Senhor Bom Jesus

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Basílica do Senhor Bom Jesus de Tremembé
Basílica do Senhor Bom Jesus de Tremembé

A devoção ao Senhor Bom Jesus possui suas raízes em Portugal, de onde foi levada aos países de colonização portuguesa, como Brasil, Angola e Açores. Sob essa invocação, venera-se a imagem de Jesus Cristo, especialmente em diferentes episódios de sua Paixão.

Trata-se de uma prática religiosa muito antiga, que participa da memória de diferentes localidades, de todos os estados do Brasil. Os primeiros vestígios do culto ao nosso Senhor Bom Jesus, no Brasil, remonta o século XVII, se organizando junto com os primeiros lugarejos que se tornaram cidades importantes.[1]

A imagem venerada na Basílica do Senhor Bom Jesus, na cidade paulista de Tremembé, é certamente a mais antiga de que se tem conhecimento no Brasil. Ela foi benta pelo vigário da igreja de Nossa Senhora da Conceição em 1663, mais de 50 anos antes de ser encontrada no Rio Paraíba a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Além disso, é uma das mais piedosas e de maior valor artístico.[2]

Nos países que não são de colonização portuguesa, a imagem do Senhor Bom Jesus é referida geralmente como Ecce Homo, ou ainda como Señor de la Caña (Senhor da Cana) em algumas localidades de língua espanhola na América Latina.

Significado da devoção ao Senhor Bom Jesus[editar | editar código-fonte]

Imagem do Senhor Bom Jesus
Imagem do Senhor Bom Jesus

Esta imagem refere-se ao Jesus descrito na passagem descrita em Mateus 27,26-31, Marcos 15,15-20 e João 19,1-5.

"Então Pilatos soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus, e o entregou para ser crucificado.

Em seguida, os soldados de Pilatos levaram Jesus ao palácio do governador, e reuniram toda a tropa em volta de Jesus.

Tiraram a roupa dele, e o vestiram com um manto vermelho; depois teceram uma coroa de espinhos, puseram a coroa em sua cabeça, e uma vara em sua mão direita. Então se ajoelharam diante de Jesus e zombaram dele, dizendo: "Salve, rei dos judeus!" Cuspiram nele e, pegando a vara, bateram na sua cabeça.

Depois de zombarem de Jesus, tiraram-lhe o manto vermelho, e o vestiram de novo com as próprias roupas dele; daí o levaram para crucificar.''" Mateus 27,26-31

A devoção ao Bom Jesus é voltado ao mistério da Paixão e Morte de Jesus Cristo, destacando o aspecto da representação vivenciada do próprio drama do Calvário. Os quatro eventos enfocados são: Coroa de espinhos e Flagelação de Jesus, Jesus carregando a Cruz, Crucificação de Jesus e por último seu sepultamento.[3]

Por essa sua representação, nas aflições, os romeiros recorrem a Jesus, vendo n'Ele o Homem das dores, identificado com todo o sofrimento humano. “Ele é o homem da compaixão, da bondade, e do perdão. Ele quer um mundo de justiça, de misericórdia e reconciliação”, diz o Bispo Dom José Luiz Bertanha, da Diocese de Registro.[4]

A imagem do Senhor Bom Jesus[editar | editar código-fonte]

Ecce Homo de Mihály Munkácsy (1896) (Musée Déri, Debrecen)
Ecce Homo de Mihály Munkácsy (1896) (Musée Déri, Debrecen)
Bom Jesus do Iguape
Bom Jesus do Iguape

O Cristo flagelado e coroado de espinhos é lembrado na tradição popular pela imagem do Bom Jesus de Cana Verde, isto é, a imagem de Jesus coroado de espinhos, coberto com um manto, e tendo na mão um pedaço de madeira ("cana verde") simbolizando o cetro. A imagem é conhecida também como Ecce Homo, lembrando a apresentação de Jesus flagelado diante do povo, no pretório de Pilatos.[5]

A imagem em sua maioria é apresentado nesta cena, de pé, flagelado, coroado de espinhos, coberto com o manto púrpura e trazendo nas mãos um pedaço de cana verde, simbolizando o seu cetro. Existem, porém, outras representações relacionadas aos sofrimentos e à Paixão do Senhor, como o Bom Jesus da Coluna (atado à coluna da flagelação), o Bom Jesus da Pedra Fria (ou da Paciência), sentado. Muito conhecida é a imagem do Bom Jesus dos Passos, levando a cruz. Há também as imagens do Bom Jesus do Horto, do Bom Jesus dos Aflitos (ou dos Pobres Aflitos), do Bom Jesus da Boa Morte, entre outras.[6]

Lenda portuguesa do "Pobrezinho e o Senhor da Cana Verde"[editar | editar código-fonte]

Passou numa ocasião ali [aldeia de Selores] um pobrezinho. Ali onde há um ribeiro que tinha uma ponte. Chegou depois ao adro, onde estava muita gente, e disse assim:

— Ai que lindo pau de moreira que ali está, que dava pra fazer um santo!

E diz que lhe disseram assim: — Pra fazer um santo?! E quem no faz?

E ele: — Olhem, põem-me aí num lugar, eu e o pau, fechem a porta e, durante três dias, não ma abram!

Assim fizeram. O pobrezinho nem queria comer nem beber, nem nada. Mas as pessoas tinham curiosidade e iam espreitar pelo buraco da porta. E não viam nada, nem podiam. Passados os três dias, a porta estava aberta e lá dentro estava a imagem do Senhor Divino Ecce Homo. E o pobrezinho tinha desaparecido.

As pessoas ficaram muito tocadas com este milagre. E ficaram sempre a pensar que o pobrezinho era ele próprio, o Senhor Divino Ecce Homo. Também lhe chamamos o Senhor da Cana Verde.[7]

Festividade[editar | editar código-fonte]

Senhor Bom Jesus tem sua data no calendário litúrgico católico no dia 6 de agosto.

Santuários e igrejas[editar | editar código-fonte]

Catedral de Ourinhos
Catedral de Ourinhos
Paróquia Senhor Bom Jesus de Arujá - SP

Paróquia Senhor Bom Jesus de Arujá - Diocese de Mo[8]gi das Cruzes - SP.

Interior da Catedral Basílica de Cuiabá
Interior da Catedral Basílica de Cuiabá
Santuário Bom Jesus do Monte, em Braga, Portugal
Santuário Bom Jesus do Monte, em Braga, Portugal

Igreja do Senhor Bom Jesus da Cana Verde, Cachoeira Paulista - SP

Capela do Bom Jesus em Tiradentes

Grandes igrejas, catedrais e santuários são dedicados ao Senhor Bom Jesus, entre algumas em destaque:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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