Lectorium Rosicrucianum

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Símbolo do Lectorium Rosicrucianum

O Lectorium Rosicrucianum (ou Escola Internacional da Rosacruz Áurea) fundamenta-se no cristianismo gnóstico e possui fortes influências do catarismo e do hermetismo. Divulga a possibilidade da libertação da roda da vida e da morte por meio de um processo de purificação e subsequente transfiguração - a qual se inicia com a revivificação da centelha divina adormecida no coração dos homens.

O Lectorium Rosicrucianum tem sede em Haarlem, Holanda, e possui núcleos em diversos países da Europa, América do Sul e do Norte, África e Oceania. No Brasil, existem diversos núcleos e salas de contato, que realizam semanalmente atividades abertas para o público em geral, onde a filosofia dessa Escola é apresentada.


História[editar | editar código-fonte]

O Lectorium Rosicrucianum começou a se estruturar em Haarlem, Holanda, em 1924, através do trabalho de J. van Rijckenborgh (pseudônimo de Jan Leene) e Z.W. Leene, quando esses dois irmãos entraram para a Sociedade Rosacruz (Het Rozekruisers Genootschap), divisão holandesa do grupo americano The Rosicrucian Fellowship, fundado entre 1909 e 1911 por Max Heindel.

Em 1929, os irmãos Leene se tornaram dirigentes do grupo holandês e em 1930 a sra. Catharose de Petri (pseudônimo de H. Stok-Huizer) se uniu ao grupo. Em 1935 o grupo holandês se tornou independente da Rosicrucian Fellowship. Em 1938, Z.W. Leene faleceu, mas J. van Rijckenborgh e Catharose de Petri continuaram o trabalho juntos.

Durante a Segunda Guerra Mundial, as forças de ocupação nazista proibiram as atividades da Sociedade Rosacruz, que só puderam ser retomadas publicamente após o término da guerra. A partir de então, com a publicação do livro Dei Gloria Intacta, o movimento passou a se denominar Lectorium Rosicrucianum, ou Escola Internacional da Rosacruz Áurea, procurando frisar cada vez mais o aspecto gnóstico de seu ensinamento. O Lectorium Rosicrucianum considera-se continuador do trabalho de fraternidades como a dos Maniqueus e a dos Cátaros, além da própria Rosa-cruz Clássica, do século XVII.

Desde 1945, o grupo se expandiu por vários países da Europa, América, Oceania e África, além de publicar inúmeros livros, muitos dos quais com comentários sobre antigos textos da sabedoria universal, como os Manifestos Rosacruzes do Século XVII, o Corpus Hermeticum (textos atribuídos a Hermes Trismegisto), o Evangelho Gnóstico da Pistis Sophia, o Tao Te King, entre outros.

A partir da morte de J. van Rijckenborgh em 1968, o Lectorium Rosicrucianum passou a ser dirigido por um colegiado de dirigentes, uma Direção Espiritual Internacional organizado por Catharose de Petri. Desde 1990, com a morte desta, sua direção continuou a cargo de uma Direção Espiritual Internacional, auxiliada por direções nacionais e grupos de trabalho.

Ensinamentos[editar | editar código-fonte]

Alguns pontos importantes de seus ensinamentos são:

  • Existem duas ordens de natureza. O mundo transitório, onde tudo está sujeito a uma transformação constante, e o reino imutável.
  • Existe uma centelha divina adormecida no coração humano, chamada pelos rosa-cruzes de rosa do coração ou átomo centelha do espírito.
  • O homem é um microcosmo ou “pequeno mundo”, do qual o corpo físico é apenas um aspecto. Em seu centro, encontra-se a centelha divina. O microcosmo é de origem divina e eterno, mas devido a um acidente cósmico denominado "queda" em antigos mitos, ele encontra-se mutilado e preso à matéria.
  • O microcosmo pode conquistar completa libertação da “roda da vida e da morte” que é a existência no mundo transitório, por meio da revivificação da centelha divina que se encontra em seu centro. Isso é iniciado mediante a compreensão da natureza transitória de todas as coisas nesse mundo pela personalidade, que, com base nessa compreensão, abre espaço para que o microcosmo siga o "caminho de retorno" à sua condição divina.
  • As escrituras sagradas, inclusive a Bíblia e mais particulamente os Evangelhos, são representações simbólicas desse processo espiritual de libertação que será vivenciado por todos os homens - portanto, não devem ser compreendidas como meros relatos históricos.

As duas ordens de natureza[editar | editar código-fonte]

A ordem em que vivemos atualmente é uma ordem de emergência, uma morada transitória. Ela inclui tanto o mundo dos vivos quanto o reino dos mortos. Tudo nesta natureza está sujeito ao ciclo do nascer, crescer, envelhecer, morrer e renascer. A outra ordem é o mundo da eternidade, o Reino dos Céus. Os homens estão ligados a esse reino por meio da centelha divina, ou botão de rosa, latente no coração do homem como um último vestígio de uma glória perdida. Esse princípio faz surgir nos pesquisadores um anseio indefinido, uma vaga recordação de um estado original perdido, de um estado de ser unido a Deus no reino da imortalidade.

O despertar do Cristo interno[editar | editar código-fonte]

No homem que possui em seu coração um botão de rosa ativo, surge o anseio de retornar à ordem divina original. O Lectorium Rosicrucianum ensina que isso só pode ser realizado através do processo de "renascimento da água e do Espírito". Esse renascimento ou "transfiguração" é um processo em que a velha natureza do homem, sua consciência eu, "morre diariamente", para dar lugar à natureza divina: o Cristo interno, que retorna à vida.

O homem como microcosmo[editar | editar código-fonte]

O ser humano é visto como um microcosmo, um pequeno mundo: um "campo magnético" limitado por um "firmamento microcósmico" ou "lípika", que contém dentro de si a personalidade. A personalidade não consiste apenas do corpo físico visível, mas também de três corpos invisíveis, o corpo etérico, o corpo astral e o corpo mental.

O caminho da Transfiguração[editar | editar código-fonte]

O caminho da transfiguração pode ser dividido em 5 fases:

  • Compreender o atual estado de queda do ser humano e da natureza (adquirir discernimento e auto-conhecimento).
  • Desejar a salvação, o retorno à condição divina.
  • Permitir que a natureza egocêntrica seja substituída por uma nova natureza, divina.
  • Adotar um novo comportamento ou atitude de vida, sob a direção da centelha divina.
  • Por fim, despertar conscientemente para uma condição de vida absolutamente nova.

Livros publicados em português[editar | editar código-fonte]

De autoria de J. van Rijckenborgh[editar | editar código-fonte]

  • O Chamado da Fraternidade da Rosacruz (análise esotérica da Fama Fraternitatis R.C., um manifesto dos rosacruzes do século XVII, publicado em 1614)
  • A Confissão da Fraternidade da Rosacruz (análise esotérica da Confessio Fraternitatis R.C., um manifesto dos rosacruzes do século XVII, publicado em 1615)
  • As núpcias alquímicas de Christian Rosenkreuz (Obra em dois tomos - análise esotérica do texto rosacruz publicado em 1616)
  • Christianopolis (comentários sobre a obra de Johann Valentin Andreae)
  • A arquignosis egípcia (Obra em quatro tomos - baseada na Tabula Smaragdina e no Corpus Hermeticum de Hermes Trismegisto)
  • Os mistérios gnósticos da Pistis Sophia (Comentários do Livro I da Pistis Sophia)
  • A Gnosis em sua atual manifestação
  • A Luz do mundo
  • O mistério iniciático cristão - Dei gloria intacta
  • Desmascaramento
  • Filosofia elementar da Rosacruz moderna
  • Não há espaço vazio
  • O advento do novo homem
  • O mistério das bem-aventuranças
  • O novo sinal
  • O Nuctemeron de Apolônio de Tiana
  • Um novo chamado
  • O remédio universal

De autoria de Catharose de Petri[editar | editar código-fonte]

  • Transfiguração
  • O selo da renovação
  • Sete vozes falam
  • Verbo vivente

De autoria de J. van Rijckenborgh e Catharose de Peti[editar | editar código-fonte]

  • A Gnosis Chinesa (comentários sobre os 33 primeiros aforismos do Tao Te King)
  • A Fraternidade de Shamballa
  • O caminho universal
  • A Gnosis universal
  • A grande revolução
  • Reveille!

De outros autores[editar | editar código-fonte]

  • O livro de Mirdad (Mikhail Naimy)
  • No caminho do Santo Graal (Antonin Gadal)
  • Algumas palavras do mais profundo do ser (Karl von Eckartshausen)
  • Do castigo da alma (atribuído a Hermes Trismegistus)
  • O Livro secreto de João (texto original e comentários)
  • O conhecimento que ilumina (texto original e comentários do Evangelho da Verdade e do Evangelho de Maria)
  • Gnosis, religião interior
  • Os animais dos mistérios
  • O evangelho dos doze santos

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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