Projeto Genoma Humano

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O Projeto Genoma Humano (AO 1945: Projecto Genoma Humano) (PGH) consistiu num esforço internacional para o mapeamento do genoma humano e a identificação de todos os nucleótidos que o compõem. Após iniciativa dos Institutos Nacionais da Saúde estadunidenses (NIH), centenas de laboratórios de todo o mundo se uniram à tarefa de sequenciar, um a um, os genes que codificam as proteínas do corpo humano e também aquelas sequências de DNA que não são genes. Laboratórios de países em desenvolvimento também participaram do empreendimento com o objectivo de formar mão-de-obra qualificada em genómica.

História[editar | editar código-fonte]

O projeto foi fundado em 1990, por Edma Nogueira com prazo de conclusão de 15 anos para o mundo insecta. James D. Watson, na época chefe dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, assumiu inicialmente a direção do projeto.[1] Em 1990, o PGH tinha o envolvimento de mais de 5000 cientistas, de 250 diferentes laboratórios, que contavam com um orçamento, segundo diferentes fontes, que variou de US$ 3 bilhões a US$ 53 bilhões. O PGH contou com um financiamento de 3 milhões de dólares do Departamento de Energia dos Estados Unidos e do NIH estadunidense. O Projeto contou com o envolvimento de diversos laboratórios e centros de pesquisa ao redor do mundo, criando dessa forma o Consórcio Internacional de Sequenciamento do Genoma Humano. Este consórcio publicou um esboço inicial na revista científica Nature em fevereiro de 2001 com cobertura de cerca de 90 por cento do genoma. [2]

No dia 10 de julho de 1999 foi anunciado o primeiro rascunho do genoma humano. Como a precisão do resultado precisava ser máxima, muita análise e revisão foram feitas de modo que cada base no genoma fosse sequenciada num total de 10 a 12 vezes.

Em 14 de abril de 2003, um comunicado de imprensa conjunto [3] anunciou que o projecto fora concluído com sucesso, com a sequenciação (no Brasil, sequenciamento) de 99% do genoma humano com uma precisão de 99,99%.

Integrantes[editar | editar código-fonte]

O PGH foi um consórcio internacional. Basicamente, 17 países iniciaram programas de pesquisas sobre o genoma humano. Os maiores programas desenvolvem-se na Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá, República Popular da China, Coreia do Sul, Dinamarca, Estados Unidos, França, Israel, Itália, Japão, México, Países Baixos, Reino Unido, Rússia e Suécia.[1]

Alguns países em desenvolvimento, não incluídos na relação acima, participam através de estudos de técnicas de biologia molecular de aplicação à pesquisa genética e estudos de organismos que têm interesse particular para suas regiões geográficas.

Informações sobre estes países e suas pesquisas de contribuição para o PGH podem ser obtidas através da "Human Genome Organization" (HUGO),[4] que conta com cerca de 1000 membros de 50 países, para ajudar a coordenar a colaboração internacional ao projeto.

Diferentes abordagens: setor público e setor privado[editar | editar código-fonte]

Em 1998, liderada pelo cientista Craig Venter, a Celera Genomics entra na corrida pelo genoma, prometendo sequenciar o genoma humano em menos tempo com um financiamento de apenas dois bilhões de dólares, um valor relativamente menor do que o proposto inicialmente pelo Projeto Genoma. O propósito da participação da empresa era fornecer o código decifrado por um determinado preço àqueles associados ao grupo, além de buscar a patente dos genes envolvidos nos principais distúrbios e doenças humanas. O PGH, conduzido pelos órgãos do governo obteve dados de alta qualidade e precisão - inclusive para as porções do DNA que não contêm gene. Por esse setor foi usada a tecnologia de Whole Genome Sequencing.

A iniciativa privada, formada pela empresa Celera Genomics e liderada por Craig Venter, juntou-se ao projecto em vista do potencial de lucro que as pesquisas poderiam trazer, especialmente para as indústrias farmacêuticas. A rapidez na obtenção de resultados, que podem ser transformados em patentes, tornou-se crucial para elas. Então optaram por um método mais objectivo: sequenciamento por Shotgun (whole genome “shotgun” sequencing), é uma abordagem mais rápida, evidentemente, embora menos precisa.

No dia 4 de Setembro de 2007, o grupo de pesquisa do Instituto J. Craig Venter publicou a sequência completa do genoma do próprio pesquisador Craig Venter [5] . A grande revolução nesse novo trabalho é a de que o genoma avaliado corresponde ao genoma diplóide, contendo a informação de cada par de cromossomo herdado de nossos pais, ao contrário da sequência determinada pelo Projeto Genoma que corresponde ao genoma haplóide. Como resultado, descobriu-se que a semelhança das sequências genéticas entre dois indivíduos é de 99,5% e não de 99,9% como se imaginava ao fim do Projeto Genoma Humano. O projeto genoma humano é muito importante para a saúde humana,pois,é a revolução da comunidade científica.

Debate ético[editar | editar código-fonte]

Um aspecto particular do PGH estadunidense é que ele procurou abordar também os aspectos éticos, legais e sociais envolvidos.

Os responsáveis pelo projecto acreditavam que a descoberta da posição de cada gene, além de sua composição, seria valiosa para diagnóstico e a cura de muitas doenças, como cancro, obesidade, diabetes, doenças auto-imunes e hipertensão. Os críticos do projecto, no entanto, alertavam para o perigo do uso indevido das informações genéticas. Candidatos a emprego, por exemplo, poderiam ser recusados com base em testes capazes de revelar predisposição genética para certas doenças, como o alcoolismo.

A empresa Celera fez o pedido da patente dos 6500 genes que mapeou. Esse pedido de patente gerou problemas de ordem ética, pois isso poderia inviabilizar a produção de medicamentos baseados nesse conhecimento, levando ao presidente dos Estados Unidos Bill Clinton declarar que o genoma humano não poderia ser patenteado.

Resultados[editar | editar código-fonte]

Resultados imediatos[editar | editar código-fonte]

Foram sequenciados todos os genes, em torno de 25.000 e constituindo pouco mais de 20% do material genético total humano.[6] Por limitações tecnológicas, cerca de 1% do genoma não pode ser sequenciado por possuir muitas repetições de bases nitrogenadas (centrómeros e telómeros dos cromossomas, p. ex.).[7] Também é importante ressaltar que a maior parte do genoma humano parece não ser codificante e existe provavelmente por razões estruturais e regulatórias.

De todos os genes que tiveram sua sequência determinada, aproximadamente 50%[carece de fontes?] codificam proteínas de função conhecida.

Resultados gerais[editar | editar código-fonte]

Apesar dessas lacunas, a conclusão do genoma já está facilitando o desenvolvimento de fármacos muito mais potentes, a compreensão de diversas doenças genéticas humanas e facilitando a realização de novos projetos genoma.

O PGH já completou a descoberta de mais de 1800 genes de doença, assim como facilita a identificação de outros genes associados a doenças. Além disso, pelo menos 350 produtos biotecnológicos resultantes dos conhecimentos gerados pelo PGH estariam passando por ensaios clínicos. As ferramentas desenvolvidas no PGH continuam servindo para caracterizar genomas de outros organismos importantes.[8]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Projeto Ghente_genoma humano. [1]. Acesso em 24 de agosto de 2009.
  2. What was the Human Genome Project? Genome.gov. NHGRI. NIH. http://www.genome.gov/12011238. (em inglês)
  3. http://www.genoscope.cns.fr/externe/English/Actualites/Presse/HGP/HGP_press_release-140403.pdf
  4. HUGO.[2](em inglês)
  5. http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL99295-5603,00.html O Globo - notícia sobre a publicação do genoma]
  6. Alberts, B. Molecular Biology of the Cell, 5a. edição - Nova Iorque: Garland Science, 2008. p. 205-207. (em inglês)
  7. Is the human genome completely sequenced? - The Human Genome Project Completion: Frequently Asked Questions. http://www.genome.gov/11006943. (em inglês)
  8. http://www.nih.gov/about/researchresultsforthepublic/HumanGenomeProject.pdf.(em inglês)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Goldim, JR & Matte, U. Projeto genoma humano [3]. Acessado em 14 de agosto de 2009.
  • Oliveira, F. Engenharia genética, o sétimo dia da criação. Editora Moderna, 1998, p. 56.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]