Templo romano de Évora
| Templo romano de Évora | |
|---|---|
Vista do edifício, em Janeiro de 2015 | |
| Informações gerais | |
| Nomes alternativos | Templo de Diana (erróneo) |
| Tipo | Templo religioso romano |
| Estilo dominante | Romano |
| Início da construção | século I d.C. |
| Função inicial | Religiosa |
| Proprietário atual | Estado Português |
| Património Mundial | |
| Critérios | (ii)(iv) |
| Ano | 1986 (como parte do Centro Histórico) |
| Referência | 361 en fr es |
| Património de Portugal | |
| Classificação | |
| Ano | 1910 |
| DGPC | 70489 |
| SIPA | 2863 |
| Geografia | |
| País | |
| Cidade | |
| Coordenadas | 38° 34′ 21,5″ N, 7° 54′ 26,45″ O |
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O Templo Romano de Évora, erroneamente conhecido como Templo de Diana, está localizado na cidade de Évora, em Portugal. Faz parte do centro histórico da cidade, o qual foi classificado como Património Mundial pela UNESCO. O templo romano encontra-se classificado como Monumento Nacional pela Direcção-Geral do Património Cultural. É um dos mais famosos marcos da cidade e um dos símbolos mais significativos da presença romana em território português.
Está situado no Largo Conde de Vila Flor, na freguesia da Sé e São Pedro, fazendo conjunto com a Sé de Évora, Tribunal da Inquisição, Igreja e Convento dos Loios, a Biblioteca Pública de Évora e o Museu.


Descrição
[editar | editar código]Localização
[editar | editar código]O templo estava situado no ponto mais alto da acrópole da cidade romana,[1] fazendo originalmente parte de um complexo urbano conhecido como fórum, que era normalmente o centro de uma cidade romana, rodeado por um pórtico.[2] O templo em si estava rodeado por um tanque de água, demonstrando que o elemento aquático teria uma grande importância, do ponto de vista religioso.[2] O complexo também poderia ter incluído uma basílica, cujas colunas partilhavam algumas características com as do templo romano.[3]
Arquitectura
[editar | editar código]O templo é um exemplo da arquitectura religiosa do período romano, sendo de forma rectangular, com as colunas organizadas nos estilos hexástilo e períptero.[2] O modelo utilizado na construção do edifício foi o mesmo utilizado na instalação dos templos do imperador Trajano e do imperador Adriano,[4] no século II d.C., sendo semelhante ao templo de Maison Carrée, na cidade francesa de Nîmes.[5]
De todo o antigo edifício, apenas se conservaram o pódio, partes da colunata e fragmentos da arquitrave e friso, que eram suportadas pelas colunas.[1] O pódio (Podium) está situado numa base com cerca de 25 m por 15 m e 3,5 m de altura, construída em cantaria de granito de forma irregular (opus incertum).[6] A plataforma do pódio (podium) tem uma altura de quatro metros, e estava decorada com silhares no perfil da base, na moldura e nos cantos, sendo as partes restantes em opus caementicium.[2] O acesso à plataforma faz-se por uma escadaria, que ainda é visível apesar do seu estado de conservação.[6] Sobre a plataforma estão situadas as colunas,[2] das quais sobreviveram catorze exemplares.[4] Do lado Norte, ainda restam as seis colunas originais, tal como partes da arquitrave e do friso, enquanto que a Oeste apenas três colunas permaneceram inteiras, uma das quais sem capitel nem base, e alguns vestígios da arquitrave e do friso.[6] As colunas, em estilo greco-romano[2] e corínto, apresentam fustes canelados, sendo formadas por sete tambores de dimensões irregulares.[6] Possuem bases de forma circular, esculpidas em mármore branco de Estremoz, e são rematadas por capitéis do mesmo material,[6] apresentando igualmente o estilo coríntio,[2] sendo decoradas com três ordens de folha de acanto e ábacos, onde foram esculpidos flores e florões, representando malmequeres, girassóis e rosas.[6] Os capitéis apresentam várias divergências nos seus pormenores, o que prova que foram feitos por vários indivíduos, com diferentes níveis de competência.[7] As colunas suportavam um conjunto de arquitrave e friso, dos quais ainda sobraram algumas partes.[2] O resto do edifício foi feito em granito,[2] oriundo da zona de Évora.[8] Apesar do granito e do mármore serem materiais de características muito diferentes, foram combinados de maneira engenhosa pelos construtores do edifício, resultando num conjunto muito harmonioso.[6] No edifício também foi utilizado mármore de Vila Viçosa.[8] O mármore de Estremoz, oriundo da Serra de Ossa, foi provavelmente escolhido por ser o mais semelhante, em território nacional, ao de Carrara.[9]
Não sobraram quaisquer vestígios das estruturas interiores do templo, tendo as paredes internas sido demolidas durante as adaptações a mesquita e igreja, de forma a ganhar mais espaço, enquanto que durante a instalação do matadouro foi construída uma calçada em declive sobre o pavimento anterior, de forma a fazer o sangue dos animais escorrer até ao portal.[9] Parte da antiga zona do fórum em si está coberta por outros edifícios, principalmente o Museu de Évora.[3] Numa das fachadas laterais do templo foi encontrado uma inscrição, que foi identificada como um tabuleiro para o jogo de Alquerque, e que poderá ter sido gravada pelos trabalhadores antes da construção do edifício.[10]

Espólio
[editar | editar código]O espólio arqueológico encontrado no local consiste em peças de cerâmica campaniense, de vidro, de terra sigillata itálica, hispânica e africana, de paredes finas, comum diversa, e cinzenta.[1] Do período romano foram ainda encontradas ânforas e uma lucerna.[1] Quanto a cronologias muçulmanas, foram descobertos potes, jarros, uma taça, panelas, uma tigela de corda seca em tons de verde e manganês, um alguidar e um candil.[1] Foram igualmente recolhidas diversas peças de mármore, incluindo uma mão a segurar uma patera, partes de dedos de estátuas, e um possível pedestal de estátua.[1] Durante as sondagens da década de 1990 foram encontradas duas mãos incompletas em mármore, uma delas com anéis em dois dedos, que pode indicar que pertencia a uma estátua feminina, e que segurava uma caixa redonda com vinte e duas bolas, talvez representando incenso, pelo que a caixa poderia ser do tipo cerimonial (Acerra ou Píxide).[11]
No pavimento do templo foi descoberta uma ara em mármore, em avançado estado de degradação, tendo a maior parte do texto desaparecido, sendo insuficiente para determinar se tinha sido dedicado a um imperador ou a uma divindade.[12]

Importância, classificação e denominação
[editar | editar código]O Templo Romano de Évora é considerado um dos edifícios do seu tipo melhor conservados em toda a Península Ibérica,[6] e é um exemplar único em Portugal.[8] Está classificado como Monumento Nacional pelo governo português,[13] e como Património Mundial, como parte do Centro Histórico de Évora, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.[14]
O monumento ficou conhecido como Templo de Diana devido a uma teoria avançada pelo padre jesuíta Manuel Fialho no século XVII, que era dedicado a Diana, deusa romana da caça,[4] e às semelhanças com o Templo de Diana, na cidade espanhola de Mérida.[15] Na revista Panorama n.º 24, de 1945, o templo foi descrito como sendo dedicado à Deusa da Graça.[16]
A denominação de Templo de Diana manteve-se até às décadas de 1980 e 1990, quando foi descoberto que o templo tinha sido dedicado ao imperador Augusto.[4]
História
[editar | editar código]Período romano
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Segundo a tradição, o templo teria sido fundado por ordem do general romano Quinto Sertório, quando este tomou a cidade de Ebora aos povos eborenses,[17] cerca de 70 a.C..[9] Porém, na realidade o Templo de Évora só terá começado a ser construído no século I d.C.,[6] como parte de um programa de renovação urbana da cidade, então denominada Liberalitas Iulia Ebora, tendo sido dedicada ao imperador Augusto, cujo poder estava então numa fase de plena afirmação.[1] No entanto, as obras arrastaram-se durante os dois séculos seguintes, devido a alterações na estrutura urbana envolvente, uma vez que o culto imperial levou à construção de uma cidadela.[6] O templo teria sido uma das grandiosas estruturas construídas por Sertório como parte de um programa de desenvolvimento da cidade, e que teria incluído igualmente as muralhas e torres, um palácio, um aqueduto e um arco triunfal.[9] Uma das histórias sobre o templo, preservada através da tradição oral e referenciada por autores antigos, refere que o aqueduto terminava num tanque em redor do templo, sendo depois a água canalizada para uma fonte junto ao arco triunfal.[9] Com efeito, em escavações no século XX foi encontrado um tanque que rodeava o templo em três lados, e das canalizações que escoavam a água.[9] Outros autores afirmaram que o templo teria sido construído posteriormente, durante a época imperial de Roma, sendo uma das teorias nesse sentido que a arte da escultura romana ainda não tinha atingido, durante o período de Sertório, um grau de habilidade suficiente para esculpir os capitéis do templo.[9] No entanto, embora a arte da estatuária romana ainda não estivesse totalmente desenvolvida, nesse período já existiam trabalhos de escultura nos capitéis muito avançados, devido ao emprego de artistas gregos.[9]
O templo poderá ter sido abandonado no século IV, período em que parte dos edifícios religiosos romanos na Hispânia começaram a perder a sua importância, devido ao avanço do cristianismo.[18]

Idades Média e Moderna
[editar | editar código]O edifício foi parcialmente destruído no século V, durante as invasões dos povos bárbaros.[4] Em 716 os muçulmanos tomaram a cidade, tendo o templo romano provavelmente sido transformado numa mesquita fortificada, com muralhas ameiadas.[9] No entanto, é possível que a conversão do edifício em estrutura militar já tenha ocorrido anteriormente, durante a época visigótica. O domínio islâmico de Évora durou até 1165, ano em que foi reconquistada por Geraldo Geraldes como parte de uma campanha militar no Alentejo,[19] tendo provavelmente o templo sido convertido em igreja.[9] Com efeito, esta era uma prática muito comum neste período, devido à necessidade imediata de um edifício dedicado ao culto cristão, enquanto que construir uma igreja de raiz seria um processo muito demorado.[9] Um dos vestígios da sua adaptação a igreja terá sido um campanário no lado superior do monumento.[17] O acesso ao edifício era feito através de uma porta entre as duas colunas centrais, com dois ou três degraus para vencer o desnível em relação à rua, que chegava sensivelmente até à base do antigo templo.[9] Também se avançou a teoria que teria sido a Sé Velha de Évora, uma vez que foi referenciada em vários documentos, mas não se chegaram a encontrar vestígios físicos deste edifício.[17] O templo romano terá albergado a sé até 1204, quando o bispo D. Paio consagrou o novo edifício da Sé.[9] O templo foi alvo de obras durante os períodos mudéjar e manuelino, tendo sido durante estas fases que foram colocados os merlões em forma de pirâmide.[6]
Mais tarde foi reutilizado como uma torre militar,[2] funcionando como casa-forte do Castelo de Évora durante o século XIV.[4] Nesse período também começou a ser utilizado como açougue, na sequência da atribuição do Foral de Évora pelo rei D. Manuel I de Portugal, em 1501.[20] De acordo com um documento encontrado pelo cónego D. João da Anunciada, durante o século XIV o edifício do templo também funcionou como celeiro.[9] Durante o século XVII, o padre jesuíta Manuel Fialho avançou a teoria que o templo tinha sido dedicado a Diana, deusa romana da caça, criando desta forma uma lenda que permaneceu durante cerca de quatro séculos.[4] Um dos motivos para esta teoria foi a sua fundação lendária por parte de Sertório, já que se pensava que Diana seria a sua deusa preferida.[9] No entanto, esta hipótese foi criticada por outros autores, que defenderam que não existiam provas suficientes para garantir que o templo seria dedicado à deusa Diana.[9] Também se especulou que o templo teria sido consagrado ao deus Júpiter, devido à decoração coríntia, destinada normalmente a divindades masculinas, enquanto que a Ordem Jónica era utilizada em templos dedicados a femininas.[17]



Século XIX
[editar | editar código]Nos princípios do século XIX, avançou-se a teoria de que os capitéis do templo de Évora não tinham sido fabricados na região, mas transportados a partir de Atenas ou Roma, devido à sua perfeição, e ao estado de decadência em que as artes da arquitectura e escultura se encontravam nos princípios de oitocentos em Portugal.[21] Porém, é mais provável que tenham sido produzidas localmente, devido à proveniência dos materiais, e à descoberta de várias peças semelhantes em sítios arqueológicos do período romano nas proximidades de Évora, como na Herdade da Coberta.[21]
Em 1836, deixou de funcionar como açougue, devido à influência do Governador Civil de Évora, António José de Ávila, que considerava que aquela utilização era indigna para o monumento.[9] Esta opinião era partilhada pelo escritor francês Alfred Germond de Lavigne, que na sua obra Itinéraire descriptif, historique et artistique de l'Espagne et du Portugal, publicada em 1866, descreveu o templo como «s'est prosaïquement transformé en une boucherie.» («transformado prosaicamente em açougue»).[22] No entanto, a autarquia não acatou totalmente a ordem para encerrar o açougue, pois embora tenha sido encerrado, permaneceram as estruturas no interior do edifício, como os tanques de cortumes.[9] Nesta altura ainda mostrava os merlões em forma de pirâmide, e as empenas cegas de onde se destacavam as colunas.[6] Após o encerramento do açougue, foram demolidas as estruturas anexas ao alçado Norte do edifício, iniciando-se depois uma intervenção que pode ser considerada como o primeiro grande trabalho arqueológico a nível nacional, durante a qual foram escavados os tanques que pertenciam a um aqueduto primitivo.[6]
Em meados da centúria já se punha em dúvida a consagração do templo a Diana,[9] tendo a Revista Universal Lisbonense de 25 de Abril de 1844, publicado uma carta que tinha sido enviada em Novembro do ano anterior pelo Prelado de Beja, sobre o templo romano de Évora: «Este edificio romano é o melhor conservado dos Alpes para o Occidente; apesar de adulterado pelos Arabes e mal estimado por nós. É sem contradicta romano. Os romanos eram religiosos até na edificação dos templos dos seus deuses destinando a architectura corinthia para os deuses, e a jonica para as deusas. O templo d'Evora é de architectura corinthia perfeitissima; os capiteis de mão mestra; columnas regularissimas: as bases dóricas; o plinto em proporção á elegância do todo em qualquer ponto de vista proximo ou remoto, tudo na maior exactidão corinthia. [...] Sendo, pois, este templo de architectura corintia, não póde julgar-se dedicado a Diana. Resolvo-me enviar a V. estas reflexões, que não são minhas, são de sabios antiquarios estrangeiros, que me honraram com a sua amisade, e direi os seus nomes bem conhecidos em Portugal, sendo necessario; porque, indo ávante o bello pensamento do nosso augusto rei, e executando-se pelo Exm.º Ministro do Reino não succeda improperar-nos acrimoniosamente algum estrangeiro, de que não eram capazes os civilisados sabios que em Evora tive o gosto de tractar: fique tudo isto á discrição de V., communicando-se ao Illm.º Ministro do Reino, se V. julgar conveniente, para evitar que algum diploma se lavre com este erro popular (se o é) corrente em Evora.».[23]
Em 1860 foram feitas as obras de remoção das alvenarias em volta da estrutura original,[7] e em 1863[6] Augusto Filipe Simões, arqueólogo e lente na Universidade de Coimbra.[17] apresentou uma proposta para que fossem abatidas as paredes entre as colunas e todas as estruturas do período medieval anexas ao edificio, de forma a que o templo retomasse a sua forma original.[6] Em 1871 decidiu-se colocar à vista as colunas e os capitéis,[7] tendo para isso sido contratado o arquitecto e cenógrafo Giuseppe Cinatti.[20] As obras foram feitas pela autarquia, durante o mandato de Manuel de Paula da Rocha Viana como presidente da câmara.[24] Estas modificações permitiram um estudo mais detalhado do templo, principalmente da sua estrutura e da superfície do pódio.[4] Apesar das várias modificações e de ter sofrido vários sismos moderados, o templo continuou em pé, o que demonstrou a resistência da sua construção.[4] Augusto Filipe Simões também conseguiu que o monumento funcionasse temporariamente como museu arqueológico, durante o século XIX.[17] Também durante o século XIX, foram removidos os terrenos em redor do templo, por ordem do rei D. Fernando II de Portugal, quando este visitou a cidade de Évora, em conjunto com a rainha D. Maria II, e reparou que o edifício estava parcialmente enterrado.[9] A demolição das paredes do matadouro no século XIX fez com as estruturas originais ficassem mais vulneráveis aos efeitos dos sismos e do clima, embora estes riscos tenham sido mitigados pela resistência natural destes materiais.[4]


Século XX
[editar | editar código]O edifício foi inicialmente classificado por um decreto de 10 de Junho de 1907 como Ruínas do Templo Romano, tendo sido depois elevado a Monumento Nacional por um decreto de 16 de Junho de 1910.[6] Em Outubro de 1946, o templo romano foi palco de uma cerimónia católica, organizada pela Mocidade Portuguesa Feminina.[25]
Na década de 1980 iniciou-se uma nova fase de pesquisas arqueológicas, dirigidas por Theodor Hauschild e Felix Teichner.[4] As escavações, feitas entre 1982 e 1990, concentraram-se na zona do templo e da Praça do Fórum, tendo sido feitas importantes descobertas sobre a história da cidade durante os períodos romano e moderno, e principalmente sobre o templo em si, que foi considerado um dos maiores e melhor conservados na Península Ibérica, levando à sua classificação como Património Mundial da UNESCO em 1986,[4] como parte do Centro Histórico.[14] Em 1987 foram continuados os trabalhos de levantamento da planta do edifício, tendo sido feita uma sondagem no canto sudoeste, e descobertos os vestigios de uma possível escadaria no lado Sul.[1] No ano seguinte continuaram as escavações, desta vez perto dos alicerces no canto noroeste do templo, tendo sido descoberto um muro em alvenaria de pedras, com cerca de 0,80 m de espessura.[1] Em 1990 foram encontrados vestígios de tanques de água, por baixo de três camadas de enchimento datadas do século XIX, e foram feitas investigações sobre os acessos ao templo, tendo-se chegado à conclusão que a entrada do pódio não se fazia pela escadaria larga, mas por duas escadas nas zonas laterais do templo, que se iniciavam na praça, junto aos tanques.[1] Entre Agosto e Setembro do ano seguinte prosseguiram as pesquisas, tendo um dos objectivos sido confirmar o tamanho e a função de um espaço em frente do templo, que originalmente estava coberto por lajes de mármore.[1] Em 1992 continuaram as pesquisas na praça em frente ao templo, tendo sido descoberta uma porta, que poderia ter sido o ponto de acesso ao resto da cidade.[1] Em 1993 foi confirmada a planta em forma de U dos tanques de água, semelhante à encontrada no Capitólio de Luni, e verificou-se que o espólio encontrado no local pertencia totalmente aos princípios do período imperial de Roma, não tendo sido descobertas peças do período republicano, pelo que a cisterna poderá ter construída durante as primeiras fases de urbanização do local, quando ainda não tinha sido instalado o aqueduto.[1] Constatou-se igualmente que os tanques de água foram parcialmente danificados durante a instalação de silos, durante o período medieval, e de condutas para água e electricidade, na época contemporânea.[11] Em 1995 foram feitas pesquisas que demonstraram quais foram as utilizações e modificações feitas no complexo do fórum e do templo, após o período romano, enquanto que em 1996 foram identificados os muros do antigo Palácio da Inquisição e retomaram-se as investigações nos tanques, tendo sido descobertos vestígios de grandes alterações ao longo da história, e aberturas para saída de água nos cantos Noroeste e Nordeste.[1] No ano seguinte foram feitas obras de reordenamento urbanístico na zona em redor do templo, e em 1998 e 1999 foi organizado e estudado o espólio encontrado no local.[1] As pesquisas feitas na década de 1990 provaram que o edifício teria sido dedicado ao imperador Augusto, desacreditando desta forma a teoria que servia para o culto da deusa Diana.[4] Durante a década de 1980, também foram feitas obras de manutenção no monumento.[7]
Em 1996, foram feitas pesquisas arqueológicas no subsolo do museu, na sequência de obras para ampliar o edifício, tendo sido encontrados vestígios do pavimento do antigo fórum romano, em mármore, e colunas romanas que poderiam fazer parte de uma posssível basílica.[3]
Século XXI
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Em 2000 foram feitas obras de valorização do monumento, que consistiram no recondicionamento do trânsito automóvel na zona envolvente, e em 2009 foram abertas valas junto ao templo para instalação de canalização de gás, intervenção que teve acompanhamento arqueológico.[1]
Após um sismo de 4,4 na escala de Richter, no século XXI, foram feitas análises estruturais ao edifício através do uso de fotografias de satélite, tendo-se verificado que o templo não tinha ficado danificado, provando a resistência dos seus materiais.[4] No entanto, o edifício continuou a sofrer os efeitos da degradação natural, tendo sido encontrada, numa visita de rotina, uma pedra com cerca de 20 Kg de peso, que tinha pertencido a uma coluna coríntia.[4] A causa provável desta queda terá sido a falta de manutenção, uma vez que o monumento não era alvo de obras de conservação desde a década de 1980, e os movimentos do próprio edifício, ao longo da sua história.[7] Na sequência deste incidente, foram feitos trabalhos de emergência, para prevenir a queda de mais pedras, de forma a garantir a segurança dos visitantes e a preservação do templo.[4] Verificou-se a existência de danos em várias partes do complexo, principalmente nos capitéis, e constatou-se que muitos fragmentos tinham sido impedidos de cair apenas devido à presença de uma camada biológica,[4] que cobria as colunas, arquitrave e capitéis.[7] No entanto, esta camada estava ao mesmo tempo a provocar desgaste nos elementos arquitectónicos, e dificultou o trabalho dos técnicos, pelo que foi removida através da utilização de um biocida.[7] As obras de reparação, que estiveram a cargo da empresa Nova Conservação – Restauro e Conservação do Património Artístico-cultural,[26] tiveram lugar em 2017, e incluíram a recolocação de cerca de 250 fragmentos e lascas, principalmente em mármore.[4] Destaca-se a colocação de duas peças nos capitéis, que vieram da reserva do Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo e cuja recolocação não tinha sido ainda feita devido a dúvidas sobre a sua origem.[8] Os capitéis foram limpos e restaurados,[27] e as partes que estavam em risco de cair foram fixadas com uma argamassa composta por cal e inertes muito finos em pó de pedra.[8] Durante os trabalhos de restauro dos capitéis, foram encontrados vestígios de reparações com cerca de dois mil anos, provavelmente de danos causados às peças durante a construção do edifício.[7] Além da camada biológica, o monumento também tinha sofrido os efeitos da sujidade e poluição, tendo sido totalmente limpo, ficando desta forma à vista as diferenças entre os materiais utilizados, o mármore e granito.[28] Foi igualmente elaborado um mapeamento em desenho e fotografia do templo, de forma a facilitar as futuras obras de reparação.[8] Os trabalhos tiveram uma duração aproximada de quatro meses, tendo sido concluídas em Dezembro de 2017.[8] No total, esta intervenção custou cerca de 50 mil euros, e contou com a colaboração da autarquia de Évora e das Universidades de Évora, Minho e Coimbra.[28]
Em 26 de Junho de 2018, o Ministro da Cultura, Luís Filipe de Castro Mendes, discursou durante a jornada O Templo Romano de Évora no auditório do Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida.[27] O ministro considerou a intervenção no monumento como de grande importância, uma vez que conjugou os trabalhos de restauro do edifício com o seu estudo, tendo sido utilizadas técnicas avançadas, incluindo o Laboratório Hercules da Universidade de Évora.[27] O diretor deste laboratório, António Candeias, afirmou que o processo foi uma oportunidade para obter vários materiais do templo, cujo estudo serviu para aprofundar os conhecimentos sobre as técnicas e os tipos de materiais que tinha sido utilizados durante a sua construção.[8] O Laboratório criou um modelo a tridimensional dos capitéis, e fez testes de um novo biocida não tóxico, com bons resultados.[8] O ministro Luís Mendes elogiou igualmente a rapidez com que a Direcção Regional de Cultura do Alentejo e da Direcção-Geral do Património Cultural agiram no sentido de avaliar e corrigir o problema, após a queda das pedras.[27] No mesmo dia foi apresentada a obra Laudator, que compilou os resultados das investigações nas décadas de 1980 e 1990 no templo romano, incluindo a conclusão que terá sido construído para o culto imperial, principalmente ao imperador Augusto, que chegou a ser considerado como uma divindade.[4]
Em Abril de 2019, a Direcção Regional de Cultura do Alentejo informou que durante esse mês, uma organização norte-americana iria fazer o levantamento tridimensional do património cultural na região do Alentejo, incluindo o Templo Romano de Évora, como parte do programa Global Digital Heritage.[29] Em 30 de Maio desse ano, o templo foi iluminado em tons de laranja ao anoitecer, como parte de uma campanha de sensibilização da Sociedade Portuguesa da Esclerose Múltipla.[30]

Ver também
[editar | editar código]- Ebora, o antigo nome da cidade de Évora durante parte da ocupação romana.
- História de Évora
- Lista de património edificado no distrito de Évora
- Ruínas romanas de Milreu
- Povoado fortificado e Santuário de Endovélico
- Vila de São Cucufate
- Villa romana de Pisões
- Villa romana da Quinta de Marim
Referências
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- ↑ «Sobre o Templo Romano de Evora». Revista Universal Lisbonense. Volume III (36). Lisboa. 25 de Abril de 1844. p. 430. Consultado em 20 de Fevereiro de 2020 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ MANOEL, C. da Camara. «Archeologia Eborense: 1. A igreja de S. Francisco de Evora: 2. A cidade de Evora e os seus monumentos» (PDF). O Archeologo Português. Lisboa: Museu Ethnographico Português. p. 281-288. Consultado em 7 de Junho de 2021 – via Direcção-Geral do Património Cultural
- ↑ «Notícias da M.P.F.». Mocidade Portuguesa Feminina (boletim mensal) (93). Lisboa: Comissariado da Mocidade Portuguesa Feminina. Janeiro de 1947. p. 6. Consultado em 20 de Fevereiro de 2020 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ SILVA, Rosário (14 de Agosto de 2017). «Templo de Diana alvo de intervenção urgente. "Pedimos desculpa pelo incómodo"». Rádio Renascença. Consultado em 13 de Fevereiro de 2020
- 1 2 3 4 «Ministro da Cultura elogia obras que deram "imagem nova" ao Templo Romano de Évora». SAPO 24. 26 de Junho de 2018. Consultado em 11 de Fevereiro de 2020
- 1 2 «Obras revelam construção "notável" do Templo Romano de Évora». Rádio Televisão Portuguesa. 26 de Junho de 2018. Consultado em 17 de Fevereiro de 2020
- ↑ «Património cultural do Alentejo vai ser salvaguardado em 3D». Rádio Campanário. 4 de Abril de 2019. Consultado em 17 de Fevereiro de 2020
- ↑ «Monumentos portugueses vão pintar-se de laranja para apoiar uma causa». New in Town. 29 de Maio de 2019. Consultado em 17 de Fevereiro de 2020
Bibliografia
[editar | editar código]- CAPELO, Rui Grilo; MONTEIRO, Augusto José; NUNES, João Paulo; et al. (1994). RODRIGUES, António Simões, ed. História de Portugal em Datas. Lisboa: Círculo de Leitores. 480 páginas. ISBN 972-42-1004-9
Leitura recomendada
[editar | editar código]- FERNANDES, Lídia Fernandes; SILVA, Jorge Nuno (2012). O tabuleiro de jogo do alquerque dos nove no templo romano de Évora 1ª ed. Lisboa: Apenas. 20 páginas. ISBN 978-989-618-386-8
Ligações externas
[editar | editar código]- «Página sobre o Templo Romano de Évora, no sítio electrónico Waymarking» (em inglês)
- «Página sobre o Templo Romano de Évora, no sítio electrónico Sacred Destinations» (em inglês)
- «Desenho de 1835 do Templo Romano de Évora, no sítio electrónico Flickr»
- «Página sobre o Templo Romano de Évora, no sítio electrónico Portal do Arqueólogo»
- «Página sobre o Templo Romano de Évora, no sítio electrónico Wikimapia»
- Templo Romano de Évora na base de dados Ulysses da Direção-Geral do Património Cultural
- Templo Romano de Évora na base de dados SIPA da Direção-Geral do Património Cultural
- «Página sobre o centro histórico de Évora, incluindo o templo romano, no sítio electrónico da UNESCO»

