Engrácia de Saragoça

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Santa Engrácia de Saragoça
Santa Engrácia, por Bartolomé Bermejo
Nascimento Fins do século III em Bracara Augusta, Tarraconense (Império Romano)
Morte 303 em César Augusta, Tarraconense (Império Romano)
Veneração por Igreja Católica e Igreja Ortodoxa
Canonização Antiguidade tardia
Principal templo Igreja Basílica de Santa Engrácia, Saragoça
Festa litúrgica 16 de abril
Gloriole.svg Portal dos Santos

Santa Engrácia (em espanhol: Santa Engracia) (Bracara Augusta, finais do século III - César Augusta, 303) é venerada como virgem mártir e como santa na Igreja Católica e na Igreja Ortodoxa. Segundo a tradição, fora martirizada com mais dezoito companheiros seus no ano de 303. Partilha o nome próprio, o trágico destino e provavelmente a mesma cidade natal com Engrácia de Braga, personalidade que viveu séculos mais tarde.

Contexto histórico[editar | editar código-fonte]

No final do século III, o número de cristãos havia aumentado no Império Romano, graças à menor pressão das leis do tempo do Imperador Galiano. Encontravam-se cristãos um pouco por todo o lado: no campo (mas mais nas cidades), nos fóruns, entre os escravos, no exército e também entre mercadores. A fé em Cristo também se havia espalhado devido a um certo desencantamento e aborrecimento do culto aos deuses pagãos, aos testemunhos que deram os mártires, à transmissão oral e aos bons exemplos praticados pelos devotos cristãos.

O atual imperador, Diocleciano, havia conseguido a unidade territorial, política e administrativa, querendo também alargar estas conquistas à religião. Para isso, seria necessário acabar com a fé em Cristo que naturalmente se encontrava em oposição à religião oficial do Império, o Politeísmo Romano. Para tal, outorga quatro éditos e nomeia cuidadosamente os governadores que crê serem capazes de os fazer cumprir.

Vida e martírio[editar | editar código-fonte]

'A Flagelação de Santa Engrácia', por Bartolomé Bermejo, 1474-1478

Engrácia era uma jovem de Bracara Augusta (atual Braga) prometida em casamento a um nobre da região de Rossilhão, na província da Gália Narbonense, sul da atual França. Para escoltá-la na viagem fora o seu tio Lupércio (por vezes identificado com Lupércio, o bispo da antiga Diocese de Eauze), dezoito cavaleiros e uma empregada, de nome Júlia. Ao chegar à cidade de César Augusta (atual Saragoça) e ao inteirar-se das atrocidades que o presidente (governador), Públio Daciano, estava a cometer junto dos cristãos (por decreto do Imperador), apresenta-se espontânea e diretamente diante de si para o confrontar com as crueldades, injustiças e a insensatez com que tratava os seus irmãos de religião. Termina martirizada com a oferta da sua própria vida e a dos seus companheiros, assim que se percebe que era também cristã.

Nos registos do martírio, os feitos encontram-se descritos da maneira tradicional, tanto que acaba por ser difícil separar a realidade dos factos daquilo que poderá ser produto da imaginação, consequência da piedade dos cristãos. Com efeito, o diálogo entre a frágil donzela e o cruel governador afigura-se-nos claro: ela usando raciocínios humanos e firmes na sua fé com que acusa a injustiça cometida (que hoje diríamos serem questões de Direitos Humanos), a existência de um deus único a quem serve, a loucura dos deuses pagãos e a disposição em sofrer até ao fim pelo amado; ele, por seu turno, utiliza recursos como o castigo, a ameaça, a promessa e a persistência. Em resumo, a pormenorizada e pura descrição do tormento da jovem conta que primeiro fora açoitada, depois atada a um cavalo e arrastada, o seu corpo fora rasgado com ganchos e os seus peitos cortados. Depois foram colocados pregos no seu corpo. Para que sofresse ainda mais, abandonaram-na quase morta submetida a um indescritível sofrimento por todas as suas feridas, até morrer. Os dezoito acompanhantes foram degolados nos arrabaldes da cidade.[1][2][3]

Mártires de Saragoça[editar | editar código-fonte]

Também denominados por Inumeráveis Mártires de Saragoça, e além de serem incluídos Engrácia, Lupércio e Júlia, temos: Optato, Caio, Crescente, Sucesso, Marcial, Urbano, Quintiliano, Públio, Frontónio, Félix, Ceciliano, Evódio, Primitivo, Apodémio e mais quatro homens de nome Saturnino. Com o nome destes últimos, há uma outra tradição, com fontes que referiam que os seus nomes eram Cassiano, Jenaro, Matutino e Fausto.[1]

Veneração[editar | editar código-fonte]

O poeta Prudêncio, natural daquela cidade, escreveu vários poemas em honra destes mártires (Peristephanon), com a lista dos seus nomes e a descrição das terríveis torturas a que Engrácia fora sujeita. Prudêncio convidou a população a vergar-se diante dos seus túmulos sagrados e Engrácia foi, certamente, a mais venerada do grupo. O seu culto foi disseminado por toda a Península Ibérica e além Pirinéus.

A Igreja reconsagrou-a no decorrer do II Concílio de Saragoça, em 592, decreto celebrado a 3 de novembro, data esta que por vezes é usada como alternativa para assinalar a sua santidade no calendário litúrgico dos santos. No entanto, a sua celebração oficial e tradicional ocorre no dia 16 de abril em ambas as Igrejas Cristãs que a veneram.[4][5]

A Igreja Basílica de Santa Engrácia, em Saragoça, foi construída no lugar onde é dito que Engrácia e os seus companheiros foram martirizados. Fora destruída durante a Guerra Peninsular, apenas restando a cripta e a porta. Fora reconstruída nos finais do século XIX e inícios do XX e serve como igreja paroquial.[6] Em Portugal, foi mandado erguer pela Infanta D. Maria, a Igreja de Santa Engrácia em Lisboa, no ano de 1568. Em 1682 é iniciada a sua reconstrução devido a ter ficado severamente danificada por um temporal. Este monumento possui atualmente título de Panteão Nacional.[7]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências