Genômica funcional

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Microarranjo: técnica muito utilizada em pesquisas na área de genômica funcional

Genômica funcional é um campo da biologia molecular que descreve a função de genes e proteínas.

Ao contrário da genômica, a genômica funcional se concentra sob aspectos dinâmicos, tais como a transcrição de um gene, a tradução e interações entre proteínas, em oposição aos aspectos estáticos da genômica, como o sequenciamento de DNA e estudos estruturais.

A genômica funcional tenta responder questões sobre a função do DNA a nível de genes, transcrição de RNA e síntese de proteínas. Os estudos de genômica funcional são caracterizados por abordagens que geralmente envolvem métodos high-throughput preferivelmente a metodologias mais tradicionais (gene-por-gene).

As duas abordagens mais utilizadas nesse campo de estudo têm sido a análise do perfil global da expressão gênica (transcriptoma) e a análise sistemática das proteínas (proteoma) [1] .

Objetivos da genômica funcional[editar | editar código-fonte]

O objetivo da genômica funcional é entender a relação entre o genoma de um organismo e seu fenótipo. O termo genoma funcional é amplamente utilizado para se referir as abordagens para a compreensão das propriedades e funções da totalidade dos genes de um organismo. No entanto, esta definição é bastante variável: Gibson e Muse definiram o termo como "abordagens em desenvolvimento para verificar as propriedades bioquímicas, celulares, e/ou fisiológicas de cada produto de um gene",[2] enquanto Pevsner inclui elementos não-gênicos em sua definição : "o estudo do genoma completo da função do DNA (incluindo genes e elementos não-gênicos), bem como ácido nucleico e proteínas codificadas pelo DNA"[3] . Os estudos de genômica funcional avaliam a variação natural de genes, RNA e proteínas ao longo do tempo (durante o desenvolvimento) ou em determinadas partes do organismo, bem como estudos naturais ou experimentais de perturbações que afetam genes, cromossomos, RNAs ou proteínas.

A promessa da genômica funcional é ampliar e sintetizar o conhecimento sobre genômica e proteômica no intuito de compreender as propriedades dinâmicas em níveis celulares e/ou organismos. Isso proporcionaria uma visão mais abrangente de como uma função biológica surge a partir da informação codificada a partir do genoma de um organismo. A possibilidade de compreensão de como uma determinada mutação leva a um determinado fenótipo tem importantes implicações para doenças genéticas humanas: a resposta a estas perguntas pode apontar aos cientistas a direção de um tratamento ou mesmo a cura.

Técnicas e aplicações[editar | editar código-fonte]

Genômica funcional inclui aspectos relacionados com a função do genoma em si, tais como análise de mutações e polimorfismos (tais como SNP), bem como medida de atividade molecular. Esta última é constituída pelas "-ômicas", como a transcritômica (expressão gênica), proteômica (expressão da proteína) e a metabolômica. A genômica funcional usa principalmente técnicas multiplex para medir a abundância de muitos ou todos produtos de genes, tais como mRNAs ou proteínas dentro de uma amostra biológica. Juntas, essas modalidades de medição permitem quantificar os diversos processos biológicos e melhorar a compreensão sobre genes e funções e interações de proteínas.

Referências

  1. Furlan, L. R.; Ferraz, A. L. J.; Bortolossi, J. C. A genômica funcional no âmbito da produção animal: estado da arte e perspectivas, Revista Brasileira de Zootecnia, v.36, p.331-341, 2007
  2. Gibson G, Muse SV. A primer of genome science. 3rd ed. Sunderland, MA: Sinauer Associates.
  3. Pevsner J. Bioinformatics and functional genomics. 2nd ed. Hoboken, NJ: Wiley-Blackwell, 2009.
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