Maria purpurina

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Maria purpurina é um neologismo (de Maria, nome genérico de mulher, e purpurina) e é usado para se referir a uma mulher heterossexual que se associa exclusivamente com homens homossexuais e/ou bissexuais, ou mulheres cujos melhores amigos são gays.[1]

Na língua inglesa seu equivalente é “fag hag” e se originou na cultura gay norte-americana e historicamente era um insulto, mas também pode ser usado como uma piada ou de uma maneira mais positiva. O objetivo de algumas mulheres que estão associadas aos homens homossexuais é ganhar a maior quantidade de amizades que puder.

As marias purpurina são às vezes estereotipadas como mulheres pouco atraentes ou solitárias que estão buscando um substituto para suas relações heterossexuais, ou então garotas populares e sociáveis dispostas a namorar homens homossexuais. Na realidade, muitas mulheres que se identificam como marias purpurina já se envolveram numa relação romântica.

Esta relação, tal como as mais positivas relações, se desenvolve geralmente a partir de interesses e opiniões comuns. Isto oferece às mulheres heterossexuais uma oportunidade para participar numa comunidade gay onde as artes, a moda e a literatura são valorizadas. A comunidade gay também oferece às mulheres heterossexuais um ambiente seguro para encontros ou festa numa liberdade relativa dos não desejados avanços sexuais.

Entrevistas realizadas com homens homossexuais e mulheres que descrevem a si mesmas como marias purpurina mostraram que o maior tema em comum é a segurança. Pode-se desenvolver una rica relação entre uma mulher heterossexual e um homem gay sem essa tensão sexual. O relacionamento com as marias purpurina permite aos participantes uma separação entre intimidade e sexualidade.

Glamour e vedetismo[editar | editar código-fonte]

O termo “maria purpurina” pode se referir ainda a uma celebridade feminina que é idolatrada e venerada por homens homossexuais, ou por parte da comunidade gay, mas também pode se referir a figuras públicas não necessariamente do meio artístico e que se manifestaram a favor dos direitos dos homossexuais. Judy Garland tem sido caracterizada como uma maria purpurina (é daí a origem da frase "Amigo de Dorothy" fazendo referências a homens homossexuais, como Dorothy foi o personagem que Judy Garland em O Mágico de Oz). Elizabeth Taylor, Madonna, Cher, Ana Matronic da banda Scissor Sisters, Kathy Griffin, Kylie Minogue, entre tantas outras são consideradas marias purpurinas. Vale lembrar que no geral a maior parte das cantoras, bailarinas e atrizes representam para muitos transformistas um exemplo a seguir.

Marias purpurina na cultura pop[editar | editar código-fonte]

Literatura[editar | editar código-fonte]

  • Em Histórias de São Francisco de Armistead Maupin, a personagem de Mona é uma legítima “maria purpurina”.
  • Em 2003, a revista gay francesa Têtu inaugurou uma coluna de uma maria purpurina, que satirizava a superficialidade duma mulher com seus amigos gays.
  • No Japão existem dois gêneros de mangás em que os protagonista são homens homossexuais e o público a quem é direcionada constitue majortariamente de mulheres: Yaoi, com uma trama mais forte e o Shōnen'ai, tido como mais leve.

Música[editar | editar código-fonte]

  • No musical Starmania, a música Un garçon pas comme les autres (Ziggy), fala sobre uma jovem apaixonada por um homem que sente atração por outros homens.
  • Clarika causou curiosidade quando cantou Les garçons dans les vestiaires em 2001.
  • O grupo L-Kan tem uma canção relacionada com a versão casada das marias purpurinas: "Gayhetera".
  • A cantora inglesa Lily Allen escreveu uma música intitulada “Fag hag” (Maria purpurina), em que expõe sua relação com seu amigo gay.
  • A letra da música Malchik Gay da dupla russa t.A.T.u mostra uma mulher apaixonada por um homossexual.

Cinema[editar | editar código-fonte]

Televisão[editar | editar código-fonte]

  • O sitcom Will & Grace abordou o tema diversas vezes.
  • O documentário “Ellas Los Prefieren Gays”, produzido pelo canal pago espanhol Odisea, mostrou a história de vários parceiros e o tratamento da mídia.

Países lusófonos[editar | editar código-fonte]

Brasil[editar | editar código-fonte]

Algumas emissoras – mais especificamente a Rede Globo – têm colocado em cena a figura das marias purpurina.

Referências

  1. Kamille Viola (3 de janeiro de 2009). Conheça a 'Maria Purpurina' O Dia. Visitado em 27-07-2010.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Portal:LGBT