Ubertino de Casale

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Ubertino de Casale foi um religioso franciscano italiano, nascido em Casale Monferrato em 1259, e morto em 1330.

Vida[editar | editar código-fonte]

Foi frade franciscano em Génova por volta do ano 1273, e do seu convento lhe enviaram a Paris, onde prosseguiu os seus estudos durante quase dez anos. Transcorrido esse tempo, voltou a Itália onde se encontrou com João de Parma que era o superior dos franciscanos espirituais.[1] Depois foi à região da Toscana, e se estabeleceu no convento da Santa Cruz de Florença, onde foi discípulo de Pèire Joan Oliu. Depois de ocupar diversos cargos, abandonou o seu posto para se dedicar à predicação por esta região, convertendo-se no líder dos espirituais da Toscana.

O fanatismo do movimento, especialmente dos fraticelli, chegou a acusar de hereges aos papas mesmos. Isto fiz que acusaram aos espirituais de heresia. Censurado por suas ideias, foi obrigado a se retirar a uma abadia onde redigiu o Arbor vitae crucifixae Jesu Christi ("Árvore da vida crucificada de Jesus Cristo"), obra na qual refletia a doutrina que pregava.

Anos mais tarde foi convocado a Avinhão para discutir com outros franciscanos sobre a doutrina que dividia à Ordem Franciscana em dois facções. As suas ideias foram repudiadas. Então deixou a ordem e pediu permissão para se retirar a um convento beneditino. Mas como ele seguiu com suas doutrinas, foi finalmente excomungado pelo papa João XXII. Depois disto Ubertino fugiu provavelmente para a Alemanha sob a protecção de Luís IV de Baviera, quem lhe acompanhou caminho a Roma em 1328.

Não se conhece nada mais sobre Ubertino. Alguns conjeturam que deixou os beneditinos em 1332 para ingressar na Cartuxa, ainda que isto não é verídico. Os fraticelli do século XV, que o veneravam como a um santo, difundiram a versão de que tinha sido assassinado.

Escritos[editar | editar código-fonte]

A sua obra literária e teológica mais importante é o "Arbor vitae" já citado, que foi impresa só uma vez em Venecia em 1485 e da qual se conhecem somente treze manuscritos.

Além disso, Ubertino escreveu outras obras de caráter polêmico:

  • "Responsio" (resposta) às questões de Clemente V (1310);
  • "Rotulus" (1311);
  • "Declaratio" (declaração) contra a Ordem Franciscana (1311);
  • Apologia de Olivi "Sanctitati Apostolicae";
  • Tratado "Super tribus sceleribus" (sobre os três mais) sobre a pobreza, compilado também em 1311.

Ubertino da Casale em obras de ficção[editar | editar código-fonte]

Dante Alighieri, no canto 12 do Paraíso, recorda a Ubertino, ainda que não da dados sobre o destino final deste famoso líder dos «espirituais». Isto é lógico já que Ubertino seguia ainda vivo.

Umberto Eco incluiu a figura de Ubertino de Casale como um dos personagens da sua conhecida novela histórica O nome da rosa, publicada em 1980.

Também é mencionado no livro de John Sack titulado A conspiração de Assis, editado em 2005.

Referências

  1. Os «espirituais» eram uma das dos tendências em que se dividiu a Ordem Franciscana depois da morte de são Francisco de Assis. Defendiam uma aplicação estrita do voto de pobreza e renúncia aos bens materiais. Em contraposição a eles estavam os «Franciscanos conventuais», que aceitavam uma revisão parcial da regra do voto de pobreza da ordem.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]