Rio Mucuri
| Rio Mucuri | |
|---|---|
Rio Mucuri em Nanuque, Minas Gerais | |
| Comprimento | 321[1] km |
| Nascente | Ladainha |
| Foz | Oceano Atlântico |
O rio Mucuri é um curso de água que banha os estados de Minas Gerais e da Bahia. Com 321 km de comprimento,[1] o rio nasce no nordeste de Minas Gerais e deságua no sul da Bahia. Ele é o principal curso d'água da bacia hidrográfica homônima.[2]
É formado a partir da junção dos rios Mucuri do Norte, cuja nascente fica em Ladainha, e Mucuri do Sul, que nasce em Malacacheta.[1]
Etimologia
[editar | editar código]No idioma maxacali a palavra mucuri significa rio das raposas.[1]
Bacia hidrográfica
[editar | editar código]A bacia do rio Mucuri faz parte da bacia agrupada do Atlântico Leste, estende-se por 17 municípios, sendo 13 mineiros, incluindo Teófilo Otoni e Nanuque que são as maiores cidades do seu percurso, e outros 4 baianos e capixabas. Compõe uma área com cerca de 15.400 km² e quase 437 mil habitantes nos estados da Bahia, Espírito Santo, e Minas Gerais, onde está quase 95% da bacia (14.640 km²) e uma população residente estimada em 296.845 habitantes.
A bacia limita-se com as bacias dos rios Jequitinhonha a oeste, Peruíbe e Itanhém ao norte, São Mateus e Itaúnas ao sul, e pelo Oceano Atlântico a leste.[1]
História
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A colonização do vale do Mucuri foi iniciada somente em 1859 para a exploração de madeira.[3] Atualmente, essa atividade econômica foi parcialmente substituída pela pecuária e pela agricultura de subsistência.[2]
Curso
[editar | editar código]O rio Mucuri forma-se no nordeste de Minas Gerais pela confluência do rio Mucuri do Norte, que nasce em Ladainha, com o rio Mucuri do Sul, nascido em Malacacheta.[1] A partir dessa junção, corre predominantemente no sentido oeste-leste ao longo de cerca de 321 km, atravessando o vale do Mucuri e passando por Teófilo Otoni e Nanuque — as maiores cidades de seu percurso —, antes de cruzar para o sul da Bahia e desaguar no oceano Atlântico, junto ao município litorâneo de Mucuri.[1][2] Ao longo do trajeto, recebe diversos afluentes que drenam o vale, sobretudo em sua porção mineira.[2] Em todo o seu percurso, o rio atravessa os estados de Minas Gerais e da Bahia até alcançar o mar.[1]
Navegação e ocupação
[editar | editar código]A ocupação sistemática do vale do Mucuri esteve ligada à Companhia de Comércio e Navegação do Mucuri, fundada em 1847 pelo político Teófilo Otoni com o objetivo de organizar o transporte e a exploração da região, ligando o interior de Minas Gerais ao litoral.[4] A partir do rio e de estradas abertas no vale, Otoni fundou em 1853 o povoado de Filadélfia — que daria origem à cidade de Teófilo Otoni —, em meio à resistência dos indígenas botocudos.[4] Entre as obras associadas ao empreendimento esteve a abertura, em 1857, da estrada entre Santa Clara e Filadélfia, com cerca de 170 km, apontada como uma das primeiras rodovias do interior do país.[4] O povoado prosperou rapidamente e, em 1878, foi elevado à categoria de cidade com o nome de Teófilo Otoni, em homenagem ao seu fundador.[4] A colonização do vale, voltada inicialmente à exploração de madeira, atraiu também imigrantes europeus para a região.[3] Esse processo de ocupação é considerado um marco da expansão da fronteira e da integração do nordeste de Minas Gerais ao restante do país ao longo do século XIX.[3]
Meio ambiente
[editar | editar código]A bacia do Mucuri integra o domínio da Mata Atlântica, cujas florestas foram extensamente reduzidas a partir da exploração madeireira e, posteriormente, da expansão da pecuária e da agricultura, processos que reduziram de forma significativa a cobertura florestal original do vale ao longo dos séculos XIX e XX.[3][2] A Agência Nacional de Águas inclui a bacia entre as unidades hidrográficas da vertente atlântica leste acompanhadas quanto à disponibilidade e à qualidade da água.[2] A maior parte da bacia situa-se em território mineiro, onde se concentram suas principais cidades e a maior pressão sobre os recursos naturais.[2]
Referências
- 1 2 3 4 5 6 7 8 «Bacia do Mucuri». Companhia Energética de Minas Gerais. Consultado em 25 de novembro de 2018. Cópia arquivada em 8 de dezembro de 2019
- 1 2 3 4 5 6 7 ANA. «Bacia Hidrográfica do Rio Mucuri» (PDF). Consultado em 6 de maio de 2010
- 1 2 3 4 Duarte, Regina Horta (2002). «Olhares Estrangeiros. Viajantes no vale do rio Mucuri». Revista Brasileira de História. 22 (44). ISSN 1806-9347. doi:10.1590/S0102-01882002000200002
- 1 2 3 4 «História». Câmara Municipal de Teófilo Otoni. Consultado em 24 de junho de 2026. Cópia arquivada em 24 de junho de 2026