeu uma carta supostamente escrita pelos raptores. Isso autorizou Conton a ser o intermediário de Lindbergh[11]. Lindbergh aceitou a carta como genuína.

Seguindo as instruções da última carta, Condon colocou uma publicidade classificada no New York American dizendo: "Dinheiro está pronto. Jafsie". Condon depois esperou por mais instruções dos raptores.[12]

Um encontro entre "Jafsie" e um representante do grupo que dizia ser um dos raptores foi eventualmente agendado para uma tarde no Cemitério de Woodlawn. Segundo Condon, o homem parecia estrangeiro mas permaneceu nas sombras durante a conversa, e como tal não conseguiu ter uma visão de como era a sua cara. O homem disse que o seu nome era John, e contou a sua história: era um marinheiro escandinavo, parte de uma gangue de três homens e duas mulheres. A criança Lindbergh não tinha ferimentos e estava guardada num barco, mas os raptores ainda não estavam preparados para o devolver sem o pagamento do resgate. Quando Condon expressou dúvida que "John" tivesse na verdade o bebé, ele prometeu uma prova: o raptor ia brevemente devolver o pijama do bebé. O estranho perguntou a Condon, "...vou ser "queimado" (ser executado), se a encomenda (o bebé) estiver morto?". Quando questionado depois, ele assegurou a Condon que o bebé estava vivo.

A 16 de Março, John Condon recebeu uma encomenda por correio que continha o pijama da criança, enviada como prova pedida, e uma sétima nota de resgate[13]. Condon mostrou o pijama a Lindbergh, que o identificou como sendo do filho. Depois da entrega do pijama, Condon deixou um novo anúncio no Home News dizendo, "Dinheiro está pronto. Sem polícias. Sem serviços secretos. Vou sozinho, como da última vez". Um mês depois da criança ter sido raptada, a 1 de Abril, Condon recebeu uma carta dos raptores. Estavam preparados para receber o pagamento.

Pagamento do resgate[editar | editar código-fonte]

O resgate foi colocado numa caixa de madeira feita à medida na esperança que pudesse ser mais tarde identificada. O dinheiro do resgate era falso com um número de certificados dourados que seriam retirados de circulação pouco tempo depois[13]. Tinha-se esperança que alguém a passar uma grande quantidade de notas douradas chamasse a atenção e ajudasse a identificar os raptores[4][14]. Para além disso, como as notas não estavam marcadas, o número de série de cada nota foi gravado. Algumas fontes dão crédito a Frank J. Wilson por isto enquanto outros a Elmer Lincoln Irey.[15][16]

Na tarde seguinte, a 2 de Abril, foi dado a Condon uma nota por um taxista desconhecido. Condon encontrou-se com "John" e disse-lhe que tinham conseguido angariar $50,000. O homem aceitou o dinheiro e deu a Condon uma nota. A criança estava supostamente ao cuidado de duas mulheres que, segundo a nota, eram inocentes.

Descoberta do corpo[editar | editar código-fonte]

A 12 de Maio, um condutor de um caminhão de entregas William Allen, parou o seu caminhão na beira da estrada a cerca de 7,2 quilometros a sul da casa de Lindbergh perto da vila de Mount Rose na vizinhança de Hopewell Township'"`UNIQ--nowiki-00000037-QINU`"'2'"`UNIQ--nowiki-00000038-QINU`"'[2][2][2][2][2][3]. Ele foi para um conjunto de árvores para urinar, e lá descobriu o corpo da criança[17]. Allen notificou a polícia, que levou o corpo para o necrotério próximo a Trenton, Nova Jérsia. O corpo estava pouco decomposto, e descobriu-se que o crânio estava fracturado. O corpo parecia que tinha sido mastigado e atacado por vários animais assim como indicações que alguém tinha feito uma tentativa de enterrar o corpo[3][17]. Lindbergh e Gow rapidamente identificaram o bebé como sendo o bebé desaparecido baseando-se nos dedos sobrepostos do pé direito e a camisola que Gow tinha feito para o bebé. Pensaram que a criança tinha sido morta com um golpe na cabeça. O pai foi insistente em cremar o corpo do bebé depois.[18]

Quando o Congresso dos Estados Unidos soube que a criança estava morta, a legislação foi apressada em fazer do rapto um crime federal. O FBI podia agora ajudar o caso mais directamente (na verdade, como a vítima não tinha sido transportada para lá da fronteira, a lei não se podia aplicar tecnicamente ao caso Lindbergh).

Em Junho de 1932, os oficiais começaram a suspeitar de um "trabalho interno" perpetrado por alguém de confiança dos Lindbergh. As suspeitas cairam sob Violet Sharp, uma empregada britânica que servia na casa Morrow. Ela deu testemunha contraditória sobre os seus conhecimentos na noite do rapto. Foi reportado que ela parecia nervosa e suspeita quando questionada. Ela suicidou-se a 10 de Junho de 1932[19], ingerindo um verniz prateado que continha cianeto de potássio pouco antes do que seria o seu quarto interrogatório[20][21]. Depois do seu álibi ser confirmado, foi mais tarde determinado que a possível ameaça de perder o seu emprego e o intenso interrogatório tinha-a levado a cometer suicídio. Na altura, os investigadores da polícia foram criticados pelo que alguns sentiram como "mão demasiado pesada" das tácticas policiais usadas.[22]

Depois da morte de Violet Sharp, John Condon foi também interrogado pela polícia. A casa de Condon foi analisada também, mas nada foi encontrado que ligasse Condon ao crime. Charles Lindbergh ficou a favor de Condon durante este tempo também.[23]

Investigação não oficial de John Condon[editar | editar código-fonte]

Depois da descoberta do corpo, Condon ficou envolvido não oficialmente no caso. Para o público, ele tornou-se suspeito e em alguns círculos difamado. Nos dois anos seguintes, ele visitou departamentos da polícia e prometeu encontrar "Cemitério John".

As acções de Condon sobre o caso foram sendo cada vez mais exibicionistas. Numa ocasião, enquanto ia num autocarro da cidade, ele viu um suspeito e, anunciando a sua identidade secreta, ordenou que o autocarro parasse. O condutor concordou, e Condon lançou-se do autocarro, embora o alvo acabasse por fugir. As acções de Condon também foram criticadas como exploradoras quando ele concordou em aparecer num acto de vaudeville sobre o rapto[24]. A Liberty Magazine publicou uma série sobre o envolvimento de Condon no rapto Lindbergh sob o título "Jafsie Tells All" .[25]

Localização do dinheiro do resgate[editar | editar código-fonte]

A investigação do caso caiu rapidamente na monotonia. Não existiam desenvolvimentos e poucas provas de qualquer tipo, por isso a polícia virou a sua atenção para procurar localizar os pagamentos do resgate. Um panfleto foi preparado com os números de série das notas do resgate, e 250,000 cópias foram distribuídas a empresários principalmente na cidade de Nova Iorque[13][14]. Algumas das notas de resgate surgiram em localizações dispersas, algumas longe como Chicago e Minneapolis, mas as pessoas que as usaram nunca foram encontradas.

Um exemplo dos certificados dourados da série de 1928 de $10

Como Ordem Executiva 6102, os certificados dourados deveriam ser devolvidos a 1 de Maio de 1933. Poucos dias antes da data final, um homem em Manhattan trouxe $2,980 do dinheiro do resgate para ser trocado. O banco estava ocupado e ninguém se lembrou de nenhum pormenor específico da pessoa. Ele preencheu um formulário de requisição, que deu o nome dele como J. J. Faulkner. A morada fornecida era 537 West 149th Street na cidade de Nova Iorque.[14]

Quando as autoridades visitaram a morada, descobriram que não morava lá ninguém que se chamasse Faulkner - ou alguém próximo - por vários anos. Os oficiais do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos continuou à procura e eventualmente descobriu que uma mulher chamada Jane Faulkner tinha vivido nessa morada em 1913. Tinha-se mudado depois de ter casado com um homem alemão chamado Giessler. O casal foi localizado, e ambos negaram envolvimento no crime.

Captura do suspeito[editar | editar código-fonte]

Durante 30 meses, o Detective James J. Finn da polícia de Nova Iorque e o Agente do FBI Thomas Sisk trabalharam no caso Lindbergh. Eles conseguiram descobrir várias notas do dinheiro de resgate que tinha sido gasto em locais pela cidade de Nova Iorque. Um mapa criado por Finn registou cada descoberta e eventualmente mostrou que muitas das notas estavam a ser passadas ao longo da rota do metropolitano de Lexington Avenue. A linha do metro ligava o East Bronx com o lado este de Manhattan, incluindo a vizinhança alemã-austríaca de Yorkville.[4]

A 18 de Setembro de 1934, um certificado dourado do dinheiro de resgate foi referido ao Detective Finn e ao Agente Sisk[4]. Apesar do Presidente Roosevelt ter ordenado uma ordem executiva a 5 de Abril de 1933, pedindo todos os certificados dourados para serem devolvidos a 1 de Maio de 1933, sob pena de multa ou prisão[26], alguns membros do público guardaram-nos até ao último momento[27]. O certificado dourado de 10 dólares foi descoberto por um caixa do Corn Exchange Bank na 125th Street ePark Avenue em Manhattan'"`UNIQ--nowiki-00000071-QINU`"'13'"`UNIQ--nowiki-00000072-QINU`"'[13][13][13][13][13][1]. Tinha uma matrícula de Nova Iorque, 4U-13-41-N.Y, anotada na margem, que ajudou os investigadores a localizar a nota a uma bomba de gasolina próxima. O gerente da bomba, Walter Lyle, tinha anotado a matrícula sentindo que o cliente estava a actuar "de forma suspeita" e era "possivelmente um falsário".[4][13][14][28]

Foi descoberto que a matrícula pertencia a um Dodge azul pertencente a Richard Hauptmann da 1279 East 222nd Street em Bronx. Foi descoberto que Hauptmann era um imigrante alemão com registo criminal na sua terra natal. Quando Hauptmann foi preso, tinham em sua posse certificados dourados no valor de 20 dólares[4][13]. Uma busca da polícia à garagem de Hauptmann descobriu mais de $14,000 em dinheiro de resgate. Durante a investigação da polícia, a garagem que Hauptmann tinha construído foi revirada em busca de dinheiro.[29]

Hauptmann foi preso por Finn; foi interrogado, assim como espancado pelo menos uma vez, ao longo do dia e da noite que seguiu[14]. O dinheiro, segundo Hauptmann, assim como outros objectos, foram deixados com ele por um amigo e antigo parceiro de negócios Isidor Fisch. Fisch tinha morrido a 29 de Março de 1934, pouco depois de regressar à Alemanha. Apenas após a morte de Fisch, disse Hauptmann, é que ele soube que a caixa de sapatos deixada com ele tinha uma considerável soma de dinheiro. Ele ficou com o dinheiro porque dizia que o merecia devido ao dinheiro que Fisch lhe devia por um negócio que fizeram os dois. Hauptmann consistentemente negou qualquer ligação com o crime ou conhecimento que o dinheiro na sua casa era do resgate.

Nas buscas no seu apartamento pela polícia, uma quantia considerável de provas adicionais que ele estava envolvido no crime surgiram. Um objecto foi um bloco de notas que continha um rascunho da construção de uma escada semelhante à encontrada na casa de Lindbergh em Março de 1932. O número de telefone de John Condon, assim como a sua morada, foram descobertas escritas na parede de um armário na casa. Uma prova chave, um pedaço de madeira, foi descoberto no sótão da casa. Depois de ser examinado por um especialista, foi determinado que seria uma comparação exacta à madeira usada na construção da escada encontrada na cena do crime.

Hauptmann foi indiciado em Bronx a 24 de Setembro de 1934, por extorquir $50,000 de resgate a Charles Lindbergh[4]. Duas semanas depois, a 8 de Outubro de 1934, Hauptmann foi indiciado em Nova Jérsia pelo assassinato de Charles Augustus Lindbergh, Jr[13]Dois dias depois, ele foi entregue às autoridades de Nova Jérsia pelo Governador de Nova Iorque Herbert H. Lehman para enfrentar acusações directamente relacionadas com o rapto e morte da criança. Hauptmann foi mudado para a Prisão de Hunterdon, Nova Jérsia, a 19 de Outubro de 1934.[13]

O julgamento[editar | editar código-fonte]

O antigo Tribunal de Hunterdon, local do julgamento.

Hauptmann foi acusado com crime capital, significando que a condenação podia resultar empena de morte. Ele deu-se como inocente. No tribunal de Hunterdon, Nova Jérsia, o julgamento rapidamente se tornou famoso: os jornalistas abundavam na cidade, e todos os quartos de hotel estavam ocupados.

Em troca dos direitos de publicar a história de Hauptmann no jornal, Edward J. Reilly foi contratado pelo Daily Mirror para ser advogado de Hauptmann. David T. Wilentz, advogado do ministério de Nova Jérsia, liderou a acusação.

Para além da posse de mais de $14,000 de dinheiro de resgate por parte de Hauptmann, o Estado apresentou provas que mostravam uma grande semelhança entre a escrita de Hauptmann e a escrita do bilhetes de resgate. Oito diferentes especialistas em escrita manual (Albert S. Osborn, Elbridge W. Stein, John F. Tyrrell, Herbert J. Walter, Harry M. Cassidy, Wilmer T. Souder, Albert D. Osborn e Clark Sellers)[30] foram chamados pela acusação para testemunhar, onde apontaram semelhanças entre palavras e letras nos bilhetes de resgate e nas amostras de escrita de Hauptmann (que incluíam documentos escritos antes de ser preso, como registos automóveis). Um especialista (John M. Trendley) foi chamado pela defesa para refutar esta prova, enquanto outros dois (Samuel C. Malone e Arthur P. Meyers) recusaram testemunhar em julgamento[30]. Os últimos dois pediram $500 pelos seus serviços antes de olharem sequer para as notas e foram despedidos quando o advogado assistente de Flemington, C. Lloyd Fisher, recusou a dar tal quantia.[31]

Baseado no trabalho forense de Arthur Koehler no Laboratório de Produtos Florestais, o Estado também introduziu provas fotográficas demonstrando que a madeira da escada deixada no local do crime coincidia com a do chão do sótão de Hauptmann; o tipo de madeira, a direcção do crescimento da árvore, o padrão deixado na fábrica, o interior e exterior da superfície da madeira, e a granulação em ambos os lados era idêntica, e dois buracos de prego coincidentes com o sótão de Hauptmann. Adicionalmente, os acusadores notaram que a morada de Condon e o número de telefone tinham sido encontrados escritos a lápis numa porta de um armário na casa de Hauptmann. O próprio Hauptmann admitiu à polícia num interrogatório que tinha escrito a morada de Condon na porta do armário: "Devo ter lido no jornal sobre a história. Estava um pouco interessado e queria guardar um pouco disso, e possivelmente estava no armário, e a ler o jornal e anotei a morada". Quando questionado sobre o número de telefone de Condon, ele apenas respondeu, "Não consigo dar uma explicação sobre o número de telefone".

A defesa não desafiou a identificação do corpo, uma prática comum em casos de assassinato na altura para evitar a exposição do júri a uma intensa análise do corpo e à sua condição.

Lindbergh na cadeira das testemunhas

Condon e Lindbergh testemunharam ambos que Hauptmann era "John". Outra testemunha, Amandus Hochmuth, testemunhou que viu Hauptmann perto da cena do crime.

Hauptmann acabou por ser condenado dos crimes e sentenciado à morte. Os seus recursos foram rejeitados, apesar de o Governador de Nova Jérsia Harold G. Hoffman ter garantido um adiamento temporário da execução de Haptmann e fez o movimento político pouco popular de ter o New Jersey Board of Pardons a rever o caso. Não encontraram razão nenhuma para um perdão.

Hauptmann recusou uma grande oferta do jornal Hearst para uma confissão e recusou uma oferta de último minuto para trocar a sua execução por uma prisão perpétua em troca de uma confissão. Foi electrocutado a 3 de Abril de 1936, apenas 4 anos depois do rapto.

Depois da morte de Hauptmann, alguns repórteres e investigadores independentes vieram com inúmeras questões sobre a forma como a investigação correu e a justiça do julgamento. Questões foram levantadas tendo como preocupação problemas como fabricação de provas. Duas vezes durante os anos 80, Anna Hauptmann processou o estado de Nova Jérsia pela execução injusta do seu marido. De ambas as vezes os processos foram cancelados por razões desconhecidas.

Controvérsia[editar | editar código-fonte]

Como outros crime notórios, o rapto Lindbergh atraiu teorias alternativas.

Revisão das provas[editar | editar código-fonte]

Erastus Mead Hudson era um especialista em impressões digitais que conhecia o, na altura, processo de nitrato de prata para recolher impressões digitais de madeira e outras superfícies onde o anterior método de pó não poderia detectar as impressões. Ele descobriu que as impressões digitais de Hauptmann não estavam na madeira, mesmo em locais onde o homem que tivesse feito a escada teria de tocar. Depois de reportar isto para um polícia e dizendo que deveriam investigar melhor, o polícia disse, "Deus, não nos diga isso Doutor!". A escada foi depois limpa de todas as impressões, e Schwarzkopf recusou-se a tornar público que as impressões de Hauptmann não estavam na escada.[32]

Vários livros foram escritos proclamando a inocência de Hauptmann. Estes livros criticavam a polícia por permitir que as cenas do crime fosse contaminadas, Lindbergh e os seus associados por interferirem com a investigação, os advogados do julgamento de Hauptmann por o terem representado sem eficácia, e a veracidade das testemunhas e as provas físicas apresentadas em julgamento. Ludovic Kennedy, em particular, questionou muitas das provas, tal como a origem da escada e o testemunho de muitas testemunhas. Um recente livro sobre o caso, A Talent to Deceive pelo escritor investigador britânico William Norris, não apenas declara a inocência de Hauptmann como também acusa Lindbergh de esconder a verdadeira identidade do assassino. O livro aponta o dedo de culpa a Dwight Morrow, Jr., o cunhado de Lindbergh. Contudo, não existem provas.

Pelo menos um autor moderno discorda destas teorias. Jim Fisher, um antigo agente do FBI e professor na Universidade Edinboro na Pensilvânia, escreveu dois livros sobre o assunto, The Lindbergh Case (1987)[33] e The Ghosts of Hopewell (1999)[34] para fazer, pelo menos numa parte, o que ele chamava de "movimento de revisão" sobre o caso[35]. Nestes textos, ele fornece uma interpretação discutindo os prós e contras das provas apresentadas em tribunal. Ele resume as suas conclusões com: "Hoje, o fenómeno Lindbergh [[[sic]]] é um gigante gozo perpetrado por pessoas que tiram partido de um público pouco informado e cínico. Não obstante a todos os livros, programas de televisão, e processos legais, Hauptmann é culpado hoje como era em 1932 quando raptou e matou o filho do Sr e Sra Charles Lindbergh"[36].

Um livro mais recente, Hauptmann's Ladder: A Step-by-Step Analysis of the Lindbergh Kidnapping, por Richard T. Cahill Jr., conclui que Hauptmann era culpado mas questiona se ele deveria ser executado. Apesar de Cahill concluir que Hauptmann agiu sozinho, ele reconhece a possibilidade de um cúmplice.

Em 2005 o programa de televisão da truTV Forensic Files conduziu uma reexaminação das provas físicas do rapto usando técnicas científicas mais modernas. Kelvin Keraga concluiu que a escada usada no rapto foi feita de madeira que tinha sido parte do sotão de Hauptmann[37]. Três examinadores forenses de documentos, Grant Sperry, Gideon Epstein e Peter E. Baier, PhD, trabalharam independentemente uns dos outros. Sperry concluiu que existia uma "alta probabilidade" que as notas do raptor fossem escritas por Hauptmann[38]. Epstein concluiu que "existiam evidências que as notas tinham sido escritas por uma pessoa e que essa pessoa era Richard Bruno Hauptmann".[39]

Baier escreveu que Hauptmann "provavelmente" escreveu os bilhetes, mas Baier disse, "Olhando para estes achados, não podem ser desenhadas conclusões definitivas e não ambíguas"[40]. O programa concluiu que Hauptmann tinha na verdade sido culpado mas notou que permaneciam questões, tal como é que ele poderia saber que os Lindbergh iam permanecer em casa durante a semana.

Alternar teorias do caso não é novo. Segundo John Reisinger em Master Detective (Citadel Press, 2006), dando fama ao detective de Nova Jérsia, Ellis Parker, conduziu uma investigação independente em 1936 e obteve uma confissão assinada pelo antigo advogado de Trenton Paul Wendel, criando uma revolta e resultando numa temporária suspensão da execução de Bruno Hauptmann. O caso contra Wendel colapsou, contudo, quando Wendel insistiu que a sua confissão foi forçada. [41]

Vários autores sugeriram que Charles Lindbergh, o pai, foi responsável pelo rapto. Em 2010, o autor do livro Beneath the Winter Sycamores sobre o rapto de Lindbergh, implicou que o bebé estava fisicamente deficiente e que Charles Lindbergh queria que outra pessoa criasse o filho na Alemanha. No livro, depois de 10 dias, o bebé morreu de pneumonia, e o rapto rebentou na casa de Lindbergh.[42]

O livro de Robert Zorn de 2012, Cemetery John, propõe que Hauptmann era o soldado principal numa conspiração com outros dois alemães, John e Walter Knoll. O pai de Zorn, o economista Eugene Zorn, tinha vindo a investigar o incidente desde os seus 10 anos o que o convenceu que ele tinha testemunhado a conspiração a ser discutida. Depois da morte do Zorn mais velho, o filho Robert continuou a investigação.[43]

Representado nas artes[editar | editar código-fonte]

Na música
Columbia-15759-D.jpg
  • Maio de 1932: Apenas um dua depois do bebé Lindbergh ser encontrado morto, o artista de música country Bob Miller (sob o pseudónimo de Bob Ferguson) gravou duas canções para Columbia em 13 de Maio de 1932, comemorando o evento. As canções foram lançadas em Columbia 15759-D com os títulos "Charles A. Lindbergh, Jr." e "There's a New Star Up in Heaven (Baby Lindy Is Up There)"[44].
  • Janeiro de 1935: Goebel Reeves gravou a sua canção "The Kidnapped Baby" lançada mais tarde nesse ano.
Em romances
  • Janeiro de 1934: Agatha Christie inspirou-se nas circunstâncias do caso quando descreveu o rapto da menina Daisy Armstrong no seu romance de Hercule Poirot de 1934Murder on the Orient Express, incluindo uma morte paralela de Violet Sharpe.
  • 1981: O rapto e as consequências serviram de inspiração para o livro de Maurice Sendak Outside Over There.
  • 1991: Stolen Away por Max Allan Collins é um completo tratamento do caso do ponto de vista de um detective ficcional. O autor examina várias soluções possíveis e providencia apoio considerável para uma.
  • 2004: No romance de Philip RothThe Plot Against America, o narrador descreve teorias sobre o rapto - mais notável, a possibilidade de Nazis proeminentes serem responsáveis e usarem o rapto para extorquir os Lindbergh expressando admiração pela polícia da Alemanha Nazi. Segundo esta teoria (que o narrador não aceita nem rejeita), o bebé é trazido para a Alemanha onde é adoptado numa família Nazi e torna-se membro da Juventude Hitler, sem saber a sua infância.
  • 2012: The Last Newspaperman, por Mark Di Ionno, conta a história da perspectiva de um jornalista que faz a cobertura do rapto e diz que ouviu a confissão de Bruno Hauptmann.
  • James Merrill escreveu um poema chamado "Days of 1935" no qual fala sobre o rapto Lindbergh do ponto de vista da criança. 
Em linguagens
  • Em Espanhol, a expressão "Estar más perdido que el hijo de Lindbergh" (estar mais perdido que o filho de Lindbergh) significa "sem saber de nada".
Em filmes/televisão
  • 1976: No filme televisivo The Lindbergh Kidnapping Case, Anthony Hopkins faz o papel de Bruno Hauptmann, e Sian Barbara Allen de Anne Morrow Lindbergh.
  • 1996: O rapto Lindbergh foi tema de um filme televisivo da HBO nomeado para um Globo de Ouro e Emmy, chamado Crime of the Century. Bruno Hauptmann foi protagonizado por Stephen Rea e a sua esposa Anna por Isabella Rossellini.
  • 2009: No documentário Tell Them Anything You Want, o autor/ilustrador Maurice Sendak diz ao entrevistador Spike Jonze que tem vindo a estar obcecado com o caso do bebé Lindbergh desde que tinha dois anos.
  • 2011: O filme dirigido por Clint Eastwood, J. Edgar, inclui referência ao rapto Lindbergh. Josh Lucas faz o papel de Charles Lindbergh, Damon Herriman de Bruno Hauptmann e Stephen Root de Arthur Koehler, um especialista em madeira que testemunha no julgamento[45].
  • 2013: A 31 de Julho o programa da PBS Nova transmitiu "Who Killed Lindbergh's Baby?", uma investigação conduzida pelo antigo investigador do FBI especialista em ciências forenses, John Douglas. Douglas explora o incidente e o julgamento de Hauptmann, e depois investiga mais além várias teorias sobre quem é o mais provável cúmplice[46].
No teatro
  • O musical Baby Case dramatiza os eventos do julgamento Lindbergh e o circo dos media que o rodeou[47].
  • Junho 2002: O Teatro de Ópera de St. Louis estreou uma nova ópera pelo compositor americano, Cary John Franklin, chamada "Loss of Eden". A ópera comemorou o centenário do nascimento de Lindbergh, e o 75º aniversário da travessia Atlântica, e foi uma reflexão musical sobre o triunfo público de Lindbergh e tragédia pessoal. Mais tarde, o compositor voltou a trabalhar algumas das músicas num trabalho de câmara chamado "Falls Flyer". A música na secção de abertura da peça é derivada da música nos momentos mais dramáticos da ópera - o avião a partir de Paris, o rapto, e a execução de Bruno Hauptmann.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Gill, Barbara (1981).
  2. a b "Lindbergh Kidnapping Index".
  3. a b Aiuto, Russell.
  4. a b c d e f g Linder, Douglas (2005).
  5. Notorious Murders; CrimeLibrary.com; accessed August 2015
  6. Newton, Michael (2012).
  7. Glass, Andrew (March 26, 2007).
  8. Fass, Paula S. (1997).
  9. "Abandoned & Little-Known Airfields: Southeastern Massachusetts".
  10. Note: "Jafsie" was a pseudonym based on a phonetic pronunciation of Condon's initials, "J.F.C."
  11. Aiuto, Russell.
  12. Maeder, Jay (September 23, 1999).
  13. a b c d e f g h "The Lindbergh Kidnapping".
  14. a b c d e Manning, Lona (March 4, 2007).
  15. Waller, George (1961).
  16. Robert G. Folsom (2010).
  17. a b "CRIME: Never-to-be-Forgotten".
  18. "Murdered Child's Body Now Reduced to Pile of Ashes".
  19. "Morrow Maid Balks Inquiry". www.lindberghkidnappinghoax.com.
  20. Lindbergh, Anne; Hour of Gold, Hour of Lead; San Diego: Harcourt Brace Jovanovich; 1973.
  21. Falzini, Mark W. (April 2006).
  22. "The Lindbergh Kidnapping".
  23. "The Lindbergh Kidnapping".
  24. "Ministers Protest Billing of Condon; 25 See Jafsie Vaudeville Act Scheduled for Plainfield as Tragic Exploitation."
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  26. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome Woolley
  27. "FAQs: Currency – Buying, Selling & Redeeming".
  28. "National Affairs: 4U-13-41".
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  30. a b Fisher, Jim (September 1, 1994).
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  37. Testimony in Wood, Summary Report 1.2; 2005; pp. 10, 32
  38. Forensic Document Examination Services, Inc.
  39. Gideon Epstein Forensic Document Examination Report; January 25, 2005; p 3
  40. Peter D. Baier Expert Opinion; February 25, 2005; p 7
  41. Master Detective – Americas Real-life Sherlock; book search
  42. Beneath-Winter-Sycamores; Bahm, Jim;
  43. Edward Colimore (July 8, 2012).
  44. Russell, Tony.
  45. Rich, Katey.
  46. "Who Killed Lindbergh's Baby?"
  47. Baby Case; web archive

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Ahlgren, Gregory and Stephen Monier, Crime of the Century:The Lindbergh Kidnapping Hoax, Branden Books, 1993, ISBN 0-8283-1971-5
  • Cahill, Richard T. Jr., Hauptmann's Ladder: A Step-by-Step Analysis of the Lindbergh Kidnapping, Kent State University Press, 2014, ISBN 978-1-60635-193-2
  • Fisher, Jim, The Lindbergh Case, Rutgers University Press, Reprint 1994, ISBN 0-8135-2147-5
  • Fisher, Jim, The Ghosts of Hopewell: Setting the Record Straight in the Lindbergh Case, Southern Illinois University Press, 2006, ISBN 978-0-8093-2717-1
  • Kennedy, Sir Ludovic, The Airman And The Carpenter, 1985, ISBN 0-670-80606-4
  • Kurland, Michael, A Gallery of Rogues: Portraits in True Crime, Prentice Hall General Reference, 1994, ISBN 0-671-85011-3
  • Newton, Michael, The Encyclopedia of Unsolved Crimes, Checkmark Books, 2004, ISBN 0-8160-4981-5
  • Norris, William, A Talent to Deceive, SynergEbooks, 2007, ISBN 978-0-7443-1594-3
  • Reisinger, John, Master Detective (Ellis Parker's independent investigation), Citadel Press, 2006, ISBN 978-0-8065-2750-5

Links externos[editar | editar código-fonte]