Abu al-Fadl ibn Hasdai

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Abu al-Fadl Hasdai ibn Yusuf ibn Hasdai (Saragoça, Espanha, c. 1050Cairo?, Egito, após 1093), foi um vizir judeu na corte dos emires hudies da taifa de Saragoça.

Poeta, filho de poeta, era neto de Hasdai ibn Shaprut (vizir do califa Abderramão III de Córdova). Ibn Hasdai é considerado discípulo do filósofo al-Qarmani, além de amigo de Avempace, Ibn Paquda e Ibn Buklaris. Ele próprio estudou desde muito jovem Aritmética, Geometria, Astronomia, Física, Música, Política, Filosofia e Medicina.

O emir de Saragoça, Al-Muqtadir, encarregou-lhe a educação do seu filho, que em 1070 se converteu no sucessor do falecido vizir Ali Yusuf. Como político e chefe da comunidade judaica impulsionou as ciências e as artes e foi, portanto, em parte responsável pelo auge político e intelectual do reino taifa de Saragoça. Ao mesmo tempo o seu correligionário judeu Samuel ben Nagrela dirigia os destinos da taifa de Granada.

Ibn Hasdai soube enfrentar com destreza os vizinhos cristãos de Saragoça, ou seja, Castela, Navarra, Aragão, Barcelona, entre si e com os vizinhos muçulmanos de Toledo, Valência, Lérida e depois com Marrocos. Conseguiu construir o segundo reino taifa mais poderoso do Al-Andalus, também para o filho e para o neto de Al-Muqtadir, Al-Mu'tamin e Al-Musta'in II. Durante muito tempo o pagamento de grandes tributos ao Castela, que comprou os serviços de El Cid, e uma aliança com o emirado de Sevilha garantiram a Saragoça uma relativa independência, sobretudo frente aos Almorávidas de Marrocos.

Ibn Hasdai, que conhecia bem tanto a Bíblia como o Corão, converteu-se ao Islão e casou-se com a média irmã de Al-Musta'in II, Banafsay, conseguindo finalmente o posto de grande vizir. Foi acusado pelos representantes da comunidade judaica de traição e pelos vizires muçulmanos rivais de arrivismo. Parece que também ambicionava o posto do juiz maior muçulmano. Juntos, ambos os grupos conseguiram que Al-Musta'in o enviasse em 1093 como embaixador na corte do sultão egípcio em Cairo. Há notícias de que Ibn Hasdai partiu dali em peregrinação para Meca, mas sobre a sua morte não existem mais notícias.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Lucien Leclerc: Histoire de la medicine arabe, Band I. París 1876.
  • Sánchez Pérez: Biografías de los Matemáticos Árabes que florecieron en España, Madrid 1921.
  • Juan Vernet Ginés: La Cultura hispano-árabe en Oriente y Occidente, Barcelona. Ariel, 1978. ISBN 84-344-7807-2
  • Juan Vernet Ginés: Lo que Europa debe al Islam de España. Barcelona: El Acantilado, 1999. ISBN 84-930657-2-2

Referências