To Sir, with Love

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To Sir, with Love
O Ódio Que Gerou o Amor (PT)
Ao Mestre, com Carinho (BR)
 Reino Unido
1967 • cor • 105 min 
Direção James Clavell
Produção James Clavell
Roteiro James Clavell
Baseado em E. R. Braithwaite
(filme baseado no romance
To Sir, With Love)
Elenco Sidney Poitier
Christian Roberts
Judy Geeson
Suzy Kendall
Lulu
Género drama
Idioma inglês
Música Ron Grainer
Cinematografia Paul Beeson
Edição Peter Thornton
Distribuição Columbia Pictures
Lançamento Estados Unidos 14 de junho de 1967
Reino Unido 29 de outubro de 1967
Cronologia
Último
Último
To Sir, with Love II
Próximo
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Página no IMDb (em inglês)

To Sir, with Love (br: "Ao Mestre com Carinho"; pt:"O Ódio Que Gerou o Amor") é um filme britânico de 1967, estrelado por Sidney Poitier, que retrata questões sociais e raciais em uma escola localizada na comunidade pobre de Londres. James Clavell dirigiu e escreveu o roteiro, baseado na semi-autobiografia homônima de E. R. Braithwaite.

A canção tema do filme, "To Sir, with Love", cantada por Lulu, transformou-se em um sucesso, liderando as paradas musicais estadunidenses naquele ano, e foi citada pela revista Billboard como a “número um” em 1967. O filme ocupou o número 27 na lista dos 50 melhores filmes de High Schoool[1] na Entertainment Weekly'.

Um filme sequencial, To Sir, with Love II, foi feito para a televisão em 1996.

Impacto cultural[editar | editar código-fonte]

O filme retrata uma ficcional representação da cultura londrina, e estabelece um gênero em que um professor idealista é confrontado com uma classe de adolescentes problemáticos e socialmente desajustados, fora dos padrões escolares convencionais. O primeiro filme nessa linha foi Blackboard Jungle, em 1955 — em que, incidentalmente, Poitier tem um aluno problemático. O filme presente aborda uma situação em que Poitier é um professor negro em uma escola predominantemente de alunos brancos, em Londres. Apesar de tocar no assunto racial, a trama se concentra mais nos usuais problemas da adolescência, em especial numa comunidade pobre, e na necessidade da identificação com a figura de um líder.

Filmes subsequentes exploraram o tema sobre a inspiração no professor, tais como Why Shoot the Teacher?, The Principal, Stand and Deliver, Lean on Me, Dead Poets Society, Dangerous Minds, Music of the Heart, Take the Lead, Freedom Writers e Sister Act 2.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

O nome Braithwaite foi mudado para Mark Thackeray no filme. Quando a história inicia, Thackeray (Sidney Poitier) está assumindo o cargo de professor em uma escola secundária de Londres. Ele veio da Guiana Britânica, via Estados Unidos, e tentou sucessivamente e sem sucesso conseguir um emprego de engenheiro eletrônico. Enquanto aguarda tal emprego, ele aceita o cargo de professor.

O corpo docente tem opiniões de reserva sobre os estudantes da escola. Mr. Weston (Geoffrey Bayldon) é claramente desdenhoso sobre eles, Gillian Blanchard (Suzy Kendall) admite estar temerosa e Head Evans (Faith Brook) previne que, apesar de eles serem, na maioria das vezes, bons garotos, eles vêm de lares violentos, e descontam suas dificuldades sobre os professores. O diretor Florian (Edward Burnham) explica que eles são alunos rejeitados por outras escolas.

Os estudantes correspondem à reputação anunciada pelos professores. Bert Denham (Christian Roberts), e Pamela Dare (Judy Geeson) dominam a classe, indiferentes ao professor. Uma batalha se inicia - Thackeray tenta estabelecer a ordem, e os estudantes resistem à sua autoridade. Os estudantes apresentam um comportamento agressivo e desrespeitoso, embaraçando Thackeray, que tenta manter, através de sua postura, a calma e o respeito com a classe.

Após várias tentativas da classe em desestabilizá-lo, um dia ele perde a compostura, e começa um novo tipo de ensinamento. Ordena que os rapazes saiam da classe, e repreende severamente as moças por seu comportamento. Desgostoso consigo mesmo, Thackeray expressa seu descontentamento e resolve mudar sua postura perante a classe.

Thackeray retorna à classe e estabelece novas regras, tentando uma nova aproximação, demonstrando aos alunos que não há possibilidade de progresso em uma sociedade caótica e desordeira. Aos poucos, ele tenta transformá-los em adultos, e decide, mais do que lhes ensinar a matéria, ensinar comportamento e postura, enfatizando isso através de leituras e da insistência para que busquem seu próprio caminho e se orgulhem de suas aparências e atitudes.

Denham continua a enfrentar Thackeray, mas o restante da classe se rende aos argumentos do professor. Enquanto os ensina sobre a vida, Thackeray aproveita para incentivar neles o gosto pela cultura; ele os convida a visitar um museu, e quando os encontra para a visita, surpreende-se ao vê-los bem vestidos e penteados. A visita é bem aceita e bem aproveitada pelos alunos, e é testemunhada através de fotos em que todos aparecem felizes. Ao voltarem à escola, de ônibus, as moças começam a especular sobre uma possibilidade de recionamento entre Thackeray e Gillian (que acompanhou voluntariamente o grupo ao passeio).

O professor de educação física, Mr. Bell (Dervis Ward), insiste para que o “gordo” Buckley (Roger Shepherd) participe de um salto sobre a mesa na aula de ginástica, a despeito da objeção dos alunos; ocorre um acidente com Buckley, o aparelho quebra devido ao seu peso, e Potter (Christopher Chittell) enfrenta Bell, que tenta agredi-lo com uma das pernas quebradas do aparelho. Thackeray é chamado para resolver a situação; na classe, ele manda Potter falar sobre o incidente, salientando que, se houvesse uma faca, ou uma arma, envolvida, poderia acontecer o pior.

Quando a mãe de um dos estudantes, o único estudante negro da sala, Seale (Anthony Villaroel), morre, a classe faz uma coleta para a coroa fúnebre, mas recusa a doação de Thackeray. Esse, finalmente, recebe uma oferta de emprego, enquanto o diretor o avisa de que a sua tentativa de tornar a classe mais adulta falhou.

A mãe de Pamela vem conversar com Thackeray, preocupada com suas saídas noturnas. Quando Thackeray fala com Pamela, ela insiste que sua mãe não tem direitos sobre ela, e que a presença de homens em sua casa desculpa suas ações. Thackeray pede para que Pamela tenha respeito por sua mãe, ela o acusa, e toda a classe passa, então, a rejeitá-lo.

No ginásio de esportes, Denham insiste para que façam uma aula de boxe, começando entre ele e Thackeray, que reluta em aceitar; a despeito da recusa, Denham o enfrenta e é derrubado e vencido pelo professor. Posteriormente, Denham vai conversar com Thackeray e se surpreende pelo fato de ele não se sentir em vantagem, e sim lhe oferecer a posição de treinador de boxe para os estudantes do próximo ano. Surpreso ante a possibilidade, Denham promete considerá-la, e passa a admirar Thackeray. Ao adquirir a admiração de Denham, Thackeray adquire o respeito de toda a classe, e é convidado, então, para a festa de formatura.

No baile, fica claro para todos que ele trabalhou muito bem. Weston admite que Thackeray é realmente um bom professor, e pede que considere sua permanência na escola. Barbara Pegg (Lulu) anuncia uma dança em que a escolha é da mulher, e Pamela convida Thackeray como seu par. Denham declara que tem “algo especial” para Thackeray, e o presenteia com um caneco, enquanto Lulu canta o tema do filme. Thackeray fica comovido e se retira da festa para sua classe.

Dois jovens estudantes entram impetuosamente na classe, ironizando-o e dizendo que estarão em sua classe no próximo ano. Quando eles saem, Thackeray pondera a situação, tira de seu bolso a proposta de emprego de engenheiro que recebera há poucos dias, rasga-a e a joga no cesto de lixo.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Estados Unidos Laurel Awards

Indicações[editar | editar código-fonte]

Estados Unidos Directors Guild of America

Estados Unidos Laurel Awards

Estados Unidos Grammy

Abordagens[editar | editar código-fonte]

Social[editar | editar código-fonte]

Mediante o assunto e os problemas envolvidos, o filme poderia ter sido muito mais violento, e a linguagem dos alunos, mais obcena. Obviamente, a linguagem e as situações foram adaptadas para a audiência de 1967. O livro em que o filme foi baseado contém linguagem mais explícita em algumas ocasiões.

A vida nas ruas de East End, na época, foi considerada muito brutal, e muitos lares eram violentos, mas não foram mencionados tais fatos, com muita insistência, no filme.

Racial[editar | editar código-fonte]

Thackeray estava tentando emprego de engenheiro há 8 meses, sem consegui-lo. Ele não dá a entender explicitamente o papel racial nesse insucesso, mas admite para o diretor que tal situação pode ter suas “razões”, e faz referências claras, durante o filme, sobre a questão racial na sociedade britânica.

Weston faz referências repetidas sobre a etnia de Thackeray, e se refere a ele como “ovelha negra”, assim como sugere que possa controlar os estudantes usando “magia negra” ou 'voodoo'. Ele não tem intenção racista, mas seu interesse é desdenhar os estudantes. No final do filme, no entanto, fica claro seu respeito não apenas por Thackeray, mas pelo fato de os estudantes estarem bem.

Seales conta a Thackeray que odeia seu pai pelo que fez à sua mãe. Ele salienta o fato de que a sua mãe é 'inglesa', enquanto seu pai é como Thackeray — isto é, negro. Ele insinua que tal casamento é o maior problema que o pai pode ter causado a ela.

Potter pergunta à Thackeray se é oriundo da África do Sul, ao que Denham replica: "Não, seu burro, os sul-africanos são brancos" - uma referência à política racista do apartheid, vigente na Africa do Sul na época em que o filme foi feito. Thackeray, na verdade, é da Guiana Inglesa (atual Guiana).

Após a morte da mãe de Seales, o resto da classe decide comprar uma coroa para o funeral. Quando Thackeray pergunta o porquê de eles não a entregarem pessoalmente, eles admitem que haveria uma porção de problemas se fossem vistos entrando na casa de um negro.

Por ser um filme sobre questões raciais, nota-se, porém, que deixa de lado alguns aspectos retratados no livro, talvez mediante as atitudes raciais do estúdio e às audiências dos anos 60. O romance entre Braithwaite e uma professor branca é retratado, no filme, muito obliquamente, mais como uma relação de amizade.

Estreia[editar | editar código-fonte]

  • Estados Unidos da América — 14 de junho de 1967
  • Suécia — 21 de agosto de 1967
  • Reino Unido — 29 de outubro de 1967
  • Alemanha — 31 de outubro de 1967
  • Áustria — novembro de 1967
  • Argentina — 30 de novembro de 1967
  • Finlândia — 2 de fevereiro de 1968

Recepção[editar | editar código-fonte]

O filme foi muito bem recebido quando de sua realização, e angariou $19.1 milhões em sua apresentação doméstica, sobre um custo de $640,000[7] .

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]