Uma História de Amor e Fúria

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Uma História de Amor e Fúria
Rio 2096: Uma História de Amor e Fúria (PRT)
Pôster promocional
 Brasil
2013 •  cor •  75 min 
Direção Luiz Bolognesi
Produção Caio Gullane
Fabiano Gullane
Débora Ivanov
Gabriel Lacerda
Marcos Barreto
Laís Bodanzky
Luiz Bolognesi
Produção executiva Caio Gullane
Fabiano Gullane
Sônia Hamburger
Roteiro Luiz Bolognesi
Elenco Selton Mello
Camila Pitanga
Rodrigo Santoro
Gênero drama, ficção científica
Música Rica Amabis
Tejo Damasceno
Pupillo
Direção de arte Anna Caiado
Edição Helena Maura
Companhia(s) produtora(s) Buriti Filmes
Gullane/Lightstar Studios
Distribuição Brasil Europa Filmes
Portugal Legendmain Filmes
Lançamento Brasil 5 de abril de 2013
Portugal 26 de fevereiro de 2015
Idioma português
Orçamento R$ 4 milhões[1]
Site oficial

Uma História de Amor e Fúria (Rio 2096: Uma História de Amor e Fúria em Portugal) é um filme de animação brasileira, do gênero ficção científica, escrito e dirigido por Luiz Bolognesi. O filme é produzido pela Gullane e Buriti Filmes, com a coprodução da Lightstar Studios.[2]

Foi lançado em 5 de abril de 2013 nos cinemas brasileiros[3] e nos cinemas portugueses a 26 de fevereiro de 2015.[4] O enredo conta a história de um homem que está vivo há 600 anos no Brasil. O protagonista passa por momentos marcantes da história do país, desde os conflitos indígenas na época da chegada dos europeus, passando pela Balaiada, no Maranhão, pela ditadura militar e a guerra pela água num futuro não tão distante em 2096.[1]

Uma História de Amor e Fúria venceu o principal prêmio do Annecy International Animated Film Festival na França, tornando-se a primeira animação brasileira a ser selecionada para essa competição.[5] Foi um dos 19 filmes indicados ao Oscar de melhor filme de animação na edição 86 de 2014.[6]

Enredo[editar | editar código-fonte]

Em 1566 onde hoje é o Brasil, o índio Abeguar e sua amiga Janaína da tribo dos Tupinambás, fogem de uma onça pulando de um penhasco, onde Abeguar misteriosamente consegue voar sobre as árvores, salvando a vida dos dois. O pajé da aldeia diz a Abeguar que Anhangá (espírito da morte e destruição) virá e dominará a terra em que vivem, e avisa que só quando Abeguar aprender a confrontá-lo poderá voar novamente; Além de que ele não poderá morrer até que isso aconteça. No dia seguinte, o cacique Piatã diz que eles e os franceses atacarão os portugueses em Bertioga. À noite, o pajé aparece novamente e avisa que o ataque não pode ser realizado senão os portugueses revidarão. Piatã não escuta e, dias depois, os portugueses junto aos Tupiniquins, atacam as naus francesas e massacram a aldeia. Abeguar, Janaína e algumas crianças conseguem fugir, mas Janaína é morta e as crianças são escravizadas pelos portugueses, que fundam no lugar da aldeia a vila de São Sebastião do Rio de Janeiro. Abeguar pula do topo do Corcovado e se transforma em um pássaro.

Em 1825, Abeguar reencontra Janaína (em outro corpo) no Maranhão e se transforma novamente, reencarnado como Manuel. Casados e com duas filhas, eles são constantemente oprimidos pelo governo. Após sua filha mais velha ser estuprada por um oficial, ele participa de uma revolta e toma a cidade de Caxias. O coronel Luís Alves mais tarde consegue expulsá-los e passa a perseguir os revoltosos incessantemente. Manuel é morto e Janaína e as meninas são escravizadas até que morrem de doenças. Carinama, Sete estrelas e Raio sobrevivem e iniciam o cangaço no sertão e Luís é condecorado e se torna Duque de Caxias.

Em 1968 no Rio de Janeiro, Manuel (agora como Cau) e Janaína lutam contra o regime militar. Janaína namora Júnior, o líder dos guerrilheiros. Após uma operação, eles são capturados pela polícia, com os militares ameaçando torturar Janaína caso Cau não revele a localização da base. Na prisão, Cau faz amizade com Feijão, enquanto Júnior e os outros passam à odiá-lo Em 1980, após passarem sete anos presos, Janaína se casa e tem um filho com Júnior, Cau se torna professor em uma favela e Feijão vira um miliciano. A polícia aparece após o grupo de Feijão realizar um assalto a banco e Cau é morto no tiroteio.

Em 2096, o planeta sofre de uma grande escassez de água. O Rio de Janeiro se tornou a cidade mais avançada do mundo graças à empresa AquaBras, que controla a água do aquífero Guarani, e à milícia particular, uma corporação de segurança extremamente violenta. Cau reencarna como JC, um jornalista de alto nível que reclama da desigualdade na cidade, e Janaína reencarna como uma guerrilheira que trabalha como prostituta. Janaína e seu grupo fazem o CEO da AquaBras de refém e armam para que a milícia o mate por acidente, acabando com a reputação da mesma. JC a salva de ser baleada e os dois pulam da janela da sede da empresa, com JC finalmente sendo capaz de voar de novo.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Produção[editar | editar código-fonte]

Em 2001, quando o roteirista e diretor Luiz Bolognesi estava envolvido na produção do filme Bicho de Sete Cabeças, se perguntou no que queria fazer logo após terminar o trabalho. E o que mais queria produzir era um longa de animação. "Eu tenho duas paixões, que são quadrinhos e a história do Brasil. Então resolvi fazer um filme que misturasse essas duas coisas", afirmou Bolognesi.[7] Inicialmente o filme se chamaria Lutas e, posteriormente, teve o título alterado para Rio 2096, e logo depois finalmente foi anunciado que seria Uma História de Amor e Fúria.[8]

Além de traço e linguagem de HQ, o filme também teve inspiração de desenhos japoneses e outros sul-coreanos, numa tradição que vem de anime.[7] Luis Bolognesi não queria fazer uma animação toda feita no computador, então resolveu fazer o filme usando a técnica clássica de animação, de lápis sobre o papel. Bolognesi fez uma longa pesquisa com profissionais das áreas de história e antropologia para definir quais períodos da história do Brasil seriam mencionados no filme.[7][8]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Bilheteria[editar | editar código-fonte]

Até 05 de abril de 2013, Uma História de Amor e Fúria havia sido visto por 8.438 pessoas,[9] assim arrecadando R$ 110 mil reais em sua semana de estréia.[10]

Crítica[editar | editar código-fonte]

De acordo com o site AdoroCinema, Uma História de Amor e Fúria recebeu críticas geralmente positivas dos críticos especializados, atingindo uma média de 3,4 de 5 estrelas, baseado em 12 críticas veiculadas na imprensa.[11] Adriana Cruz do Cinema com Rapadura escreveu: "O enredo é bem construído e ver a história do Brasil contata de forma tão clara e tão bem arquitetada em animação mostra uma nova área cinematográfica que precisa ser mais explorada e, quem sabe, ampliada em nosso país".[12] Wilker Medeiros do CinePOP disse que o "romance do filme consegue ir além e flertar com temas extremamente complexos e polêmicos como política, preconceito e apreciações históricas, intencionalmente equivocadas".[13]

Mariane Morisawa, do website Preview, sustentou que "a ideia é melhor que a realização, mas é um bom caminho a trilhar",[11] enquanto Marcelo Hessel, do site Omelete, teve uma avaliação menos positiva. Para Hessel, o filme é " menos um acerto de contas provocativo com o passado do que uma revisão politicamente correta da história do Brasil". O crítico lamentou ainda a falta de desenvolvimento das histórias, exibidas em segmentos, e o tom "didático" que o filme assume.[14]

Prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Ano Prêmio Categoria País Resultado
2013 Annecy International Animated Film Festival Melhor Filme  França Venceu
2013 Festival Europeu de Cinema Fantástico de Estrasburgo Prêmio da Audiência  França Venceu
2013 4th Brapeq Brazilian Film Festival in China Melhor Filme  Brasil e  China Venceu

Referências

  1. a b Fonseca, Rodrigo (8 de outubro de 2012). «'Uma história de amor e fúria' tem estreia aplaudida no Festival do Rio». O Globo. Consultado em 21 de janeiro de 2013 
  2. Uma História de Amor e Fúria. Disponível em: http://www.buritifilmes.com.br/longa.php?id=17. Acessado em 22/11/2012
  3. HESSEL, Marcelo. Uma História de Amor e Fúria | Rio de Janeiro distópico futurista em clipe exclusivo. Disponível em: http://www.buritifilmes.com.br/longa.php?id=17. Acessado em 22/11/2012
  4. «Rio 2096: Uma História de Amor e Fúria (2013)». FilmSPOT. Consultado em 7 de outubro de 2015 
  5. «'Uma história de amor e fúria' vence Festival de Annecy». G1. 17 de junho de 2013 
  6. «Oscars: 19 Films Submit for Feature Animation». Variety. Consultado em 5 de novembro de 2013 
  7. a b c Lucas Salgado (5 de abril de 2013). «Entrevista exclusiva com Selton Mello e Luiz Bolognesi, de Uma História de Amor e Fúria». AdoroCinema. Consultado em 8 de abril de 2013 
  8. a b «Curiosidades, bastidores, novidades, e até segredos escondidos de "Uma História de Amor e Fúria" e das filmagens!». AdoroCinema. Consultado em 8 de abril de 2013 
  9. «Bilheterias: sexta-feira, 5 de abril de 2013». AdoroCinema. Consultado em 14 de abril de 2013 
  10. Inácio Alaiola (11 de abril de 2013). «RANKING BRASIL – CROODS voltam a liderar». Diário do Nordeste, Blog de Cinema. Consultado em 14 de abril de 2013 
  11. a b «10 críticas de imprensa». AdoroCinema. Consultado em 8 de abril de 2013 
  12. Adriana Cruz (7 de abril de 2013). «Uma História de Amor e Fúria (2012): passado, presente e possível futuro de um País». Cinema com Rapadura. Consultado em 8 de abril de 2013 
  13. Wilker Medeiros (4 de abril de 2013). «Uma História de Amor e Fúria». CinePop. Consultado em 8 de abril de 2013 
  14. Marcelo Hessel (4 de abril de 2013). «Uma História de Amor e Fúria - Crítica». Omelete. Consultado em 15 de junho de 2013 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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