Formação Econômica do Brasil

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Formação Econômica do Brasil1 é um livro de Celso Furtado, escrito em 1958, quando o autor se encontrava na Universidade de Cambridge, Inglaterra, fazendo estudos de pós-doutoramento. Publicada no Brasil em janeiro de 1959, duas semanas depois, a obra ocupava o terceiro lugar entre os livros mais vendidos no país, numa lista encabeçada pelo romance Gabriela, cravo e canela, de Jorge Amado. Desde então, vendeu no Brasil cerca de 300 mil exemplares e foi traduzida em oito idiomas (inglês, francês, castelhano, italiano, romeno, polonês, japonês e chinês)


O livro aprofunda questões abordadas no primeiro livro do autor, "A economia brasileira", publicado em 1954: o comércio exterior e o crescimento econômico; e analisa os diversos ciclos da economia (açúcar, gado, ouro e café), escravatura, imigração e migração interna e o processo de industrialização.2 O livro foi escrito em um momento de otimismo no Brasil: final do governo de Juscelino Kubitschek, cujo slogan "cinquenta anos em cinco" definia o surto de desenvolvimento no período, a exemplo da indústria automobilística e de iniciativas de promoção do crescimento, como novas estradas e a criação da Sudene (Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste)3

Contexto[editar | editar código-fonte]

"A originalidade do enfoque de Celso Furtado foi debruçar-se sobre o passado para esclarecer o presente, isto é, buscar nos cinco séculos da história brasileira as raízes dos problemas que entravavam o desenvolvimento do país. Também inovadora era a combinação do método histórico com a análise econômica, que levou o autor a esboçar uma visão interpretativa da sociedade brasileira e a abrir novos horizontes da compreensão do passado. Esse "modo amplo de ver", como escreveu na época o historiador Francisco Iglesias, foi uma das razões que fez seu colega francês, o historiador Fernand Braudel, considerar Formação econômica do Brasil um dos grandes livros de história econômica do mundo." Desde então, Celso Furtado é tido como um dos grandes intérpretes do Brasil. A obra representa um marco na história das ciências sociais no Brasil e inspirou estudos de gerações de pesquisadores e universitários não só na área de economia e sociologia, como também no campo da política e da história brasileira.2 4

"A trajetória de um clássico"[editar | editar código-fonte]

Em 2009, ano em que o título completou cinquenta anos, foi lançada uma edição comemorativa, organizada pela jornalista Rosa Freire d'Aguiar e prefaciada pelo historiador Luiz Felipe de Alencastro, titular da cátedra de história do Brasil na Universidade de Paris-Sorbonne. Além do próprio livro de Celso Furtado, esta edição traz críticas e artigos publicados desde os anos 1950 e assinados por vinte renomados historiadores e economistas que, no Brasil e no exterior, escreveram sobre Formação econômica do Brasil. Entre eles: Nelson Werneck Sodré, Fernando Novais,Paul Singer, Francisco de Oliveira, Ignacy Sachs; e os historiadores econômicos Ruggiero Romano, Frédéric Mauro, Warren Dean e Werner Baer. A edição traz também um cadernos de fotos, uma cronologia da vida de Celso Furtado e uma lista completa de suas obras publicadas no Brasil e no exterior.5

Referências

  1. FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
  2. a b Novo Tempo — Turner Publishing, pg 438-439. Editora Klick São Paulo (1995)]
  3. Fundação Getúlio Vargas "O Brasil de JK — 50 anos em 5: o Plano de Metas"
  4. Academia Brasileira de Letras — "Livro de Celso Furtado é lançado na ABL"
  5. Scielo — "A trajetória de um clássico: Formação econômica do Brasil de Celso Furtado"

Ligação externa[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]