Casa assombrada

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A misteriosa Mansão Winchester
Uma casa assombrada em Kompong Som, Camboja
Casa assombrada de Borley
Ilustrações da revista Weird Tales, de setembro de 1941

Casa assombrada, Infestação ou Casa mal-assombrada é o nome dado a uma casa na qual supostamente acontecem eventos insólitos sem que se encontre uma causa física para os mesmos. Tais eventos podem ser desde ruídos ou movimentação de objetos até alegadas aparições de vultos mais ou menos distintos os quais são denominados assombrações ou fantasmas. O termo em inglês é Hauting e em italiano, Infestazione.

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Interpretação à luz da Doutrina Espírita[editar | editar código-fonte]

A Doutrina Espírita alega que esses fenômenos são produzidos por espíritos desencarnados que, para produzirem efeitos físicos como ruídos, movimento de objetos e sua própria aparição, se valem do ectoplasma produzido por um ou mais moradores que, geralmente sem o saber, possuem mediunidade ostensiva.

Esses espíritos, ainda segundo a Doutrina Espírita, podem produzir tais efeitos com mais de um objetivo. Podem ser espíritos levianos querendo se divertir, os quais provocariam o medo dos moradores. Podem estar desejosos de se comunicarem, ou serem antigos moradores que ainda se julgam donos do local, ou desafetos dos locatários atuais.

Diferença entre Casas Assombradas (Hauting) e Poltergeist[editar | editar código-fonte]

De acordo com o professor Carlos Alberto Tinoco, autor de Poltergeists, Fenômenos Paranormais de Psicocinesia Expontânea, apesar de terem várias características em comum, os dois fenômenos são distintos. Os casos de Assombramento, Assombração ou Hauting (pelos ingleses), Hantise (pelos franceses) e Infestazione (pelos italianos) são estudados pelos pesquisadores da Psychical Research Foundation Inc., de Durham, EUA, que investigam exclusivamente os fenômenos relativos às manifestações que sugerem a presença de pessoas mortas (fenômenos Theta), fazem distinção entre os dois aludidos fenômenos.

O notável pesquisador Ernesto Bozzano, na sua obra Dei fenomeni d'Infestazione, após estudar quinhentos e trinta e dois casos paranormais escolhidos, conseguiu enquadrar trezentos e setenta e quatro deles na categoria de Assombramento ou Hauting. Os cento e cinquenta e oito restantes foram classificados como Poltergeist. Bozzano arrisca uma definição para Assombramento:

Os fenômenos de Assombramento compreendem esse conjunto de manifestações misteriosas e inexplicáveis cujo traço característico essencial é o de ligarem-se de maneira especial a um local determinado. (ver revista Reformador, agosto de 1976, página 238, artigo de Hermínio Miranda). Diz ainda Bozzano que nada mais misterioso nos casos de Assombramento do que o prolongamento de alguns deles, mantendo-se ativos, muitas vezes, através de séculos. Tais fenômenos se ligam, em sua esmagadora maioria, ao problema da morte, o que os coloca na categoria de manifestação Theta[1] .

Os casos de Hauting ou Assombramento:

  • Sempre estão ligados a certos locais por tempo relativamente longo. Alguns deles se misturam aos aspectos pitorescos e folclóricos de certas casas de espetáculo, teatros, etc.
  • Apresentam visões de fantasmas, alguns diáfanos, outros suficientemente corporificados, a ponto de serem fotografados.
  • Apresentam, como característica importante, sons de gemidos, soluços ou vozes humanos, nítidas ou não.
  • Nem sempre apresentam um conjunto de manifestações objetivas com caráter nitidamente intencional, como acontece com os casos de RSPK.
  • Apresentam manifestações, na sua maioria, de natureza subjetiva.
  • Apresentam-se de modo tal que qualquer das suas múltiplas manifestações subjetivas nem sempre é vista, ao mesmo tempo, por todos os circunstantes.
  • Apresentam, em alguns casos, visões de fantasmas cujas características individuais, como vestimentas, posturas, e outros detalhes, são sempre as mesmas, apesar de tais visões serem observadas por pessoas diferentes e em épocas diferentes. Muitos fantasmas são vistos trajando roupas em moda há vários séculos. O confronto dos depoimentos das pessoas vítimas de Assombramento, gerações após gerações, revela que um mesmo tipo de fantasma, por exemplo, encontra-se como que ligado ao local assombrado. Bozzano acredita ser essa uma das características marcantes do fenômeno. Para ele, a fixação do Agente Theta (fantasma) a certos locais está na razão direta da intensidade daquilo que o referido estudioso classifica como monodeísmo (por anos e anos - afirma Bozzano - e até por séculos, o fantasma não consegue pensar noutra coisa a não ser no seu problema íntimo, nos dramas, nas vinganças, nos amores que viveu, tudo tendo como palco o local do Hauting.
  • Diferentemente dos casos de RSPK, não apresentaram, até hoje evidências seguras de que estejam ligados a uma pessoa, chamada de epicentro do fenômeno.

Os fenômenos de RSPK, talvez por serem mais registrados e estudados, comportam uma classificação e um estudo mais detalhado. Genericamente, os fenômenos de Poltergeist:

  • Caracterizam-se pela movimentação paranormal de objetos, fenômeno que é conhecido por Transporte ou Apport.
  • Apresentam, como característica mais importante, uma intencionalidade, seletiva ou não. Assim, por exemplo, o RSPK pode queimar mais preponderantemente as roupas de determinada pessoa, ou atingir mais fortemente o cômodo da casa habitado por alguém. Pode provocar travessuras com o propósito de assustar. Pode também manifestar-se até que determinado compromisso seja desfeito (desquite, casos amorosos, etc). A intencionalidade, quando pode ser constatada, é a característica mais importante dos fenômenos de RSPK.
  • Apresentam alguns casos especiais de Transporte, que se caracterizam pelo fato de objetos serem retirados de dentro para fora e vice-versa, de recintos, armários, cofres, etc, estando estes hermeticamente fechados. ( A penetração paranormal da matéria através da matéria é chamada de Hiloclastia por René Sudré).
  • Apresentam, em algumas ocasiões, ocorrências de combustão espontânea.
  • Podem apresentar casos de desaparecimento de objetos diversos, tais como dinheiro, jóias, roupas, etc. (Metafanismo).
  • Podem apresentar ruídos estranhos, tais como sons provocados pela quebra por impacto, de adornos e utensílios domésticos, vidros, quadros, louças, etc. Alguns deles são assustadores, ocorrendo ou não a quebra de qualquer objeto.
  • Apresentam, sempre de início, queda de pedras de tamanhos variados que provocam ruídos e podem danificar a residência atingida. Outros objetos, tais como pedaços de madeira, rebocos de paredes, cacos de barros ou pilhas elétricas usadas, por exemplo, podem também ser atirados contra a casa que está sendo vítima do RSPK. Deve-se destacar que, na sua grande maioria, as pedras e os demais objetos atirados raramente são vistos iniciar suas trajetórias. Aparecem misteriosamente no ar e são vistos ou em movimento, ou surgindo nos locais para onde são transportados.
  • Podem apresentar casos em que os objetos que são deslocados formem trajetórias anormais, em desacordo com as leis da dinâmica. Em um caso de RSPK ocorrido em Manaus, as pedras atiradas contra a casa seguiam curvas que estavam em desacordo com a física.
  • Apresentam sempre mais ocorrências objetivas que os casos de Hauting.
  • Sempre estão ligados à presença de uma pessoa a quem os estudiosos chamam de epicentro. Normalmente, trata-se de um adolescente[2] .

Na ficção[editar | editar código-fonte]

Lendas acerca de casas mal-assombradas têm uma longa história na literatura, tendo autores da época da República Romana e do Império Romano como Plauto, Plínio o Novo e Luciano de Samósata escrito histórias sobre casas assombradas. Escritores modernos, desde Henry James a Stephen King, continuam a utilizá-las na sua escrita.

A casa assombrada é um elemento comum na literatura gótica e, em geral, no género de terror ou, mais recentemente, na ficção paranormal.

A estrutura de uma casa assombrada pode variar entre um antigo castelo feudal europeu e uma casa de subúrbio de construção recente. No entanto, muitos autores e cineastas preferem a arquitectura do século XIX ou anterior, particularmente mansões obscuras.

A chave do mistério é, muitas vezes, a presença de um ou mais fantasmas, usualmente devido a um assassinato ou outra morte trágica ocorrida naquele lugar no passado.

Casas assombradas na literatura[editar | editar código-fonte]

Horror em Amityville
Mansão de Amityville

Alguns casos se notabilizaram e foram estudados pela parapsicologia. Posteriormente foram adaptados aos livros, como o de Jay Anson, Horror em Amityville, sobre a Família Lutz que, em 1976, foi atormentada por entidades inferiores durante os 27 dias que viveram em uma casa na Ocean Avenue, 112, em Amityville, Long Island, Estados Unidos. A história passaria em seguida às telas de cinema com o nome de Horror em Amityville, de 1979[3] .

Outras obras:

Casas assombradas no cinema[editar | editar código-fonte]

Poster do filme The Amityville Horror (1979)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Carlos Alberto Tinoco, Poltergeists, Fenômenos Paranormais de Psicocinesia Espontânea. (1989), capítulo 3, p.43.
  2. Carlos Alberto Tinoco, Poltergeists, Fenômenos Paranormais de Psicocinesia Espontânea. (1989), capítulo 3, p.46.
  3. La verdad sobre Amytiville

Fontes[editar | editar código-fonte]

  • ALVARADO, C.S. Avaliações psicológicas de sujeitos poltergeist. Revista Brasileira de Parapsicologia nº 2, pp. 32-36, São Paulo, SP, 1993.
  • ANDRADE, Hernani G. Poltergeist e algumas de suas ocorrências no Brasil. São Paulo: Pensamento. 1989.
  • ____________. Poltergeist research and conceptualization in the United States: A review of old and recent developments. Psychical Research Foundation, Ed. Theta 1, nº 1, pp. 9-16, Spring, 1983.
  • BAYLESS, R. The enigma of the poltergeist. Park Publishing Company, Inc. West Nyack, New York, 1967.
  • BENDER, H. New Developments in Poltergeist Research. Proceedings of the PA, 1969, 6, 81-102.
  • __________. A pesquisa moderna do "poltergeist- A necessidade de uma abordagem sem preconceito. In Parapsicologia Hoje - Organizador: John Beloff. Editora Arte Nova, Rio de Janeiro, 1976.
  • CARRINGTON, H. Physical and psychophysiological researches in mediumship. In C. Vett (Ed.), Le Compte Rendu Officiel du Premier Congres International des Recherches Psychiques a Copenhague, Copenhagen, 1922.
  • FLAMMARION, C. As casas mal-assombradas. Federação Espírita Brasileira, Rio de Janeiro, RJ, 1980. (Publicado originalmente em francês em 1968).
  • FODOR, N. On the Trail of the Poltergeist. New York: Citadel Press, 1958.
  • GAULD, A. & CORNELL. A.D. Poltergeist. London: Routledge & Keagan Paul, 1979.
  • HYSLOP, J.H. Poltergeist Phenomena and Dissociation. JASPR, 1913, 7, 1-56.
  • MACHADO, F.R. Um fantasma em minha casa? Uma Introdução aos fenômenos de poltergeist ou RSPK. Revista Brasileira de Parapsicologia, São Paulo, Brasil, 1994, nº 4.
  • TINOCO, Carlos Alberto. Poltergeists, Fenômenos Paranormais de Psicocinesia Espontânea. Editora Ibrasa, 1989.