Flora antártica

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Nothofagus fusca, Nova Zelândia

A flora antárctica é uma comunidade distinta de plantas vasculares que evoluiu há milhões de anos no supercontinente Gondwana, encontrando-se actualmente representada em várias e distintas zonas do hemisfério sul, incluindo o sul da América do Sul, o extremo sul de África, Nova Zelândia, Austrália, Tasmânia e Nova Caledónia. Baseando-se nas semelhanças entre as suas floras, o botânico Ronald Good identificou e individualizou o reino florístico antárctico, que inclui o sul sul-americano, a Nova Zelândia e alguns grupos de ilhas do sul. Good incluiu a Austrália no seu reino florístico próprio, enquanto a Nova Guiné e Nova Caledónia foram incluídas no reino florístico paleotropical, devido à intrusão de flora euroasiática que suplantou quase por completo a flora antárctica.

Origem e evolução[editar | editar código-fonte]

A América do Sul, África, Índia, Austrália, Nova Zelândia e Antárctida foram outrora parte do supercontinente Gondwana que começou a sua separação no início do Cretáceo (135-65 milhões de anos atrás). A Índia foi a primeira a se separar, seguida da África e depois da Nova Zelândia, que iniciou a deriva para norte. No final do Cretáceo a América do Sul e a Austrália ainda se encontravam ligadas à Antárctida. Por esta altura assistiu-se, nas áreas mais frias e húmidas do sul da Gondwana, à emergência de uma flora distinta, assemelhando-se à encontrada actualmente no sul da Nova Zelândia. Uma flora adaptada a condições mais secas desenvolveu-se no norte de Gondwana, nos actuais norte de África e norte da América do Sul.

Nothofagus antarctica, Chile e Argentina

A África e Índia derivaram para norte em direcção a latitudes tropicais, tornaram-se mais quentes e secas, e uniram-se, finalmente, ao continente euroasiático, sendo que actualmente a flora destas duas regiões possui muito poucas reminiscências da flora antárctica. A Austrália derivou também para norte, tornando-se progressivamente mais seca. A flora antárctica recuou para a costa leste do continente e para a Tasmânia, enquanto o restante território foi dominada por géneros de plantas mais resistentes à seca como Acacia, Eucalyptus, e Casuarina, bem como por arbustos e ervas xerófilos. Com a chegada do Homem a este continente há 60-50.000 anos atrás e o uso do fogo de forma a moldar a paisagem, a flora antárctica (também conhecida como flora das florestas das chuvas na Austrália) recuou para áreas isoladas que compõem actualmente cerca de 2% do território australiano.

Composição[editar | editar código-fonte]

Dentro das plantas lenhosas desta flora incluem-se as coníferas das famílias Podocarpaceae, Araucariaceae e da subfamília Callitroideae da família Cupressaceae. Incluem-se ainda angiospérmicas como as famílias Proteaceae, Griseliniaceae, Cunoniaceae, Atherospermataceae, e Winteraceae e os géneros Nothofagus, e Fuchsia. Muitas outras famílias de plantas com flor e fetos, incluindo os fetos arbóreos do género Dicksonia, são característicos da flora antárctica.

Quanto à própria Antárctida, esta revela-se demasiado fria e seca, não suportando, virtualmente, nenhuma planta vascular há vários milhões de anos. A sua flora consiste actualmente de cerca de 250 espécies de líquenes, 100 de musgos, 25-30 espécies de hepáticas e cerca de 700 espécies terrestres e aquáticas de algas. Duas espécies de ervas angiospérmicas podem, no entanto, ser encontradas no norte e oeste da Península Antárctica, a Deschampsia antarctica e a Colobanthus quitensis. Entre as espécies de musgo endémicas desta região incluem-se a Grimmia antarctici, Schistidium antarctici, e Sarconeurum glaciale

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Cox, C. Barry, Peter D. Moore (1985). Biogeography: An Ecological and Evolutionary Approach (4th ed.). Blackwell Scientific Publications, Oxford.

Ver também[editar | editar código-fonte]