Regino de Prüm

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Regino de Prüm
Nascimento 842
Altrip
Morte 915 (73 anos)
Tréveris
Sepultamento Tréveris
Cidadania Frância oriental
Ocupação teórico musical, musicólogo, escritor, cronista
Religião Catolicismo

Regino de Prüm (em latim: Regino Prumiensis; em alemão: Regino von Prüm; m. 915) foi um monge beneditino que serviu como abade de Prüm (892-899) e, depois, de São Martinho de Tréveris. Escreveu "Chronicon" ("Crônica"), uma importante fonte de informações para o período carolíngio.

Biografia[editar | editar código-fonte]

De acordo com afirmações posteriores, Regino era filho de pais nobres e nasceu na fortaleza de Altrip, às margens do Reno perto da cidade de Speyer em data desconhecida. A partir de sua eleição como abade e de suas obras, é evidente que ele tornou-se monge na Ordem de São Bento, provavelmente na própria Abadia de Prüm, e foi um estudante diligente. A rica e celebrada abadia imperial de Prüm sofreu muito no século IX com os constantes raides dos povos nórdicos, sendo duas vezes capturada e arrasada (em 882 e 892). Depois da segunda vez, obra dos danos, o abade Faraberto renunciou e Regino foi eleito sucessor em 892. Seus esforços para a restauração da abadia devastada foram, porém, atrapalhados pelo conflito entre facções em disputa na Lotaríngia.

Em 899, Regino foi expulso por Ricário, futuro bispo de Liège, o irmão do conde Gerardo (Gerhard) e do conde Mattfried de Hainaut. Ricário tomou seu lugar enquanto Regino, depois de renunciar, se retirou para Tréveris, onde foi aceito com honras pelo arcebispo Radbod de Tréveris e nomeado abade de São Martinho, uma casa que ele reformou. Regino depois apoiou o arcebispo em seus futuros esforços para realizar as reformas eclesiásticas numa era muito conturbada, reconstruiu sua abadia, que também havia sido destruída pelos nórdicos, acompanhou o arcebispo em suas visitas pela arquidiocese e utilizou seu tempo livre para escrever.

Regino morreu em Tréveris em 915 e foi enterrado em São Martinho. Seu túmulo foi descoberto em 1581.

Obras[editar | editar código-fonte]

As obras de Regino foram publicadas no volume 132 da Patrologia Latina de Migne.

De harmonica institutione e Tonarius[editar | editar código-fonte]

A obra mais antiga de Regino foi "Epistola de harmonica institutione", um tratado sobre música escrito na forma de uma carta ao arcebispo Radbod. Seu objetivo principal era melhorar o canto litúrgico nas igrejas da diocese e, provavelmente, assegurar o apoio de Radbod na empreitada. Escreveu também o "Tonarius", uma coleção de cantos[1].

Chronicon[editar | editar código-fonte]

A obra mais influente de Regino é sua "Chronicon", uma história do mundo em dois livros, do início do cristianismo até 906, especialmente a história da Lotaríngia e regiões vizinhas. Foi dedicada a Adalberto de Augsburdo, bispo de Augsburgo (m. 909).

O primeiro livro, que termina em 741 com a morte de Carlos Martel, consiste principalmente de trechos extraídos das obras de Beda, Paulo, o Diácono, e outros. O segundo, que segue daí até 906, está dividido em duas partes. A primeira é um longo trecho dos "Anais Reais Francos" até 813 e a segunda, a partir de 814, é original e valiosa, apesar da cronologia apresentar problemas. Se um comentário do próprio Regino for verdadeiro, ele se baseou primordialmente em tradição e relatos de segunda mão para obter suas informações. A "Crônica" foi depois continuada até 967 por um monge em Tréveris, provavelmente o próprio Adalberto.

A "Crônica" é uma importante fonte para a história medieval da Bulgária pois é a única fonte contemporânea que aborda—ainda que de passagem— a organização do Concílio de Preslav ("… [Bóris I] convocou o império todo e colocou seu filho mais jovem[Simeão I] como príncipe dos búlgaros…").

Entre os historiadores que utilizaram a obra de Regino está Cosme de Praga[2].

A "Crônica" foi publicada pela primeira vez em 1521.

De ecclesiasticis disciplinis[editar | editar código-fonte]

Regino também compôs, a pedido de seu amigo e patrocinador Radbod de Tréveris (m. 915), uma coleções de cânones, "Libri duo de synodalibus causis et disciplinis ecclesiasticis", dedicado a Hatto I, arcebispo de Mogúncia e cujo objetivo era tratar da disciplina eclesiástica e apoiar as visitas do arcebispo. Ela está dividida em 434 seções e uma parte substancial do texto está incluído no "Decretum Burchardi" de 1012. A seção 364 (que corresponde a Burchard 10.1) é o chamado "Canon Episcopi" (por causa do incipit "Ut episcopi episcoporumque ministri omnibus viribus elaborare studeant"), que trata de superstições.

Referências

  1. ed. Edmond de Coussemaker, Scriptores de musica medii aevi, II (Paris, 1867), 1-73.
  2. Marie Bláhová, "The Function of the Saints in Early Bohemian Historical Writing." In The Making of Christian Myths in the Periphery of Latin Christendom (ca 1000–1300), ed. Lars Boje Mortensen. Copenhagen: Museum Tusculanums Forlag, 2006. p. 97.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Edições e traduções[editar | editar código-fonte]

  • Chronicon:
    • MacLean, Simon (ed. e tr.). History and politics in late Carolingian and Ottonian Europe. The chronicle of Regino of Prüm and Adalbert of Magdeburg. Manchester, 2009.
    • Kurze, Friedrich (ed.). Reginonis abbatis Prumiensis Chronicon cum continuatione Treverensi. MGH SS rerum Germanicarum in usum scholarum separatim editi 50. Hanover, 1890. Disponível (em inglês) no Digital MGH[ligação inativa]
    • Uma edição mais antiga está no volume I da Monumenta Germaniae historica Scriptores (1826).
  • Tonarius
    • Tonarius, ed. Edmond de Coussemaker, Scriptores de musica medii aevi. Vol. II. Paris, 1867. 1-73.
    • De harmonica institutione, ed. Gerbert, Scriptores ecclesiastici de musica sacra. Vol. I. 1784.
  • Libri duo de synodalibus causis et disciplines ecclesiasticis

Fontes secundárias[editar | editar código-fonte]

  • Maclean, Simon. "Insinuation, Censorship and the Struggle for Late Carolingian Lotharingia in Regino of Prüm's Chronicle." English Historical Review 74 (February 2009).
  • Ubaldo di Saint-Amand, Musica. Reginone di Prüm, Epistola de harmonica institutione”, Introduzione, traduzione e commento a cura di Alessandra Fiori, Firenze, Sismel - Edizioni del Galluzzo, 2011

Ligações externas[editar | editar código-fonte]