The Night They Raided Minsky's

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The Night They Raided Minsky's
Quando o strip-tease começou (BR)
 Estados Unidos
1968 • cor • 99 min 
Direção William Friedkin
Roteiro Rowland Barber (livro)
Norman Lear
Sidney Michaels
Arnold Schulman
Elenco Jason Robards
Britt Ekland
Norman Wisdom
Género comédia musical
Idioma inglês
Página no IMDb (em inglês)

The Night They Raided Minsky's (br: Quando o strip-tease começou) é um filme musical norte-americano de 1968 dirigido por William Friedkin. O roteiro é baseado no livro de Rowland Barber (1960) que conta uma origem fictícia para o surgimento do striptease, que teria ocorrido no novaiorquino Teatro Burlesco Minsky em 1925.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Em 1925, Rachel Schpitendavel é uma bonita moça Amish que foge da fazenda de sua família na Pensilvânia e chega em Nova Iorque com o sonho de se tornar dançarina. Ela mostra seu número baseado nas histórias da Bíblia ao dono do teatro burlesco, Billy Minsky, que não se interessa. Ele está mais preocupado com a perseguição moralista de Vance Fowler que ameaça chamar a polícia caso os números cômicos e musicais que apresenta fiquem mais provocativos. Minsky acaba aceitando a ideia de sua dupla mais conhecida, os cômicos Raymond e Chick, para usarem Rachel e seu número religioso para desmoralizarem Fowler e assim mentem a ele dizendo ser ela uma dançarina francesa conhecida como Mademoiselle Fifi, com uma "dança que fez delirar milhões de franceses". Mas as coisas se complicam pois Raymond e Chick se interessam por Rachel e acabam brigando, além do furioso pai dela chegar ao teatro e lhe ordenar que volte para a fazenda. No final, Rachel inventa, sem querer, o striptease.

Produção[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

No livro Minsky's Burlesque, Morton Minsky (com Milt Machlin) escreveu (em tradução livre): "Era 20 de abril de 1925, a data que a invasão citada no livro aconteceu e que não foi tão memorável assim na história do burlesco americano mas foi um prelúdio para problemas maiores...De qualquer forma, a história da invasão é divertida mas foi apenas uma dentre as dezenas que ocorreram; nenhuma grande crise".

O Minskys foi invadido pela primeira vez pela polícia em 1917 quando Mae Dix descuidadamente retirou parte de sua roupa. Quando a plateia gritou, Dix voltou ao palco para continuar tirando as peças sob ruidosos aplausos. Billy Minsky ordenou que o "acidente" se repetisse toda a noite. Foi o início de um círculo interminável: para continuar com a licença, os Minskys tinham que manter o espetáculo limpo, mas, para agradar os clientes, eles tinham que correr riscos — toda vez que ousavam demais, eram invadidos.

De acordo com Morton Minsky, Mademoiselle Fifi foi na verdade uma mulher chamada Mary Dawson da Pensilvânia. O pai dela era policial e puritano Quaker mas ele nunca veio até Nova Iorque e nunca liderou uma invasão para fechar umas das casas Minsky. Além disso, Dawson não era uma stripper; era uma dançarina exótica que nunca mostrou partes "proibidas" em suas apresentações — até aquela noite.

Morton Minsky sugere que Billy convenceu Dawson a exibir os seios para criar uma sensação. Em 1925 isso era permitido para as mulheres de espetáculos estabelecidos como os de Ziegfeld, George White e Earl Carroll — assim como no burlesco — o topless exigia não haver movimento (como "pinturas vivas"). Mademoiselle Fifi ficou nua da cintura pra cima mas se moveu e isso foi o que deu início à invasão. "Apesar de que o show em geral tinha sido bem comportado", ele escreveu, "o final de Fifi e a publicidade que se seguiu sobre a invasão lotaram os teatros e [Minsky] abriu uma nova casa na Rua 42". O filme se baseou parcialmente nesse e em outros incidentes que aconteceram no teatro Minsky. Mais tarde o striptease foi considerado legítimo nos espetáculos de teatro e clubes norte-americanos mas a sua aceitação demoraria mais alguns anos.

Pré-produção[editar | editar código-fonte]

Norman Lear anunciara originalmente que a produção seria iniciada no outono de 1966. Contudo, as filmagens demorariam ainda mais de um ano, começando em outubro de 1967. Foi usado o Chelsea Studios em Nova Iorque.[1]

Em 23 de maio de 1967, o jornal Los Angeles Times noticiou que William Friedkin seria o diretor. O primeiro filme dele, Good Times (1967), com Sonny e Cher, acabara de ser lançado. Era uma comédia musical que satirizava vários gêneros cinematográficos, incluindo mistério, faroeste e suspense de espionagem, que fracassaria tanto com a crítica como com o público.

Tony Curtis foi anunciado para o elenco do filme em junho de 1967, provavelmente como Raymond Paine, mas desistiu em setembro por conta de preocupações com o roteiro revisado. Jason Robards assumiu um mês antes das filmagens começarem. (Raymond Paine era o nome de um artista verdadeiro que de fato apareceu no show aquela noite. Ele morreu atropelado em 1934). Em agosto de 1967, Alan Alda foi também anunciado, provavelmente para o papel de Billy Minsky. Alda, porém, estava na Broadway e não conseguiu deixar o papel em "The Apple Tree". Elliott Gould, que estava casado com Barbra Streisand, foi contratado para o substituir e assim fez sua estreia no cinema.

O comediante britânico Norman Wisdom tinha feito uma série de comédias baratas para a Rank Organisation, iniciando com Trouble in Store em 1953. Ele ganhou um BAFTA Award como o "Estreante Mais Promissor de 1954". Não voltou a ser mais valorizado pela crítica mas era popular com o público doméstico. Em 1966, ele se mudou para Nova Iorque para estrelar na Broadway a comédia musical de James Van Heusen-Sammy Cahn Walking Happy. Sua atuação foi aclamada e ele recebeu uma indicação para o Tony Award. The Night They Raided Minsky's foi seu primeiro filme norte-americano e recebeu alguns elogios.

The Night They Raided Minsky's foi o primeiro musical filmado com locações inteiramente em Nova Iorque. O orçamento excedeu 3 milhões de dólares, o que o transformou no filme mais caro feito na cidade até aquela data. Um quarteirão da East 26th Street entre a Primeira e Segunda Avenidas foi transformado no cenário de Lower East Side por volta de 1925. (Prédios vagos estavam para serem demolidos devido a um plano de reurbanização mas o trabalho foi adiado até as filmagens terminarem). Um trecho suspenso da linha férrea foi construído e pode ser visto no início do filme. As filmagens externas duraram duas semanas.

Esse filme foi o último trabalho de Bert Lahr. Apesar da idade avançada, ele insistia em trabalhar. Ele ficou mais conhecido como o Leão Covarde em The Wizard of Oz (1939) mas era um artista burlesco veterano. Em 21 de novembro, Lahr foi hospitalizado. Em Notes on a Cowardly Lion: The Biography of Bert Lahr John Lahr escreveu: "Bert Lahr morreu na manhã de 4 de dezembro de 1967. Duas semanas antes, ele voltou ao lar as 2 da manhã, resfriado e febril vindo do úmido estúdio onde The Night They Raided Minsky's estava sendo filmado. Seria comum que um homem com sua idade e reputação não tivesse que trabalhar tarde da noite, mas ele não pusera essa condição em contrato por confiança no produtor e também devido a precisar trabalhar. Os jornais noticiaram que a causa da morte fora pneumonia; mas ele sucumbiu a um câncer, doença que temia mas não sabia que sofria da mesma".

A maioria das cenas de Lahr foram realizadas. Norman Lear contou ao New York Times que "através de uma edição criteriosa nós conseguiremos fazer o resto do filme de maneira que sua performance maravilhosa permaneça intacta". Os produtores usaram um dublê, o artista burlesco Joey Faye, para terminar por Lahr.

As filmagens terminaram em 22 de dezembro de 1967. Estreou exatamente um ano depois, 22 de dezembro de 1968.

Pós-produção[editar | editar código-fonte]

O editor Ralph Rosenblum registrou a experiência com The Night They Raided Minsky's no livro de 1979 (que escreveu em parceria com Robert Karen), When the Shooting Stops ...The Cutting Begins. ISBN 0-670-75991-0

Rosenblum escreveu (em tradução livre):"Eu peguei Minsky's não por achar que seria um desafio mas sim que seria o contrário. Eu tinha demorado seis meses editando The Producers (1968), uma experiência que me atacara os nervos e não queria tão cedo outra parecida...O roteiro parecia de um filme vibrante e desimportante, repleto de números musicais, o tipo de produto que eu poderia encaixar em seis ou oito semanas. Eu amava editar musicais e esperava poucos cortes, de diversão sem muito sentido". Mas a edição demorou nove meses.

Ele escreveu: "Bem no começo, a ideia geral de The Night They Raided Minsky's tinha sido a criação de um musical à moda antiga mas com uma nova roupagem visual...Mas do que era para a complicação que virara ninguém sabia muito bem qual fora a razão...Ninguém se atreveu a reconhecer que essa nova roupagem que se esperava para Minsky's fosse essencialmente do tipo feito por [Richard] Lester, o que nos pouparia de muita angústia; mas essa aceitação seria considerada imprópria, senão blasfema, e dai simplesmente não passava pelas nossas cabeças".

Rosenblum qualificou a primeira versão, assistida com Friedkin e Lear, de "desastrosa". "O principal problema de Minsky's era a sua previsibilidade", Rosenblum continua. "O roteiro apontava para um musical nostálgico antigo, mas, com algumas poucas e importantes exceções, não havia nenhum tipo de sofisticação maior ao agrado do público moderno". Quando o corte foi assistido por David Picker, um executivo da United Artists, ele o considerou "o pior primeiro corte que ele havia visto". Contudo, como não havia data prevista para o lançamento, Picker falou para Lear e Rosenblum continuarem e usarem o tempo que fosse preciso.

Pegando sua experiência como editor de documentários, Rosenblum foi atrás de filmagens antigas disponíveis nas bibliotecas cinematográficas de Nova Iorque e começou a selecionar fragmentos da década de 1920. Com árdua tentativa e erro, esses fragmentos antigos foram usados não apenas como forma de contextualizar o tempo e lugar mas também para pontuar e embelezar cenas do filme. Rosenblum criou montagens desse material com os de Friedkin, fazendo a transição de imagens preto e branco com coloridas, num efeito que o editor considerou "mágico".

Enquanto Rosenblum trabalhava na edição durante todo o ano de 1968, Lear desenvolvia outros projetos incluindo o que se tornaria a série de TV All in the Family; Friedkin,por sua vez, foi à Inglaterra dirigir a adaptação da peça The Birthday Party de Harold Pinter. Pouco depois de ter assistido a primeira versão de Minsky's, Friedkin foi entrevistado pela televisão britânica e chamou o que vira de "o pior pedaço de porcaria que ele já tinha trabalhado". De acordo com Rosenblum, "Eu ouvi que [Friedkin] seria barrado das sessões [de Minsky's] pelo que disse naquele talk show e seria obrigado a pagar para assisti-lo".

The Night They Raided Minsky's na verdade foi todo refeito na sala de edição. "Depois de tudo, o que emergiu de Minsky's foi algo altamente contemporâneo", Rosenblum escreveu. "Agora se pode definir a "nova roupagem". O ponto óbvio que fugira no início de repente se tornou claro: A qualidade avant-garde que Richard Lester criara para filmes como Help! é o que descomplicaria a edição. Desde o momento que a pesquisa pela nova roupagem começou, Minsky's estava destinado a ser um filme de edição".

Rosenblum afirmou que realizou 1 440 cortes no filme. Como comparação, Annie Hall, um filme de mesmo formato, precisou de apenas 382.

É claro que a maioria dos créditos ficaram mesmo com Friedkin, que, de acordo com Rosenblum, "ainda não deve ter assistido o filme". Friedkin mais tarde admitiu não ter uma visão própria para Minsky's e citou a influência vinda de Rouben Mamoulian, no filme Applause (1929), o precursor notável do burlesco no cinema, com seu inovador movimento de câmera.

Adaptação teatral[editar | editar código-fonte]

Uma comédia musical adaptada para teatro chamada Minsky's esttreou em 6 de fevereiro de 2009 no Ahmanson Theatre, Los Angeles, e a temporada durou até 1 de março de 2009.. O novo musical foi dirigido e coreografado por Casey Nicholaw, com partitura de Bob Martin e música e letras de Charles Strouse e Susan Birkenhead. O musical é essencialmente uma nova história.[2] [3]

Referências

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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