Mânio Cúrio Dentato

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Amigoni, Dentato recusando os presentes dos Samnitas.

Mânio Cúrio Dentato (? — 270 a.C.), filho de Mânio, foi um heroi plebeu dos primeiros tempos da República Romana, famoso por acabar com as Guerras Samnitas e expulsar o rei Pirro de Épiro.

Segundo Plínio o Velho, nasceu provido de dentadura, pelo qual adotou o cognome de Dentato.[1] Pirro também tinha dentes anômalos: ele tinha poucos dentes, e os dentes do maxilar formavam um osso contínuo, com depressões onde deveria haver o intervalo entre os dentes.[2]

É mencionado pela primeira vez como tribuno da plebe em algum momento entre 295 e 291 a.C., quando derrota o projeto de Ápio Cláudio o Censor de escolher dois patrícios para o consulado. Como cônsul derrotou os Samnitas e os Sabinos, celebrando esse mesmo ano dois triunfos. [3] Dentato pôde ter sido eleito como pretor, como cônsul sufecto ou como ditador em 284 a.C., bloqueando o avanço dos Celtas após a Batalha de Arécio. Foi eleito cônsul novamente em 275 a.C. [4] e lutou contra Pirro I de Epiro na batalha de Benevento, a partir da qual o rei heleno foi expulso da Itália.[5] Derrotou os Lucanos no ano seguinte e foi eleito cônsul por terceira vez. Em 272 a.C. foi eleito censor.

Em Roma, Dentato ocupou-se de drenar o lago Velino em 289 a.C., e em 272 a.C. iniciou a construção do Anio Vetus, o segundo aqueduto de Roma. Ele morreu durante este projeto, que foi concluído pelo seu companheiro comissário Marco Fúlvio Flaco.[6]

Supõe-se que manteve um estilo de vida incorruptível e frugal. Segundo antigas fontes, quando os samnitas lhe enviaram uma embaixada com ostentosos presentes com o objetivo de influir ao seu favor, encontraram-no tostando corações de nabos. Quando expuseram o motivo da delegação, Dentato recusou os presentes alegando que preferia ver cair os que enviavam tão apetecíveis presentes[7] . Apesar de a veracidade desta história ser questionada, sendo provável que fosse uma invenção de Catão o Velho, serviu de inspiração a vários pintores ao longo da história, entre os quais se encontram Jacopo Amigoni, Govert Flinck e outros.

O seu praenomen é habitualmente confundido com "Marcus", pois a abreviatura "M" é utilizada para ambos nomes.

Fontes[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. ...cum dentibus nasci, sicut M. Curium, qui ob id Dentatus cognominatus est, Plínio o Velho, 7, 16, 68
  2. Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Pirro, 3.4
  3. Cícero, De senectute 55; Lívio, Periocha 11; Columela, livro 1, prefácio 14; Valério Máximo 4.3.5; Frontino, Estratagemas 1.8.4; Floro 1.10.2–3; Apuleio, Apologia 17; Dião Cássio frg. 36.33; Eutrópio 2.9.3; Orósio 3.22.1.
  4. cfr. pág. 98 de Saturnales Ambrósio Aurélio Teodósio Macróbio. Ed. Akal, 2009
  5. Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Pirro, 25.1 - 26.2
  6. Frontino, Aq. 1.6.
  7. Valério Máximo 4.3.5 refertote et memento me nec acie vinci nec pecunia corrumpi posse.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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