Mânio Cúrio Dentato
Mânio Cúrio Dentato (? — 270 a.C.), filho de Mânio, foi um heroi plebeu dos primeiros tempos da República Romana, famoso por acabar com as Guerras Samnitas e expulsar o rei Pirro de Épiro.
Segundo Plínio o Velho, nasceu provido de dentadura, pelo qual adotou o cognome de Dentato.1 Pirro também tinha dentes anômalos: ele tinha poucos dentes, e os dentes do maxilar formavam um osso contínuo, com depressões onde deveria haver o intervalo entre os dentes.2
É mencionado pela primeira vez como tribuno da plebe em algum momento entre 295 e 291 a.C., quando derrota o projeto de Ápio Cláudio o Censor de escolher dois patrícios para o consulado. Como cônsul derrotou os Samnitas e os Sabinos, celebrando esse mesmo ano dois triunfos. 3 Dentato pôde ter sido eleito como pretor, como consul suffectus ou como ditador em 284 a.C., bloqueando o avanço dos Celtas após a Batalha de Arretium. Foi eleito cônsul novamente em 275 a.C. 4 e lutou contra Pirro I de Epiro na batalha de Benevento, a partir da qual o rei heleno foi expulso da Itália.5 Derrotou os Lucanos no ano seguinte e foi eleito cônsul por terceira vez. Em 272 a.C. foi eleito censor.
Em Roma, Dentato ocupou-se de drenar o lago Velino em 289 a.C., e em 272 a.C. iniciou a construção do Anio Vetus, o segundo aqueduto de Roma. Ele morreu durante este projeto, que foi concluído pelo seu companheiro comissário Marco Fúlvio Flaco.6
Supõe-se que manteve um estilo de vida incorruptível e frugal. Segundo antigas fontes, quando os samnitas lhe enviaram uma embaixada com ostentosos presentes com o objetivo de influir ao seu favor, encontraram-no tostando corações de nabos. Quando expuseram o motivo da delegação, Dentato recusou os presentes alegando que preferia ver cair os que enviavam tão apetecíveis presentes7 . Apesar de a veracidade desta história ser questionada, sendo provável que fosse uma invenção de Catão o Velho, serviu de inspiração a vários pintores ao longo da história, entre os quais se encontram Jacopo Amigoni, Govert Flinck e outros.
O seu praenomen é habitualmente confundido com "Marcus", pois a abreviatura "M" é utilizada para ambos nomes.
Fontes [editar]
- Plínio o Velho vii. 16
- Lúcio Aneu Floro ii. 18
- Décimo Júnio Juvenal xi. 78
- Políbio ii. 19
- Eutrópio ii. 9, 14
- Lívio, epitome, 11-14
- Plutarco, Pyrrhus, 25
- Cícero, De Senectute, 16
- Valério Máximo iv. 3, 5, vi. 3, 4
Referências
- ↑ ...cum dentibus nasci, sicut M. Curium, qui ob id Dentatus cognominatus est, Plínio o Velho, 7, 16, 68
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Pirro, 3.4
- ↑ Cícero, De senectute 55; Lívio, Periocha 11; Columela, livro 1, prefácio 14; Valério Máximo 4.3.5; Frontino, Estratagemas 1.8.4; Floro 1.10.2–3; Apuleio, Apologia 17; Dião Cássio frg. 36.33; Eutrópio 2.9.3; Orósio 3.22.1.
- ↑ cfr. pág. 98 de Saturnales Ambrósio Aurélio Teodósio Macróbio. Ed. Akal, 2009
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Pirro, 25.1 - 26.2
- ↑ Frontino, Aq. 1.6.
- ↑ Valério Máximo 4.3.5 refertote et memento me nec acie vinci nec pecunia corrumpi posse.
- Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em espanhol, cujo título é «Manio Curio Dentato».