Francisco José Freire

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Cândido Lusitano.

Francisco José Freire (Lisboa, 1719Mafra, 1773), que adotou o pseudónimo de Cândido Lusitano, foi um frade oratoriano que inspirou o movimento estético-literário da Arcádia Lusitana.[1] A sua obra Arte Poética (publicada em 1748) marcou em Portugal a afirmação da estética neoclássica que ficaria conhecida na literatura portuguesa pelo nome de arcadismo.

Biografia[editar | editar código-fonte]

A Arte Poética de Cândido Lusitano acabou por se constituir como o verdadeiro código estético dos árcades, o que o tornou numa das figuras mais influentes na introdução na literatura portuguesa das ideias estéticas e da poética e retórica neoclássicas.

Com fortes ligações ao humanismo da fase inicial do Renascimento europeu, Cândido Lusitano era um defensor acérrimo dos cânones literários e estéticos da Antiguidade Clássica, tomando como modelos Aristóteles, Cícero, Horácio e Quintiliano. Em consequência, a sua obra centra-se na divulgação do pensamento estético-literário dos clássicos, através a sua tradução para a língua portuguesa, e na defesa de uma concepção da poesia como imitação da natureza, na esteira da Poética de Aristóteles.

Na mesma senda, Cândido Lusitano, seguindo intelectuais como Ludovico Antonio Muratori e Ignacio de Luzán, explora as relações entre a fantasia e o entendimento na elaboração da obra poética, defendendo a visão aristotélica de uma arte em que estejam presentes o verosímil e uma relação equilibrada entre o útil e o deleitável e entre a natureza e o exercício.

Manteve uma acesa polémica contra o pensamento de Luís António Verney [1] expresso no Verdadeiro Método de Estudar,[carece de fontes?] defendendo que é na proporção, na ordem e na unidade é que consiste a beleza poética e que a fantasia e a imaginação eram a alma da poesia, embora devessem ser refreadas através da adopção de cânones que regulassem a relação entre a arte e o juízo.[1] Neste contexto, e alinhando com as ideias de Nicolas Boileau, defendia o predomínio da lógica sobre a estética, afirmando que os antigos chamavam-lhe Juízo e isto é que é propriamente o bom gosto. É proceder com juízo e discernimento nas obras que compomos e não menos nas que lemos. Estas ideias assentam nos princípios da estética e filosofia platónica e augustiniana.

Seguindo o pensamento de Ludovico Antonio Muratori e os preceitos do neoclassicismo, Francisco José Freire introduziu na literatura de língua portuguesa a primeira definição canónica de bom gosto, negando a legitimidade da liberdade criativa do barroco defendida, entre outros, pelo filósofo Benito Jerónimo Feijoo.

Obras[editar | editar código-fonte]

  • O Secretário Portuguez Cómmodos à Instrucção da Mocidade Confirmado com Selectos Exemplos de Bons Autores, Lisboa, 1745;
  • Vieira defendido, Lisboa, 1746;
  • Arte Poética ou Regras da Verdadeira Poesia, Lisboa, 1748;
  • Ilustração Crítica…, Lisboa, 1751 (texto da polémica verneyana);
  • Arte Poética de Quinto Horácio Flacco, Lisboa, 1758;
  • Dicionário Poético para uso dos que principiam…, Lisboa, 1765;
  • Reflexões sobre a Língua Portuguesa (editado por Cunha Rivara), Lisboa, 1842.

Na Biblioteca Pública de Évora conservam-se dois manuscritos de Francisco José Freire intitulados;

  • A Eloquência Christã;
  • Cartas Poéticas e Criticas (…) de Poesia (…) e Poetas.

Referências

  1. a b c Pedro Calafete, Instituto Camões, Filosofia Portuguesa, Francisco José de Freire [em linha]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • A. Banha de Andrade, Verney e a Cultura do seu Tempo, Coimbra, 1966;
  • António José Saraiva e Óscar Lopes, História da Literatura Portuguesa, Porto (várias ed.);
  • Teófilo Braga, História da Literatura Portuguesa, volume IV: Os Árcades, Porto;
  • Aníbal Pinto de Castro, Retórica e teorização Literária em Portugal, do Humanismo ao Neoclassicismo, Coimbra, 1973.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]