Recolhimento do Ferro

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Recolhimento do Ferro
Recolhimento do Ferro.
Construção século XVIII
Aberto ao público Sim
Estilos arquitetónicos Barroco, Rococó
Património Nacional
Classificação Logotipo Anta Vilarinho PT.png Homologação do património
SIPA 9027
Estado de conservação Razoável
Geografia
País Portugal Portugal

O Recolhimento do Ferro é um antigo edifício religioso de assistência (recolhimento), localizado na freguesia da , Porto, tendo em anexo a Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio.

História[editar | editar código-fonte]

Foi fundado no século XV na zona da Sé, à entrada da Rua Escura. Funcionava como um albergue de prostitutas e mulheres abandonadas. Tinha uma capela pegada, que ostentava na frontaria o ano de 1681 que corresponde a uma remodelação, dado que a capela era provavelmente mais antiga. Era ocupada pelos meninos do coro da Catedral, mas quando eles abandonaram o pequeno prédio, este foi ocupado por mulheres sem recursos e viúvas pobres. Em 1681, o anexo onde se recolhiam as mulheres é alvo de obras e é criado o Recolhimento do Ferro.

A capela chamava-se Capela de Nossa Senhora do Ferro porque tinha um ferro atravessado de lado a lado da porta, supostamente mandado colocar devido a um privilégio concedido por um dos nossos primeiros reis: o condenado que saísse da Cadeia do Aljube e por ali passasse para ser enforcado e conseguisse chegar a tocar no ferro já não seria executado. É sabido que os condenados tinham que passar diante da capela. Não consta que algum condenado tenha evitado a morte por beneficiar do privilégio. Posteriormente, foi também conhecida por Capela de São Sebastião, por causa de uma imagem do santo protector contra a peste que foi ali guardada pela Diocese no fim do século XVIII, após a demolição da Porta de S. Sebastião, uma das quatro portas da Muralha Primitiva do Porto. Em 1854, com a epidemia de cólera-mórbus, sabe-se que os moradores da Sé invocaram a protecção de São Sebastião e escaparam "milagrosamente", passando a comemorar ao santo todos os anos, a 20 de Janeiro.

Nos começos do século XVIII pensou-se em remodelar e melhorar as instalações. Mas a ideia não foi por diante. Em frente, na rua de S. Sebastião, do Aljube, era possível ver o que se passava no interior do recolhimento, pelo que o novo recolhimento seria construído nas Escadas do Codeçal em terrenos que uma senhora D. Josefa Maria doara por escritura de 17 de Março de 1729. A doadora impôs por condição que o recolhimento tomasse por padroeira Santa Maria Madalena, por recolher prostitutas que desejassem abandonar a "velha profissão", bem como mulheres casadas e de família com o avalo dos maridos. Hoje chega a dizer-se, erradamente, que aqui eram enclausuradas as adulteras pelos seus maridos. Aqui as internadas viviam modestamente, sustentando-se "com o produto do seu trabalho" Observavam regras muito rígidas. As regentes da instituição eram eleitas por todas as internas mas os estatutos não permitiam a realização de festas para festejar a eleição da dita regente.

No século XIX o edificio foi abandonado por causa das Invasões Francesas e das Lutas Liberais. Extinto, ficou abandonado. Nos anos 30 do século XX, os rebentamentos de explosivos para a abertura do Túnel da Ribeira abalaram-no, tendo sido restaurado e sendo hoje propriedade da Junta de Freguesia da Sé, que lá instalou o seu centro social e cultural.

Referências[editar | editar código-fonte]

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