Embraer ERJ-145

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Embraer ERJ-145
New Zealand PW-51.svg
Embraer ERJ-145
Descrição
Tipo Aeronave comercial
Fabricante Flag of Brazil.svg Embraer
Primeiro voo 1995
Capacidade de
passageiros
50 passageiros
Dimensões
Comprimento Aprox. 30 metros
Envergadura Aprox. 20 metros
Altura Aprox. 6,8 metros
Performance
Velocidade máxima Aprox. 830 km/h


O Embraer ERJ-145 Regional Jet é uma moderna aeronave bimotor pressurizada de médio porte e alta performance, com motorização turbofan e com capacidade para transportar até 50 passageiros em viagens interestaduais, desenvolvida e fabricada em larga escala no Brasil a partir da década de 1990 pela EMBRAER, que utilizou como base para sua criação e desenvolvimento o bimotor turboélice para transporte regional de passageiros Embraer EMB-120 Brasília, principalmente o seu projeto de fuselagem e estabilizadores vertical e horizontal.[1] [2]

O Embraer ERJ-145 é a primeira aeronave comercial a jato fabricada pela EMBRAER, um grande sucesso de vendas no mercado mundial de aviação comercial. É considerado no meio aeronáutico mundial um dos mais importantes, emblemáticos e significativos produtos voltados para o emprego intensivo e regular na aviação regional. Ele é considerado pelo mercado e pelo próprio fabricante brasileiro o ponto de partida para a sua recuperação financeira após sua privatização na década de 1990.

A criação, o desenvolvimento e a fabricação do Embraer ERJ-145 tem o significado simbólico e exemplar de como é possível uma empresa de alta tecnologia se recuperar dos efeitos negativos de recessões econômicas mundiais.

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Embraer ERJ-145 da Rheintalflug.

Os primeiros desenhos de projeto do Embraer ERJ-145 foram criados pelos engenheiros da EMBRAER mais precisamente em 1989, quando a empresa ainda era estatal. Naquela época, os administradores da empresa controlada pelo Governo Federal Brasileiro já conseguiam perceber a existência de um grande segmento de mercado para aeronaves de médio porte, com aproximadamente 50 assentos, voltadas para a aviação regional.[3]

Mesmo na época em que ainda era estatal, a empresa já possuía capacidade tecnológica suficiente para fabricar um modelo de aeronave de alta performance, com motorização turbofan, porém o projeto, o programa estratégico que envolvia o projeto e os meios de fabricação poderiam ser amadurecidos, melhorados e ampliados de várias formas.

Inicialmente desenhado com motores turbofan fixados nas asas, o aspecto externo do Embraer ERJ-145 (na época o projeto ainda era conhecido como Embraer EMB-145) era bem diferente da configuração de estrutura atual. Então o próximo passo natural de amadurecimento do projeto foi melhorá-lo com a fixação dos motores no cone de cauda da aeronave.

Na década de 1990, dentro de um contexto de recessões econômicas mundiais e inflação alta no Brasil, o Governo Federal Brasileiro, liderado pelo então presidente Itamar Franco e posteriormente liderado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, decidiu privatizar uma variedade de empresas estatais, incluindo a EMBRAER.

Após o processo de privatização da EMBRAER, na década de 1990, os investidores privados e principais executivos decidiram concentrar grande parte dos esforços e recursos da empresa na família de jatos ERJ para transporte regional de passageiros.

Fornecedores[editar | editar código-fonte]

Cabine de passageiros do ERJ-145

Como forma de dividir os elevados custos de desenvolvimento do Embraer ERJ-145 e tornar a sua fase de desenvolvimento e homologação financeiramente viável, os investidores privados e principais executivos da empresa decidiram adotar uma nova filosofia de compartilhamento dos riscos de desenvolvimento de novos produtos com os próprios fornecedores de peças, partes e componentes, algo que hoje em dia é comum até mesmo em gigantes industriais de altíssima tecnologia aeronáutica, como Boeing e Airbus.

Assim, a EMBRAER passou a ter condições de dar prosseguimento à fase de desenvolvimento e homologação do seu primeiro jato regional de passageiros, tendo como parceiros de risco a empresa espanhola Gamesa (asas), a empresa belga Sonaca (partes da fuselagem), a empresa chilena Enaer (empenagem) e a empresa norte americana C&D (interiores).

Em 1994, a privatização da EMBRAER deu origem a uma nova fase na empresa, com mudanças no seu estatuto, uma reestruturação interna, suporte pós-venda mais amplo e estratégia de recuperação concentrada em segmentos de mercados em que havia mais confiança de retorno dos investimentos, com alta demanda, dentro de um contexto de aviação regional.

No total, foram investidos mais US$ 300 milhões na criação, desenvolvimento e na fase inicial de fabricação e homologação da família de jatos regionais ERJ, incluindo o irmão maior Embraer ERJ-145, e os irmãos menores Embraer ERJ-140 e Embraer ERJ-135 para transporte regional de passageiros. Nessa fase, a EMBRAER reforçou sua imagem de empresa de alta tecnologia aeronáutica com o domínio da tecnologia de colagem meta-metal.

Na década de 1990, a empresa já incluía no projeto e na fabricação do Embraer ERJ-145 uma surpreendente variedade e quantidade de partes e componentes em material composto, utilizadas na montagem da aeronave, como partes integrantes da aeronave. Porém, as partes principais que formam a estrutura da aeronave (fuselagem, asas e empenagem) sempre foram construídas em alumínio e ligas metálicas.[4]

Os parceiros de risco nos projetos do Embraer ERJ-145, Embraer ERJ-140 e Embraer ERJ-135 investiram, no total, mais de US$ 600 milhões na criação, no desenvolvimento e na fase inicial de fabricação das peças, partes e componentes utilizados na fabricação da família ERJ de jatos regionais.

Na década de 1990, a empresa criou um complexo sistema de gerenciamento de fornecedores espalhados pelo mundo.

Uma parte dos ensaios foi realizada pela Boeing, nos Estados Unidos, e pelo CTA – Centro Técnico Aeroespacial, no Brasil.

Comunalidade[editar | editar código-fonte]

ERJ-145 da Air France decolando.

A grande comunalidade entre o Embraer ERJ-145 e o seus irmãos menores Embraer ERJ-140 e Embraer ERJ-135 é de mais de 90% de similaridade de peças, partes e componentes. Atualmente, o conceito de comunalidade é de fundamental importância para o sucesso de aeronaves comerciais no mercado de aviação comercial, incluindo o mercado de transporte aéreo regional.

Após o início dos trabalhos de criação e desenvolvimento do projeto do ERJ-145, a EMBRAER deu início aos trabalhos de criação dos projetos dos seus irmãos menores ERJ-140 e ERJ-135, relacionando profundamente o projeto do ERJ-145 ao projeto do ERJ-140 e ERJ-135, demonstrando claramente às companhias aéreas interessadas no ERJ-145 como poderiam complementar suas frotas de aviões regionais com o seus irmãos menores e mais novos ERJ-140 e ERJ-135 nas linhas aéreas regionais de menor demanda, dentro de um contexto de família de aeronaves regionais, sem que isso significasse a venda casada dos dois modelos de aeronaves.

Um dos objetivos da empresa brasileira era manter sob controle os seus custos de desenvolvimento de aeronaves regionais, já que o ERJ-145, o ERJ-135 e, posteriormente, o ERJ-140 são parecidos. Assim seria possível vender os três modelos de aeronaves sem que esses custos ultrapassassem os limites financeiros que o fabricante poderia suportar.

Para as companhias aéreas a oferta da EMBRAER era bem clara, pragmática e objetiva: manter sob controle os custos e o tempo de treinamento das tripulações e dos técnicos especializados na manutenção dos aviões, também dentro dos limites que as companhias aéreas poderiam suportar, já que os três modelos de aeronaves são parecidos, e também manter sob controle os custos de manutenção das aeronaves, sem necessariamente reduzir a confiabilidade das aeronaves e, por consequência, sem reduzir a segurança de voo, já que grande parte das peças, partes e componentes dos três modelos de aeronaves são iguais.

Mercado[editar | editar código-fonte]

O ERJ-145 da British Airways decolando

Existe uma forte tendência no mercado mundial de aviação comercial de padronização das frotas de aeronaves, reduzindo o máximo possível o número de famílias de aeronaves que compõem as frotas das companhias aéreas, com o objetivo de manter custos sob controle, sem abrir mão da segurança de voo. Isso é consequência de um decisão estratégica unânime de investidores e principais executivos das empresas, no sentido de eliminar complicações desnecessárias e aumentar a eficiência das empresas para chegar à lucratividade, e mantê-la.

O índice de despachabilidade é um indicador usado por fabricantes de aeronaves e empresas de transporte aéreo regular para avaliar a confiabilidade e produtividade de aeronaves, ou seja, nos dias atuais é natural que aeronaves bem projetadas, fabricadas dentro de padrões rígidos de controle de qualidade e que apresentam no dia a dia de trabalho índices de cerca de 98%, ou mais, consigam se firmar no competitivo mercado de transporte aéreo regular de passageiros, pois as companhias aéreas precisam de aviões confiáveis para transportar com segurança seus passageiros. O ERJ-145 foi projetado pela EMBRAER para um altíssimo número de pousos e decolagens e conserva quase todas as características dos demais modelos de aeronaves da família ERJ.

Mais de 900 unidades da família ERJ-145, incluindo o ERJ-140 e o ERJ-135, estão voando em muitos países, incluindo os mais competitivos mercados, entre eles Estados Unidos e Europa, comprovando assim as características desses aviões.

Até hoje, a Embraer já fabricou mais de 700 unidades do ERJ-145, incluindo dezenas de unidades fabricadas na China, em parceria joint venture com a empresa Harbin Aircraft.

Marco[editar | editar código-fonte]

No dia 14 de Novembro de 2006, a EMBRAER anunciou que a plataforma ERJ-145 alcançou o marco histórico de 10 milhões de horas de voo, após uma década em serviço e um total de cerca de 8,5 milhões de ciclos (operações de pouso e decolagem).

Referências

Ficha técnica[editar | editar código-fonte]

  • Capacidade: 50 passageiros;
  • Tripulação: 1 piloto, 1 co-piloto e 1 comissária;
  • Motorização (potência / sem flat): 2 X Rolls Royce AE3007 (7.426 libras / cada);
  • Motorização (potência / com flat): 2 X Rolls Royce AE3007 (8.169 libras / cada);
  • Comprimento: Aprox. 30 metros;
  • Envergadura: Aprox. 20 metros;
  • Altura: Aprox. 6,8 metros;
  • Peso máximo decolagem: Aprox. 21.000 kg
  • Velocidade cruzeiro: Aprox. 830 km/h
  • Pista de pouso (Standard): Aprox. 1.999 metros (lotado / dias quentes / tanques cheios);
  • Pista de pouso (LR): Aprox. 2.300 metros (lotado / dias quentes / tanques cheios);
  • Pista de pouso (ER): Aprox. 2.500 metros (lotado / dias quentes / tanques cheios);
  • Preço: Aprox. US$ 27 milhões (novo);

Ver também[editar | editar código-fonte]