Teresa Ricou
| Teresa Ricou | |
|---|---|
| Nascimento | 1946 Vila Nova de Gaia |
| Cidadania | Portugal |
| Ocupação | palhaço, artista de circo |
| Empregador(a) | Chapitô |
Maria Teresa Madeira Ricou ou Teté, a mulher-palhaço (Praia da Granja, 12 de novembro de 1946 —) é uma artista portuguesa ligada às artes circenses.[1]
Conhecida por Teté, a mulher-palhaço — desde que criou essa personagem, no início da década de 1980 — Teresa Ricou é a mentora do Chapitô, uma instituição particular sem fins lucrativos que promove, através das artes do espetáculo, sobretudo as artes circenses, a integração social de jovens em situação de fragilidade social[2].
Biografia
[editar | editar código]Da grande burguesia, Teresa Ricou é filha de Eduardo Ricou, médico dermatologista, e da sua mulher brasileira, Alda Madeira.
Passou a infância e parte da adolescência na antiga província ultramarina portuguesa de Angola, onde o pai liderava a luta contra a lepra[3].
Com o ensino básico e um curso de estenodatilografia, aos 17 anos saiu de casa dos pais, viajando para a metrópole[3].
Entre diversas outras ocupações professionais, foi secretária e assistente de bordo da TAP[1].
A partir dos 20 anos - depois de ter tido um filho e de se ter separado do marido - viveu fora de Portugal, regressando apenas depois do 25 de Abril de 1974[1].
Viveu em Inglaterra e depois em França[3].
Ao regressar a Portugal já estava ligada ao meio das artes performativas[3].
A partir de 1971 Teresa Ricou interessou-se pelas artes circenses[1].
Obteria formação nessa especialidade, entre 1971 e 1973, na Escola de Circo da Hungria, em Budapeste, e a seguir na Escola de Mímica Jean Jacques Lecocq, em Paris[1].
Realizou também um curso de vídeo, com Jean Rouche, no Musée de l’Homme (Paris).[1]
Segundo contou numa entrevista ao Correio da Manhã, nas noites em Pigalle, Teresa Ricou montou "uma banquinha muito engraçada, com um guarda-chuva alentejano e fazia a minha ‘performance’, com o meu filho ao lado, a brincar. As pessoas achavam graça."[3].
Seria o início de uma vida ligada às artes circenses[1].
Entretanto, ainda em França, entrou no filme de Fernando Arrabal, J’Irai Comme un Cheval Fou (1973), no qual também colaborou na produção (guarda-roupa, adereços)[3].
Em Portugal, em 1974, passou a apresentar-se ao lado do Palhaço Luciano, chefe dos Faz-Tudo, do Coliseu dos Recreios, e de Mariano Franco, o Mestre do Sapateado[1].
Participou em espetáculos por todo o país, em festivais de música, teatro e circo[1].
Criou em seguida a Escola de Circo Mariano Franco, num espaço dedicado à animação circense, cedido pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa[1].
Desde logo surge a ideia de de criar ações de dinamização cultural e de recuperação de jovens em situação de risco, ao mesmo tempo que criava espetáculos de intervenção e animação em bairros carenciados de Lisboa, em parceria com a Junta de Freguesia de Santa Catarina (Lisboa)[1].
A criação da sua figura da mulher-palhaço Teté data do início da década de 1980.[1]
Brevemente, também foi funcionária da Secretaria de Estado da Cultura, onde criou o Departamento de Circo (1978).[1]
É em 1981 que inicia o projeto do Chapitô, de que foi diretora desde então[1].
Desde o princípio, essa Associação destina-se à promoção da educação e da formação profissional através das artes e dos ofícios do espetáculo, com intervenção a nível da integração social e comunitária, de novo, orientada para a recuperação de jovens em situação de risco social[1].
À frente do Chapitô, Teresa Ricou seria ainda a principal impulsionadora da criação da Escola Profissional de Artes e Ofícios do Espetáculo, cuja criação foi aprovada pelo governo de Aníbal Cavaco Silva, em 1991[1][4].
Em 1998 foi atribuído a Teresa Ricou o Prix de L’Initiative da Fondation du Crédit Coopératif e, em 2005, o Silver Rose Solidarity Award.[5]
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p «Teresa Ricou». Infopédia (Em linha). Consultado em 25 de abril de 2014
- ↑ Infopedia
- ↑ a b c d e f «Correio da Manhã». 6 de Março de 2007. Consultado em 21 de janeiro de 2026
- ↑ «Projecto Chapitô: 1985 - As Artes Circenses como Matriz». Chapitô. Consultado em 25 de abril de 2014
- ↑ «10 perguntas a Teresa Ricou». Folha de Portugal. Consultado em 25 de abril de 2014