Membracidae

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Stictocephala bisonia (Smiliinae)

Stictocephala bisonia (Smiliinae)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Homoptera
Subordem: Auchenorrhyncha
Infraordem: Cicadomorpha
Superfamília: Membracoidea
Família: Membracidae
Subfamílias
Centronodinae (controverso)

Centrotinae
Darninae
Endoiastinae
Heteronotinae
Membracinae
Nicomiinae (controverso)
Smiliinae
Stegaspidinae (controverso)
e ver texto

Sinónimos
Nicomiidae

Os insetos da família Membracidae (membracídeos), vulgarmente designados como soldadinhos[1] ou viuvinhas[2] constituem um grupo relacionado com as cigarras e cigarrinhas. Existem cerca de 3200 espécies distribuídas em cerca de 600 géneros[3] . Encontram-se em todos os continentes, excepto na Antárctida, ainda que só existam três espécies na Europa.

São especialmente conhecidos pelo seu alargado e ornado pronoto, que por vezes se assemelha a espinhos, aparentemente como meio de camuflagem. Mas em algumas espécies, o pronoto desenvolve-se como se fosse uma extensão com forma de corno, ou com outras formas ainda mais peculiares.

Os insetos com forma de espinhos, devido à sua forma pouco usual, desde cedo interessaram aos naturalistas. Fazem também parte do imaginário da cultura popular; estão, por exemplo, entre os insetos mencionados no filme Master and Commander: The Far Side of the World.

Ecologia[editar | editar código-fonte]

Perfuram os caules das plantas com as suas peças bucais, alimentando-se da seiva. Os espécimes imaturos podem encontrar-se frequentemente em arbustos herbáceos e ervas, enquanto que os adultos se encontram em espécies lenhosas, como as árvores. O excesso de seiva é excretado, formando melada que costuma atrair as formigas. Algumas espécies apresentam formas bem desenvolvidas de mutualismo com as formigas. Estas espécies são geralmente gregárias, de modo a atrair mais formigas. As formigas protegem-nas contra predadores.

Grupo de imagos e ninfas de membracídeos em Monteverde, Costa Rica

Os ovos são postos pela fêmea com o seu ovipositor com forma de serra em fendas rasgadas no câmbio ou tecidos vivos do caule, ainda que algumas espécies ponham ovos na superfíce das folhas e dos caules. Os ovos podem ser parasitados por vespas como os mimarídeos e tricogramatídeos. As fêmeas de algumas espécies de membracídeos cobrem os ovos com o seu corpo de modo a protegê-los de predadores e parasitas, podendo mesmo zunir com as asas de modo a afastar os intrusos. As fêmeas de algumas espécies gregárias podem mesmo trabalhar em conjunto, de modo a proteger mutuamente os seus ovos. Pelo menos numa espécie, Publilia modesta, as progenitoras servem também para atrair formigas quando as ninfas são demasiado pequenas para produzir a quantidade suficiente de melada. Outras espécies fazem rasgos nos caules de modo a facilitar a alimentação das ninfas.[4]

Tal como os adultos, as ninfas também se alimentam de seiva, mas, ao contrário destes, têm um tubo anal extensível que parece ser concebido para depositar melada para o exterior do corpo. Este tubo é mais comprido nas espécies solitárias, que raramente estabelecem relação com formigas. É importante, para os insetos que se alimentam de seiva, que a melada seja depositada longe deles, caso contrário poderá ficar infetada com fumagina. De facto, há evidências de que um dos benefícios das formigas para os espécimes de Publilia concava seja a remoção da melada, o que reduz a formação de tais fungos.

A maior parte das espécies é inócua para os seres humanos, ainda que algumas sejam consideradas pragas menores, como no caso de Umbonia crassicornis, Spissistilus festinus, ou Stictocephala bisonia, que foi introduzida na Europa a partir da América do Norte[3] .

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

O bizarro Smerdalea horrescens situa-se, em termos evolutivos, entre os Centrotinae e alguns, mas não todos, os "Stegaspidinae"

A diversidade dos membracídeos tem tido pouca atenção por parte dos investigadores, pelo que a sua taxonomia é ainda provisória. Supõe-se que três linhagens maiores se podem distinguir; os Endoiastinae são os mais antigos, ainda bastante semelhantes a cigarrinhas. Os Centrotinae formam o segundo grupo; ainda que mais evoluídos, o pronoto ainda não cobre o escutelo na maior parte dos casos. Os Darninae, Heteronotinae, Membracinae e Smiliinae incluem a maior parte dos membracídeos apomórficos.

Alguns investigadores propõem que as sejam parafiléticas. Centronodinae e Nicomiinae talvez sejam fundidos em Centrotinae de modo a formar um grupo monofilético. E enquanto que a maioria dos Stegaspidinae também aí parecem pertencer, unidos a géneros como Smerdalea e Smergotomia, membros dos "Stegaspidinae", de facto, parecem estar distribuídos por entre todos os mebracídeos, pelo que este taxon será provavelmente abolido.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. http://www.fitotecnia.ufc.br/Disserta%E7%F5es/2006_Brisa_do_Svadeshi.pdf
  2. Antonio de Brito Silva. Membracis t r imaculata (Homoptera: Membracidae) , ESPÉCIE NOCIVA A GRAVIOLEIRA NO ESTADO DO PARÁ Membracis t r imaculata (Homoptera: Membracidae) , ESPÉCIE NOCIVA A GRAVIOLEIRA NO ESTADO DO PARÁ Embrapa. Página visitada em 21 de fevereiro de 2012.
  3. a b http://www.inhs.uiuc.edu/~dietrich/treehFAQ.html
  4. Chung-Ping Lin, Bryan N. Danforth & Thomas K Wood (2004) Molecular Phylogenetics and Evolution of Maternal Care in Membracine Treehoppers. Syst. Biol. 53(3):400–421 doi:10.1080/10635150490445869
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