Formação Doushantuo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Formação Doushantuo
Distribuição estratigráfica: Pré-Cambriano 635–551 Ma
Tipo Formação geológica
Sucedida por Formação Liantuo
Precedida por Formação Dengying
Litologia
Primária Dolomito
Localização
Região Província de Guizhou
País  China

A formação Doushantuo (em chinês 陡山沱) é uma jazida fossilífera situada na província de Guizhou, China, notável por ser um dos depósitos mais antigos contendo fósseis bem preservados. Esta formação é de particular interesse pois parece abranger a transição entre os problemáticos organismos do período Ediacarano e a mais familiar fauna da Explosão Câmbrica de seres vivos cujos descendentes são reconhecíveis. Na sua globalidade, a formação Doushantuo tem idade compreendida entre 590 e 565 milhões de anos (da base para o topo), sendo talvez cinco milhões de anos mais antiga que as faunas ediacaranas 'clássicas' de Mistaken Point na Terra Nova, e regista as condições de quarenta a cinquenta milhões de anos antes da explosão câmbrica.

Sedimentologia[editar | editar código-fonte]

Toda a sequência situa-se sobre uma desconformidade com a formação Liantuo subjacente, a qual não apresenta fósseis, sendo uma desconformidade geralmente interpretada como correspondendo a um período de erosão. Sobre aquela desconformidade encontram-se tilitos, da formação Nantuo de sedimentos de origem glacial de granulometria variável depositados no final da glaciação do Criogeniano ('Terra bola de neve'). Para este depósito de origem glacial é apontada a idade de 610 a 590 milhões de anos.

A formação Doushantuo propriamente dita, tem três camadas de sedimentos aquáticos que se formaram à medida que os níveis do mar subiam como resultado do derretimento que se seguiu à glaciação global. Biomarcadores indicam condições altamente salinas, como as que poderiam existir numa laguna, com baixos níveis de oxigénio e poucos sedimentos arrastados desde as superfícies terrosas.

A zona mais rica da jazida, situa-se na base do estrato médio, com cerca de 570 milhões de anos de idade.

Fósseis[editar | editar código-fonte]

Todos os fósseis de Doushantuo são aquáticos, microscópicos e conservados com grande detalhes. Estas duas últimas características significam que a estrutura dos organismos originais pode ser estudada ao nível celular, tendo-se obtido informação considerável sobre os estágios embrionário e larvar de muitas criaturas antigas. Uma proposição discutida, é a de que muitos dos fósseis mostram sinais de simetria bilateral, uma característica comum em muitos animais modernos e que geralmente se pensa ter evoluído mais tarde, durante a Explosão Câmbrica. Em Outubro de 2005, foi anunciado que um animal fóssil microscópico, Vernanimalcula, seria o mais antigo animal bilaterado até então conhecido. Contudo, a ausência de formas adultas de quase todos os tipos de animais em Doushantuo (existem esponjas e corais adultas microscópicos), torna aquela afirmação difícil de provar: alguns argumentam que a sua não ocorrência sugere que estes fósseis não são, de todo, formas larvares ou embrionárias; os seus defensores argumentam que um qualquer processo não-identificado "removeu" todas as formas, com excepção das menores, do processo de fossilização. Uma interpretação alternativa sugere que foi criado por processos de formação de rocha não-biológicos.[1] A equipa que descobriu Vernanimalcula defenderam a sua conclusão de que se trata de um animal, salientando que encontraram dez espécimes com o mesmo tamanho e configuração, e afirmando que é muito improvável que processos não-biológicos tivessem produzido tantos espécimes tão parecidos entre si.[2]

A descoberta foi feita durante a exploração de ricos depósitos de fosfato, tendo sido relatada pela primeira vez em 1998. As descobertas entretanto efectuadas oferecem evidências directas que confirmam as expectativas de que a diversificação evolutiva dos animais teria ocorrido antes do início do Câmbrico, com a sua aparente 'explosão' de formas de vida metazoárias] e, portanto, de que formas ancestrais mais remotas dos filos reconhecíveis nos macrofósseis do Câmbrico terão de ter existido anteriormente.

A biota documentada inclui agora microfósseis fosfáticos de algas, talófitas multicelulares, acritarcas, ciliados,[3] e cianófita, além de esponjas e cnidários adultos, que podem incluir formas primitivas de corais tabulares.[carece de fontes?] Parece também que existem o que os cientistas, com precaução, chamam embriões bilaterais de animais, designados Parapandorina, e ovos (Megasphaera). Alguns dos possíveis embriões animais encontram-se num estágio inicial da divisão celular que foi inicialmente interpretado como correspondendo a esporos ou células de algas, incluindo ovos e embriões que são mais provavelmente de esponjas ou cnidários, bem como esponjas adultas.

Uma outra possibilidade é que os "embriões" e "ovos" sejam de facto fósseis de sulfobactérias gigantes semelhantes a Thiomargarita, uma bactéria tão grande que é visível a olho nu.[4] Esta interpretação forneceria também um mecanismo para a fossilização fosfática por precipitação de fosfato mediada pelas bactérias, observada em ambientes modernos. Se as manchas negras nos fósseis provarem ser núcleos fossilizados - uma hipótese ainda por verificar - tal refutaria a hipótese Thiomargarita.

Geoquímica[editar | editar código-fonte]

A rochas mais recentes de Doushantuo apresentam um marcado decréscimo na razão entre os isótopos de carbono, 13C/12C. Dado que esta variação parece ser global mas uma vez que o tempo em que ocorreu não coincide com nenhum grande acontecimento conhecido, como uma extinção em massa, ela pode representar "possíveis relações de retroalimentação entre a inovação evolutiva e a química da água do mar" na qual os metazoários removeram carbono da água, o que fez aumentar a concentração de oxigénio, e este aumento da concentração de oxigénio tornou possível a evolução de novos metazoários.[5]

Referências

  1. Bengtson, S.; Budd, G.. (2004). "Comment on ‘‘Small bilaterian fossils from 40 to 55 million years before the Cambrian’’". Science 306: 1291a. DOI:10.1126/science.1101338. PMID 15550644.
  2. Chen, J.Y., Oliveri, P., Davidson, E. and Bottjer, D.J.. (2004). "Response to Comment on “Small Bilaterian Fossils from 40 to 55 Million Years Before the Cambrian”". Science 306: 1291b. DOI:10.1126/science.1102328.
  3. C.-W. Li1, J.-Y. Chen2, J. H. Lipps3, F. Gao2,4, H.-M. Chi2 & H.-J. Wu1, Ciliated protozoans from the Precambrian Doushantuo Formation, Wengan, South China
  4. Bailey, Jake V.. (2007). "Evidence of giant sulphur bacteria in Neoproterozoic phosphorites". Nature 445: 198–201. DOI:10.1038/nature05457.
  5. Condon, D., Zhu, M., Bowring, S., Wang, W., Yang, A., and Jin, Y.. (1 April 2005). "U-Pb Ages from the Neoproterozoic Doushantuo Formation, China" (abstract). Science 308 (5718): 95–98. DOI:10.1126/science.1107765. PMID 15731406.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Hagadorn, J. W. et al., 2006, "Cellular and Subcellular Structure of Neoproterozoic Animal Embryos," Science 314: 291–294.
  • Knoll, A. H., 2003. Life on a Young Planet. Princeton Univ. Press.
  • Xiao, S., Zhang, Y. & Knoll, A. H., 1998, "Three-dimensional preservation of algae and animal embryos in a Neoproterozoic phosphorite," Nature 391: 553–558.
  • Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em inglês, cujo título é «Doushantuo Formation», especificamente desta versão.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]