Hípato

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Hípato (em grego: ὕπατος; transl.: hypatos; plural: hypatoi; em latim: hypatus) e a variante apó hypátōn (em grego: ἀπὸ ὑπάτων , "de entre os cônsules") era uma dignidade da corte bizantina, originalmente a tradução grega da palavra latina cônsul (o significado literal de hípato é "o supremo", que reflete o ofício, mas não a etimologia do cônsul romano). A dignidade surgiu dos consulados honorários atribuídos no Império Romano Tardio, e sobreviveu até o início do século XII. Foi muitas vezes conferido aos governantes dos principados do sul da Itália. Em documentos italianos, por vezes, o termo foi latinizado como hypatus ou ypatus, e na historiografia italiana encontra-se como ipato. A forma feminina do termo era hípatissa (em grego: ὑπάτισσα; transl.: hypátissa).

O título foi a raiz dos títulos antípato ("vice-hípato", a tradução de procônsul) e disípato ("duas vezes hípato"), bem como do ofício de hypatos tōn philosóphōn (em grego: ὕπατος τῶν φιλοσόφων , "chefe dos filósofos"), um título dado ao chefe da Universidade Imperial de Constantinopla entre os séculos XI-XIV.[1]

A criação dos cônsules ordinários na Antiguidade tardia foi irregular, embora o oriente grego e ocidente latino tenderam a dividir os dois consulados; o ofício, que havia se tornado efetivamente honorário e muito caro, às vezes permaneceu vago por anos. Os imperadores foram muitas vezes cônsules ordinários; depois de 541, com a exceção do imperador, quem assumisse o cargo em sua ascensão, não seria nomeado cônsul ordinário. A partir deste ponto, apenas cônsules honorários foram admitidos, e o título caiu muito em prestígio. Ao longo dos séculos VI e IX há ampla evidência em sigilografias da posse do título por funcionários de nível médio, administradores e fiscais.[2] [3]

Na hierarquia do final do século IX, no entanto, como relatado pelo Klētorologion de Filoteu, foi uma das dignidades inferiores destinadas aos "barbudos" (ou seja, não-eunucos), classificando-o entre o espatário e o estrator. Sua insígnia de ofício, cuja distinção também conferiu a dignidade, foi um diploma.[4] No Escorial Taktikon, escrito cerca de 975, o hípato parece ser um ofício regular, em vez de uma dignidade honorária, dotada de deveres judiciais de acordo com Nicolas Oikonomides. No século XI, o título voltou a subir em importância, aparentemente superando o protoespatário, mas desaparecendo inteiramente por meados do século XII.[2]

O título foi conferido muitas vezes aos governantes das cidades-estado do Sul da Itália na costa do Tirreno, que reconheceram a autoridade bizantina nos séculos IX e XI. Eventualmente, com o declínio do poder bizantino na região, esses governantes assumiram títulos latinos mais familiares como cônsul e dux. Os mais famosos hípatos foram os de Gaeta. João I de Gaeta ganhou o título de patrício do imperador bizantino Constantino Porfirogênito, como recompensa por derrotar os sarracenos na batalha do rio Garigliano de 915. Em Gaeta, o título feminino hípatissa (em italiano: ipatessa) foi substituído por doukissa (em italiano: ducissa) durante o reinado de Docíbilis II de Gaeta e sua esposa Orânia, na primeira metade do século X.

Referências

  1. Kazhdan 1991, p. 964
  2. a b Kazhdan 1991, p. 963-964
  3. Bury 1911, p. 25-26
  4. Bury 1911, p. 22
  • Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em inglês, cujo título é «Hypatos».

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Kazhdan, Alexander Petrovich. The Oxford Dictionary of Byzantium. Nova Iorque e Oxford: Oxford University Press, 1991. ISBN 0-19-504652-8
  • Bury, John B.. The Imperial Administrative System of the Ninth Century: With a Revised Text of the Kletorologion of Philotheos. Londres: Oxford University Press, 1911.