A Turma da Pilantragem

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A Turma da Pilantragem
Informação geral
Origem São Paulo, SP
País  Brasil
Gênero(s) MPB, samba, soul, rock
Período em atividade 19681970
Gravadora(s) Philips Records, através do selo CBD.
Afiliação(ões) Nonato Buzar
Influência(s) Chris Montez
Integrantes Pedrinho Rodrigues, Cassiano, Edson Trindade, Amaro, Camarão, Alda Regina, Nelsinho da Mangueira, Rui Felipe, Regininha, José Roberto Bertrami, Alex Malheiros, Victor Manga, Fredera, Márcio Montarroyos, Ion, Raul de Souza, Tartaruguinha, Dorinha Tapajós, Málu Ballona

A Turma da Pilantragem foi o nome de um grupo musical surgido no movimento cultural brasileiro denominado Pilantragem, em fins da década de 1960.

Definição[editar | editar código-fonte]

Segundo um de seus mentores, Carlos Imperial, pilantragem é a apoteose da irresponsabilidade consciente.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Pilantragem[editar | editar código-fonte]

A Pilantragem nasceu como samba-jovem (já que fazia concessão ao uso da guitarra elétrica nos arranjos) num momento de grande efervescência cultural, quando a Jovem Guarda e a Tropicália agitavam a juventude brasileira. O movimento, idealizado por Carlos Imperial a pedido de Wilson Simonal, reuniu outros artistas como Cesar Camargo Mariano e Nonato Buzar. Este último formaria em 1968 o grupo conhecido como Turma da Pilantragem.

A principal característica musical da Pilantragem, definida por Imperial, era o samba tocado em compasso 4/4, inspirado no rock e no soul estadunidenses, particularmente nas gravações de Chris Montez feitas com o arranjador Herb Alpert do Tijuana Brass.[2] Curiosamente, Buzar não acreditava que a ideia pudesse dar certo, e até ofereceu a sua parte na parceria de Carango, música composta com Imperial, por "100 contos".[1] Imperial, contudo, conseguiu convencê-lo a não fazer isso. Finalmente, a música estourou nas paradas de sucesso e Buzar transformou-se num dos grande promotores e compositores do gênero, emplacando sucessos como Uni-du-ni-tê e Vesti azul.[1]

Nesta época, Simonal era o apresentador do programa "Show Em Si… monal" na TV Record (o primeiro programa de TV apresentado exclusivamente por um negro no Brasil),[3] e, segundo recorda Carlos Imperial, a palavra que mais surgia nas conversas entre eles e Cesar Camargo Mariano era "pilantragem". Decidiram então descartar a expressão "samba-jovem" e assumir a "pilantragem", a qual é oficialmente apresentada aos ouvintes na música Nem vem que não tem (letra de Imperial, arranjos de Mariano e voz de Simonal). Na abertura da mesma, o cantor declara: vamos voltar à Pilantragem.[1]

Em 1968, o trio gravou um LP, Pilantrália com Carlos Imperial e a turma da pesada.

A Turma da Pilantragem[editar | editar código-fonte]

Definitivamente convencido pela arrecadação dos direitos autorais de que a Pilantragem era, enfim, uma boa coisa, Nonato Buzar montou seu próprio grupo em 1968, A Turma da Pilantragem. Ao seu lado, Pedrinho Rodrigues, Cassiano, Edinho Trindade, Nelsinho da Mangueira, Alda Regina e Regininha, entre outros. O grupo lançou um LP homônimo em 1968 (A Turma da Pilantragem). Em 1969, após algumas trocas de componentes, o grupo gravou um segundo LP (também homônimo) e um A Turma da Pilantragem Internacional. Em 1970, o grupo se dissolveu.[4]

Homenagem[editar | editar código-fonte]

Em 2009, Ed Motta lançou em seu álbum Piquenique uma faixa intitulada justamente "A Turma da Pilantragem", onde homenageia o gênero musical. A música, cantada em dueto com Maria Rita, foi composta por Motta.[5]

Integrantes[editar | editar código-fonte]

  • Formação original (1968):
    • Pedrinho Rodrigues: saiu em 1969
    • Cassiano: saiu em 1969
    • Edinho Trindade: voz
    • Amaro: saiu em 1969
    • Camarão: voz
    • Alda Regina: saiu em 1969
    • Nelsinho da Mangueira: saiu em 1969
    • Rui Felipe: saiu em 1969
    • Regininha: voz
  • Nova formação (1969-70):
    • José Roberto Bertrami: piano
    • Alexandre Malheiros: baixo
    • Vitor Manga: bateria
    • Fredera: guitarra
    • Márcio Montarroyos: trompete
    • Ion: saxofone
    • Raul de Souza: trombone
    • Tartaruguinha: percussão
    • Dorinha Tapajós: voz
    • Málu Ballona: voz
    • Regininha: voz
    • Camarão: voz
    • Edinho Trindade: voz

Discografia[editar | editar código-fonte]

Nome Ano Selo Mídia
A Turma da Pilantragem 1968 Philips Records LP
A Turma da Pilantragem 1969 Philips Records LP
A Turma da Pilantragem Internacional 1969 Philips Records LP

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d Hayssa Pacheco (novembro de 2006). «A "pilantragem"na música brasileira». Diário de Natal. Consultado em 13 de fevereiro de 2009 
  2. Revista Época #597,26 de outubro de 2009 em artigo sobre a biografia de Simonal chamada "Nem vem que não tem - A vida e o veneno de Wilson Simonal", de Ricardo Alexandre
  3. Mônica Herculano (2004). «Wilson Simonal: o rei do Pa-tro-pi». Digestivo Cultural. Consultado em 13 de fevereiro de 2009 
  4. «A Turma da Pilantragem». Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Consultado em 13 de fevereiro de 2009 
  5. «Ed Motta de volta à pista influenciado por Rita Lee». O Estado de S. Paulo. Consultado em 14 de novembro de 2009 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]