A Plebe (periódico)

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A Plebe foi um periódico anarquista e anticlerical publicado no Brasil por Fábio Lopes dos Santos Luz e Edgard Leuenroth em 1917 e extinto em 1951.

Sob o comando de Edgard Leuenroth, o jornal A Plebe foi lançado no contexto da Primeira Guerra Mundial e da desestabilização dos salários e da vida dos trabalhadores. Em seu primeiro número, afirmava ser a continuação do periódico anticlerical A Lanterna e posicionava-se como um órgão dedicado à luta dos trabalhadores contra a opressão e a miséria no Brasil. Entre seus principais colaboradores estavam Astrogildo Pereira e José Oiticica.

A Plebe publicou notícias sobre vários países, com destaque para os da América Latina e para a Espanha. Manteve uma coluna que tratava da organização e das ações de sindicatos em São Paulo, tanto os do interior quando os da capital. Também dedicou seções à recomendação de livros de tendência libertária. Trouxe, do mesmo modo, artigos que buscavam conceituar para o leitor o que era anarquismo, bolchevismo e comunismo. Seus editores utilizaram-se largamente de ilustrações, muitas vezes produzidas por trabalhadores, e de poesia para difundir a causa operária e libertária.

O editor-proprietário do jornal, Edgard Leuenroth, participou ativamente da greve de 1917 na cidade de São Paulo, tornando-se uma das lideranças do movimento, inclusive através de A Plebe. Por esse envolvimento foi preso, sob a acusação de comandar o saque ao Moinho Santista. A polícia invadiu A Plebe, e o jornal foi empastelado. Com a prisão de Leuenroth, o anarquista Florentino de Carvalho manteve a publicação quase que solitariamente, fazendo uso de vários pseudônimos.

Em 1921 Leuenroth conseguiu reabrir o jornal, mantendo sua circulação até julho de 1924, quando deixou de ser publicado novamente em função da decretação do estado de sítio. Nesse período, de 1923 a 1924, a responsabilidade pela edição de A Plebe ficou a cargo do militante Pedro A. Mota. A Plebe voltou à praça em 1927, quando publicou denúncias sobre o degredo de operários e de ativistas envolvidos no movimento de 1924. Em 1932 sua circulação sofreu várias interrupções em função da aplicação da Lei Celerada, que instituiu a repressão a sindicatos e jornais operários.

Na década de 1930 o jornal publicou diversos textos de conteúdo antifascista, divulgando as reuniões que realizava bem como as organizadas pelo Centro de Cultura Social (CCS). Em um número do ano de 1934, por exemplo, o jornal acusou o governo de Getúlio Vargas e a Igreja Católica de nazi-fascistas. Nesse período, diante da aproximação de duas forças conservadoras – o movimento integralista e Igreja Católica –, muitos militantes anarquistas aderiram à Aliança Nacional Libertadora (ANL), ainda que tivessem discordâncias quanto às formas de ação política por ela preconizadas. No bojo da repressão governista à ANL, em 1935 A Plebe fechada mais uma vez.

Na década seguinte, mais especificamente no dia 1 de maio de 1947, A Plebe foi relançada por Edgard Leuenroth. Na tentativa de fazer reviver a militância libertária, contou com a colaboração de Liberto Lemos Reis e de Lucca Gabriel, militantes articulados ao CCS. Sob a direção de Rodolpho Felippe, manteve-se até 1951, quando parou de circular definitivamente.[1][2]

Com a reativação da Federação Operária de São Paulo, o jornal A Plebe volta a ser publicado.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Dantas, Carolina. «PLEBE, A» (PDF). Fundação Getulio Vargas. Consultado em 21 de Julho de 2017 
  2. CARNEIRO, M.; KOSSOY, B. Imprensa; SILVA, E. Maçonaria; TOLEDO, E. Trajetória. Consultado em 21 de Julho de 2017


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