Nacional-cançonetismo

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O nacional-cançonetismo é uma expressão utilizada em termos musicais para definir as canções e o tipo de música que o regime ditatorial do Estado Novo em Portugal promovia e incentivava, na rádio e na televisão de Portugal.

Início[editar | editar código-fonte]

Este tipo de música ligeira portuguesa já tinha nascido nos anos 40 com autores, compositores e maestros muito famosos em Portugal, que faziam a autoria e composição de canções que retratavam os valores tradicionais portugueses e os ideais e princípios do regime ditatorial fascista do Estado Novo, que residiam no seguinte: a exaltação da vida no campo, da Pátria, dos costumes das cidades e campos, o folclore, o nacionalismo, o denegrir da vida das grandes cidades, o comformismo imposto sobre a ordem natural das coisas, casos de amores desesperados, desencontrados, fados antigos e tudo o mais que pudesse contentar o regime. O seu epicentro de prólogo residiu na Emissora Nacional de Radiodifusão em 1941, quando foi inaugurado o Serão para Trabalhadores, para se divulgar os valores da ditadura e divulgar as vedetas da rádio, que nessa altura vinham dos programas infantis da época. Os primeiros artistas saídos da rádio na altura foram Maria Clara, Alberto Ribeiro, Luiz Piçarra, Maria Sidónio, Maria da Graça e Milú. ALguns fizeram carreira no cinema.

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Em 1947 foi criado dentro da estação oficial o Centro de Preparação de Artistas da Rádio da Emissora Nacional, dirigido pelo tenor Motta Pereira, em que os artistas passaram a ter aulas de canto para que as vozes saíssem bem timbradas, de dicção perfeita e de maneira a encantar o ouvinte. Os primeiros artistas a sair desse Centro de Preparçaão foram Francisco José, Tony de Matos, Maria de Fátima Bravo, Júlia Barroso e Artur Ribeiro, este último também autor, compositor e criador.

O que acontecia na fabricação das músicas era que primeiro fazia-se a letra, compunha-se a música e era entregue ao srtista para criar nos programas de rádio destinados á divulgação dos artistas. Os programas mais populares eram os «Serões para Trabalhadores», o programa «Ouvindo as Estrelas», mais tarde «Uma Hora de Fantasia» e os Festivais Nacionais da Rádio, realizados uma vez por ano. O último desses feativais foi em 1957. Mas também eram divulgados em programas de emissoras privadas como «Os Companheiros da Alegria» de Igrejas Caeiro e Irene Velez do Rádio Clube Português, o «Passatempo APA» da mesma emissora e «O Comboio das Seis e Meia» de José Castelo da Rádio Graça.

Em 1958, foi realizado pela Emissora Nacional o Festival da Canção Portuguesa, em que pela primeira vez dois recitadores de poesia, Carmen Dolores e João Villaret, recitavam os versos das canções que iam ser apresentadas no festival. Tal nunca mais se repetiu na história da cultura portuguesa. A cada dia que passava, saíam mais artistas vindos do estilo de música em discussão, e isso originou a chegada dos discos de 45 RPM, dos gira-discos portáteis e da televisão em 1957 com a RTP, que divulgou também esta vaga. Estas canções retratavam a sociedade portuguesa da época: conformista e parada no tempo. Através das canções de vira, fado, romântica e outros estilos de música, o Estado Novo divulgava através da cultura os seus princípios.

As vedetas que ficaram na história desta vaga de música ligeira portuguesa foram Maria Clara, Alice Amaro, Maria de Lourdes Resende, António Calvário, Simone de Oliveira, Madalena Iglésias, Gina Maria, Maria do Espírito Santo, Tristão da Silva, Rui de Mascarenhas, Paulo Alexandre e muitos mais que ao longo do tempo divulgaram este tipo de cantigas e cançonetas.

Fim[editar | editar código-fonte]

Em 1964, foi realizado pela RTP o 1º Grande Prémio TV da Canção Portuguesa, em que António Calvário ganhou lugar para a Eurovisão com a canção «Oração», mas foi muito mal recebido com vaias e apupos. Com os Festivais da Canção, a população portuguesa passou a aderir á televisão e a rádio foi perdendo audiência, começando consequentemente a crise do «nacional-cançonetismo». Os artistas faziam-se ouvir quer nos programas de variedades da rádio e da TV, quer nos discos que as pessoas compravam e que a rádio transmitia. Mas o sucesso da altura foi-se desvanecendo-se. O final desta vaga deu-se em 1969 com a vitória de Simone de Oliveira no VI Grande Prémio TV da Canção Portuguesa de 1969, com a canção «Desfolhada Portuguesa» da autoria de Ary dos Santos. Assim acabava a vaga do «nacional-cançonetismo», cuja denominação nasceu em 1969 na rubrica «POP Larucho» do suplemento «A Mosca» do jornal «Diário de Lisboa». Hoje, algumas dessas vedetas são hoje vedetas consagradas da música portuguesa, algumas ainda no activo, como é o caso de Simone, António Calvário ou Maria José Valério, alguns caídos no esuqecimento como Alice Amaro ou Madalena Iglésias, a maioria deles já falecidos como Maria da Graça ou Maria Clara. Mesmo assim, o «nacional-cançonetismo» ficará na história como a canção que pertenceu ao Estado Novo mas que ainda o povo gosta de ouvir.