Sabrina Fernandes

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Sabrina Fernandes
FLIPEI2019 (screenshot).jpg
Sabrina Fernandes durante uma mesa de debates da FLIPEI em 2019.
Nome completo Sabrina da Fonseca Borges Fernandes
Nascimento 26 de julho de 1988 (32 anos)
Goiânia, GO
Nacionalidade brasileira
Alma mater St. Thomas University
Ocupação socióloga, professora, ativista, youtuber
Página oficial
sabrinafernandes.com.br

Sabrina da Fonseca Borges Fernandes (Goiânia, 26 de julho de 1988) é uma socióloga, professora, militante marxista e youtuber brasileira, conhecida pelo seu canal chamado Tese Onze que contém vídeos acerca de debates, informações e críticas dentro de perspectivas de esquerda por uma perspectiva marxista e progressista. Sabrina Fernandes é doutora em sociologia e mestre em economia política pela Universidade Carleton no Canadá, onde escreveu sua tese premiada pela CALACS[1] e pela própria Universidade Carleton de Tese Extraordinária de 2018. Os temas da tese envolvem a despolitização e a fragmentação da esquerda no Brasil evidenciada pela crise política de 2014 no Brasil, que deram origem ao seu livro Sintomas Mórbidos: A encruzilhada da esquerda brasileira.[2]

Além de estudar e viver o contexto da esquerda brasileira, é especialista em teoria marxista, pedagogia crítica, estudos feministas e sociologia ambiental. Atualmente, é pesquisadora do Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade de Brasília[3] e tem realizado cursos presenciais introdutórios ao ecossocialismo em algumas cidades desde 2018. Seu canal no YouTube foi criado em 2017 e inicialmente abordava os elementos presentes em sua pesquisa, porém com o aumento da popularidade foi rebatizado em referência às Teses sobre Feuerbach de Karl Marx e ampliou seu conteúdo.[4] Além do canal, também escreve e edita para a revista nova-iorquina Jacobin.[5]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascida em Goiânia, começou a estudar a língua inglesa aos 13 anos e a lecionar aos 16. Ao atingir a maioridade, em 2006 conseguiu uma bolsa na Universidade St. Thomas, em Fredericton no Canadá onde graduou-se com honras em Economia. Com o incentivo de seus professores, Fernandes prosseguiu seus estudos e pesquisas na Universidade Carleton em Ottawa tendo concluído um mestrado em economia política investigando a proliferação da indústria dos cursinhos pré-vestibulares em Goiânia a partir de uma perspectiva teórica marxista e freiriana, e um doutorado em sociologia que lhe rendeu premiações com sua tese acerca da despolitização brasileira e da fragmentação da esquerda.[4] Voltou a morar no Brasil em 2015 (tendo terminado a mudança em 2017) por motivos pessoais e pelo ativismo, devido ao momento político pelo qual o país passava.[6] É casada com o socioambientalista Thiago Ávila[7], que produz o canal "Bem Vivendo" no youtube[8].

Visões políticas e ativismo[editar | editar código-fonte]

Fernandes começou seu ativismo no Canadá atuando no movimento estudantil e em coletivos feministas, além de ser filiada ao Novo Partido Democrático. Entre as bandeiras que levanta, estão o ecossocialismo, o marxismo, o feminismo e o veganismo. No Brasil, a ativista filiou-se ao Partido Socialismo e Liberdade mas não pensa em se candidatar.[9] Segundo Fernandes, o Brasil passa por uma crise de representação que seria fruto da corrupção e do distanciamento dos parlamentares do povo.[10] Para a socióloga, o mandato coletivo, pautado pelo princípio da soberania popular, é uma forma de superar essa crise e o distanciamento entre parlamentares e a base.[11] Ela expressa ainda sua preocupação com o crescente descaso no Brasil com a pauta ambiental e com as violências contra os povos originários e trabalhadores rurais.[12]

Durante a eleição presidencial no Brasil em 2018, a ativista montou na Rodoviária do Plano Piloto em Brasília o que chamou de "Banquinha da Democracia" onde oferecia além do diálogo político um café da tarde para eleitores indecisos, em uma tentativa para converter votos para Fernando Haddad no segundo turno, mesmo tendo apoiado Guilherme Boulos no primeiro turno.[13] Dentre as dinâmicas de pedagogia crítica que utilizou, disponibilizou um jogo de cartas que continham propostas dos programas de governo dos dois candidatos, sendo que o jogador deveria dizer se concordava ou não com cada uma das propostas sem ser informado sobre qual dos candidatos a havia apresentado. Depois, as cartas eram separadas em dois montes: um com as propostas aprovadas pela pessoa e outro com aquelas que ela rejeitava. Por fim as cartas eram viradas, mostrando a autoria das propostas.[14] Criticou ainda a atuação do Tribunal Superior Eleitoral ao tratar o suposto esquema de notícias falsas do então candidato Jair Bolsonaro.[15]

Seu primeiro livro, intitulado Sintomas Mórbidos: A encruzilhada da esquerda brasileira, foi publicado no início de junho de 2019 pela editora Autonomia Literária.[16][17]

YouTube[editar | editar código-fonte]

Décima primeira tese, manuscrito original de Karl Marx

Em junho de 2017, em visita a Ottawa, gravou o primeiro vídeo do canal que começou com o nome "À Esquerda" com a intenção de discutir as definições e a atuação do campo progressista em um espaço onde predominavam os youtubers de direita.[9] Depois de seis meses de existência o canal foi renomeado para "Tese Onze" em referência às Teses sobre Feuerbach de Karl Marx, sendo que a décima primeira diz: "Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo".[18]

Sabrina Fernandes
Carreira na internet
Servidor(es) YouTube
Período de atividade 2017—presente
Inscritos + 320 mil
Visualizações + 9,2 milhões
Placas do YouTube
0000YouTube Silver Play Button 2.svg0000100 mil inscritos (2018[19])
Dados de 06 de agosto de 2020


Fernandes diz que tem a "responsabilidade de romper padrões" sendo uma mulher que fala sobre política no meio digital[20] e defende a necessidade de pensar em táticas de comunicação “que não fiquem simplesmente nos formatos já maçantes da esquerda, que não atrai grande parte da população”.[21] Com mais de 300 mil inscritos, Fernandes dá pequenas aulas sobre marxismo, feminismo, ecologia, comenta a política brasileira e internacional e rebate argumentos da direita desde teorias conspiratórias como a do marxismo cultural até o termo pejorativo "socialista de IPhone".[4][22] Também promove a autocrítica de esquerda, incluindo por exemplo a identificação das falhas cometidas pelos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff como a colaboração de classes.[9]

Publicações[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Sabrina Fernandes vence o Prêmio Tese Destaque 2018». ACELAC. 9 de maio de 2018. Consultado em 12 de abril de 2019 
  2. Fachin, Patricia (27 de junho de 2017). «Melancolia, fragmentação e a crise da práxis. Desafios da esquerda brasileira. Entrevista especial com Sabrina Fernandes». Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Consultado em 12 de abril de 2019 
  3. «Sobre – Sabrina Fernandes» (em inglês). Consultado em 8 de maio de 2019 
  4. a b c Gabriel, Ruan S. (21 de fevereiro de 2019). «Conheça Sabrina Fernandes, a anti-Olavo». Época. Consultado em 12 de abril de 2019 
  5. «Sabrina Fernandes». Jacobin. Consultado em 12 de abril de 2019 
  6. Peixoto, Heitor. «Os podcasts que você precisa ouvir para saber de política». UOL. Consultado em 12 de abril de 2019 
  7. Fernandes, Sabrina (2020). Agradecimentos. Se quiser mudar o mundo: um guia político para quem se importa. São Paulo: Planeta. p. 179 
  8. Brasil 247, Redação (30 de março de 2020). «Estamos prestes a viver o maior desafio da nossa geração, diz o socioambientalista Thiago Ávila». Brasil 247. Consultado em 12 de novembro de 2020 
  9. a b c Diniz, Augusto. «"Ideia da conciliação de classes foi um tiro no pé do PT"». Jornal Opção - R7. Consultado em 12 de abril de 2019 
  10. Barifouse, Rafael. «Eleições 2018: Conheça os grupos que se elegeram para exercer 'mandatos coletivos' de deputados». BBC. Consultado em 12 de abril de 2019 
  11. Sampaio, Cristiane. «Mandatos coletivos inovam o fazer da política no Brasil». Brasil de Fato. Consultado em 12 de abril de 2019 
  12. Sampaio, Cristiane. «Bolsonaro divide os ruralistas ao propor extinção do Ministério do Meio Ambiente». Brasil de Fato. Consultado em 12 de abril de 2019 
  13. «Na tentativa de converter votos, anônimos e famosos oferecem café da tarde para indecisos». O Globo. Consultado em 12 de abril de 2019 
  14. Rolim, Marcos. «Ninguém solta a mão de ninguém». Jornal Sul21. Consultado em 12 de abril de 2019 
  15. Morhy, Erika. «Submundo digital atravessa resistência popular nas eleições». Agência Carta Maior. Consultado em 12 de abril de 2019 
  16. Fernandes, Sabrina. «FINALMENTE NASCEU! Vlog 008». Tese Onze (YouTube). Consultado em 8 de junho de 2019 
  17. ENTREVISTA: ‘PRECISAMOS CONSTRUIR A IDEIA DE QUE A ESQUERDA É UMA ALTERNATIVA AGORA’, DIZ SABRINA FERNANDES, acesso em 08 de junho de 2019.
  18. MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã: teses sobre Feuerbach. Centauro, 2005.
  19. Fernandes, Sabrina (12 de dezembro de 2018). «Sabrina Fernandes no Twitter: "Hoje, com 1 ano e meio de idade,..."». Tweet da conta oficial de Sabrina Fernandes comemorando a marca de 100 mil inscritos. Twitter. Consultado em 6 de agosto de 2020 
  20. Arrais, Daniela. «Mulheres no Poder». Claudia. Consultado em 12 de abril de 2019 
  21. Chavez, Thais. «Observatório da Democracia nasce para dar munição para a oposição». CartaCapital. Consultado em 12 de abril de 2019 
  22. Basilio, Ana Luiza. «"Se houvesse o marxismo cultural, uma pessoa como Bolsonaro não teria sido eleita"». CartaCapital. Consultado em 12 de abril de 2019 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]