Maria de Cleófas

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Santa Maria de Cleofas
Le Faouët (56) Chapelle Saint-Fiacre Vitrail de la Sainte Parenté 03
Parenta de Maria, Tia de Jesus, Mãe dos 'irmãos de Jesus'
Nascimento Sec. I a.C em Galiléia
Veneração por Toda a Cristandade
Festa litúrgica 09 de Abril
Atribuições Padroeira das Tias, Parenta de Maria, tia de Jesus, mãe de Judas Tadeu, Mãe de Simão, Mãe de José, Mãe de Tiago Menor, Mulher de Cleofas, Mãe dos Irmãos de Jesus, Mulher de Alfeu, a outra Maria
Padroeira Tias, Parentas
Polêmicas Ela é dita a mãe dos irmãos de Jesus, pela maioria dos cristãos. Mas, para os que se denominam protestantes e reformados, ela é somente tia de Jesus e por coincidência colocou o mesmo nome em seus filhos.
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Maria de Cléofas ( hebraico: מרי של קליאופס; grego: Μαρία του Κλεόπας; latim: Maria Cleophae) segundo pesquisadores é considerada a tia de Jesus, parenta de Maria (mãe de Jesus) e casada com Cléofas. Segundo a tradição católica ela também é considerada uma santa.

Segundo a tradição católica e muitas vezes ortodoxa, foi na casa desta santa, que Maria ficara após a morte de seu noivo São José, devido ao seu parentesco próximo com os membros desta família, que a acolheu e a seguiam para onde ela fosse.

Segundo a Bíblia, a tia de Jesus ( Jo 19,25), serviu e acompanhou Jesus desde a Galiléia, até a cruxificação ( Mt 27,55-56; Mc 15,40-47) e teve a bem-aventurança bíblica de ver o Cristo ressuscitado ( Lc 24,1-12; Mc 16,1-8; Mt 28,1-20). É mencionada como 'Mãe de Tiago' ( Mc 16,1-8; Lc 24,10); 'Mãe de Tiago e José' (Mt 27,55-56), 'Mãe de Tiago Menor e José' ( Mc 15,40-47), 'Irmã de Maria' (Jo 19,25), 'Mulher de Cleofas' ( Jo 19,25).

Foi mãe de Tiago, José, Judas, Simão, e de algumas mulheres não nomeadas na Bíblia. Maria de Cleofas é mencionada como sendo a mãe dos 'irmãos de Jesus' pelos católicos, devido ao fato do nome de seus filhos, serem o nome dos mencionados pelo evangelista Mateus em Mt 13,55. Porém, os protestantes, acham que o fato dos nomes serem iguais é apenas coincidência e afirmam que Jesus teve primos e irmãos biológicos.

Sua festa é celebrada dia 09 de abril segundo a Igreja Católica Romana.

Na Bíblia[editar | editar código-fonte]

A Sagrada Escritura, comenta seis vezes sobre esta Maria, a quem João Evangelista chama de 'Mulher de Cleofas':

Maria de Cléofas segundo Mateus[editar | editar código-fonte]

A figura de Maria de Cleofas, é narrada duas vezes pelo Evangelista Mateus em seu evangelho. Ela aparece em duas passagens: Na primeira ela é denominada como a Mãe de Tiago, e José (Mt 27,55-56), estando junto de outras mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galiléia para o servir, estava de longe olhando para Cristo na Cruz; e na segunda, é denominada (pelo menos pela maior parte dos exegetas bíblicos) como a 'outra' Maria, que acompanha Maria Madalena ao túmulo de Jesus para perfumar a área onde estava o sepulcro de Jesus (Mt 28,1-20).

Estes dois capítulos, mostram a imagem de uma serva de Cristo (Mt 27,55-56); que se manteve na fé, mesmo após a morte de Jesus, o que não ocorreu com seu marido, que começou a demonstrar resquícios de incredulidade em Cristo após a sua morte, como mostra o evangelista Lucas no capítulo 24 de sua obra, versículos 21 ao 25.

Maria de Cléofas segundo Marcos[editar | editar código-fonte]

O Evangelista Marcos, a registrou duas vezes: A primeira fora no capítulo 15, versículos 40-47, onde na qual ela é mencionada como a mãe de Tiago, o Menor e José; neste capítulo é documentado que ela seguiu Jesus desde a Galiléia e que observou com Maria Madalena, a deposição do corpo de Cristo no sepulcro.

Na Segunda (Mc 16,1-8), ela é documentada indo ao sepulcro de Jesus, como sendo a 'Mãe de Tiago'; onde na qual um jovem vestido de branco, fala que ele ressuscitou e que era para elas avisarem aos discípulos o que fazer.

Maria de Cléofas segundo Lucas[editar | editar código-fonte]

O Evangelista Lucas, comenta apenas uma vez Maria de Cléofas em seu evangelho, também pelo nome de 'mãe de Tiago' ( Lc 24,1-12); porém após uma exegese aprofundada deste capítulo de Lucas (Capítulo 24), notamos que Lucas comentou não apenas a aparição para Maria de Cleofas, mas também para seu marido Cleofas, a caminho de Emaús (Lc 24, 13-32).

Podemos dizer que praticamente, o capítulo 24 do Evangelho de Lucas, seja somente sobre aparições de Jesus para seus parentes próximos, uma vez que Paulo documentará que após isso tudo, Jesus aparecerá a Tiago, filho de Maria de Cleofas (Lucas 24,10) em I Cor 15,6.

Maria de Cléofas segundo João[editar | editar código-fonte]

O Evangelista João, não fala muito sobre ela, mas nos deixou no versículo João 19,25: duas informações: Ela tem certo parentesco com Maria, Mãe de Jesus ( Já que o evangelista utiliza o termo irmã para ela, querendo indicar parentesco próximo); e também tem algum parentesco com Cleofas, provavelmente, parentesco de casamento com este. Ele também nos deixou o nome que conhecemos-a: Maria de Cléofas. Este evangelista, mostrou que a tia de Cristo esteve junto de sua mãe no momento da crucificação, e presenciou Jesus dar sua mãe, segundo os católicos, como mãe da Igreja ( Cf. Jo 19,26-27).

A Mãe dos Irmãos de Jesus[editar | editar código-fonte]

Para a maioria dos cristãos de todo o mundo, principalmente para os que se denominam católicos romanos, e que acreditam na Perpétua Virgindade de Maria, interpretando que em Lc 1,34, Maria mostra um voto de Virgindade, Maria de Cléofas é aceita como a mãe dos denominados 'irmãos de Jesus' de Mt 13,55-56.

Maria de Cléofas foi bíblicamente e historicamente dita Mãe de Tiago, José, Simão e Judas. Em Mt 27,55-56, foi dita como Mãe de Tiago e José; e a Bíblia também narra-a como sendo mãe de Judas, o Tadeu ( Jd 1,1; At 1,13; Lc 6,12-16), visto que este era irmão de Tiago; e pela lógica das listas do Novo Testamento, onde os irmãos são sempre colocados um do lado do outro, Simão Cananeu sempre fica do lado de seus 'irmãos' (Mc 3,16; Mt 10,2-4; At 1,13; Lc 6,12-16). E este são os nomes ditos por Mateus como 'irmãos de Jesus' em Mt 13,55-56. Outro dado histórico importante, é que todos são de Caná, a terra de Maria de Cleofas, e não de Nazaré, terra de Maria, mãe de Jesus.

Muitos padres, dos primeiros séculos como Papias (Sec. II), Eusébio de Cesaréia (Sec. IV), e Jerônimo (Sec. IV); acreditavam que os ditos 'irmãos', eram filhos de Maria de Cléofas, e primos de Jesus.

Contudo, os protestantes interpretam como outra situação, eles acreditam que haja tanto 'primos' quanto 'irmãos' biológicos. E não acreditam na Perpétua Virgindade de Maria, seguindo os princípios do montanista Tertuliano de Cartago (Sec. II), e do dito herege por Jerônimo: Helvídio.

Parentesco com Alfeu-Cléofas[editar | editar código-fonte]

A Bíblia não deixa claro a relação de Maria de Cléofas com Cléofas-Alfeu (Já que Alfeu e Cléofas são formas gregas derivadas do mesmo nome em hebraico "Halphai" e aramaico "Claphai"). Neste caso, há concordância sobre seu parentesco. A Maioria das denominações Cristãs, a interpretam como relação de marido e mulher, uma vez que geralmente, ao casar, a mulher ganhava o nome do marido. Alguns apócrifos nos primeiros séculos, diziam que Cléofas era seu pai, esposo de Ana, mãe de Maria, a mãe de Jesus[1] , outros mais tardios que ela seja a própria mãe de Cléofas[2] .

Nos Apócrifos[editar | editar código-fonte]

Maria de Cléofas é pouco citada nos evangelhos apócrifos. É citada pelo Evangelho Pseudo-Mateus XLII,1-2 numa reunião da família de Jesus. Ela é dita como 'filha' de Cléofas neste apócrifo. Essa ideia é bastante rejeitada por todas as denominações Cristãs. Também é mencionada pelo Evangelho Árabe da Infância de Jesus XXIX, 1-3; como sendo a mãe de Cléofas e recorrendo a Maria por vingança, contra sua inimiga Azrami e seu filho.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Evangelho do Pseudo-Mateus XLII,1-2
  • O Evangelho Árabe da Infância de Jesus XXIX, 1-3