Orlando Vilas-Boas

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Orlando Villas Bôas e um índio Txikao (Ikpeng) no segundo contato, 1967
Orlando Villas Bôas e um índio Txikao (Ikpeng) no segundo contato, 1967

Orlando Vilas-boas (Santa Cruz do Rio Pardo, 12 de janeiro de 1914São Paulo, 12 de dezembro de 2002) foi um sertanista brasileiro.

Nascido no interior de São Paulo, aos 29 anos resolveu trocar o emprego e a vida na cidade pela selva. Orlando Villas-boas dedicou grande parte de sua vida à defesa dos povos da selva.

Era o mais velho e último dos irmãos Vilas-boas, além dele, também defenderam os índios Cláudio, Leonardo e Álvaro. Com Cláudio e Leonardo, fez o reconhecimento de numerosos acidentes geográficos do Brasil central. Em suas andanças, os irmãos abriram mais de 1.500 quilômetros de picadas na mata virgem, onde surgiram vilas e cidades. Foi indicado duas vezes para o Prêmio Nobel da Paz, com Cláudio, em 1971 e em 1976, pelo resgate das tribos xinguanas.

Os irmãos lideraram a Expedição Roncador-Xingu, iniciada em 1943 e que depois de 24 anos deixou em seu rastro mais de 40 novas cidades, 19 campos de pouso e o Parque Nacional do Xingu, criado por lei em 1961 com a ajuda do antropólogo Darcy Ribeiro. Na expedição, Orlando, Cláudio, Leonardo e Álvaro mapearam os seus encontros com catorze tribos indígenas, conseguindo permissão tácita para instalar as bases da Fundação Brasil Central. Cuidadosos, eles souberam agir contra idéias militaristas ou contra a ação de especuladores. Crítico da influência do homem branco, Orlando destacava que 400 anos depois do início da colonização européia, cada uma das tribos assentadas às margens do Xingu mantinha sua própria cultura e identidade.

Orlando e seus irmãos ajudaram a consolidar o Parque Indígena do Xingu com o apoio do marechal Rondon, de Darci Ribeiro e do sanitarista Noel Nutels. Orlando chegou, em 1961, a administrar o parque, onde hoje vivem cerca de cinco mil e quinhentos índios de catorze etnias diferentes.

Publicou catorze livros, algumas das aventuras da expedição Roncador-Xingu foram contadas em "A marcha para o Oeste", escrito com Cláudio. Já no fim da vida, Orlando começou a escrever uma autobiografia lançada após seu falecimento.

Foi demitido da Funai, órgão que ajudou a criar, em fevereiro de 2000 pelo seu então presidente, Mares. A demissão causou revolta da opinião pública e retratação formal do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Morreu aos 88 anos, em 2002, no Hospital Albert Einstein, na capital paulista, de falência múltipla dos órgãos.

[editar] Homenagens

Orlando Vilas-boas recebeu diversas homenagens em razão do trabalho desenvolvido, dentre elas:

  • Medalha do Fundador, concedida pela Royal Geographical Society of London, com a aprovação da Rainha da Inglaterra;
Da esquerda para a direita: Willy Brandt (ex-chanceler alemão e premiado com o Nobel da Paz), Richard von Weizsäcker (presidente da Alemanha), Orlando Villas Bôas e desconhecido em 1984 na Alemanha.
Da esquerda para a direita: Willy Brandt (ex-chanceler alemão e premiado com o Nobel da Paz), Richard von Weizsäcker (presidente da Alemanha), Orlando Villas Bôas e desconhecido em 1984 na Alemanha.
  • As mais altas condecorações brasileiras como o “Grau Oficial da Ordem do Rio Branco” e "Grão Mestre da Ordem Nacional do Mérito" entre outras;
  • Membro do "The Explorers Club of New York" ;
  • Foi apresentado para o "Prêmio Nehhu da Paz" bem como para o "Prêmio Nobel da Paz" com indicações de Julian Huxley e Claude Lévi-Strauss.

Recebeu, ainda, cinco títulos "Doutor Honoris Causa" de universidades estaduais e federais brasileiras e algumas dezenas de títulos de cidadãos honorários de todo território brasileiro.

[editar] Ver também


[editar] Ligações externas

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