Montanha (Revolução Francesa)

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A Montanha (os Montanheses) foi um grupo político na Convenção Nacional.

Durante a Revolução Francesa, os deputados da Assembléia Nacional Legislativa de 1791 que ocupavam os bancos mais elevados da Assembléia (a "Montanha"), tomaram o nome de Montanheses, enquanto os deputados dos bancos mais baixos receberam o nome de "Planície" ou "Marais" (em francês).

Favoráveis à República, dominados por Georges Danton, Jean-Paul Marat e Maximilien de Robespierre, os Montanheses conheceram seu apogeu na primavera de 1793, com 300 deputados na Assembléia Nacional, na maior parte eleitos pelo departamento do Sena e de grandes cidades. Hostis à Monarquia, favoráveis a uma democracia centralizada, os Montanheses, próximos à pequena burguesia, apoiavam-se nos sans-culottes e combatiam os girondinos, representantes da burguesia abastada, que conseguiram derrubar do poder em 2 de Junho de 1793.

Dominando a Convenção e o Comitê de Salvação Pública, impuseram uma política de Terror. Os Montanheses cindiram-se, então: os partidários de uma aliança com o povo e de medidas sociais eram liderados por Maximilien de Robespierre; os partidários de um "Terror" pontual eram liderados por Georges-Jacques Danton.

Danton, Ministro da Justiça em 7 de Setembro de 1792.

Muitos deputados montanheses eram próximos aos "enragés" de Jacques Roux ou aos "hebertistas" chefiados por Jacques René Hébert.

Com os hebertistas clamando por uma nova insurreição e tendo fracassado qualquer tentativa de apaziguamento, o governo revolucionário faz prender, na noite de 3 de Março de 1794 (13-14 Ventoso do Ano II), Hérbert e as principais figuras do Clube dos Cordeliers. Todos são condenados à morte e executados vinte dias depois, em 24 de Março de 1794. Na sequência, foi a vez dos "indulgentes" - que faziam campanha para derrubar o governo, acabar com o Terror e negociar uma paz rápida com a coalizão de monarquias - serem eliminados. Presos, são condenados à morte em 5 de Abril de 1794 (4 Germinal do Ano II) e guilhotinados.

Após a queda de Maximilien de Robespierre e seus partidários em 27 de Julho de 1794, os montanheses (que se costumou qualificar de "montanheses do Ano III", em contraposição aos montanheses « dantonistas », que se tinham aliado aos moderados do marais), cada vez menos numerosos, tentaram opor-se à Convenção « Thermidoriana », mas em vão. Foram em grande parte eliminados, após as insurreições do 12 Germinal do Ano III e a insurreição do 1º Pradial do Ano III.

Sob a Segunda República, os deputados da extrema esquerda (Armand Barbès, Alexandre-Auguste Ledru-Rollin) retomaram o nome de Montanha para designar seu grupo político, enquanto que os realistas legitimistas mais exaltados, partidários de « um apelo ao povo » e convencidos de que o sufrágio universal terminaria por restabelecer a monarquia, adotou o nome de « Montanha Branca »1 .

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Alphonse Esquiros, Histoire des Montagnards, Librairie de la Renaissance, Paris, 1875 (edição de), 543 p.
  • Albert Mathiez, Girondins et Montagnards, 1ª edição : Firmin-Didot, Paris, 1930, VII-305 p. –  Réédition en fac-simile : Éditions de la Passion, Montreuil, 1988, VII-305 p. ISBN 2-906229-04-0
  • Jeanne Grall, Girondins et Montagnards : les dessous d'une insurrection : 1793, Éditions Ouest-France, Rennes, 1989 p.ISBN 2737302439



Referências

  1. Stéphane Rials, Révolution et contre-révolution au XIXe siècle, DUC/Albatros, Paris, 1987, p. 155, e R. Huard, « Montagne rouge et Montagne blanche en Languedoc-Roussillon sous la Seconde République », em Droite et gauche de 1789 à nos jours, publicações da Universidade Paul-Valéry, Montpellier III, 1975, pp. 139-160.
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