Francisca Josefa de Bragança

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Dona Francisca Josefa
Infanta de Portugal
Cônjuge Solteira
Nome completo
Francisca Josefa Maria Xavier de Bragança
Casa Bragança
Pai D. Pedro II de Portugal
Mãe D. Maria Sofia de Neuburgo
Nascimento 30 de janeiro de 1699
Lisboa, Portugal
Morte 15 de julho de 1736 (37 anos)
Lisboa, Portugal
Enterro Panteão dos Braganças, no Mosteiro de São Vicente de Fora

A infanta D. Francisca Josefa Maria Xavier de Bragança (Lisboa, 30 de Janeiro de 1699 - Lisboa, 15 de Julho de 1736), cujo nome completo se desconhece, foi a oitava e última filha a nascer do casamento de Pedro II de Portugal e Maria Sofia de Neuburgo.

Batizada em 24 de fevereiro na Capela Real dos Paços da Ribeira pelo Capelão-Mor D. Luís de Sousa, o primeiro Duque de Cadaval D. Nuno Álvares Pereira de Melo, a carregou nos braços, sendo padrinho mas ausente «o augustissimo Imperador José I, naquele tempo Rei dos Romanos, da Hungria e Boêmia».

Em agosto de 1699, tendo apenas poucos meses de vida ficou órfã da mãe. Sua educação foi entregue a rainha-viúva D. Catarina Henriqueta da Inglaterra, irmã do rei D. Pedro II e portanto sua tia. Em 1704 faleceu sua irmã mais velha a infanta d. Teresa de <<bexigas malignas>>. Foi recomendada por seu pai ao príncipe-herdeiro em testamento <<ame e estime nam so como a irmam, mas como a filho, a q com cuidado se haja com os mais irmans filhos meus o infante d. António, o infante d. Manoel, a infante d. Francisca, procurando acomodamento, e estabelecimento de estado de cada hum delles, e espero e confio da sua capacidade q o faça do mesmo modo q eu avia de fazer, e melhor ainda, e espero que os mesmos infantes lho mereçam pello respeito, q lhe ham de ter e pello amor q hade aver entre todos os irmaos>>. Em 1705 faleceu D. Catarina e no ano seguinte o rei D. Pedro II, ficando completamente órfã, entregue aos cuidados de sua ama. Em vida do rei D. Pedro II existiram projetos para casar a infanta d. Teresa com seu primo o arquiduque austríaco Carlos, pretendente ao trono espanhol. Quando faleceu a infanta d. Teresa os planos foram encerrados. Houve quem pensasse substituí-la por d. Francisca, mas esta era muito jovem e já em 1708 o arquiduque casara com outra princesa. Durante sua infância e parte de sua adolescência o cenário político internacional era tomado pela guerra de sucessão espanhola o que impediu de existirem projetos que visassem arranjar um esposo coroado para a infanta. Quando findou a guerra o duque de Cadaval a propôs como noiva do príncipe Giovani Vitorio Amadeo de Saboia, filho do então Rei da Sardenha Victor Amadeu II de Saboia. O príncipe Giovani Vitorio contava 14 anos quando foi nomeado Regente de Saboia - devido a ausência do seu pai em viagem ao reinado da Sicília. A infanta atingira os 16 anos quando inesperadamente o príncipe faleceu devido a varíola. Também, não houve interesse da parte do rei D. João V em levar o projeto adiante, pelo que a infanta permaneceu solteira vivendo sob a tutela da corte do irmão.

No dia da aclamação de seu irmão o príncipe D. João V como rei de Portugal, d. Luísa de Cadaval como filha legitimada do rei D. Pedro II e portanto membro da Família Real portuguesa, tinha direito a estar a janela imediata à da sua meia-irmã infanta d. Francisca. Acompanharam d. Luísa outras mulheres da casa de Cadaval como sua sogra francesa Margarida Amanda de Lorena-Armagnac, duquesa de Cadaval e sua cunhada ainda solteira d. Filipa de Lorena. Sendo a Casa de Cadaval a primeira na hierarquia da nobreza do reino logo após a Casa Real, a posição da duquesa de Cadaval e de sua filha estava assegurada. Todavia, tal precedência poderia ser considerada equívoca segundo o Regimento da Corte que dava a precedência aos oficiais que serviam à Casa Real. A este respeito, em 1660 aquando do casamento da princesa da Beira d. Catarina com o rei inglês, o duque de Cadaval intrigou-se com o estribeiro-mór ao fato de quem deveria seguir em imediato ao então infante d. Pedro (depois D. Pedro II) duque de Beja. Durante a aclamação de D. João V o episódio ocasionou um sério atrito entre a Casa de Cadaval e as damas do Paço. D. Bárbara, filha do marquês de Cascais reclamou com seu tio o marquês de Marialva a presença indevida da duquesa d. Margarida e de sua filha d. Filipa na tribuna real. O caso foi levado ao recém-aclamado rei D. João V, que ao final do dia resolveu o caso a favor das damas do paço deixando as mulheres da Casa de Cadaval e o próprio duque muito sentidos. Por isso, no dia seguinte, a duquesa d. Margarida e sua filha não comparecem à corte. D. Luísa, em solidariedade a sogra e a cunhada também não compareceu. Educada na corte francesa do rei Luís XIV, Margarida Armandina era filha do Conde d'Harcourt-Armagnac pertencente a família Lorena, radicados na França como príncipes estrangeiros. Margarida Armandina nunca pode adaptar-se totalmente a austera e rígida corte portuguesa. A infanta d. Francisca, muito devido a pouca idade, não se intrometeu na questão. Não tomou o partido das damas nem da meia-irmã. Indiferente ao que se passava, ocupou o seu lugar na janela que lhe fora destinada como infanta de Portugal em companhia de sua camareira-mor e sua aia. Em 28 de setembro de 1708, novamente a infanta estava presente em cerimônia oficial da corte. O rei d. João V seguido dos infantes d. Francisco, de d. António e d. Manuel foram a bordo da nau que aportara com a arquiduquesa austríaca D. Maria Ana Josefa a esposa de D. João V. A infanta d. Francisca seguiu os irmãos acompanhada de sua dama a marquesa de Fontes. Como membro da Família Real, precedia a infanta d. Francisca dona Luísa. Para evitar futuras contendas, D. João V havia determinado que a duquesa de Cadaval precedesse as demais damas do Paço. Fechou o cortejo real d. Margarida e d. Filipa. Porém, as damas do Paço sentiram o orgulho ferido e reclamaram à rainha D. Maria Ana da Áustria tão logo essa desembarcou, dizendo que sentiam não poderem ter ido beijar as mãos da rainha de imediato.

Realeza Portuguesa
Casa de Bragança
Descendência
Duchy of Braganza (1640-1910).png

Nas cerimonias do casamento a jovem infanta d. Francisca apresentou-se a corte <<dançou a infanta d. Francisca, gorda, corada e empoada>>. Desde então, d. Francisca passou grande parte do tempo na Casa da Rainha. Como a segunda mulher mais importante da Família Real após a rainha, acompanhava-a nas visitas que esta fazia aos conventos e <<Nas sextas feiras santas a rainha, seguida de parte da corte vai à pé visitar as Igrejas>>. Em julho de 1716 a Família Real foi a Belém para ver partir as naus que iriam lutar contra os turcos. Estiveram presentes o rei, o infante d. António, a rainha e a infanta d. Francisca.

Descrevem-na <<ornou-a a natureza liberalmente em gráu supremo de uma formosura magestosa, alegre, affavek: de um genio compassivo, pio, magnífico: e por todos estes, e outros muitos virtuosos predicados dominava esta princeza o coração de todos, attrahindo a nobreza, e o povo a amal-a, e adoral-a tanto, que arrebatando-a o Ceu em 15 de julho de 1736, ainda cá na terra a saudade existe viva em nossa memoria. Jazem suas cinzas em São Vicente de Fóra>>.

Esteve ainda presente em vários outras cerimônias importantes da corte, como a troca das princesas em 1729. Por ocasião do seu falecimento, foi publicado <<Poesias à morte da Sereníssima D. Francisca infante de Portugal>>. Não se casou nem teve filhos. Está sepultada no Panteão dos Braganças, no Mosteiro de São Vicente de Fora.

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Referências: O Amor em Portugal Mapa de Portugal Antigo e Moderno Testamento do rei D. Pedro II datado de 19 de setembro de 1704