Francisco de Borja

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São Francisco Borja, S.J.
São Francisco de Borja.
Por Alonso Cano, atualmente no Museu de Belas Artes de Sevilha.
Confessor; Vice-rei da Catalunha
Nascimento 28 de Outubro de 1510 em Ducado de Gandía, Valência, Reino da Espanha
Morte 30 de setembro de 1572 (61 anos) em Roma, Estados Papais
Veneração por Igreja Católica
Beatificação 23 de novembro de 1624, Madri, Reino da Espanha por Papa Urbano VIII
Canonização 20 de junho de 1670, Roma, Estados Papais por Papa Clemente X
Festa litúrgica 30 de setembro
Atribuições Crânio humano coroado com um diadema imperial
Padroeiro contra terremotos; Portugal[1]
Gloriole.svg Portal dos Santos

Francisco de Borja e Aragão, também Francisco de Bórgia e Aragão, foi Duque de Gandia, bisneto do Papa Alexandre VI e bisneto do rei Fernando II de Aragão, e fez-se jesuíta logo após enviuvar. Exerceu o cargo de Vice-rei da Catalunha.

Infância e juventude[editar | editar código-fonte]

Desde pequeno era muito piedoso e desejou tornar-se monge, sua família porém o enviou à corte do imperador Carlos V. Ali se destacaria acompanhando o imperador em suas campanhas e casando-se com uma nobre portuguesa: Eleonor de Castro Melo e Menezes, com a qual teve oito filhos: Carlos, Isabel, João, Álvaro, Fernando, Afonso, Joana e Dorotéia.

Nobre e considerado "grande de Espanha", em 1539 escoltou o corpo da imperatriz Isabel de Portugal à sua tumba em Granada. Se diz que, quando viu o efeito da morte sobre o corpo daquela que tinha sido uma bela imperatriz decidiu "nunca mais servir a um senhor que me possa morrer". Ainda jovem foi nomeado vice-rei da Catalunha, província que administrou com grande eficiência. Quando seu pai morreu, recebeu por herança o título de Duque de Gandía, então se retirou para a sua terra natal e aí levaria, com sua família, uma vida entregada puramente à religião.

Vida na Companhia de Jesus[editar | editar código-fonte]

Em 1546 sua esposa Eleanor morreu e Francisco decidiu entrar na recentemente fundada Companhia de Jesus. Ajustou as contas com os seus assuntos mundanos, renunciou aos seus títulos em favor de seu primogênito, Carlos e, imediatamente, se lhe foi oferecido o título de cardeal. Recusou, preferindo a vida de um pregador itinerante. Seus amigos conseguiram convencê-lo a aceitar o título para aquilo que a natureza e as circunstâncias o haviam predestinado: em 1554, converteu-se no Comissário Geral dos Jesuítas na Espanha, e em 1565, em Superior Geral de toda a Ordem.

Feitos de sua liderança[editar | editar código-fonte]

A Congregação Geral II de Jesuítas se curvou evidentemente na eleição pelo enorme prestígio do outrora Duque de Gandia. O eleito revisou as regras da Ordem e, por influência das práticas de certos jesuítas espanhóis, aumentou o tempo dedicado à oração. Se preocupou para que cada Província tivesse seu noviciado: pessoalmente fundou o Noviciado de Sant'Andrea al Quirinale, no qual se formaram S. Estanislau Kostka, o pregador polonês Piotr Skarga e o futuro Padre Geral Claudio Aquaviva.

Uma das tarefas mais delicadas deste governo foi negociar com S. Pio V, o qual desejava reintroduzir a função litúrgica cantada na Companhia. De fato, esta medida começou em maio de 1569, mas somente nas casas professas e sem interferir em outras tarefas. É por isso que todos os jesuítas deveriam exercer três votos solenes até que o Papa Gregório XIII restaurou a prática original tal como estava nas Constituições escritas por Santo Inácio.

Os Colégios prosperaram: de 50 em 1556 passaram a 163 em 1574. Borja promulgou a primeira Ratio Studiorum em 1569. Para seu governo apoiou visitantes. Iniciou-se a remodelação da Igreja de Jesus, em Roma. O Geral seguiu de muito perto a evolução da Contrarreforma na Alemanha. Muitas fundações jesuítas serviram para reforçar a causa católica.

Deu grande impulso às missões. Uma expedição missionária enviada por ele ao Brasil foi exterminada pelos protestantes em alto-mar (Inácio de Azevedo e seus companheiros mártires, em 5 de junho de 1570).

Borja recebeu missões especiais de Sua Santidade, assim como com Laínez. De viagem a Portugal e Espanha -apesar de acusações-, foi muito receptivo. Tomou conta de negócios da Companhia e delicados cargos diplomáticos nas cortes. A volta à Roma foi difícil; chegou à Cidade Eterna em situação ruim, mas feliz por ter obedecido até o fim. Morreu em 1572.

Legado[editar | editar código-fonte]

Sua decisão referente à oração alterou a concepção ignaciana a respeito, até que no século XX voltou-se a prática inicial. Aplicou na prática a resolução da CG II de convocar as Congregações de Procuradores, que demonstrou ser uma medida muito acertada. Sob sua administração, a obra missionária foi incrementada e prosperou. A Companhia fundou novas missões na Flórida, México e Peru. Aumentou a infiltração no Brasil. Sugeriu a Pio V a criação da Congregação para a Propagação da Fé. Em sua homenagem, o Padre Francisco Garcia fundou a cidade de São Borja, primeiro sete povos das missões, onde seu dia é comemorado em 10 de outubro pelo município e pela Paróquia São Francisco de Borja

Ver também[editar | editar código-fonte]

Precedido por
João de Borja, 3.º Duque
COA Duke of Gandia.svg
Duque de Gandia
1543-1546
Sucedido por
Carlos de Borja, 5.º Duque
Precedido por
Diego Laynez
Ihs-logo.svg
Superior Geral da Companhia de Jesus
1565-1572
Sucedido por
Everard Mercurian

Referências

  1. Saint Francis Borgia (em inglês). Patron Saints Index. Página visitada em 22/07/2012.
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Francisco de Borja

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Candido de Dalmases, Francis Borgia. Grandee of Spain, Jesuit, Saint, Saint-Louis, 1991 (em inglês)
  • Candido de Dalmases, El Padre Francisco de Borja, Madrid, 1983.24 pages. Madrid: Editorial Católica, (1983). ISBN, 8422011166, ISBN 978-84-220-1116-3 (em inglês)
  • Margaret Yeo, The greatest of the Borgias, New York, 1936, 374 pages (em inglês)
  • Enrique García Hernán, Sanctus Franciscus Borgia: Quartus Gandiae Dux et Societatis Iesu Praepositus Generalis Tertius, 1510-1572 , Volumen 156, Monumenta Borgia Series Volumes 156-157, Monumenta Historica Societatis Iesu (1903) (new edition by Edit. Generalitat Valeciana, 2003).
  • Enrique García Hernán, Francisco de Borja, Grande de España, 1999 reprint by Institució Alfons el Magnànim, (Diputació de Valência), of the 1903 edition, 292 pages, ISBN 84-7822-275-8
  • Francisco de Borja, Santo y Duque de Gandia (1510-2010) by several authors in several subjects, Bromera edit., 2010, ISBN 978-84-9824-634-6