Etiqueta

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Em High-Change in Bond Street,—o—la Politesse du Grande Monde (1796), James Gillray caricaturou a falta de etiqueta num grupo de homens olhando lascivamente para as mulheres e empurrando-as para fora da calçada.

Etiqueta (do francês étiquette)[nota 1] é o conjunto de regras cerimoniais que indicam a ordem de precedência e de usos a serem observados pela corte em eventos, públicos ou não, onde estiverem presentes chefes de estado e/ou alta autoridades tais, como solenidades e datas oficiais; por extensão, são ainda as normas a serem observadas entre particulares, no trato entre si.[1]

Para Norbert Elias são normas de conduta que denotam boa educação, a partir da ideia de autocontrole como indicador de civilidade; estas mudanças de comportamento formam mesmo a base do estado nacional moderno, a partir da instalação das monarquias absolutas. Segundo ele "o controle mais complexo e estável da conduta passou a ser cada vez mais instilado no indivíduo desde seus primeiros anos, como uma espécie de automatismo, uma autocompulsão à qual ele não poderia resistir, mesmo que desejasse" (...) "Nessa sociedade aquele que melhor conseguir moderar suas paixões é aquele terá melhores vantagens, conseguirá e manterá favores".[2]

Histórico[editar | editar código-fonte]

Estas regras passaram a ser escritas em manuais, na Europa, a partir do século XVI, que retratavam formas de "bom-tom" ou de "polidez" no trato social.[2] Era originalmente destinada às classes abastadas mas, com o advento das mídias de comunicação em massa no século XX e a ampliação da sociedade de consumo, passaram a se dirigir também às camadas inferiores da sociedade.[3]

O primeiro filósofo a ocupar-se da etiqueta foi Erasmo de Roterdão que, em 1530, publicou De civilitate morum puerilium (Da civilidade dos costumes das crianças), sendo a primeira obra que se tem conhecimento sobre o assunto; ali Erasmo procura orientar a formação infantil, no que toca ao gestual, vestimentas, expressões faciais, dentre outras, para delimitar o comportamento e demonstrando as boas e más condutas; dá grande ênfase na etiqueta à mesa, onde verdadeiramente se reconhece quem é ou não nobre.[3]

Um segundo manual surge em 1558, na Itália, de autoria de Giovanni della Casa, intitulado Galateo, onde o autor descreve em narrativa um velho a ensinar boas maneiras a um jovem. A etiqueta passara a ser o modulador do status quo, a distinguir o "civilizado" do "bruto" ou "bárbaro".[3]

Foi no reinado de Luís XIV de França, contudo, que proliferaram as "sociedades da corte", e as normas de etiqueta ganharam grande divulgação e importância.[3]

No Brasil o uso e aprendizado da etiqueta parece haver ganho impulso com a vinda da Família Real, em 1808; no final do século XIX e começo do seguinte é que finalmente obras variadas foram publicadas, e adotadas no ensino público.[2]

Notas e referências

Notas

  1. O vocábulo vem do francês antigo estiquette, derivado de estechier, estiquier ou estiquer - que significava atar, trespassar, enterrar.[1]

Referências

  1. a b Dicionário Aurélio, verbete etiqueta.
  2. a b c Cristiane Cecchin, Maria Teresa Santos Cunha (2004). Tenha modos! - educação e sociabilidades em manuais de civilidade e etiqueta (1900-1960). Visitado em março de 2012.
  3. a b c d Daniela Scridelli Pereira. Em busca do refinamento: um estudo antropológico da prática da etiqueta. [S.l.]: Annablume, 2006. 139 pp. p. 32. ISBN 8574195812 Visitado em março de 2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]