Saade ibne Abi Uacas

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Saade ibne Abi Uacas
سعد بن أبي وقاص
Nascimento entre 591 e 600
Meca
Morte entre 664 e 675 (84 anos?)
Nacionalidade Árabe
Etnia Clã dos Banu Zuhrah da tribo dos Coraixitas
Parentesco Primo em segundo grau de Maomé
Ocupação General e político ao serviço de Maomé e do Califado Ortodoxo
Principais trabalhos Foi um dos companheiro de Maomé (Sahaba) e comandante da conquista muçulmana da Pérsia; segundo a tradição introduziu o Islão na China
Título Governador de Ctesifonte (637–638)
Governador de Baçorá (638–644 e 645–646)
Governador de Cufa e Nágede
Religião Islão

Saade ibne Abi Uacas (em árabe: سعد بن أبي وقاص‎; transl.: Sa`d ibn Abī Waqqās; Meca, n. entre 591 e 600 — m.  entre 664 e 675) foi um dos primeiros convertidos ao Islão e um dos mais companheiros mais proeminentes de Maomé (Sahaba). Foi a décima sétima pessoa a converter-se ao Islão quando tinha dezassete anos, em 610 ou 611. É conhecido sobretudo por ter comandado a conquista muçulmana da Pérsia em 636, ter sido governador daquele território, e pelas suas estadias diplomáticas na China em 616 e 651.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nasceu em Meca em 595, no clã dos Banu Zuhrah da tribo dos Coraixitas. Era primo de Amina bint Wahb, mãe de Maomé.[1]

Quando a minha mãe ouviu as notícias do meu Islão, ficou furiosa. Foi ao meu encontro e disse: “Oh Saade! Que religião é essa que tu abraçaste que te afastou da religião da tua mãe e do teu pai...? Por Deus, ou abandonas essa tua nova religião ou eu não vou mais comer ou beber até que morra. O teu coração ficará despedaçado pelo pesar por mim e os remorsos irão consumir-te por causa da tua ação e as pessoas vão censurar-te muito para sempre.” “Não faças isso (tal coisa), minha mãe”, disse eu, "pois eu não renunciaria à minha religião por coisa alguma.” Contudo, ela continuou com a sua ameaça... Durante dias ela não comeu nem bebeu. Emagreceu e ficou fraca.

Hora após hora, eu ia perguntar-lhe se queria que lhe levasse alguma comida ou algo para beber mas ela recusava persistentemente, insistindo que não comeria nem beberia até que morresse ou até que eu abandonasse a minha religião. Disse-lhe “`Yaa Ummaah! Apesar do meu grande amor por ti, o meu amor por Alá e o Seu Mensageiro é ainda mais forte. Por Alá, se tu tens mil almas e cada uma parte a seguir à outra, eu não abandonaria esta religião por nada.” Quando ela viu que eu estava determinado, cedeu a contragosto e comeu e bebeu.

 
Relato pessoal de Saade ibne Abi Uacas no versículo 31:14-15 do Alcorão [1].

Batalhas com Maomé[editar | editar código-fonte]

Em 614 os muçulmanos estavam a caminho das montanhas de Meca para orarem com Maomé quando um grupo de politeístas se pôs a observá-los. Entretanto começaram a abusar e a brigar com eles. Saade bateu num politeísta e derramou o seu sangue, sendo por isso, alegadamente, o primeiro muçulmano a derramar sangue em nome do Islão.[1]

Combateu na batalha de Badr (13 de março de 624) com o seu irmão mais novo Umair. Com pouco mais de dez anos, Umair foi proibido de participar na batalha, mas depois de se debater e chorar, o Profeta deu-lhe autorização para lutar. Saade voltou para Medina sozinho, pois o seu irmão foi um dos catorze muçulmanos mortos na batalha.

Na batalha de Uhud (19 de março de 625), Saade foi escolhido como arqueiro juntamente com Zaide, Saibe (filho de Otomão ibne Mazune) e outros. Saade foi um dos que lutou em defesa de Maomé após alguns muçulmanos terem abandonado as suas posições. Maomé elogiou-o como um dos melhores arqueiros daquele tempo. Durante a batalha, o Profeta juntou algumas setas para ele.

Peregrinação da despedida[editar | editar código-fonte]

Saade caiu durante a Peregrinação da Despedida (a única peregrinação a Meca feita por Maomé). Até então Saade só tinha tido uma filha.

“Oh Mensageiro de Alá. Tenho riqueza e só tenho uma filha para a herdar. Devo dar dois terços da minha riqueza como Sadaqa?” “Não”, respondeu o Profeta. “Metade, então?”, perguntou Sa`d e o Profeta disse novamente “não”. “Então um terço?” perguntou Saade. “Sim”, disse o Profeta. “Um terço é muito. De facto, deixares os teus herdeiros ricos é melhor que deixá-los na pobreza, pedindo esmola às pessoas. E (fica sabendo) que o que quer que gastes pela Causa de Alá, serás recompensado por isso, até pelo pedaço de comida que coloques na boca da tua mulher.”[1][2]

Após a morte de Maomé[editar | editar código-fonte]

Durante o califado de Omar comandou o exército do Califado Ortodoxo que combateu o Império Sassânida, nomeadamente nas batalhas de Cadésia (novembro de 636)[3], o Cerco de Ctesifonte (637) e de Nahāvand (642). Mais tarde foi nomeado governador de Cufa e Nágede.

Segundo alguns relatos, apesar de Omar o ter destituídos do cargo de governador, recomendou que o califa que lhe sucedesse restituísse o posto a Saade, pois ele não o tinha deposto devido a deslealdade. Saade foi uma das seis pessoas nomeadas por Omar para o terceiro califado. Depois de eleito califa, Otomão seguiu a recomendação de Omar e nomeou Saade como governador de Cufa.

Segundo a tradição dos muçulmanos chineses, foi Saade quem introduziu o Islão na China em 650, durante o reinado do imperador Gaozong de Tang,[4][5] mas não há quaisquer provas históricas de que ele tenha realmente visitado a China.[6]

Durante o reinado do primeiro califa omíada, Muawiya (661–680), Saade é mencionado num dos hádices da tradição omíada de amaldiçoamento de Ali.[7] Foi o último a morrer dos dez companheiros de Maomé a quem este prometeu o paraíso, tendo vivido até 664 ou 675, com 84 anos segundo algumas fontes.[1]

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

2

  1. a b c d e «Sa'ad Ibn Abi Waqqas (radhi allahu anhu)». Ahya.org (em inglês). Consultado em 19 de dezembro de 2012. Cópia arquivada em 16 de julho de 2011 
  2. «An Ill Sahaba, Saad ibn Waqqas, Giving Property In Charity». Sahaba.net (em inglês). Consultado em 19 de dezembro de 2012 
  3. Nafziger & Walton 2003, p. 23
  4. Lianmao 2000, p. 99.
  5. Lipman 1998, p. 29.
  6. Lipman 1998, p. 25.
  7. Sahih Muslim, 31:5915. «Translation of Sahih Muslim, Book 31». www.usc.edu (em inglês). Universidade do Sul da Califórnia. Center for Muslim-Jewish Engagement. Consultado em 19 de dezembro de 2012 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Khalid, Khalid Mohammad; Harkat, Abdou (2004), Des hommes autour du Prophète: qu'Allah le bénisse et le salue, ISBN 9782745146526 (em francês), Dar Al-Kotob Al-ilmiyah 
  • Lipman, Jonathan N. (1998), Familiar Strangers: A History of Muslims in Northwest China, ISBN 9789622094680 (em inglês), Hong Kong University Press 
  • Nafziger, George F.; Walton, Mark W. (2003), Islam at War: A History, ISBN 9780275981013 (em inglês), Greenwood Publishing Group, consultado em 19 de dezembro de 2012 
  • Wang, Lianmao (2000), Return to the City of Light: Quanzhou, an eastern city shining with the splendour of medieval culture (em inglês), Fujian People's Publishing House 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]