Tony de Matos

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Tony de Matos (28 de Setembro de 1924 - 8 de Junho de 1989) foi um fadista português. Com paixão, cíume ou desespero exaltou sempre o amor.

Biografia[editar | editar código-fonte]

António Maria de Matos nasceu no Porto em 28 de Setembro de 1924, filho de António Júlio de Matos e da actriz Mila Graça (Camila da Graça Rodrigues Frias). A sua educação artística foi feita na Companhia Rafael de Oliveira, Artistas Associados, à qual pertenceu sua mãe e seu padrasto, o actor Afonso de Matos, director artístico do Teatro Desmontável, em que trabalhou como ponto e onde começou a cantar nos actos de variedades, os «Fim de Festa», com que habitualmente terminavam muitos dos espectáculos das companhias de província. Em 1938, quando esta companhia se encontrava instalada em Santa Comba Dão (Beira Alta), o jornal local, o Beira Dão relatou a noite de apoteose com que o jovem Tony (14 anos) deliciou a assistência com a sua voz, cantando fado de Coimbra, acompanhado por músicos amadores locais.

Em 1945, consegue entrar como cantor para a Emissora Nacional mas que abandona rapidamente.

Três anos mais tarde, por intermédio do fadista Júlio Peres, surpreende quem o ouve no Café Luso, em Lisboa, onde permanecerá durante dois anos.

Em 1950, o editor Manuel Simões leva-o a Madrid para gravar o seu primeiro disco. "Cartas de Amor" torna-se um grande êxito. Outros sucessos desta altura são "Trovador", "Ao Menos Uma Vez" e "A Lenda das Algas". Em 1952 estreia-se no teatro de revista.

Em 1953 actua pela primeira vez no Brasil. Em São Paulo cumpre, pelo dobro do tempo, um contrato inicial de 3 meses.

A partir de 1957 ficará no Brasil durante seis anos. Com Maria Sidónio abre, em Copacabana, o restaurante típico "O Fado". Chegava a actuar em seis ou sete espectáculos diários e à noite ainda cantava na sua casa de fados. Continuou a actuar com muito sucesso na rádio e na televisão.

Um EP com as canções "Só Nós Dois", "Procuro e Não Te Encontro", "Vendaval" e "Lado a Lado", gravado originalmente no Brasil, torna-se um grande sucesso em 1962. No ano seguinte decide regressar a Portugal.

Em 1964 enche o Pavilhão dos Desportos e faz a sua estreia no cinema no filme "A Canção da Saudade" de Henrique Campos

Em 3 de Abril de 1965, recebe no Pavilhão dos Desportos o Prémio de Imprensa da Música Ligeira de 1964.

Participa no filme "Rapazes de Táxis", de 1965, realizado por Constantino Esteves onde contracena com António Calvário.

Em 1966 concorre ao Festival RTP da Canção com "Nada e Ninguém".

Em 8 de Fevereiro de 1969 recebe o Prémio da Imprensa, na categoria de Fado, do ano de 1968. Participa ainda no filme "Bonança & Companhia" de 1969.

Em 1970 participa no filme "O Destino Marca a Hora" de Henrique Campos, onde também entram Isabel de Castro e Eugénio Salvador, onde canta temas como "O Destino Marca a Hora", "Não Digas Que Me Conheces", "Digo Adeus à Saudade" e "Viver Sem Ter Amor".

Em 1972 é estreado em Moçambique o filme "Derrapagem" onde participa como actor e produtor.

Faz uma digressão pelos Estados Unidos em 1974. No ano seguinte fixa aí residência ficando por lá durante 8 anos.

Funda, em Lisboa, com os fadistas Carlos Zel e Filipe Duarte, o restaurante "Fado Menor".

Em Junho de 1985 é convidado de Vitorino no seu espectáculo do Coliseu. Tony de Matos grava depois o álbum "Romântico". Em Novembro de 1985 dá um concerto em nome próprio no Coliseu dos Recreios que contou com a participação de Maria da Fé e Carlos Zel.

Participa no primeiro programa da série "Humor de Perdição", da autoria de Herman José.

No ano de 1988 é editado o álbum "Cantor Latino" onde cantou temas de Rui Veloso, Fernando Tordo, Carlos Mendes, Paulo de Carvalho, Tozé Brito, Maria Guinot, João Gil e Rosa Lobato de Faria.

Morreria em 8 de Junho de 1989, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, vítima de cancro.

O concerto do Coliseu dos Recreios, realizado em Novembro de 1985, foi editado em DVD numa edição da Ovação e dos Videos RTP.

Fonte: Sobre o percurso de Tony de Matos na Companhia Rafael de Oliveira leia-se a dissertação de Mestrado do actor Guilherme Filipe, Percursos Itinerantes: a companhia de Rafael de Oliveira (artistas associados), Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2007.

Discografia[editar | editar código-fonte]

Um artigo da revista TV-Guia, publicado logo a seguir à morte de Tony de Matos, indicava que a sua voz tinha ficado registada em 70 álbuns e mais de 100 singles. Note-se que até à década de 60 o registo mais usual era o EP com 3 a 4 canções.

Álbuns[editar | editar código-fonte]

  • Tony de Matos (Alvorada) ALB 519
  • Romântico (1985)
  • Cantor Latino (1988)

Singles e EPs[editar | editar código-fonte]

  • Cartas de Amor (1950)
  • Nada e Ninguém (Decca)
  • Maldito (Decca) Pep 1076
  • A Tal (Decca)
  • Escândalo (Decca) Pep 1096 [Ou Tarde Ou Cedo/Tristemente/Escândalo/E A Vida Continua]
  • Gente Maldosa/Tu Sabes Lá/Hás-de pagar/Não Dissemos Adeus
  • Senhor de Mim/Não Diga Nada/A Praia/Pergunta a Quem Quiseres (Decca) Pep 1183
  • Sabe-Se Lá/Confesso/Lisboa Antiga/Ronda Dos Bairros - Decca Pep 1214
  • [Lugar Vazio/Lisboa Casta Princesa/Procuro e Não Te Encontro/Fado da Cezária] (Alvorada) aep60521 - 60621
  • Vendaval/Quarto Alugado/Onde Andarei Eu/Deixa-Me
  • Grande Prémio TV da Canção Portuguesa (Alvorada, 1964) - Oração
  • O Destino Marca a Hora/Não Digas Que Me Conheces/Digo Adeus à Saudade/Viver Sem Ter Amor (1970)
  • Eu Tão Só... (Polygram, 1979) 2063047

Compilações[editar | editar código-fonte]

  • O Melhor de Tony de Matos (EMI, 1992)
  • Melhor dos Melhores nº 22 (Movieplay, 1994)
  • Cartas de Amor - Caravela (EMI, 1996)
  • Melhor dos Melhores nº 95 (Movieplay, 1998)
  • Eu Tão Só... (Coração Português) (Polygram, 1998)
  • Fados (CD)
  • Vol. 1 (CD)
  • Vol. 2 (CD)
  • Clássicos da Renascença nº 38 (Movieplay, 2000)
  • Biografias do Fado (EMI, 2004)

DVD[editar | editar código-fonte]

Está lançado em DVD o registo do concerto que Tony de Matos deu no Coliseu dos Recreios.

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

-Vendaval, De homem para homem, -Destino marca a hora, Só nós dois, Coitado do Zé Maria, Quarto Alugado, De Bar em Bar, A Tal, Quando Cai uma Mulher, Poema do Fim, é que Sabemos, -Hás-de Pagar, Tu Sabes Lá, Vou Trocar de Coração, Maria do Céu, são alguns dos seus maiores sucessos.

Uma das coisas que mais gostava de fazer era a recolha de repertório. Era uma actividade diária de que não abdicava. Pouco tempo antes de morrer revelou que tinha material para mais de três álbuns.

A sua última companheira foi a fadista Lidia Ribeiro, mãe de Teresa Guilherme.

Apesar de durante meia dúzia de anos ter sido quem mais vendeu em Portugal não obteve nenhum disco de ouro (que não existia à data). Não tinha nenhum dos seus discos. Não sabia quantos tinha gravado mas não conseguiria ter todos. Tinha pena porque o seu filho deveria gostar de os possuir.

Não havia fã que lhe escrevesse que ficasse sem resposta. Se o grande objectivo dos artistas é serem conhecidos, a popularidade torna-se muito agradável.

Comentários[editar | editar código-fonte]

"A obsessão do artista é o êxito, o chegar ao público" (...) "A obrigação é o profissionalismo e o bom senso. Por isso o artista deve ter consciência de que uma má actuação não pode ser apagada por nenhuma borracha" (Tony de Matos, 1989)

"representava esse tipo de cantor latino, autêntico, sincero, espontâneo." (Carlos Do Carmo, 1989)

"deixou um espaço (na Música Portuguesa) que é só dele, pelo qual sempre lutou com muita dignidade, e de cabeça erguida. Com ele, que era muito fado, muito marialva, muito bom colega, eu ri, chorei, desabafei, cantei, e representei." (Simone de Oliveira, 1989)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]