Rei‐filósofo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Um rei‐filósofo é, segundo Platão, um governante inteligente e confiável que ama o conhecimento e aceita viver uma vida simples. Assim são os governantes de Calípolis, sua cidade utópica. A existência de tal comunidade seria impossível «enquanto não forem, ou os filósofos reis nas cidades, ou os que agora se chamam rei e soberanos filósofos genuínos e capazes».[1]

A República[editar | editar código-fonte]

Na sua obra A República, Platão define um filósofo primeiramente como um «amante da sabedoria». Então, distingue quem ama o verdadeiro conhecimento — em contraposição à mera experiência ou educação — ao dizer que um filósofo é o único com acesso às ideias. Em seguida, com o objetivo de defender a ideia de que os filósofos são os melhores governantes, apresenta a alegoria do navio: um «verdadeiro piloto precisa se preocupar com o ano, as estações, o céu, os astros, os ventos e tudo que diz respeito à sua arte se quer de fato ser comandante do navio».[2]

Exemplos[editar | editar código-fonte]

Grécia[editar | editar código-fonte]

Arquitas foi um filósofo pitagórico e líder político na antiga cidade grega de Tarento, na Itália. Ele era um amigo íntimo de Platão, e alguns estudiosos afirmam que ele pode ter sido uma inspiração para o conceito platônico de rei-filósofo.

Roma[editar | editar código-fonte]

Marco Aurélio, o último dos cinco bons imperadores romanos, foi o primeiro exemplo proeminente de rei-filósofo. Sua obra Meditações, escrita em grego enquanto estava em campanha entre os anos de 170 e 180, é reverenciada ainda hoje como um monumento literário à filosofia estoica.

Pérsia[editar | editar código-fonte]

Cosroes I, o vigésimo do Império Sassânida, foi considerado por alguns um rei-filósofo. Ele era admirado tanto na Pérsia como além pelo seu caráter, suas virtudes e seu conhecimento de filosofia grega.[3] [4] [5]

Hungria[editar | editar código-fonte]

Matias I, rei da Hungria e da Croácia, foi influenciado pelo pensamento renascentista e empenhou-se fortemente em seguir o modelo e as ideias do rei-filósofo.[6]

Irã[editar | editar código-fonte]

Diz-se que o aiatolá Khomeini começou a se interessar em misticismo islâmico e na República de Platão enquanto estava em Qom, na década de 1920. Especula-se que ele foi inspirado pelo conceito de rei-filósofo, que futuramente baseou elementos de sua república islâmica — da qual foi líder supremo de 1979 a 1989.[7]

Críticas[editar | editar código-fonte]

Karl Popper, um reconhecido filósofo austro-britânico, atribuiu culpa à ideia platônica do rei-filósofo pela ascensão do totalitarismo no século XX. Para ele, a engenharia social e o idealismo inerentes ao rei-filósofo levam diretamente a Hitler e Stalin (por intermédio de Hegel e Marx, respectivamente).[8]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. A República. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. 1993  |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (ajuda)
  2. A República. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. 1993  |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (ajuda)
  3. Axworthy, Michael (2008). Iran: Empire of the Mind: A History from Zoroaster to the Present Day. Penguin Adult (em inglês). [S.l.: s.n.] ISBN 9780141036298 
  4. Wākīm, Salīm (1987). Iran, the Arabs, and the West: the story of twenty-five centuries. Vantage Press (em inglês). [S.l.: s.n.] 
  5. Rose, Jenny (2011). Zoroastrianism: An Introduction. I.B.Tauris (em inglês). [S.l.: s.n.] ISBN 9781848850880 
  6. «Marsilio Ficino: Magnus of the Renaissance, Shaper of Leaders». integralleadershipreview.com. Feature Articles / March 2007 
  7. Anderson, Raymond H. Ayatollah Ruhollah Khomeini, 89, the Unwavering Iranian Spiritual Leader.
  8. Popper, Karl.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]